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segunda-feira, 9 de fevereiro de 2009

Notas Soltas - 140




- Fim de Tarde com Livros -





Quem ama verdadeiramente os livros, oferece-os aos amigos, em singelas e bonitas alusões... e um simples "obrigada" não é suficiente para agradecer toda a amizade e companhia que nos são concedidas!

"Salva" anda fora e dentro, numa liberdade que espelha a sua alma felina... mas regressa sempre à Casa-Mãe.

Naquele mundo que é seu, aproxima-se devagarinho de quem lhe quer bem e por ali fica a brincar displicentemente... Lá em baixo, na cave, faz a festa com um pequeno novelo de linha verde, emaranhado numa das cadeiras. De quando em vez, num terno miado de mimo, chama a sua protectora, deixando-a fazer-lhe algumas ténues festinhas na cauda.
Depois, cansada de tanta brincadeira, aninha-se na sua caminha e ali fica, a dormir o sono dos justos... com um olho sempre aberto, permitindo que a objectiva da máquina fotográfica e as minhas mãos se aproximem cada vez mais.

"La vraie liberté c'est de pouvoir toute chose sur soi"... tal como os gatos.






- Regar as Plantas -


22h... e a chuva continua a cair incessantemente...

Desço para ir deitar o lixo fora e deparo-me com a porta do prédio completamente escancarada, com um dos vasos da entrada da escada a servir-lhe de travão.
Lá fora, no patamar coberto, a minha vizinha de baixo, em roupão, a guardar um outro vaso de uma das plantas da escada... que se encontra perto do caixote do lixo, a ser regada pela chuva.

No inusitado da cena, a Dª. L. parece nem sequer me vislumbrar, tal é o acentuado do odor a etílico.
Aparece o vizinho do 3º andar Esq., meteorologista de profissão. E a Dª. L. pergunta-lhe se no dia seguinte irá continuar a chover.






- 1 semana -


Depois de uma semana, hoje, finalmente, consegui chorar.

Tenho andado, desde essa data, a meter tudo para dentro e a acumular... parecendo quase uma bola de neve, prestes a rebentar.








sexta-feira, 11 de janeiro de 2008

Notas Soltas - C



Eis-me, finalmente, chegada à Nota Solta nº 100...
E já tanto tempo passado desde que esta forma de me auto-arrumar as ideias surgiu!...





- Chegaram hoje ao fim... -


Dois intermináveis anos na Administração do Condomínio do meu prédio.
Apesar das ressalvas da minha mãezinha, acabei por não ser, de modo algum, uma ditadora... mas tive que aguentar grandes dramas com a limpeza do prédio, dívidas (que se eternizavam) por parte de condóminos ausentes, obras (sugeridas por todos) mas nunca realizadas em administrações anteriores... e, finalmente, a famosa novela do caixote do lixo.

Ao fim destes dois anos, depois de já (quase) ter passado a pasta a outros, sinto uma alegria estupidamente agradável, ao pensar no fardo que me saíu de cima dos ombros!

Daqui a dois anos há mais!...





- Do lado de lá -


É uma sensação muito estranha aquela de já nos termos vislumbrado do lado de lá e, em determinado momento das nossas vidas, passarmos a estar do outro lado!...

Reaviva-se no nosso espírito todo o stress que sentimos naquele dia, as palavras que mal conseguíamos proferir ficando coladas aos lábios secos de tantos nervos à flor da pele.
E o alívio, o imenso alívio de quando nos voltam a chamar à sala e, com o coração aos saltos, ouvímos, finalmente, alguém mencionar a nota que tivémos.

Esta tarde voltei à minha faculdade, para estar presente como orientadora na defesa de um relatório de estágio.
E a empatia criada com aquele momento foi muito grande!...




quarta-feira, 21 de novembro de 2007

Cenas Triviais do Quotidiano - XVIII




Quando o caixote do lixo do nosso prédio é utilizado por todos os moradores dos prédios da rua que não possuêm caixote;

Quando uma das próprias vizinhas contribui para essa utilização abusiva trazendo, também, os sacos de lixo dos prédios das amigas para deitar no caixote do nosso prédio...







... urge que sejam tomadas medidas (mais) radicais!

Resta dizer que foi, ainda, incluído um cadeado para que o caixote do lixo se mantenha devidamente fechado durante o dia.

E, apesar de a saga da administração ainda não ter terminado, a originalidade da ideia aqui expressa não foi minha, mas sim de uns vizinhos.



Actualização de 24/11/07: - o prédio do Homem que transportava ao peito uma constelação de estrelas, também, não tem caixote do lixo... por ter sido roubado.




segunda-feira, 11 de junho de 2007

Notas Soltas - LXI


- Alegrias dos Condomínios - IV -

O condómino que devia mais de 2 anos ao condomínio, quitou, no final do mês passado, a sua dívida... depois de um e-mail (ultimato) enviado, que, devido a erro do local onde trabalha, foi, também, parar a um colega seu.

Apesar de todos os restantes vizinhos justificarem o facto deste senhor não pagar o condomínio como os demais, devido ao lugar profissional de destaque que ocupa na socidedade... afinal, a excepção confirma sempre a regra e a vergonha pública embaraça (a maioria) dos caloteiros!!





