Chapéus de fazer Carnaval...
quinta-feira, 31 de janeiro de 2008
quarta-feira, 30 de janeiro de 2008
Muito obrigada...
... a todos os que adoram viajar nos transportes públicos com as janelas bem fechadas (e impedem qualquer outro de as abrir), por terem medo que entre uma ponta de frio que seja que os faça constiparem-se ou apanharem uma gripe!
Muito obrigada a todos vocês porque, para além de ter apanhado uma grandesíssima constipação há 15 dias atrás, nesta última semana consegui ainda a fabulosa proeza de ficar com uma tosse terrível (como nunca tinha ouvido ou tido na minha vida) e até parece que ando tuberculosa!
Muito obrigada a todos vocês porque, sem dúvida alguma, contribuíram largamente para que todos os micróbios e miasmas dos restantes passageiros (ou de vocês próprios) se concentrassem no ar pútrido que tenho de respirar durante mais de meia-hora até que consiga, finalmente, sair do autocarro.
Muito obrigada... sem vocês não teria conseguido!
Muito obrigada, ainda, por terem feito com que apanhasse esta constipação... porque só assim tenho conseguido suportar (sem olfacto) o inacreditável odor a sujo ou podre que se cheira quase todos os dias de manhã no autocarro nº 767.
P.S. - Desejo a todos vocês, que apanhem uma valente gripe, que vos deixe de cama durante um mês... para ver se aprendem a abrir janelas e a arejar o ar que todos temos que respirar, quando viajamos num transporte público e colectivo.
Afinal de contas, o ar é de todos... ou já não é?!
terça-feira, 29 de janeiro de 2008
O "fiu fiu" que me irrita (à brava)
Comecei a ouvi-lo a meio da semana passada, na estação de metro da Alameda.
De início, como não me apercebi nem via de onde provinha aquele som, pensei tratar-se de algum jovem com pretensões a engraçadote, que importunasse daquela forma ritmada e sistemática os restantes viajantes.
Ontem à noite, quando voltava para casa depois de mais um extenuante dia de trabalho na Bobadela, continuei a ouvi-lo... e, persistindo sem conseguir visualizar qual a origem daquele som, ainda me passou pela cabeça que um papagaio ou uma caturra se tivessem perdido no metropolitano e andassem para ali empoleirados a assobiar (o que não seria nada de espantar, dado que no hipermercado Continente do Centro Comercial Colombo também existem pássaros que esvoaçam por entre os grandes tubos metálicos do tecto. Ou nunca repararam?).
Só esta manhã, quando as portas da carruagem do metro onde vinha se abriram e os passageiros saíram apressados, ouvi novamente o tal "fiu fiu"... deparando-me, mesmo à minha frente, com um moopie em tons de bordeaux, de onde saltavam à vista os rostos de dois jovens com copos de cerveja nas mãos.
Percebi, finalmente, que aquele irritante e insistente assobio, que ouvia há quase uma semana, de 15 em 15 segundos na estação de metro da Alameda, se tratava de uma forma de publicitar a cerveja Sagres, através de umas colunas de som ligadas ao tal moopie.
Depois, em conversa com uma colega de trabalho, fui informada que "eles" se apoderaram de uma série de outras estações de metropolitano.
E aí assustei-me a valer, pensando naquela invasão-publicitária!...
Num segundo momento, compadeci-me de todos aqueles cidadãos anónimos que, à semelhança do que sucede comigo, ao tentarem regressar a suas casas depois de 8 horas de trabalho, são bombardeados (contra sua vontade) com aquele assobio irritante e persistente... O qual poderá provocar em algumas pessoas uma valente crise de esquizofrenia, ou, até mesmo, conduzir a atitudes agressivas contra outrém (o que, quando exercidas dentro de uma estação ou carruagem de metro, poderia ser extremamente perigoso... ou não se tratasse o metropolitano de um "transporte de risco", com todos aqueles encontrões e ultrapassagens a que, diariamente, assistimos).
Finalmente, pus-me a pensar se não poderíamos processar o Metropolitano de Lisboa por danos públicos ao cérebro e nervos dos seus passageiros?
domingo, 27 de janeiro de 2008
Manhã de Domingo
Encontro com uma bela borboleta no parapeito da janela da cozinha...
