domingo, 31 de agosto de 2008

Notas Soltas - 134





- Redescoberta -





O famoso Capri-Sonne da nossa infância!...
Ou, pelo menos, da infância de alguns de entre nós, que, quando lêem textos como este, ficam logo com a lágrimazita ao canto do olho!

Actualmente já não existe apenas na versão "laranja", mas numa infindável panóplia de paladares, cores, feitios e novos desenhos nas embalagens.






- "Corners of my Home" (Once a Week)" # 31 -



Depois de (quase) mais de um mês à sua espera, ei-lo, finalmente, no escritório: o meu novo sofá-cama.

Ainda teve que aguardar meio dia (numa ingrata posição) para ser montado e colocado no seu novo lugar...





As fotografias não fazem jus ao produto, porque ficaram péssimas, devido à luminosidade extrema que entrava esta manhã pela janela.

A colcha indiana já rematou o toque final cá de casa!






- Vizinhos -



Os meus vizinhos de cima julgam-se os reis do karaoké (desde que receberam um desses aparelhos de convívio comunitário) ...
Mas, sinceramente, já não pachorra para os ouvir cantar sempre (mal) as mesmas músicas!!!







sábado, 30 de agosto de 2008

Neko - o gatinho com sorte








Tinha acabado de chegar do supermercado e os sacos das compras ainda estavam espalhados pelo hall de entrada.
No escritório, o sofá novo, que tinha ido levantar depois de almoço, aguardava também que arrumasse tudo e aspirasse, para poder ser colocado no seu lugar.

Quando chego à cozinha, começo a ouvir os gritos de G., o miúdo de 8 anos que mora com a bisavó no 3º andar de um dos prédios das traseiras, que passou a cumprimentar-me de cada vez que me via dar comida à Misha e à Luana.
Aproximo-me da janela e G. diz-me que o gatinho bebé (o único que não conseguíramos apanhar há um mês atrás) acabara de cair naquele preciso instante no quintal vizinho (um quintal abandonado, pertença de uma clínica dentária).

Há já alguns dias que, ao final da tarde, o gatinho bebé, empoleirado no algeroz dos terraços, seguia atentamente com os olhos Misha (a avó) e Luana (a mãe), quando estas vinham comer por debaixo da minha janela, ou quando iam espraiar-se nesse mesmo quintal abandonado.
Pensei então para mim própria que, muito provavelmente, na ânsia de as querer seguir, acabara por tombar.

Comecei a ficar bastante preocupada quando ouvi os miados aflitivos do pobre animal. Sem o conseguir sequer vislumbrar, era G. quem me ia descrevendo o local exacto em que ele se encontrava e que se conseguia mexer, pelo que não deveria estar magoado.
A bisavó de G. apareceu também à janela, tentando acalmar a preocupação do bisneto, dizendo-lhe que o gatinho conseguiria sair dali.
Mas G., tal como eu, não acreditava no que a bisavó lhe dizia.

Depois de um telefonema para a Dª. H. (uma das vizinhas do prédio onde Dª. Luísa morava, que me tem ajudado a ir colocar comida aos gatos), que acabou por também ficar bastante preocupada e aparecer à janela; tentei convencer o G. a pedir avó para falar com os seus 2 vizinhos da cave, que possuem quintais e através dos quais, talvez, pudéssemos tentar passar para o quintal abandonado da clínica dentária e lá ir salvar o pobre bebé.
Infelizmente, a um final de sábado à tarde, nenhum deles por lá se encontrava... e a clínica também se encontra fechada para obras.

Do alto dos seus 8 anos (e de um 3º andar bem mais elevado, em termos de perspectiva visual, do que o meu 1º andar), G. começa então a tentar convencer-me a colocar um banco no telhado da minha vizinha do R/c e saltar para cima do mesmo através da minha janela do quarto, para depois ir buscar o gatinho bebé alguns metros mais à frente, descendo pelo muro bastante alto do quintal da clínica dentária.
A esta altura da estória, um pouco sem saber o que fazer, já eu começava a desconfiar que, certamente, iria sobrar para mim.






Depois de ir falar com a Dª. M., a minha vizinha do R/c Retaguarda, regresso a casa carregada com um escadote das pinturas do seu marido… e sem ter consciência plena daquilo que me preparava para fazer.

Lá desci pelos quase 2 metros que distam da minha janela do quarto ao telhado da vizinha de baixo, com o G. a gritar para a sua bisavó: - “Ela vai descer, ela vai descer!”
E o meu pensamento (e vertigens) a dizerem a mim própria: - “É desta que te vais mesmo estatelar toda! Tu metes-te em cada uma!!”

Calcorreei os telhados e desci com uma escada mais alta do que o escadote (que, entretanto, a filha da Dª. M. me passou para cima do telhado) para o quintal da clínica dentária… com o G., a bisavó e a Dª. H., todos à janela, a darem palpites sobre qual a melhor forma de descer o muro.

Depois de quase 3 voltas dadas por entre aquele matagal repleto de lixo e de pombos mortos (fruto de uma vizinha do 3º andar daquele prédio, que alimenta os pombos locais e todos os restantes que a eles se juntaram), nem vivalma do pobre gatinho bebé.

