segunda-feira, 21 de janeiro de 2008

Jardim Comunitário



"Sim, o homem é o seu próprio fim. E é o seu único fim.
Se quer ser qualquer coisa, tem de ser nesta vida. (...)
Os conquistadores são os que podem mais.
Mas não podem mais do que o próprio homem quando ele o quer."

Albert Camus, in "O Mito de Sísifo"






De início, era um simples terreno vazio, que sobrara entre dois quarteirões de prédios de ruas vizinhas.
Nenhuma entidade responsável se decidira a fazer o que quer que fosse pelo dito cujo terreno. Até que os moradores vizinhos se uniram e meteram mãos à obra, transformando aquele espaço-de-ninguém num aprazível jardim comunitário.

Sabia da sua existência, mas nunca por ali havia passado...
Esta manhã, para encurtar caminho até à paragem de autocarro, decidi ir por ali. E o espanto foi imenso, quando vi o tamanho e a beleza daquele lugar.




Comecei a tirar algumas fotos. Até que uma senhora, que por mim, passou indicou-me um outro local escondido naquele jardim, que "esse sim, merece a pena ser fotografado!", segundo as suas palavras.

Uma senhora de bata aos quadrados azuis e olhar terno de menina, sentada numa esplanada improvisada, dava de comida a uma gata, um dos dois felinos que habitam aquele jardim, segundo viria a descobrir mais tarde.





Pausa na minha atribulada e atrasada manhã, para uma conversa com mais uma dessas pessoas que aqui no blog vou "coleccionando".
À despedida transmito-lhe os meus sinceros parabéns (extensivos a todos os seus vizinhos) pelo excelente trabalho que ali realizaram...
E prometo (a mim própria) ali regressar, muitas e muitas vezes, quando me apetecer desanuviar e pensar que me encontro longe do rebuliço da cidade.




Surgiram nos E.U.A., durante os anos 70, quando um movimento de habitantes começou colectivamente a recuperar determinados espaços urbanos, dentro dos seus bairros, votados ao abandono, transformando-os em "jardins comunitários".
Cada um desses jardins cristalizava as aspirações do grupo de cidadãos que estivera na sua origem.

A primeira vez que vi algo semelhante a este jardim foi em Bayonne (França), num terreno junto ao rio, cedido pela Mairie, para que os habitantes mais desfavorecidos e excluídos de um determinado bairro da cidade pudessem ali ocupar os seus tempos livres.
O conceito era mais compartimentado e menos colectivo do que este jardim de Lisboa, uma vez que, em Bayonne, cada habitante tinha direito a uma pequena parcela de terreno, protegida com vedação... "rivalizando" cada um deles entre si, de modo a transformar a sua parcela em algo mais belo do que a do vizinho.

Espaços de solidariedade e troca, expressão de uma vitalidade social que ainda não está perdida nas grandes cidades...
Gostei deste conceito comunitário!






11 comentários:

Anónimo disse...

obrigada pela chamada de atenção... o espaço merece! Eu aproveito-o quase todos os dias no passeio matinal com o bicho, e sabe especialmente bem muito cedo, ainda meio escuro, sem ninguém por ali.
lá nos encontramos em breve
beijos
m

Alexa disse...

M. - Bem vinda (pela 1ª vez na escrita) aqui ao blog! :)
Fazes tu (e o teu "bicho") muito bem, que aquele espaço é mesmo uma pequena pérola na selva urbana da nossa freguesia!
A ver se um destes dias nos encontramos por lá, sim... e se combinamos para me contares a história das 2 Villas (tenho uma novidade também para te contar sobre isso ;)
Bjs

Janinha disse...

Prima, quero conhecer o jardim! Temos de combinar :) Jinhos

Alexa disse...

Janinha: fica, desde já, combinado... quando te der jeito passar lá por casa, priminha! :)
Bjs

Anónimo disse...

Alexa: onde fica este jardim tão bonito ? É por acaso algures entre prédios por trás do "Guimarães" ou no bairro do Charquinho ?
Está mesmo lindo e os bichanos uma gracinha.

Bjs. Lena

Anónimo disse...

Alexa: Aumentei uma das fotografias e vi uma casinha amarela com flores pintadas nas paredes, que me parece ser aquela moradia pequenina que é um infantário e que tem a frente para a Est.Benfica. Se estiver correcta já sei onde é.

Bjs.

Alexa disse...

Lena: exacto (em resposta ao teu 2º comentário)!
Não quis aqui colocar a localização exacta porque nunca se sabe quem lê isto... e não vá algum doido passar-se e destruir algo de tão belo, compreendes?!
Bjs
P.S. - Tenho que aqui criar uma rubrica sobre "Benfica" ;)

J. disse...

óptima ideia!
;)

Anónimo disse...

Alexa: Oops! Tens toda a razão!
Sorry, sorry!

Bjs. Lena

pyotr alexeyevich disse...

outra pérola do comunitarismo nacional! Também tens de me lá levar! que eu depois levo-te a um mini-jardim que há aqui ao pé de mim (perto do mercado). Agora não me digas que este tipo de coisas começou nos States nos anos 70, muito antes disso já isso acontecia em todos os bairros operários, inclusivamente aqui em Benfica (no bairro grandella de forma continuada desde o seu início).

Alexa disse...

Pyotr: fica, desde já, combinada uma guided tour com todos os que lá quiserem ir (e levamos o bicho da M. :) LOL
Não tenho a certeza, mas parece-me que o que acontecia nos bairros operários era como aqui no Vale de Chelas: agricultura comunitária... o resto, nos States, foi embelezamento de bairros degradados.