... e uma gata preta e branca que, altaneira no cimo de um muro, enquanto se banhava ao sol quente matinal, parecia servir de guarda àquela casa ancestral.
Quando me aproximei para lhe tentar tirar uma fotografia, aproximou-se logo de mim, começando a miar e a roçar o dorso pelo muro, pedindo festas.
Não fui capaz de resistir e lá lhe dei um round de miminhos, enquanto ela ronronava e se contorcia toda tentando brincar com as minhas mãos.
Tal como todas as gatas petas e brancas, também esta parecia muito brincalhona e sociável.
O seu nome "Preta", tal como vinha inscrito a caneta na sua coleira, juntamente com dois números de telefone, provavelmente dos donos, que habitarão ali nas proximidades e a deixam vir à rua.
sábado, 26 de janeiro de 2008
Língua-de-Gata
sexta-feira, 25 de janeiro de 2008
Notas Soltas - CIII
- Olívia: PARA ADOPÇÃO -
A Olívia é esta ternurenta cadelinha...
... mais uma vítima de abandono.
Infelizmente, enquanto as mentalidades e o respeito pelos animais neste país não forem mudados, continuaremos a assistir a estas situações deploráveis e impunes).
Quis o destino da Olívia que ela se cruzasse com a Nice, que não lhe conseguiu resistir aos encantos e deixá-la ali sozinha.
Infelizmente, a Nice já tem 2 cães e (mesmo que quisesse) não pode ficar com esta cachorrinha.
A Olívia precisa de um/a dono/a responsável, que saiba que um animal não é um brinquedo, alguém que lhe possa dar carinho e um lar.
Para acompanhar toda a história e ver os contactos para adopção, seguir este link.
- Voltou!... -
... ou melhor, fi-lo voltar, porque fiquei completamente viciada neste canal de televisão.
quinta-feira, 24 de janeiro de 2008
A paixão da Miyuki pela água

Depois de, durante alguns meses, ter vivido no WC de uma Clínica Veterinária, a minha Miyuki passou certamente a adorar água!...
Para isso, também, deve ter contribuído o facto de, muito provavelmente, nos 3 dias que passou enclausurada no Canil/Gatil Municipal de Lisboa, não dever ter havido o banho diário de mangueirada de água fria (senão, a gatinha de certeza que não poderia ver água à sua frente).
De início, quando chegou cá a casa, refugiava-se no lavatório, onde dormia longas sestas. Depois, quando me apanhava a lavar os dentes, vinha dar-me beijinhos, por adorar o cheiro mentolado do dentífrico. A seguir, passou a ser a cena do lavar a louça... não me podia ver a lavar louça, depois do jantar, que vinha logo a correr para o meu lado, ver a água que escorria para os pratos e talheres.
A última aconteceu esta semana... A Miyuki atira-se literalmente para dentro do lavatório, com as patas dianteiras, quando vê a água que se acumulou a ser escoada.
quarta-feira, 23 de janeiro de 2008
Sugestão do Sítio do Costume
"Les Petit's Papiers"
(adaptação de um original de Serge Gainsbourg para o CD "Liberté de Circulation").
Uma das primeiras músicas que ouvi, quando cheguei a Paris, há 7 anos atrás, para estudar as migrações e relações interétnicas.
Porque as causas também podem ser (bem) associadas a músicas... quando penso neste assunto, associo-o sempre a esta canção.
terça-feira, 22 de janeiro de 2008
Notas Soltas - CII
- "Finito"! -
Sem qualquer pré-aviso, depois de 3 meses, chegou esta noite ao fim a boa vida (e a promoção) dos cento e tal canais de TV cabo à borla!...
Verdade seja dita, pouco mais via do que 5 ou 6 determinados canais.
Mas o golpe foi bem duro e contundente, já que calhou exactamente hoje, que dava o episódio nº 20 do "Heroes" na FOX...
Felizmente, entre trabalho que trouxe para fazer em casa e a acta da última reunião de condomínio (que ainda tenho que transcrever para o livro de actas), sempre vai dando para mitigar a ressaca destes dias de vício televisivo.