Entretanto, R., a filha mais nova da minha vizinha Dª. M., já se juntara a mim no quintal abandonado, mau grado o seu receio de escadas e escadotes.

G. e a bisavó diziam-me do alto da sua janela que o gatinho já deveria ter conseguido fugir para outro quintal. Dª. H., no prédio ao lado, observava tudo silenciosamente.

Num misto de desespero e inconformidade com toda aquela situação, decido-me a fazer nova investida por entre aquelas ervas altas, desviando-as mais uma vez, tentando não reparar na imundice que empestava aquele local.

Subitamente, por entre umas ervas mais escuras, mesmo ao lado de um dos muros do quintal, deparo-me com o dorso do gatinho bebé, todo aninhado a esconder-se.
Chamo R. com a mão, sem fazer barulho, e peço-lhe em voz baixa que me traga a transportadora (nesse exacto momento, agradeci a hora em que R. se decidiu a ir ter comigo ao quintal, já que a transportadora se encontrava mesmo no extremo oposto àquele onde o gatinho estava escondido).
Com uma toalha turca lá o consegui apanhar (como sucedera aos seus 5 irmãos). Esperneou um pouco, miou bastante e, já dentro da transportadora, ainda se tentou debater para fugir.

Persistia, agora, a dúvida sobre o que fazer ao pobre animal!...

Se, por um lado, não podia concordar mais com G., quando este dizia que o bebé já aprendera a lição e seria melhor ficar com a mãe com a avó nos terraços (já que Misha é velhota e quando falecesse, Luana ficaria com a companhia do seu filho); por outro lado, não me conseguia imaginar a mim própria em novas façanhas de ginástica, caso o gatinho bebé caísse novamente para aquele quintal (havendo, também, o perigo de poder cair para os dois quintais, do meu lado da rua, onde há 5 meses atrás fizeram queixa e chamaram o Canil/Gatil Municipal de Lisboa para vir apanhar 7 gatos).

Neko, o 6º bebé de Luana, está bem, apesar do valente susto que apanhou ao cair do terraço onde habitava… e já se juntou aos seus irmãos (tal como eles, também se encontra para adopção - caso esteja interessado/a, pff., contacte palavraseimagens@gmail.com).

Quanto a mim, como dizia o marido da minha vizinha Dª. M., enquanto eu subia o escadote para voltar a entrar em minha casa pela janela do quarto, já posso alistar-me nos Bombeiros.





quinta-feira, 28 de agosto de 2008

Às "Quintas" na Bobadela - 20









Há momentos em que, pura e simplesmente, parecemos perder todo e qualquer encantamento...







A paixão pelas coisas que gostamos de fazer é (sempre) demasiado intensa...
Como se vivêssemos cada instante pela última vez e soubéssemos previamente que as tínhamos que fazer (e repetir até à exaustão) como se não houvesse outro amanhã.







E depois, de um momento para o outro, parece que tudo se esvai, como se a magia nunca tivesse sequer chegado a existir.
E é, precisamente nessas alturas, que parecemos sentir-nos cada vez mais vazios e apáticos, sem conseguirmos sequer tocar nas coisas que gostamos de fazer!...







Hoje apercebi-me que há 4 meses que não tiro fotografias a este local, pelo qual me sentia tão "apaixonada".

Será que perdi o encantamento pelo mesmo? Ou é apenas fruto da falta de tempo (por ter que gerir tantos outros assuntos em simultâneo)?

A fotografia valoriza aquilo de que gostamos... mas, por vezes, parecemos perder o encantamento. Ou será, apenas, mais uma fase?





* Fotos remasterizadas com Wanokoto Labs.







terça-feira, 26 de agosto de 2008

O Quarto Perdido








Gosto daquela sensação de quando começamos a ver filmes já a meio e temos que ir descobrindo por nós próprios tudo o que se passa na sua trama.

Gosto de séries que me façam pensar...

Recentemente, descobri "The Lost Room", a partir do seu 2º episódio, na FOX.

"The Lost Room" é ficção-científica pura...
Girando a série em torno do quarto nº 10 de um motel (quarto esse que, na realidade, nem sequer existe, tendo desaparecido do seu local primordial) onde um "evento" (que ninguém parece saber exactamente do que se tratou) alterou a estabilidade de uma série de objectos do quotidiano, os quais passaram a ter poderes especiais.
O personagem principal (um dos meus actores preferidos de "Sete Palmos de Terra"), vê-se confrontado com o facto de ter que partir em busca de cada um desses objectos (e, consequentemente, de descobrir os poderes de cada um deles), com o intuito de salvar a sua filha, a qual ficou aprisionada algures numa realidade paralela depois de ter entrado no quarto nº 10.

Estranha-se, mas depois entranha-se!...
Parece complicado de início... mas, ao assistirmos apenas a alguns episódios, ficamos como que enleados na teia da própria história (quase desesperando quando o episódio de 3ª feira chega ao fim, e nos deixam em suspense mais uma semana!).

A não perder!...
Ou, pelo menos, a descobrir.



segunda-feira, 25 de agosto de 2008

Efémero



"Efémero"

do Grego ephémeros

adj.,
que dura um só dia;
que dura pouco;
passageiro;
transitório.

