Ontem à noite participei num daqueles eventos únicos e irrepetíveis das nossas vidas: a 2ª reunião de Condomínio, desde que vivo no meu prédio.
É engraçado constatar como, de há um ano para cá, os meus sentimentos e percepções em relação ao meu prédio e aos meus vizinhos mudaram tanto!
Nessa altura, quando tivémos a (minha) 1ª reunião, ainda idealizava bastante cada um dos meus vizinhos, apesar dos seus defeitos e feitios (este é mesmo um dos meus maiores defeitos: idealizar demais as coisas, os lugares, as pessoas e as situações; acabando sempre, mais tarde ou mais cedo, por me desiludir, como é lógico!).
Encantada como estava, na altura, até escrevi um texto algo humorístico sobre cada um desses vizinhos.
Para este encantamento muito terá contribuído, sem dúvida alguma, o meu espírito demasiado imaginativo (estou sempre a fazer grandes filmes na minha cabeça, com qualquer coisinha), bem como o facto de nunca ter morado num prédio assim pequeno, onde toda a gente se conhece, todos se cruzam a qualquer hora do dia ou da noite, havendo sempre uma espécie de entre-ajuda comunitária associada a uma leve pontinha de coscuvilhice.
Por outro lado, como qualquer antropólogo aquando do trabalho de terreno, também eu passei pela fase inicial do “enamoramento” pelo meu objecto de estudo... neste caso, os meus vizinhos.
Sendo que, actualmente, me encontro naquela estranha fase de desencanto, em que descobrimos os podres e as vicissitudes do nosso objecto de estudo.
Por isso, ontem à noite, fui para a reunião de condomínio arrastando-me num misto de enfado, tédio e grandessíssima neura!...
Revisão e aprovação do orçamento de 2005... revisão e aprovação do orçamento de 2006... seguro obrigatório de cada fracção, etc. e tal, os assuntos habituais... entrecortados, a cada instante, pelo vizinho mais recente (familiar do proprietário do andar em questão), com os seus comentários de grande sábio e entendido na matéria.
Eleição da nova administração.
Ponto que, naturalmente, iria gerar polémica, dado que metade dos condóminos, por um qualquer motivo, não querem ou não podem exercer a dita cuja função (incluindo-me a mim própria, que, apenas, queria que a função seguisse uma ordem rotativa... logo, não seria a minha vez de a exercer -eu sei que pode parecer que me estava a querer "descartar", mas é a mais pura das verdades!).
E o vizinho mais recente, desde o início da reunião, a mandar “dichotes”, a vangloriar-se do seu trabalho noutras administrações de condomínio, que conhece fulano e cicrano e que, por um remoto acaso, até é de perto da terra do actual administrador.
Até que, a dado momento, atira para o ar que não se importa de ficar na administração, desde que não pague o condomínio (o que, num prédio de apenas 3 andares, se torna caricato!) e que, para colmatar esse facto, pode ir fazendo uns pequenos biscates no prédio (como mudar lâmpadas nos andares, etc.).
Gera-se a discussão: ninguém concorda. Ainda que noutros condomínios já exista esta opção, o nosso é muito recente (foi formado há apenas 3 anos), para além de ser um prédio demasiado pequeno para estas aventuras... seria abrir um precedente perigoso futuramente. E todos consideram a solução pouco ética (somos um prédio de "bonzinhos" e ingénuos, bem sei!).
Pequeno à parte antropológico: - é engraçado ver como, em todos os condomínios, há sempre um determinado personagem, que aqui poderíamos apelidar de “chico-esperto”, que tenta sempre ludibriar os restantes personagens, neste caso, os “papalvos”.
O administrador em exercício pergunta se não há mais propostas na mesa. Ninguém se acusa, como sempre... todos de cabeça baixa, a olharem para os seus papéis e/ou a sondarem o horizonte.
E, em desespero de causa, o administrador lança para o ar que, também, poderia ser uma administração conjunta, em parceria entre as 2 vizinhas mais novas.
E eis senão quando, num turbilhão de frases, comentários e votos, eu me vejo eleita, juntamente com a minha vizinha do 3º andar para, em parceria, exercermos a administração nos próximos 2 anos.
Grande golpe, sim senhora!...
E agora, provavelmente, se não der em doida logo no primeiro mês após nos passarem a pasta da anterior administração, penso que irei ter um rol infindável de pequenas histórias para aqui vos contar no blog (há que ter pensamento positivo, face ao cargo... já que a minha própria mãe acha que eu vou ser uma ditadora aqui no prédio :)
2 comentários:
Haja alguém a quem a mãe tb chama de ditadora para além de mim :)
Boa sorte!;)
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