- As fotografias que nunca tirei -
Através do Elogio da Sombra, descobri hoje um (outro) excelente blog, onde se fala sobre algo que, desde que adquiri a minha Nikon, me tem atormentado bastante a mente...
As fotografias não tiradas...
Arrependo-me muito mais das fotografias que, por um motivo ou outro, nunca cheguei a poder tirar... do que daquelas que ficaram mal tiradas!
A falar aqui futuramente.
- Lembram-se... -
segunda-feira, 21 de janeiro de 2008
Jardim Comunitário
"Sim, o homem é o seu próprio fim. E é o seu único fim.
Se quer ser qualquer coisa, tem de ser nesta vida. (...)
Os conquistadores são os que podem mais.
Mas não podem mais do que o próprio homem quando ele o quer."
Albert Camus, in "O Mito de Sísifo"
De início, era um simples terreno vazio, que sobrara entre dois quarteirões de prédios de ruas vizinhas.
Nenhuma entidade responsável se decidira a fazer o que quer que fosse pelo dito cujo terreno. Até que os moradores vizinhos se uniram e meteram mãos à obra, transformando aquele espaço-de-ninguém num aprazível jardim comunitário.
Sabia da sua existência, mas nunca por ali havia passado...
Esta manhã, para encurtar caminho até à paragem de autocarro, decidi ir por ali. E o espanto foi imenso, quando vi o tamanho e a beleza daquele lugar.
Comecei a tirar algumas fotos. Até que uma senhora, que por mim, passou indicou-me um outro local escondido naquele jardim, que "esse sim, merece a pena ser fotografado!", segundo as suas palavras.
Uma senhora de bata aos quadrados azuis e olhar terno de menina, sentada numa esplanada improvisada, dava de comida a uma gata, um dos dois felinos que habitam aquele jardim, segundo viria a descobrir mais tarde.
Pausa na minha atribulada e atrasada manhã, para uma conversa com mais uma dessas pessoas que aqui no blog vou "coleccionando".
À despedida transmito-lhe os meus sinceros parabéns (extensivos a todos os seus vizinhos) pelo excelente trabalho que ali realizaram...
E prometo (a mim própria) ali regressar, muitas e muitas vezes, quando me apetecer desanuviar e pensar que me encontro longe do rebuliço da cidade.
Surgiram nos E.U.A., durante os anos 70, quando um movimento de habitantes começou colectivamente a recuperar determinados espaços urbanos, dentro dos seus bairros, votados ao abandono, transformando-os em "jardins comunitários".
Cada um desses jardins cristalizava as aspirações do grupo de cidadãos que estivera na sua origem.
A primeira vez que vi algo semelhante a este jardim foi em Bayonne (França), num terreno junto ao rio, cedido pela Mairie, para que os habitantes mais desfavorecidos e excluídos de um determinado bairro da cidade pudessem ali ocupar os seus tempos livres.
O conceito era mais compartimentado e menos colectivo do que este jardim de Lisboa, uma vez que, em Bayonne, cada habitante tinha direito a uma pequena parcela de terreno, protegida com vedação... "rivalizando" cada um deles entre si, de modo a transformar a sua parcela em algo mais belo do que a do vizinho.
Espaços de solidariedade e troca, expressão de uma vitalidade social que ainda não está perdida nas grandes cidades...
Gostei deste conceito comunitário!
sexta-feira, 18 de janeiro de 2008
Notas Soltas - CI
- Vila Ventura -

Criado com Arc Soft Panorama Maker 3
Um enorme agradecimento ao PMBC, que, há 7 meses atrás, me deixou um post muito especial no seu blog (***) sobre uma das vilas mais bonitas de Benfica... sobre a qual já aqui tinha falado (e, também, aqui).
(***) o qual só agora vi, por ter instalado uma ferramenta mais adequada para me ir mantendo updated sobre outros blogs que criêm links com o meu.
- Dª. Tina -
De costas para a porta da loja, enquanto procurava a ração para as minhas nininhas, ouvia-a entrar, protestando contra alguma coisa. Ao longe, enquanto passa, alguém diz:
- “Boa tarde Dª. Tina!”
