quinta-feira, 20 de dezembro de 2007

Ninushka... 1 mês depois



Durante 2 anos, todas as manhãs e finais de tarde, religiosamente, lhe dei comida através da janela do meu quarto.

Em determinada altura, até pensei em a apanhar. Mas cedo acabei por esquecer essa ideia, dado que me sentia muito mal ao pensar que iria enclausurar um animal que sempre vivera em liberdade.

O tempo foi passando e acabámos por nos "domesticar" uma à outra!...

Até que, este Verão, descobri, através da Clínica Veterinária que a Ninushka fora a primeira gata dos quintais que eles haviam esterilizado, quando há 11 anos atrás se tinham instalado naquela rua.

A partir desse momento, ao saber que a minha gata "adoptiva" deveria ter uns bons 12 ou 13 anos (idade muito rara de alcançar num gato de rua), não me saía da cabeça que o Inverno rapidamente se aproximava e que eu própria não conseguiria suportar o dia em que a Ninushka deixasse de aparecer por debaixo da minha janela, para comer.
E dessa forma um pouco egoísta, comecei a delinear um plano para a tentar apanhar... para que, se algum dia, lhe acontecesse alguma coisa e deixasse de aparecer, a minha forte imaginação não a soubesse moribundo num dos quintais da vizinhança.

E foram se passando mais de 3 meses, desde que, em Agosto, iniciei as tentativas de apanhar a Ninushka...
E sucederam-se uma infinidade de estratagemas, que envolviam a utilização de uma transportadora lançada através de um mecanismo de fios pela janela, a uma altura de cerca de 2 metros...
Logo na primeira vez, a Ninushka entrou dentro da transportadora, para comer a ração que lhe costumava dar. O problema é que ela nunca entrava completamente, ficando sempre com parte do corpo do lado de fora. E, não a querendo magoar, as tentativas iam-se seguindo umas atrás das outras, num processo interminável.

As poucas pessoas que sabiam das minhas intenções, por momentos, devem ter-me considerado verdadeiramente louca ensandecida.
E a verdade é que, conforme as tentativas se iam sucedendo infrutíferas e o Outono se avizinhava, eu própria começava a desesperar com tamanha frustração (sem nunca porém, perder a esperança).

Até que à 19ª tentativa...



1 mês com a Ninushka em casa



Dia 0 - 20/11/07
Depois de 18 tentativas (desde Agosto/07), às 6h30 desta manhã, consegui
finalmente apanhar a Ninushka.
Quando a vi completamente dentro da transportadora a comer (devido, sobretudo, ao facto de ter começado a chover), nem pensei duas vezes e puxei o cordão do saco que a envolvia e puxei para cima.
Quando pousei a transportadora em cima da cama, para fechar a janela, a Ninushka saiu logo lá de dentro e atirou-se contra parede para tentar fugir.
Por fim, meio assustada, escondeu-se debaixo da minha cama. Saí para o emprego com o coração nas mãos, só de pensar que a gata ali fechada no quarto pudesse atirar-se contra a janela e tentar fugir.
À noite, quando regressei, verifiquei que tinha andado em cima da minha cama (pelas marcas das suas patinhas no edredão) e que tinha utilizado o areão (o que é curioso, para uma gata que, durante 12 anos, apenas viveu na rua).
À noite, quando me deitei, fez um barulho estranho a respirar, que parecia quase um ronronar.





Dia 1
– 21/11/07
Durante o dia, a Ninushka deve ter dormido em cima da cama, no casaco de malha que uso para andar por casa.
Depois de lhe ter dado comida, à noite, deve ter-se posto a brincar com a ficha do leitor de CD de parede, porque conseguiu pô-lo a tocar sozinho.
Decidi abrir a porta do quarto, para que ela ficasse com mais espaço onde andar (corredor e casa-de-banho).
À noite, miou uma vez, quando me fui deitar.





