terça-feira, 15 de janeiro de 2008

O meu Prédio - II



Os prédios em que habitamos são como as pessoas, na sua longa existência...
As próprias pessoas vão transformando os prédios naquilo que eles são, ou que não são.
E a verdade é que os prédios vão sofrendo diversas e sucessivas fases, consoante os seus habitantes se vão regenerando (entenda-se como: vão vendendo os seus andares, mudando de inquilinos, etc., etc.).

Esta manhã, ao pequeno-almoço, relembrava uma conversa telefónica que tivera na véspera com a filha de uma vizinha já idosa que, supostamente, deveria passar a exercer funções na nova administração do condomínio...
E dei comigo a ter uma daquelas atitudes perfeitamente humanas, mas do mais descarado e incorrecto que possa existir: invejar a casa e o quintal da minha vizinha de baixo (inquilina da dita cuja senhora idosa, que paga uma renda baixissíma, da qual a filha se queixava ao telefone). A páginas tantas, a minha imaginação começava já a deambular por onde poderia abrir um buraco, dentro de minha casa, para fazer passar umas escadas em caracol para o andar de baixo, caso a filha da senhora idosa se decidisse a correr de lá com a inquilina e o colocasse à venda.... e aquele quintal longo e estreito, que tanto jeito daria para colocar as minhas alfazemas, a tamarix e a buganvília que vivem apertadinhas na varanda da frente... isto já para não falar dos gatos ostracizados dos quintais vizinhos, que em vez de serem enxotados com baldes de água fria (como sucede actualmente), passariam a ter comidinha a horas certas e uma vida mais refastelada.
Inveja, pura inveja!... Uma atitude que não costumo ter... mas errar é humano!

Curioso, então, que, depois desta cena matinal... e, mais uma vez, motivada por questões do Condomínio, tenha terminado este dia a ouvir histórias de outros tempos, a propósito dos vizinhos que habitaram o meu prédio há 30 anos atrás!

Devido à passagem de testemunho para a nova administração, reunião ao final da tarde, em minha casa, com um dos sucessores: o médico cujo consultório fica no R/c Esqº. do prédio, cujos antepassados já exerciam a mesma profissão no exacto local.

E, a dada altura, um manancial de informação relembrando os vizinhos de outros tempos e as histórias do prédio começa a sair-lhe, assim a modos que em catadupa, da boca. A minha vizinha de parceria de administração um pouco enfadada, revirava os olhos e pegava constantemente no telemóvel. Enquanto os meus olhinhos fervilhavam, só de pensar no texto que poderia aqui colocar no blog, para complementar este outro que escrevi há algum tempo atrás, quando me mudei para aqui.
Nós, os antropólogos somos assim... mas temos sempre desculpa para esta curiosidade "mórbida" com que ouvimos os detalhes sobre outras vidas.

Infelizmente, ainda, não poderá ser hoje que faço o gostinho ao dedo (literalmente) e aqui deixo mais uma crónica sobre o meu prédio... Valores mais elevados se levantam, com uma reunião plenária no emprego durante todo o dia de amanhã (e ainda tenho que ir redigir prioridades para 2008).





2 comentários:

Anónimo disse...

Alexa: LOL !! Então tu estás "cum inbeija" ?
Desta vez estás perdoada !! ;)

Bjs. Lena

Alexa disse...

Lena: pois é... uma "inbeija" descaradissíma :))
Bjs