Chegou perto do escaparate onde me encontrava, olhou para mim e perguntou-me:
- “Oh menina, sabe onde estão as pedras para gato?”
Indiquei-lhe um corredor à direita.
Passados uns breves instantes, voltou a chamar-me:
- “E sabe quais são as melhores pedras, menina?”
Olhei para ela de alto a baixo, meio de soslaio.
Dª. Tina, nos seus 60 e muitos anos, tinha um ar humilde e um pouco desleixado, apesar do seu rosto revelar um porte extremamente fino. Nos pés trazia umas sandálias abertas, que deixavam vislumbrar umas unhas enegrecidas e malsãs.
Expliquei-lhe, então, que as pedras em granulado dos sacos de 10 lts. eram as mais baratas, apesar das pedras de areia fina aglomerante em pacote de 5 lts. serem mais higiénicas e, normalmente, durarem mais do que as primeiras.
- “É para o meu gato. Ele é assim como… [breve pausa, olhando por momentos no vazio] é assim como este [aponta para um gato branco, numa embalagem na prateleira ao lado]. Só tenho um gato agora. Dantes tinha muitos… mas as pessoas viam como eles estavam bonitos e gordos e comecei a dá-los. Se calhar vou levar antes este! [apontando para o pacote de pedras mais caro]”
Digo-lhe que esse pacote custa 8€ e alguns cêntimos, ao passo que o outro é só 2€ e qualquer coisa.
- “E isto está tão mau! Está tão mau!... Saí hoje para ir cortar o cabelo [passa as duas mãos pelo seu cabelo grisalho encaracolado, alisando-o nervosamente], mas já não fui. Isto está tão mau e todos me pedem dinheiro. Outro dia emprestei 20€ a um que me pediu, porque tive pena, mas já sei que não me devolvem o dinheiro. O meu marido, que Deus o tenha em descanso [junta as duas mãos, olhando para cima, como se estivesse a rezar] não… mas o meu irmão se sabe que ando assim a tirar dinheiro do banco, vai zangar-se comigo.”
Por breves instantes, não consigo deixar de pensar que, no momento seguinte, a senhora me vai pedir para lhe pagar as pedras que quer levar. É muito triste este tipo de pensamentos passarem-nos assim pela cabeça, mas, infelizmente, é o próprio mundo em que vivemos que os propicia.
Mas Dª. Tina não me pede o que quer que seja e continua, somente, a balbuciar um infindável monólogo sobre o estado do mundo, com as lágrimas prestes a marejarem-lhe os olhos.
Sem saber muito bem o que fazer, digo-lhe para ter calma e desejo felicidades e um bom ano.
E é, então, que ela se vira para mim e diz:
- “Deixe-me dar-lhe um beijo, minha querida!”
E, num sorriso imenso mas com as lágrimas já a escorrerem-lhe timidamente pelos olhos, aproxima-se de mim, agarra-me o rosto com as suas duas mãos encarquilhadas, e dá-me um beijo na testa, como se costuma fazer às crianças.
Despeço-me e volto à minha vida… e às minhas compras.
Quando, finalmente, chego ao balcão da loja para pagar, Dª. Tina ainda está na fila à minha frente, com o seu pacote de areia para gato. Pergunta à empregada da loja qualquer coisa sobre um produto vitamínico para felinos, retira uma nota de 10€ enrolada a um cartão Multibanco de dentro do bolso das calças e, por instantes, olha para trás… e já não me reconhece.
- “O que é que eu vinha aqui comprar?” – pergunta a si própria, já depois de ter pago à empregada e de em cima do balcão, mesmo à sua frente, se encontrar o pacote de areão.
Ninguém lhe responde. Os dois jovens empregados por detrás do balcão evitam olhar para ela, como se, para além de ter perdido a razão, a senhora tivesse também ficado invisível e não estivesse ali.
Subitamente, a mente de Dª. Tina regressa ao seu corpo e ela diz…
- “Ah, era isto!” [enquanto pega no pacote em cima do balcão]
Olha outra vez para mim e parece voltar a reconhecer-me.