Dia 2 – 22/11/07
Acordei de madrugada com a Ninushka a miar. Falei com ela e parou de miar.
À tarde, quando voltei do emprego e lhe dei de comer, aproximei a minha mão, para ela a cheirar… não teve medo, nem sequer se afastou.
A manta que lhe pus debaixo da cama (para se deitar e ficar mais quente) estava toda babada e os brinquedos escondidos.


Dia 3 – 23/11/07
De madrugada, acordei com Ninushka a miar em cima da borda da cama, a olhar para a janela.
A Miyuki miava fora do quarto (irritada por ver a porta fechada) e lá de dentro a Ninushka respondia-lhe ao miado.
À noite, quando cheguei a casa, decidi abrir as portas todas, deixando-as andar à vontade, para se sociabilizarem.





Dia 4 – 24/11/07
De madrugada, a Ninushka atirou-se contra os estores da janela da cozinha. Parece ter dois tipos de miados, bem distintos: um que se assemelha a medo ou dor, quando se põe a olhar para as janelas e se recorda de ter vivido na rua; e outro que parece ser de chamamento, como o que me fazia quando lhe dava a comida pela janela.
Depois de almoço, fui encontrá-la na
janela da casa-de-banho, a olhar para os quintais. Quando me viu, escondeu-se atrás da sanita e depois passou por mim para o quarto, mas já sem correr com medo.
À noite, liguei no quarto o
aquecimento novo que comprara, e debaixo da cama, a Ninushka ronronava toda deliciada.


Dia 5 – 25/11/07
Quando aspirei debaixo da cama, a Ninushka não demonstrou nenhum medo e deixou-se ficar impávida e serena.
Já se deita enrolada sobre ela própria, parecendo estar mais à vontade.
Saiu debaixo da cama e pôs-se a miar, olhando para o aquecimento, parecendo estar a chamá-lo.


Dia 6 – 26/11/07
Ninushka passou a noite quase toda a miar e andou por cima dos vasos das
estantes da janela da cozinha. Quando a chamava e falava com ela parecia acalmar mais.
De manhã miou, parecendo andar à minha procura.
À noite, quando estava ao computador no escritório, pôs-se à porta do meu quarto a olhar e a miar-me.


Dia 7 – 27/11/07
À noite, quando a Ninushka me viu no escritório, pôs-se novamente a olhar para mim e a miar-me do quarto.
Conseguiu abrir um bocado da janela da cozinha. Tenho que arranjar um esquema, para ter sempre um pouco da janela aberta, sem que ela a empurre mais para sair.
De madrugada continuou a miar na cozinha e, quando acordei, os estores estavam todos desacertados e uma das lâminas partida.


Dia 8 – 28/11/07
A Ninushka ficou um pouco rouca de tanto miar.
Esta manhã foi ter comigo à cozinha, enquanto eu tomava pequeno-almoço.
À noite estava deitada debaixo da cama, na sua mantinha, com a língua de fora, cheia de mimo ao quentinho.





Dia 9 – 29/11/07
Ninushka parece estar mais calma. Mas de madrugada ainda acordei com ela na cozinha, a miar muito triste, olhando para a janela.


Dia 12 – 02/12/07
Quando nos deitámos, a Ninushka miou de uma forma estranha, parecendo um ruído semelhante ao de um vómito.
De madrugada, estava na cozinha à janela e assustou-se quando H. lá foi beber água. Atirou-se contra a janela, tentando fugir e depois escondeu-se atrás da máquina de lavar roupa. Às 2h da manhã, andávamos nós a arredar a máquina, para a retirar de lá. Toquei-lhe pela primeira vez.


Dia 16 – 06/12/07
Às 3h da manhã, fui dar com a Ninushka em cima dos altíssimos armários da cozinha, a inspeccionar o terreno. Ainda estou para conseguir perceber como é que uma gata de 12 anos tem agilidade suficiente para conseguir dar um salto tão alto!...





