Durante 2 anos, todas as manhãs e finais de tarde, religiosamente, lhe dei comida através da janela do meu quarto.
Em determinada altura, até pensei em a apanhar. Mas cedo acabei por esquecer essa ideia, dado que me sentia muito mal ao pensar que iria enclausurar um animal que sempre vivera em liberdade.
O tempo foi passando e acabámos por nos "domesticar" uma à outra!...
Até que, este Verão, descobri, através da Clínica Veterinária que a Ninushka fora a primeira gata dos quintais que eles haviam esterilizado, quando há 11 anos atrás se tinham instalado naquela rua.
A partir desse momento, ao saber que a minha gata "adoptiva" deveria ter uns bons 12 ou 13 anos (idade muito rara de alcançar num gato de rua), não me saía da cabeça que o Inverno rapidamente se aproximava e que eu própria não conseguiria suportar o dia em que a Ninushka deixasse de aparecer por debaixo da minha janela, para comer.
E dessa forma um pouco egoísta, comecei a delinear um plano para a tentar apanhar... para que, se algum dia, lhe acontecesse alguma coisa e deixasse de aparecer, a minha forte imaginação não a soubesse moribundo num dos quintais da vizinhança.
E foram se passando mais de 3 meses, desde que, em Agosto, iniciei as tentativas de apanhar a Ninushka...
E sucederam-se uma infinidade de estratagemas, que envolviam a utilização de uma transportadora lançada através de um mecanismo de fios pela janela, a uma altura de cerca de 2 metros...
Logo na primeira vez, a Ninushka entrou dentro da transportadora, para comer a ração que lhe costumava dar. O problema é que ela nunca entrava completamente, ficando sempre com parte do corpo do lado de fora. E, não a querendo magoar, as tentativas iam-se seguindo umas atrás das outras, num processo interminável.
As poucas pessoas que sabiam das minhas intenções, por momentos, devem ter-me considerado verdadeiramente louca ensandecida.
E a verdade é que, conforme as tentativas se iam sucedendo infrutíferas e o Outono se avizinhava, eu própria começava a desesperar com tamanha frustração (sem nunca porém, perder a esperança).
Até que à 19ª tentativa...
1 mês com a Ninushka em casa
Dia 0 - 20/11/07
Depois de 18 tentativas (desde Agosto/07), às 6h30 desta manhã, consegui finalmente apanhar a Ninushka.
Quando a vi completamente dentro da transportadora a comer (devido, sobretudo, ao facto de ter começado a chover), nem pensei duas vezes e puxei o cordão do saco que a envolvia e puxei para cima.
Quando pousei a transportadora em cima da cama, para fechar a janela, a Ninushka saiu logo lá de dentro e atirou-se contra parede para tentar fugir.
Por fim, meio assustada, escondeu-se debaixo da minha cama. Saí para o emprego com o coração nas mãos, só de pensar que a gata ali fechada no quarto pudesse atirar-se contra a janela e tentar fugir.
À noite, quando regressei, verifiquei que tinha andado em cima da minha cama (pelas marcas das suas patinhas no edredão) e que tinha utilizado o areão (o que é curioso, para uma gata que, durante 12 anos, apenas viveu na rua).
À noite, quando me deitei, fez um barulho estranho a respirar, que parecia quase um ronronar.
Dia 1
Durante o dia, a Ninushka deve ter dormido em cima da cama, no casaco de malha que uso para andar por casa.
Depois de lhe ter dado comida, à noite, deve ter-se posto a brincar com a ficha do leitor de CD de parede, porque conseguiu pô-lo a tocar sozinho.
Decidi abrir a porta do quarto, para que ela ficasse com mais espaço onde andar (corredor e casa-de-banho).
À noite, miou uma vez, quando me fui deitar.
Dia 2 – 22/11/07
Acordei de madrugada com a Ninushka a miar. Falei com ela e parou de miar.
À tarde, quando voltei do emprego e lhe dei de comer, aproximei a minha mão, para ela a cheirar… não teve medo, nem sequer se afastou.
A manta que lhe pus debaixo da cama (para se deitar e ficar mais quente) estava toda babada e os brinquedos escondidos.
Dia 3 – 23/11/07
De madrugada, acordei com Ninushka a miar em cima da borda da cama, a olhar para a janela.
A
À noite, quando cheguei a casa, decidi abrir as portas todas, deixando-as andar à vontade, para se sociabilizarem.

Dia 4 – 24/11/07
De madrugada, a Ninushka atirou-se contra os
Depois de almoço, fui encontrá-la na janela da casa-de-banho, a olhar para os quintais. Quando me viu, escondeu-se atrás da sanita e depois passou por mim para o quarto, mas já sem correr com medo.
À noite, liguei no quarto o aquecimento novo que comprara, e debaixo da cama, a Ninushka ronronava toda deliciada.
Dia 5 – 25/11/07
Quando aspirei debaixo da cama, a Ninushka não demonstrou nenhum medo e deixou-se ficar impávida e serena.
Já se deita enrolada sobre ela própria, parecendo estar mais à vontade.
Saiu debaixo da cama e pôs-se a miar, olhando para o aquecimento, parecendo estar a chamá-lo.
Dia 6 – 26/11/07
Ninushka passou a noite quase toda a miar e andou por cima dos vasos das estantes da janela da cozinha. Quando a chamava e falava com ela parecia acalmar mais.
De manhã miou, parecendo andar à minha procura.