- “A menina também vai levar pedras?” [diz enquanto coloco os 2 sacos de ração e o pacote de pedras em cima do balcão]
Respondo-lhe que sim e sorrio para ela.
quinta-feira, 17 de janeiro de 2008
5 Filmes
Seguindo este desafio que me lançaram, aqui ficam as minhas preferências cinéfilas...
A escolha é algo complicada de fazer (pois ainda existiriam mais uns dois ou três filmes a incluir nesta lista), mas estes 5 são mesmo aqueles que, contas feitas, são para mim os melhores filmes...
"Le Fabuleux Destin d'Amélie Poulain", de Jean-Pierre Jeunet (2001).

Já aqui tinha falado sobre ele, há uns tempos atrás. E não há muito mais a dizer... é um dos filmes da minha vida (senão mesmo "O" filme da minha vida)!
"Brazil", de Terry Gilliam (1985).
Também já tinha falado sobre este. Comparo-o um pouco ao "1984" de Orwell na literatura, mas com um toque clássico de humor do seu inconfundível realizador."Amateur", de Hal Hartley (1994).
Porque consegue falar de sentimentos, estados de espírito, insatisfações humanas de uma forma quase teatral, que, adaptada ao cinema, nos dá este estilo único e quase cómico."Le Temps des Gitans", de Emir Kusturica (1989).
Antes de "Underground" e de "Gato Preto, Gato Branco", aquele que, para mim, é uma das maiores obras-primas de Kusturica... pelo sonho e magia que nos transmite (já para não dizer que as bandas sonoras de Goran Bregovic eram muito melhores nesta altura!)."Les Amants du Pont Neuf", de Leos Carax (1991).
quarta-feira, 16 de janeiro de 2008
terça-feira, 15 de janeiro de 2008
O meu Prédio - II
Os prédios em que habitamos são como as pessoas, na sua longa existência...
As próprias pessoas vão transformando os prédios naquilo que eles são, ou que não são.
E a verdade é que os prédios vão sofrendo diversas e sucessivas fases, consoante os seus habitantes se vão regenerando (entenda-se como: vão vendendo os seus andares, mudando de inquilinos, etc., etc.).
Esta manhã, ao pequeno-almoço, relembrava uma conversa telefónica que tivera na véspera com a filha de uma vizinha já idosa que, supostamente, deveria passar a exercer funções na nova administração do condomínio...
E dei comigo a ter uma daquelas atitudes perfeitamente humanas, mas do mais descarado e incorrecto que possa existir: invejar a casa e o quintal da minha vizinha de baixo (inquilina da dita cuja senhora idosa, que paga uma renda baixissíma, da qual a filha se queixava ao telefone). A páginas tantas, a minha imaginação começava já a deambular por onde poderia abrir um buraco, dentro de minha casa, para fazer passar umas escadas em caracol para o andar de baixo, caso a filha da senhora idosa se decidisse a correr de lá com a inquilina e o colocasse à venda.... e aquele quintal longo e estreito, que tanto jeito daria para colocar as minhas alfazemas, a tamarix e a buganvília que vivem apertadinhas na varanda da frente... isto já para não falar dos gatos ostracizados dos quintais vizinhos, que em vez de serem enxotados com baldes de água fria (como sucede actualmente), passariam a ter comidinha a horas certas e uma vida mais refastelada.
Inveja, pura inveja!... Uma atitude que não costumo ter... mas errar é humano!
Curioso, então, que, depois desta cena matinal... e, mais uma vez, motivada por questões do Condomínio, tenha terminado este dia a ouvir histórias de outros tempos, a propósito dos vizinhos que habitaram o meu prédio há 30 anos atrás!
Devido à passagem de testemunho para a nova administração, reunião ao final da tarde, em minha casa, com um dos sucessores: o médico cujo consultório fica no R/c Esqº. do prédio, cujos antepassados já exerciam a mesma profissão no exacto local.