Dia 18 – 08/12/07
Apesar de mais calma, a Ninushka continua a pôr-se à janela (já com luz da cozinha acesa, e sem ser de madrugada), a miar, parecendo muito triste. De manhã, quando levanto os estores do quarto, também, se põe toda esticada a olhar lá para fora. Começo a ter dúvidas sobre se fiz bem em a apanhar e meter dentro de uma casa, onde nunca viveu!...


Dia 22 – 12/12/07
Das minhas gatas a Ninushka não parece ter nenhum medo, deixando-as ir comer à sua tacinha (excepto a Miyuki, a quem rosna). Comigo ainda parece ter algum receio, apesar de já reagir ao som da minha voz e de me cheirar a mão, quando a aproximo dela.
No entanto, esta manhã, enquanto me arranjava na casa-de-banho, a Ninushka pôs-se aos pés da cama a olhar para mim e a miar, como se me estivesse chamar.


Dia 23 – 13/12/07
A Ninushka parece estar muito mais calma, nos últimos dias. Já não mia de manhã com ar triste, nem vai pôr-se à janela.


Dia 25 – 15/12/07
De manhã, acordei com Ninushka à cabeceira da cama, a miar-me para lhe dar comida.


Dia 29 – 19/12/07
Esta tarde, Ninushka saiu debaixo da cama, para se pôr em frente ao aquecimento, como tem feito nas últimas semanas.
Deixou-me aproximar um pouco mais para lhe tirar uma fotografia.








Apesar deste estar a ser um "trabalho" duma paciência infinita, actualmente, não estou arrependida!...

Sei que, se não tivesse conseguido apanhar a Ninushka naquele preciso momento, muito provavelmente, com o frio e chuva que têm estado, hoje, ela já não estaria viva.





12 comentários:

Anónimo disse...

Alexa: Não te conheço pessoalmente (ainda)mas de certeza que tens um coração do tamanho do mundo. Só pode!
Que bom para a Ninushka poder estar no quentinho, com comida certa e outras gatitas. Vais ver que vais ter aí uma outra grande amiga.

Beijos

Alexa disse...

Lena: Muito obrigada pelas tuas palavras!
Um bom Natal para ti e tua família!
Bjs
P.S. - A ver se em 2008 tomamos finalmente o nosso cafézinho ;)

Anónimo disse...

Alexa: Muito obrigada e faço minhas as tuas palavras!
Em 2008 é que vai sair um cafezinho bem quente para as duas, olaré se vai !
( ultimamente o meu norte tem andado mais virado para sul e tem que voltar ao seu devido lugar... I hope !! ;)
Bjs.

Anónimo disse...

Passei para desejar um Feliz Natal e um Bom Ano de 2008.

Alexa disse...

Lena: espero, então, que o teu norte consiga voltar à posição correcta ;)
Bjs

Alexa disse...

Pepe Luigi: Muito obrigada e igualmente!
E bem vindo aqui ao meu cantinho!

Anónimo disse...

Ainda bem que estás com ela!!!!

Fizeste muiito bem!!


Bom Natal!!!

Vai dando noticias da "velhota"

Anónimo disse...

Que bom teres conseguido apanhá-la! Assim está no quentinho com comida e bem acompanhada!
Ainda hoje penso num cãozinho preto que, há mais de 15 anos, vi em Ourém num dia de chuva e frio junto a um multibanco e não o trouxe para casa...ainda hoje me culpo...ainda hoje penso nos seus olhinhos e não me perdoarei nunca...

Alexa disse...

Sónia: muito obrigada pelo teu comentário!
E bem vinda aqui ao blog :)
Um bom Natal para ti também!

Alexa disse...

Elsa: Compreendo bem o que deves sentir em relação a esse tal cãozinho! Infelizmente, não podemos acudir a todos, não é?!

pyotr alexeyevich disse...

nós somos o que pomos no mundo, e o resto é béu-béu.

Alexa disse...

Pyotr: tens toda a razão!
O vosso puto tem que cá vir a casa, um dests dias, para conhecer as meninas... e ver se mete ordem no galinheiro, que andam cá 2 muito endiabradas ;)
Bjs