In "
Dicionário Online de Língua Portuguesa"







Stencil

Graffiti




A explorar... Museu do Efémero.










domingo, 24 de agosto de 2008

"Histoire de Pieds" - 7







Os "Jikatabi" da M. fizeram sucesso ontem à noite, no seu regresso do Japão!

Esta espécie de ténis, outrora utilizados pelos operários da construção civil em modelos de cor escura, foi recentemente re-actualizada (bem ao jeito japonês!) num conceito muito mais fashion pela loja Sou-Sou.
Pena que online o website desta loja não possua nenhuma versão em língua inglesa ou francesa, porque comprava já estes!!

Um serão bem animado, com tempo ainda para experimentarmos Saké em pacote e "sugos" de manga.
O cházinho ficaria para mais tarde, depois de colocar a nova adição na colecção cá de casa.


"Jikatabi's" around the world... here.





sábado, 23 de agosto de 2008

Notas Soltas - 133




- Foto-Passado -


E se uma fotografia do Presente se pudesse converter em algo vindo do Passado?





Foto original aqui. Feito com esta ferramenta.

Visto aqui.






- Coisas que me irritam consideravelmente -


- Pessoas que não conseguem assumir aquilo que fazem, dizem ou pensam (invocando o facto de quererem estar bem com toda a gente, para não arranjarem problemas).

- Pessoas que preferem ficar de braços cruzados a verem os outros tentar resolver os problemas, enquanto vão falando sobre os 1001 problemas para resolver esses mesmos problemas... mas continuam sem nada fazer.






quinta-feira, 21 de agosto de 2008

"Cortes" - XXV







Cena final de "Bleu", filme de Krzysztof Kieslowski (1993).



"Though I speak with the tongues of angels
if have not love,
my worlds would resound with but a tinkling cymbal.

And though I have the gift of prophecy and understand all mysteries
and though I have all faith so that I could remove mountains
if I have not love I am nothing
Love is patient, full of goodness,
love tolerates all things, aspires to all things
Love never dies
while the prophecies shall be done away
tongues shall be silenced
knowledge shall fade
Thus then shall linger only
faith, hope and love
but the greatest of these is love".

In Corinthians: 13 - "Hymn to Love" - Bíblia.






terça-feira, 19 de agosto de 2008

Foto-Pensamento



"Fotografar é colocar na mesma linha de mira a cabeça, o olho e o coração."

(
Henri Cartier-Bresson)







A Samsung apresentou recentemente uma máquina fotográfica para cegos (a Touch Sight), que permite aos invisuais sentirem, através de uma superfície flexível de Braille, as fotografias que forem tirando representadas em 3D. A máquina também permite associar à “imagem” um extracto do som envolvente.

Verdadeiramente impressionantes os avanços das novas tecnologias e do engenho humano!...

O que me deixa a pensar no quão espantoso seria poder ter uma máquina fotográfica que capturasse em imagem a integralidade de um simples momento: os cheiros, as cores, os sons e o nosso próprio estado de espírito na altura em que tirámos determinada fotografia… para mais tarde recordarmos.

Porque a memória vincula o Passado ao Presente, ajudando-nos a representar (e a relembrar) o que sucedeu ao longo do tempo.

E a fotografia captura apenas instantes, colocando em evidência momentos, que, ao serem visualizados, nos relembram as próprias memórias e estados de espírito relacionados com esse instante.
Confiamos, por isso mesmo, na aptidão da máquina fotográfica para guardar os instantes que consideramos valiosos. Fotografamos para recordar, porque os acontecimentos terminam e as fotografias permanecem.






segunda-feira, 18 de agosto de 2008

Memória Musical



Hoje acordei com esta música na cabeça...



... o que me fez, mais tarde, sonhar com um amigo de longa data, com quem já não falo há algum tempo.

A nossa memória é algo de bem curioso!...



domingo, 17 de agosto de 2008

Notas Soltas - 132




- Estórias com Gatos - XXI -



- Usha, o gato que se passeia -





Ontem à noite, depois de jantar, descemos para ir deitar fora o lixo e tomar um café ali perto de casa.

Enquanto o H. lutava ferozmente com o caixote verde para lá conseguir enfiar o saco do lixo e eu estava parada ao lado a olhar para ele, aparece-nos vinda a correr do outro lado da rua, direitinha a nós, uma gata alaranjada a miar.
Faço-lhe festas na cabeça e começa a roçar-se pelas minhas pernas, enquanto continua a miar; e reparo que tem uma coleira castanha com aplicações em forma de peixinhos.

Seguimos caminho para o café e a gata vem atrás de nós.
A esta altura, começa o meu coração a bater mais forte e o estômago a ficar todo embrulhado, só de pensar na hipótese do pobre animal poder ter sido ali abandonado (devido à existência de uma clínica veterinária naquela rua – e já não ser a primeira vez que realizam tal “feito”), ou de andar por ali perdido.
Duas portas mais adiante, a gata pára e ali fica, especada no meio do passeio, a olhar para nós enquanto nos afastamos.
Continuo a andar e a olhar para trás, deixando de ouvir o que quer que seja que o H. me estava a contar e salientando, apenas, que, de facto, até parece que atraio este tipo de situações inusitadas com gatos.