E, a dada altura, um manancial de informação relembrando os vizinhos de outros tempos e as histórias do prédio começa a sair-lhe, assim a modos que em catadupa, da boca. A minha vizinha de parceria de administração um pouco enfadada, revirava os olhos e pegava constantemente no telemóvel. Enquanto os meus olhinhos fervilhavam, só de pensar no texto que poderia aqui colocar no blog, para complementar este outro que escrevi há algum tempo atrás, quando me mudei para aqui.
Nós, os antropólogos somos assim... mas temos sempre desculpa para esta curiosidade "mórbida" com que ouvimos os detalhes sobre outras vidas.
Infelizmente, ainda, não poderá ser hoje que faço o gostinho ao dedo (literalmente) e aqui deixo mais uma crónica sobre o meu prédio... Valores mais elevados se levantam, com uma reunião plenária no emprego durante todo o dia de amanhã (e ainda tenho que ir redigir prioridades para 2008).
segunda-feira, 14 de janeiro de 2008
"Cortes" - XIX
Cena final de "In America ", de Jim Sheridan (2002).
Uma família irlandesa imigra clandestinamente para os E.U.A., em busca de uma vida melhor... tentando ultrapassar a dor de uma perda... tentando reconstruir-se a cada instante.
Um filme tão depurado e simples, quanto belo e intenso. Com duas "pequenas" actuações de grande envergadura.
Adorei o facto de a irmã mais velha andar sempre com a câmara de filmar atrás, para "guardar" e relembrar os bons momentos da sua vida.
Muito, muito bom!
Apesar deste vídeo do You Tube não ser lá grande coisa e repetir os últimos segundos...
domingo, 13 de janeiro de 2008
sexta-feira, 11 de janeiro de 2008
Notas Soltas - C
Eis-me, finalmente, chegada à Nota Solta nº 100...
E já tanto tempo passado desde que esta forma de me auto-arrumar as ideias surgiu!...
- Chegaram hoje ao fim... -
Dois intermináveis anos na Administração do Condomínio do meu prédio.
Apesar das ressalvas da minha mãezinha, acabei por não ser, de modo algum, uma ditadora... mas tive que aguentar grandes dramas com a limpeza do prédio, dívidas (que se eternizavam) por parte de condóminos ausentes, obras (sugeridas por todos) mas nunca realizadas em administrações anteriores... e, finalmente, a famosa novela do caixote do lixo.
Ao fim destes dois anos, depois de já (quase) ter passado a pasta a outros, sinto uma alegria estupidamente agradável, ao pensar no fardo que me saíu de cima dos ombros!
Daqui a dois anos há mais!...
- Do lado de lá -
É uma sensação muito estranha aquela de já nos termos vislumbrado do lado de lá e, em determinado momento das nossas vidas, passarmos a estar do outro lado!...
Reaviva-se no nosso espírito todo o stress que sentimos naquele dia, as palavras que mal conseguíamos proferir ficando coladas aos lábios secos de tantos nervos à flor da pele.
E o alívio, o imenso alívio de quando nos voltam a chamar à sala e, com o coração aos saltos, ouvímos, finalmente, alguém mencionar a nota que tivémos.
Esta tarde voltei à minha faculdade, para estar presente como orientadora na defesa de um relatório de estágio.
E a empatia criada com aquele momento foi muito grande!...
quarta-feira, 9 de janeiro de 2008
Estamos perdidos há muito tempo...
Depois do (lavar-a-alma do) post anterior, não poderia vir assim uma coisa qualquer comezinha, mundana e bastante trivial... Até me sentiria mal comigo própria!
Por isso, aqui fica uma pequena pérola de sabedoria, a demonstrar que este país nunca esteve bem.
Muito obrigada, Sara Cacao, pela inspiração em nota de rodapé de um dos teus e-mails! :)
"Estamos perdidos há muito tempo...
O país perdeu a inteligência e a consciência moral. Os costumes estão dissolvidos, as consciências em debandada. Os caracteres corrompidos. A prática da vida tem por única direcção a conveniência. Não há princípio que não seja desmentido. Não há instituição que não seja escarnecida. Ninguém se respeita. Não há nenhuma solidariedade entre os cidadãos. Ninguém crê na honestidade dos homens públicos. Alguns agiotas felizes exploram. A classe média abate-se progressivamente na imbecilidade e na inércia. O povo está na miséria. Os serviços públicos são abandonados a uma rotina dormente. O Estado é considerado na sua acção fiscal como um ladrão e tratado como um inimigo. A certeza deste rebaixamento invadiu todas as consciências. Diz-se por toda a parte, o país está perdido!"