À noite, quando estava ao computador no escritório, pôs-se à porta do meu quarto a olhar e a miar-me.
Dia 7 – 27/11/07
À noite, quando a Ninushka me viu no escritório, pôs-se novamente a olhar para mim e a miar-me do quarto.
Conseguiu abrir um bocado da janela da cozinha. Tenho que arranjar um esquema, para ter sempre um pouco da janela aberta, sem que ela a empurre mais para sair.
De madrugada continuou a miar na cozinha e, quando acordei, os estores estavam todos desacertados e uma das lâminas partida.
Dia 8 – 28/11/07
A Ninushka ficou um pouco rouca de tanto miar.
Esta manhã foi ter comigo à cozinha, enquanto eu tomava pequeno-almoço.
À noite estava deitada debaixo da cama, na sua mantinha, com a língua de fora, cheia de mimo ao quentinho.
Dia 9 – 29/11/07
Ninushka parece estar mais calma. Mas de madrugada ainda acordei com ela na cozinha, a miar muito triste, olhando para a janela.
Dia 12 – 02/12/07
Quando nos deitámos, a Ninushka miou de uma forma estranha, parecendo um ruído semelhante ao de um vómito.
De madrugada, estava na cozinha à janela e assustou-se quando H. lá foi beber água. Atirou-se contra a janela, tentando fugir e depois escondeu-se atrás da máquina de lavar roupa. Às 2h da manhã, andávamos nós a arredar a máquina, para a retirar de lá. Toquei-lhe pela primeira vez.
Dia 16 – 06/12/07
Às 3h da manhã, fui dar com a Ninushka em cima dos altíssimos armários da cozinha, a inspeccionar o terreno. Ainda estou para conseguir perceber como é que uma gata de 12 anos tem agilidade suficiente para conseguir dar um salto tão alto!...

Dia 18 – 08/12/07
Apesar de mais calma, a Ninushka continua a pôr-se à janela (já com luz da cozinha acesa, e sem ser de madrugada), a miar, parecendo muito triste. De manhã, quando levanto os estores do quarto, também, se põe toda esticada a olhar lá para fora. Começo a ter dúvidas sobre se fiz bem em a apanhar e meter dentro de uma casa, onde nunca viveu!...
Dia 22 – 12/12/07
Das
No entanto, esta manhã, enquanto me arranjava na casa-de-banho, a Ninushka pôs-se aos pés da cama a olhar para mim e a miar, como se me estivesse chamar.
Dia 23 – 13/12/07
A Ninushka parece estar muito mais calma, nos últimos dias. Já não mia de manhã com ar triste, nem vai pôr-se à janela.
Dia 25 – 15/12/07
De manhã, acordei com Ninushka à cabeceira da cama, a miar-me para lhe dar comida.
Dia 29 – 19/12/07
Esta tarde, Ninushka saiu debaixo da cama, para se pôr em frente ao aquecimento, como tem feito nas últimas semanas.
Deixou-me aproximar um pouco mais para lhe tirar uma fotografia.
Apesar deste estar a ser um "trabalho" duma paciência infinita, actualmente, não estou arrependida!...
Sei que, se não tivesse conseguido apanhar a Ninushka naquele preciso momento, muito provavelmente, com o frio e chuva que têm estado, hoje, ela já não estaria viva.
12 comentários:
Alexa: Não te conheço pessoalmente (ainda)mas de certeza que tens um coração do tamanho do mundo. Só pode!
Que bom para a Ninushka poder estar no quentinho, com comida certa e outras gatitas. Vais ver que vais ter aí uma outra grande amiga.
Beijos
Lena: Muito obrigada pelas tuas palavras!
Um bom Natal para ti e tua família!
Bjs
P.S. - A ver se em 2008 tomamos finalmente o nosso cafézinho ;)
Alexa: Muito obrigada e faço minhas as tuas palavras!
Em 2008 é que vai sair um cafezinho bem quente para as duas, olaré se vai !
( ultimamente o meu norte tem andado mais virado para sul e tem que voltar ao seu devido lugar... I hope !! ;)
Bjs.
Passei para desejar um Feliz Natal e um Bom Ano de 2008.
Lena: espero, então, que o teu norte consiga voltar à posição correcta ;)
Bjs
Pepe Luigi: Muito obrigada e igualmente!
E bem vindo aqui ao meu cantinho!
Ainda bem que estás com ela!!!!
Fizeste muiito bem!!
Bom Natal!!!
Vai dando noticias da "velhota"
Que bom teres conseguido apanhá-la! Assim está no quentinho com comida e bem acompanhada!
Ainda hoje penso num cãozinho preto que, há mais de 15 anos, vi em Ourém num dia de chuva e frio junto a um multibanco e não o trouxe para casa...ainda hoje me culpo...ainda hoje penso nos seus olhinhos e não me perdoarei nunca...
Sónia: muito obrigada pelo teu comentário!
E bem vinda aqui ao blog :)
Um bom Natal para ti também!
Elsa: Compreendo bem o que deves sentir em relação a esse tal cãozinho! Infelizmente, não podemos acudir a todos, não é?!
nós somos o que pomos no mundo, e o resto é béu-béu.
Pyotr: tens toda a razão!
O vosso puto tem que cá vir a casa, um dests dias, para conhecer as meninas... e ver se mete ordem no galinheiro, que andam cá 2 muito endiabradas ;)
Bjs
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