Quando saímos do café, peço para fazermos o mesmo trajecto.
Nem vivalma da pobre gata, penso. Eis senão quando, vinda do nada, tal como na primeira investida, aparece a felina alaranjada a miar para nós. Faço-lhe festas e aninha-se na soleira de uma porta.





Depois de uns bons 10 minutos ali parados a tentarmos decidir o que fazer, não conseguimos ignorar o pobre animal e levamo-lo para casa, ficando comodamente instalada na minha casa-de-banho.
Uma série de telefonemas mais tarde, chega a hipótese de se tratar de uma gata residente num prédio ali da rua, que alguém já socorrera do ataque de um cão e dizia tratar-se de um felino que costuma fugir de casa através de um quintal.

Esta manhã, comecei em vão a busca desesperada pelos seus donos...
O facto de ser fim-de-semana prolongado não me ajudou em nada, nem tão pouco um casal de vizinhos (muito pouco compreensivo e solidário) dos donos do animal.
Já quase em desespero, ao final da tarde, deixo-lhes um pequeno bilhete com o meu contacto por debaixo da porta.

Finalmente, por volta das 21h, liga-me uma rapariga, intitulando-se como a dona do gato. Sim, porque, afinal de contas, era um gato, castrado como se fazia noutros tempos, o que dava azo a uma certa confusão.
Pego no pobre gato, num estado já meio entre o enfadado por se encontrar fechado numa casa-de-banho e o "feliz da vida e sempre com a cauda a abanar" por estar quentinho e não ao relento, e levo-o a casa da sua dona, do outro lado da rua.

Fico, então, a saber que o velhote gato Usha partilha a casa com duas gatas e que até têm direito a uma daquelas portinholas (ou "gateiras") para poderem entrar e sair de casa da dona para um magnífico quintal.
Usha apareceu há cerca de 2 anos naquele quintal e por ali foi ficando. Gosta de dar as suas voltinhas pelo quarteirão, uma vez que saindo pelo quintal nas traseiras do Mercado, contorna uma rua, dá mais uma volta e vai ter ao início da rua da sua dona... por ali ficando, à espera que alguém lhe abra a porta principal, para voltar a entrar em casa.
As voltinhas de Usha pelo quarteirão são já famosas no bairro (pelo menos para alguns residentes, nos quais eu própria não me incluía!), havendo até uma senhora que já o recolheu por duas vezes.

Segundo uma outra vizinha ("mais antiga" no bairro), Usha teria sido ali deixado naquele quintal, quando os seus donos se mudaram, sendo estes seus hábitos bem ancestrais... e, tendo ele adoptado, a nova moradora.

Usha está velho, escanzelado e enfraquecido. Tem um olhar muito triste, apesar de ser extremamente meigo.

Se apenas os animais pudessem falar... e contar-nos todas as (suas) histórias já vividas!...






- Fim de tarde nos Quintais -




Misha e Luana em contemplação... ou vice versa.





sábado, 16 de agosto de 2008

Oceanário







Já não ia lá há algum tempo...

A serenidade continua a mesma, apesar da imensa quantidade de turistas causar urticária ao meu "espaço vital"... e me impedir de tirar algumas fotos em condições.





Gostei, particularmente, da ideia de mostrar o backstage do Oceanário e de como funciona a manutenção da vida que vemos naqueles aquários!






Tempo ainda para ver a exposição de fotografias do National Geographic, enquadrada no Festival dos Oceanos e a exposição sobre Monstros Marinhos (onde nos deliciámos com todas as possibilidades das novas tecnologias e fiz mais uma foto para esta rubrica).

Outras fotos aqui.




quinta-feira, 14 de agosto de 2008

"I did all my best to smile"





This Mortal Coil - "Song to the Siren"





"Sejam quais forem os resultados com êxito ou não, o importante é que no final cada um possa dizer: 'fiz o que pude'"

Louis Pasteur





quarta-feira, 13 de agosto de 2008

Notas Soltas - 131




- O Regresso de Férias -


Ainda quase que nem tive tempo de aqui mencionar que as minhas férias chegaram ao fim e regressei ao trabalho na passada 2ª feira!...

Já cheguei à conclusão que, devo ser mesmo muito diferente da grande maioria das outras pessoas, porque adoro trabalhar em Agosto!

Os transportes vão vazios e chegamos muito mais depressa ao nosso destino por não haver o trânsito de todos aqueles que se encontram em "vacances"...
O telefone no escritório não toca sequer, o que nos dá muita concentração para podermos trabalhar...
Porque, contrariamente ao que se passa nos outros empregos, no meu continuamos sempre a 1000km/hora e com imensos assuntos a tratar, mesmo durante o mês de Agosto.

Stresses à parte, o que gosto mesmo muito no regresso de férias é aquela sensação de ainda estar a léguas de distância dali e de as situações mais incómodas do dia-a-dia me passarem completamente ao lado!...