EÇA DE QUEIROZ, in Revista "Farpas" (1871)
segunda-feira, 7 de janeiro de 2008
Eu, fumadora, me confesso…

Profundamente irritada e revoltada, a cada dia que passa, desde que a nova Lei do Tabaco entrou em vigor!
Sou uma fumadora (muito) moderada (5 a 6 cigarritos por dia, apenas para combater o stress… e um pouco mais, quando saio com os amigos), que sempre respeitou o seu semelhante não-fumador.
Quando falo em respeito pelo Outro refiro-me a um dos valores pelos quais tento pautar a minha vida. Neste caso concreto, e mais explicitamente, refiro-me ao facto de nunca ter fumado em balcões de cafés ou pastelarias, de me desviar sempre das filas de pessoas nas paragens de autocarros quando me apetece fumar (para tentar que ninguém leve com o fumo), de não fumar em restaurantes quando via que nas mesas circundantes alguém tomava a sua refeição…
E é, precisamente, esse respeito que sempre tive que, actualmente, me dá o pleno direito de me sentir profundamente revoltada com a segregação a que os fumadores deste país foram votados com a entrada em vigor desta nova Lei.
Porque, desde o dia 01/01/08, os governantes deste país perderam todo o respeito por pessoas como eu e tantos outros!!
Quando em 2003 visitei em trabalho Gotemburgo, na Suécia - um país bem mais civilizado do que o nosso -, já não se podia fumar em ambientes fechados (neste caso, centros comerciais); no entanto, no que toca a bares e discotecas, os seus proprietários deveriam dispor de espaços para fumadores e outros para não-fumadores, para que nenhum dos seus clientes se sentisse discriminado.
Também em Abril de 2004, fui “apanhada” em plena entrada em vigor da nova lei do tabaco, quando visitei a Irlanda em trabalho. Nesse país bastante conhecido pelos seus pubs, havia quem, na véspera da entrada em vigor da lei, dissesse que no dia seguinte haveria motins em Dublin e que nenhum irlandês que se prezasse aceitaria tal lei… Curiosamente (ou talvez não), o facto é que não houve motins nem quaisquer outros problemas na noite de Dublin, e numa alegre confraternização, não-fumadores juntavam-se aos fumadores, no exterior dos pubs, nas mesas altas com cinzeiros e candeeiros de aquecimento (alterações essas efectuadas pelos próprios estabelecimentos, de modo a não perderem clientes).
Como bons (e pacóvios) portugueses que são, os nossos governantes quiseram ir mais além, fazer mais e melhor do que um país tão civilizado como a Suécia ou do que um país caridoso como a Irlanda.
E então, toca de redigir uma lei (mais que) restritiva, que conduza rapidamente à perseguição, guetização e extinção de todo e qualquer fumador.
Como se já não tivéssemos neste belo país à beira-mar plantado suficientes guetos e discriminações, faltava-nos agora mais esta!
Os não-fumadores que me perdoem, mas não me venham com a desculpa do terem sido durante anos a fio discriminados, ao terem que levar com o meu fumo e o de muitos outros indivíduos…
Porque esta lei, para evitar a vossa discriminação, parece que, afinal, veio discriminar (e perseguir) outros!!!
Senão, porque é que a dita cuja lei não estabelece, à semelhança de nuestros hermanos, que cada estabelecimento comercial é livre de decidir se vai banir os fumadores ou mantê-los (sem falarmos na questão da criação das zonas “especiais” para os mesmos, já que muita tinta rolaria por essas discrepâncias estabelecidas pela lei)?
E acham que esta lei foi mesmo feita para vos proteger, caros leitores não-fumadores?
Então porque é que o dióxido de carbono dos automóveis de tantos de vocês (sim, que eu nem sequer carta de condução tenho, por isso aí não me podem acusar de conspurcar o ar!) continua diariamente a empestar o ar que deveria ser de todos?
Porque é que a Autoridade de Segurança Alimentar e Económica continua à caça da bola de Berlim, da ginginha e das castanhas embrulhadas em folhas das páginas amarelas, enquanto as cadeias de fast food continuam livre e desapiedadamente a engordar e criar problemas coronários a tantas crianças e adolescentes?
Os nossos próprios governantes e fiscalizadores parecem constantemente dizer-nos: “faz como eu digo, mas não faças como eu faço”…
E, sobretudo, porque é que o mesmo governo que proíbe e vê no tabaco a encarnação do mal de todos os males ao cimo da Terra, continua a arrecadar lucros da Tabaqueira nacional?
Desde que a fruta e os legumes produzidos nos Estados-Membros passaram a ser concebidos à luz de centímetros específicos (sendo que se extravasam o ideal normalizado passam a tratar-se de lixo… com tanta gente por aí a morrer de fome, senhores!!!!) e os agricultores se revoltaram sem que lhes tivesse sido dado cavaco, desde essa altura que deveríamos ter parado um pouco para pensar no que nos estava prestes a acontecer!
Leis deste género passaram a emanar da Comissão, para promover o “bem” de todos os cidadãos europeus… cabendo aos Estados-Membros fazer o melhor possível por a elas se adaptarem, com todas as 27 especificidades culturais e linguísticas existentes.
E isto é só o princípio... de uma outra forma de governar!
Preparem-se, porque a seguir virão os gordos, depois os enfermos crónicos… e, assim, a Comissão criará, num futuro não muito longínquo, um mundo onde todos (os que cá ficarem) serão felizes, sem defeitos nem doenças, sem vícios nem manias, alimentando-se de pequenos comprimidos normalizados que lhes relembrarão o gosto de uma maçã ou de uma beterraba, consoante os dias da semana.
E se alguma ditadura tivesse ido mais longe? Modificar completamente a nossa forma de viver, pensar, falar...
Pessoalmente, tudo isto (e muito mais, que por aí se passa) me leva a crer que nunca estivemos tão próximos do "1984" de George Orwell!...
Vivemos, cada vez mais, numa sociedade em que os direitos individuais e a legalidade estão definitivamente ameaçados.
E o que me mete mesmo muito medo é o facto de ninguém se insurgir e fazer mesmo algo contra todas estas leis restritivas e normalizadoras encapuçadas de benesses. Porque o sinistro já não é tanto a coerção externa, mas muito mais a interiorização dessa coerção, que aparece afinal como imperativo do próprio Eu.
Voltando ao tabaco, só para concluir…
Sempre soube que mata e que nos provoca doenças hediondas. Mas lamento informar-vos que não vou deixar de fumar os meus 5 ou 6 cigarritos diários…
Também não vou fazer como o meu amigo ZA, que, como forma de luta, anda a tentar deixar de fumar (para não encher os bolsos ao Estado com os lucros que vêm da Tabaqueira).
Só que me continuo a sentir profundamente irritada e revoltada por estar a ser discriminada!
E, muito provavelmente, se a coisa continua assim, compro uma máquina baratucha e deixo de frequentar o café aqui do bairro.
Fontes das imagens utilizadas:
1ª aqui e 2ª aqui.
domingo, 6 de janeiro de 2008
quinta-feira, 3 de janeiro de 2008
quarta-feira, 2 de janeiro de 2008
terça-feira, 1 de janeiro de 2008
Notas Soltas - XCIX
- "Cortes" - XVIII -
Cena do Espelho in "Angel-A" de Luc Besson (2005).
O que acontece quando um anjo muito sui generis desce à Terra, supostamente, para nos "salvar"?
Uma pequena pérola (entre a comédia e o drama), com o fabuloso Jamel Debbouze... e uma lindíssima fotografia PB.
- Começar bem o ano... -
... é chegarmos a casa às 4h e sermos despertados (daquele ténue sono de quem está prestes a adormecer) pelo barulho da nova vizinha de cima a aspirar a casa às 5h da manhã!...