- "Corners of my Home (Once a Week)" # 30 -



Outra das coisas de que gosto particularmente, no regresso ao emprego após as "férias grandes", é o rever os colegas-amigos, aqueles que, por um motivo ou outro, nos são mais "chegados" ou com quem fomos criando mais afinidades... Aqueles de quem, verdadeiramente, vemos que sentimos falta, ao regressarmos.

O ZA é um deles!...






O ZA também esteve de férias na sua terra-natal e trouxe-me de lá estes dois magníficos ímans para a colecção "on my fridge".

Obrigadão!






Mas o ZA é hoje digno de menção aqui no blog por um outro motivo também, já que criou a sua conta no Flickr, através da qual nos vai espantar com o seu olho "clínico" para a fotografia.

Ficamos a aguardar!




Um grande beijinho de agradecimento para a B. (outra colega-amiga) pelo belo postal enviado dessas terras longínquas (é só descobri-lo na foto)!






terça-feira, 12 de agosto de 2008

"Os Gatos dos Quintais"








Quando comecei a escrever neste blog sobre "Os Gatos dos Quintais", nunca imaginei que me envolveria de uma forma tão estreita no que se viria a passar nesta, aparentemente tranquila, colónia felina de um bairro de Lisboa!...

Quem me conhece bem, sabe que, apesar de não ter vida (nem tempo) para estas "andanças", o facto é que não consigo ficar indiferente (e, muito menos, de braços cruzados) perante situações de injustiça com seres humanos ou animais.
Há, também, quem diga que tenho o triste defeito de carregar com o peso do mundo, quando ninguém carrega por mim!...

Desde que, em Junho passado, o blog 7 Gatos dos Quintais ficou inacessível ao público em geral (e, verdade seja dita, deixou de ser actualizado), muita coisa aconteceu:

- Esterilizámos e castrámos (a nosso custo e com a ajuda de algumas pessoas) 1 das gatas e os 2 machos;

- 5 dos bebés (das 2 ninhadas) já foram adoptados;

- Os 2 machos foram adoptados juntos;

- O único gato que tinha saído directamente do Canil/Gatil Municipal de Lisboa com dona, passados 3 meses, teve que ser entregue a nova dona (devido a “incompatibilidades”);

- As 2 gatas-mães ainda se encontram comigo por estarem fragilizadas (e necessitarem de mais contacto com humanos, antes de poderem ser dadas para adopção). Já foram ambas esterilizadas (custo suportado unicamente por mim);

- Não consegui resistir aos encantos da 3ª fêmea (que já tinha dona interessada) e acabei por a adoptar;

- A 4ª fêmea ainda se encontra numa outra FAT; tendo já sido esterilizada (a nosso custo).



Entretanto, neste último mês, com a ajuda de uma amiga, apanhei nos mesmos quintais do caso anterior (7 Gatos dos Quintais) 5 bebés de uma outra ninhada (os quais se encontram numa FAT amiga para adopção) e esterilizámos (a nosso custo e com o auxílio de algumas vizinhas do prédio em questão) a gata-mãe, que já regressou aos quintais onde sempre viveu.

Temos estado a acompanhar esta situação muito de perto, bem como a contribuir diariamente para a alimentação da Luana, do seu 6º bebé (que ainda não se deixou apanhar) e da Rabinho de Raposa (dado que uma outra pessoa que, também, os alimentava tem revelado "dificuldades" de ordem variada).

Face a toda esta situação, como poderão calcular, os gastos têm sido mais que muitos (esterilizações, ração, areão, etc.).

Nesse sentido, gostaria de agradecer a todos os amig@s que, de alguma forma nos ajudaram, numa ou noutra fase destes 2 casos!

Um agradecimento especial também para o Leilão Solidário (que nos irá ajudar durante o mês de Setembro)!

Brevemente, re-abriremos apenas a convidados o blog "7 Gatos dos Quintais" (para notícias com mais detalhe desses 7 gatos e seus bebés).
Quanto aos desenvolvimentos correntes do caso actual, poderão continuar a acompanhá-los aqui no "Palavras & Imagens".

E, dentro de algum tempo, dar-vos-ei, também, a conhecer a concretização de uma ideia (com produtos aliciantes "home-made", aqui no blog) para nos auxiliar a angariar verbas para podermos continuar a ajudar estes animais.

Muito obrigada a tod@s!





sábado, 9 de agosto de 2008

Os Bebés da Luana




Fotografia de MCC



O Risquinhas, a Pantufinha, o Negrito, o Bolacha e o Boneco... encontram-se disponíveis para adopção.

Caso esteja interessado/a em dar um lar muito feliz e responsável a um destes gatinhos, pff. contacte através de palavraseimagens@gmail.com.









sexta-feira, 8 de agosto de 2008

"Histoire de Pieds" - 5








Ainda na onda
das sandálias de plástico de Verão, comprei hoje estas fantásticas em tons de rosa... para andar por casa, porque na rua fazem transpirar um bocado e magoam os meus pézinhos (demasiado) delicados.

Não são umas Jellies, nem umas Crocs... mas a verdade é que são bem práticas, servem para o humilde fim a que se destinam e custaram a módica quantia de 3€ (na loja da chinesa-amiga aqui do bairro!).

Outros "pés-chineses", aqui.





quinta-feira, 7 de agosto de 2008

O Gato Schrödinger












Muito obrigada ao PMBC pela oferta do calendário com o Gato Schrödinger, o qual teve melhor sorte que o da experiência!

Fantásticas gravuras de António Jorge Gonçalves e texto de Nuno Artur Silva.

A visitar, também, o excelente site com desenhos feitos em estações de metropolitano de todo o mundo por António Jorge Gonçalves.









quarta-feira, 6 de agosto de 2008

Notas Soltas - 130





- A Dança -







O que estão estes seres humanos a fazer? A dançar.
Na Terra, muitos seres humanos exibem períodos de felicidade, sendo a dança um dos métodos de expressar livremente essa felicidade.
A felicidade e a dança ultrapassam barreiras políticas, ocorrendo em praticamente todas as sociedades humanas.

Matt Harding viajou por diversas nações na Terra, começando a dançar em cada um desses locais e filmando o resultado final (muitas pessoas a ele se juntavam, começando, também, a dançar).
Este vídeo é, talvez, o exemplo dramático de que os seres humanos em toda a Terra sentem uma ligação comum, enquanto membros de uma mesma espécie.
A felicidade é frequentemente contagiosa e poucas são as pessoas capazes de assistir a este vídeo sem sorrirem!







- Esta manhã... -




... Luana veio a correr, juntamente com Misha, comer por debaixo da minha janela.









terça-feira, 5 de agosto de 2008

O Regresso a Casa







As obras na antiga casa de Dª. Luísa começaram no passado dia 1 de Agosto.
A incerteza sobre quem serão os novos moradores e se aceitarão o facto de terem duas gatas residentes no seu pequeno terraço é incomensurável e deixa-nos numa ansiedade muito grande.

Alheia a tudo isso, Rabinho de Raposa (aka Misha) continua a passear-se entre o terraço de Dª. Julieta e o que fora de Dª. Luísa.

De manhãzinha bem cedo, espera-me por debaixo da minha janela do quarto e, à tarde, aproveita o sol quente deitada entre as telhas da minha vizinha do R/c Retaguarda, enquanto aguarda pelas iguarias.

Ao longe, o pequeno filhote, o 6º da ninhada, que não se deixou apanhar nas três tentativas que fiz (como se estivesse decidido a não abandonar aquele terraço), observa a avó, enquanto ela come por debaixo da minha janela. Ainda não consegue aqui chegar, pois a distância entre o terraço onde passa os seus dias e o telhado da minha vizinha é ainda demasiado grande para as suas pequenas patinhas.

Mikado, o pai, continua a aparecer todas as noites, deixando-se antever pelo miado estridente que entoa conforme vai avançando em passo firme quintal a quintal.
O filhote, reconhece-o, recebendo-o sempre com marradinhas e cruzamento de focinhos. Mikado, por seu lado, lambe-o todo.

Enquanto vai apreciando a sua refeição por debaixo da minha janela, Rabinho de Raposa faz pequenos intervalos em que aproveita para me olhar, como que para comprovar se ainda ali estou.
Quando não vejo o pequenote, preocupada, pergunto a Rabinho de Raposa pelo bebé.
Curiosamente, nesse preciso instante, ela pára de comer, vai-se embora a miar suavemente, como se de um chamamento se tratasse. E, ao longe, começo a vislumbrar o bebé a correr, para vir ter com a avó.

Como alguém me dizia outro dia, à Rabinho de Raposa só lhe falta aprender a expressar-se na nossa língua, pois parece compreender tudo aquilo que lhe dizemos (o que é bem verdade, já que a gata apenas tem esta reacção quando lhe pergunto pelo bebé).

Ao fim da tarde, sonolenta, Rabinho de Raposa aninha-se entre os escombros da madeira do que fora um armário no pequeno terraço de Dª. Luísa, mira o horizonte, boceja e adormece... com o neto adoptivo entre as suas patas.






Depois de 15 dias de pós-operatório de esterilização, Luana regressou esta tarde ao terraço onde nasceu e sempre viveu com a sua mãe Rabinho de Raposa e a sua protectora.

O retorno teve contornos meio rocambolescos, já que a pessoa com quem combinara previamente ir esta tarde deixá-la no terraço não apareceu nem me ligou, acabando por me confirmar, quando lhe telefonei, que apenas viria a Lisboa amanhã.

Por mais curioso que possa parecer, Luana acabou por regressar aos quintais através da casa que fora da sua protectora - actualmente em obras (um imenso obrigada aos 2 operários brasileiros que lá estão a trabalhar e nos abriram a porta!).
Há coisas que já parecem ter que ser assim, pressagiadas de forma diferente, como se alguém as tivesse a reescrever!...

Queria ter feito um pequeno filme desta libertação (sobretudo, como forma de agradecimento, para mostrar no Vet. e a quem ajudou nesta história), mas a Luana foi tão rápida que, em plena torreira do sol, às 14h30, mal lhe abri a porta da transportadora e se viu nos quintais, fugiu a sete pés para o terraço do prédio ao lado.
Por isso mesmo, no filme que consegui fazer só aparece o terraço de Dª. Julieta e a minha voz a inquirir para onde Luana fugira.

Depois, ficou, atentamente, a observar-nos ao longe, enquanto colocávamos ração nova nos pratos e mudávamos a água.

Mais tarde, através da janela da minha cozinha, observei Luana enquanto esta aproveitava despreocupadamente o sol ameno de final de tarde, deitada em cima de um dos grandes vasos do prédio vizinho.
No telhado mais abaixo, o seu 6º filhote, brincava com algo, mas, quando a viu ao longe, assanhou-se e começou a recuar. Provavelmente, devido ao tempo de permanência no Vet. e aos novos cheiros que por lá adquiriu não a reconheceram… o que eu mais temia!

Subitamente, Rabinho de Raposa (Misha) salta para o terraço do prédio novo, aproxima-se de Luana e ali fica por breves instantes, voltando depois para o seu terraço. Luana segue-a apressada, como fizera noutros tempos.

E eu fico bem mais tranquila por saber que, afinal, tudo correra pelo melhor, Luana reconhecera o local onde sempre vivera… e fora bem recebida pela sua mãe.








segunda-feira, 4 de agosto de 2008

"Por Portas & Janelas"








A original ideia foi da priminha, que me deixou também o convite... desde logo aceite, pois gosto de colaborar com projectos que tenham pés e cabeça e sejam inteligentes!

Sendo, assim, a partir de hoje, dou-vos a conhecer este outro espaço onde poderão encontrar algumas fotos sujeitas a uma temática mais específica.

Porque quando se fecha uma porta, abre-se logo uma janela...







domingo, 3 de agosto de 2008

"Náufragos das Estrelas"






Enquanto continuarmos a viver nos nossos pequenos mundozinhos, fechando os olhos ao que tantos outros sofrem diariamente, políticas como a "Directiva do Retorno" (nova legislação comunitária contra a imigração ilegal) continuarão a ser aprovadas... impedindo a (verdadeira) livre circulação da grande maioria das pessoas e constituindo um verdadeiro atentado aos direitos humanos!





sábado, 2 de agosto de 2008

Eterno





"Eterno, é tudo aquilo que dura uma fracção de segundo, mas com tamanha intensidade, que se petrifica, e nenhuma força jamais o resgata...."


Carlos Drummond de Andrade









sexta-feira, 1 de agosto de 2008

A "Rabinho de Raposa"




As parcas “aventuras-com-animais” em que, nos últimos anos, me tenho visto enleada têm sido, quase sempre, preenchidas com a descoberta de grandes "personagens"…

Pessoas cujas vidas e pequenos gestos diários trouxeram algo de único e muito precioso ao tempo que passaram neste mundo.
Pessoas que, na maioria dos casos, findaram sozinhas e esquecidas os seus próprios dias…
Mas cujas histórias de vida, certamente, dariam direito a uma bela narração no papel.

Esta é uma homenagem muito sentida a uma dessas "personagens", uma grande Senhora, que, infelizmente, não tive a oportunidade de conhecer senão através das palavras das suas vizinhas (que, nas últimas semanas, tenho escutado atentamente), dos risos quentes que noutros tempos me chegavam vindos do seu terraço… e dos olhos das duas gatas que sempre protegeu em vida.







"Quero, um dia, dizer às pessoas que nada foi em vão...
Que o amor existe,
que vale a pena se doar às amizades e às pessoas,
que a vida é bela sim
e que eu sempre dei o melhor de mim...
e que valeu a pena."

Mário Quintana








Rezam as memórias dos mais antigos que, em tempos idos, aqueles quintais haviam sido habitados por um número infindável de gatos, de todas as cores, pelagens e feitios.

Os felinos viviam em paz e tranquilidade nas suas lides quotidianas: ora espraiando-se ao sol quente da tarde, ora vagabundeando monotonamente de quintal em quintal… naquele pátio interior, fruto da confluência das traseiras dos prédios de duas das principais ruas de Benfica.

Dª. Luísa morava no 1º Esq. do prédio amarelo, num andar cuja cozinha terminava com uma imensa varanda fechada de cortinas alvas, que se abria sobre um pequeno terraço.
No seu pequeno terraço, debruado a buganvílias carmim, Dª. Luísa recebia diariamente a visita de inúmeros desses gatos dos quintais, a quem oferecia alimento e abrigo.

A “Rabinho de Raposa” (também conhecida por alguns como Misha) era bebé quando por ali começou a aparecer há muitos anos atrás (cerca de 18 no total), ainda o "Shaka" (cão da Dª. Julieta, a vizinha do lado e grande amiga de Dª. Luísa) era vivo.
Ninguém sabe ao certo de onde a Rabinho de Raposa apareceu, mas a sua pelagem de Bosques da Noruega deixava indiciar que a sua linhagem seria, eventualmente, originária daquele barracão de alumínio e vidro, à frente dos terraços, onde um vizinho do mesmo prédio amarelo fazia criação de gatos de raça para seu sustento.

Shaka, o Bichon Frisé, nascido na África do Sul, a quem haviam concedido nome de rei, não tolerava a presença dos restantes felinos no terraço da vizinha, apenas se predispondo a entendimento com a bela (e quase nobre pela pose) Rabinho de Raposa.

Dª. Luísa era viúva e, apenas de tempos a tempos, recebia a visita de algum familiar. No entanto, tinha uma perfeita adoração por uma das suas sobrinhas, a qual considerava como o seu “Ai Jesus!”.
Com a distância física e o esquecimento moral dos que lhe eram próximos pelo sangue, Dª. Luísa acabou por ter que tecer a sua própria família no prédio onde viveu durante mais de 30 anos (afinal de contas, sempre possuíra veia de artista e tecia tapetes de Arraiolos como ninguém!): Dª. Julieta, a vizinha do lado, era a amiga de todas as ocasiões, com quem compartilhava o seu amor pelos animais; Dª. Helena, a vizinha do 2º andar, a sua confidente dos últimos anos, quando se apaixonara e não sabia o que as restantes vizinhas iriam comentar nas suas costas por receber visitas diárias do seu homem.

Dª. Luísa era, sobretudo, uma mulher muito avançada e emancipada para o seu próprio tempo!...

Apaixonada sim, mas com as devidas distâncias (e cautelas), mantendo-se cada um na sua própria casa – ou não fora o facto de ser Aquariana lhe conceder essa intempestividade quotidiana de quem anseia sempre por mais liberdade interior.

No que diz respeito aos ciclos reprodutivos dos felinos dos quintais, foi, também, Dª. Luísa que, por sua livre auto-recriação, decidiu passar a dar a pílula a todas as gatas, quando descobriu que a maioria dos gatos que ali nasciam das ninhadas sucessivas da “sua” Rabinho de Raposa terminavam os seus dias envenenados num quintal não muito longe do seu pequeno e aprazível terraço.

E foi assim que no seu pequeno terraço passaram a viver (protegidas) apenas a Rabinho de Raposa e uma das suas filhas que nunca dali se afastara (gata a quem nunca apelidara, talvez, por ser arisca; e a quem alguém, meses mais tarde, viria a nomear como Luana, por ter focinho de lua cheia).
Protegidas por entre as buganvílias e outras flores matizadas, Rabinho de Raposa e Luana tinham, também, o privilégio de pernoitar na varanda fechada de Dª. Luísa e, de vez em quando, de entrarem em sua casa.
Rabinho de Raposa, apesar da atitude de princesa e de nunca arranhar nada dentro de casa (ao contrário de Luana), tinha alma de viandante e, tal como a sua protectora, não gostava de se sentir aprisionada... pelo que gostava de ir sempre dar as suas voltinhas pelos quintais, tendo descoberto um outro 1º Esq. onde abundavam as iguarias para felinos.

Com o passar dos anos e os consequentes achaques de saúde, Dª. Luísa teve, um dia, que ser internada no hospital.
Nesse preciso momento, o seu pensamento encontrava-se muito mais distante da doença que a assolara... percorrendo o seu aprazível terraço, implorando às vizinhas que tratassem das duas gatinhas na sua ausência.

Alguns meses mais tarde, Dª. Luísa foi encontrada sentada na sua cozinha, como que adormecida… para todo o sempre (apenas a alguns dias de completar o seu 78º aniversário, no mês de Fevereiro de 2008).
O seu “enorme” e precioso coração, que todos os seres amava e protegia, havia parado bruscamente.

Rezam as memórias mais recentes que, no seu funeral, o seu apaixonado de outros tempos não conseguira evitar o pranto ao vê-la partir; tal como, no seu aprazível terraço, a Rabinho de Raposa ficara com os seus olhos felinos em lágrimas, enquanto dormitava na varanda fechada que fora de Dª. Luísa.

A família de sangue foi célere em arrecadar os bens e pertences de Dª. Luísa, despindo o outrora aprazível terraço de toda a vida vegetal e animal.
Rabinho de Raposa e Luana foram votadas ao abandono e enxotadas para longe, tendo encontrado abrigo no quintal vizinho de Dª. Julieta, que as continuou a proteger por se tratarem da única herança que a amiga de longa data lhe havia deixado.

Em pleno mês de Março, início da Primavera, os quintais estavam impregnados de um odor a flores murchas… como se a própria natureza sentisse a dor da perda deste imenso coração.

Em Abril, após a morte de Dª. Luísa e de um outro casal, a harmonia e beleza da vida nos quintais pareceram, por momentos, conseguir ser arrebatadas pela desumanidade do Homem.

Felizmente, durante o mês de Maio, a natureza e a própria vida conseguiram vingar por onde a agrura se quis instalar...
Os 6 filhotes de Luana nasceram no tanque da vizinha do R/c. Protegidos, durante meses a fio, das chuvas e do frio, pelo corpo e pêlo da Rabinho de Raposa, sua avó; que, mais tarde, ensinaria a sua filha Luana a pegar-lhes pelo cachaço e a trazê-los para o terraço que outrora pertencera a Dª. Luísa.

Rezam as vozes de quem viveu (bem) de perto toda esta história que não há mãe tão protectora e diligente como a Rabinho de Raposa… que só lhe falta saber expressar-se na nossa própria língua.
Há, ainda, quem diga que os animais adquirem as qualidades dos humanos com quem mais convivem!