- "Cortes" - IX -



Cena: "Uma época terrível" , in "Les Invasions Barbares", de Denys Arcand (2003).



"A história da humanidade é uma história de horror."

Um pequeno chef-d'oeuvre este filme canadiano!




quarta-feira, 21 de fevereiro de 2007

Notas Soltas - XXVIII


- Noite de Sushi -






Já não nos encontrávamos para as nossas noites de sushi há algum tempo.
Hoje, voltámos a juntar-nos, no Restaurante Odivelas Parque, para a degustação deste prato magnífico e, juntando o útil ao agradável, para colocar a conversa em dia e efectuar as habituais trocas de chá do nosso clube.

Adorei o serão e as prendinhas, primita!
Pena é que o bule japonês tenha ficado apenas em fotografia e, graças ao meu mano, não tenha vindo parar cá a casa!
;)
Espero que o chá que levaste tenha dado algum resultado.




- Manias -


Ontem comecei mais uma daquelas actividades ou manias que poderá ser considerada pelo comum dos mortais como a mais idiota e inútil: juntar alguns pacotinhos de açúcar (porque nunca deito o pacote inteiro no café, apenas três quartos), para ajudar na despensa cá de casa.
Curiosamente, esta mania apenas durou meio dia, dado que hoje, no café aqui do bairro, me deram estes pacotes todos, ao saberem que estava sem açúcar em casa.
Deve ter sido apenas um dos proveitos da "guerra aberta" que se gerou desde esta situação aqui.




- Alegrias dos Condomínios - II -

Enviar pela terceira vez a carta de convocatória para a 1ª Assembleia Ordinária de Condomínio do ano, devido à falta de quorum nas reuniões precedentes, pode tornar-se uma tarefa tão estúpida quanto ingrata!...
No entanto, quando, a meio da tarde, recebemos uma chamada telefónica de um dos condóminos a pedir-nos muitas desculpas, tentando justificar-se por ter andado a faltar às reuniões de condomínio (tal e qual as desculpas esfarrapadas de um garoto que falta às aulas), a coisa torna-se muito mais engraçada!
Sobretudo, a partir do momento, em que descobrimos que o provérbio popular "Quando se zangam as comadres, descobrem-se as verdades" tem efectivamente um fundo de verdade... e que, quando se trata de condomínios, isto até daria para redigir uma tese de dissertação de mestrado em Antropologia!!


domingo, 4 de fevereiro de 2007

Alegrias dos Condomínios



... a comunicação "amigável" que se gera sempre entre os condóminos!

Este aqui vem direitinho do condomínio da minha mãe: um prédio com 5 moradores por andar (11 andares no total).

sexta-feira, 17 de março de 2006

Primeiro Acto Público


Ontem à noite tive o meu primeiro acto público enquanto administradora do condomínio do meu prédio, em parceria: - ter que dizer à senhora que faz a limpeza da escada (que, por acaso, também é proprietária de uma das fracções do prédio) que a mesma não é bem feita... nem era feita há mais de um mês (quando o acordado tinha sido 2 horas por semana)!

O que eu acho engraçado é o desplante de certas pessoas, que pensam que podem andar a enganar os outros durante anos a fio (apenas porque a maior parte dos restantes proprietários tinham as casas alugadas e os seus inquilinos não se queixavam), e, ainda por cima, se queixam de ganhar 6o e tal euros por mês (quando este valor se encontra muito acima da média do valor/hora determinado para estes casos)!

quarta-feira, 1 de fevereiro de 2006

A Eleição


Ontem à noite participei num daqueles eventos únicos e irrepetíveis das nossas vidas: a 2ª reunião de Condomínio, desde que vivo no meu prédio.

É engraçado constatar como, de há um ano para cá, os meus sentimentos e percepções em relação ao meu prédio e aos meus vizinhos mudaram tanto!
Nessa altura, quando tivémos a (minha) 1ª reunião, ainda idealizava bastante cada um dos meus vizinhos, apesar dos seus defeitos e feitios (este é mesmo um dos meus maiores defeitos: idealizar demais as coisas, os lugares, as pessoas e as situações; acabando sempre, mais tarde ou mais cedo, por me desiludir, como é lógico!).
Encantada como estava, na altura, até escrevi um texto algo humorístico sobre cada um desses vizinhos.

Para este encantamento muito terá contribuído, sem dúvida alguma, o meu espírito demasiado imaginativo (estou sempre a fazer grandes filmes na minha cabeça, com qualquer coisinha), bem como o facto de nunca ter morado num prédio assim pequeno, onde toda a gente se conhece, todos se cruzam a qualquer hora do dia ou da noite, havendo sempre uma espécie de entre-ajuda comunitária associada a uma leve pontinha de coscuvilhice.
Por outro lado, como qualquer antropólogo aquando do trabalho de terreno, também eu passei pela fase inicial do “enamoramento” pelo meu objecto de estudo... neste caso, os meus vizinhos.
Sendo que, actualmente, me encontro naquela estranha fase de desencanto, em que descobrimos os podres e as vicissitudes do nosso objecto de estudo.

Por isso, ontem à noite, fui para a reunião de condomínio arrastando-me num misto de enfado, tédio e grandessíssima neura!...

Revisão e aprovação do orçamento de 2005... revisão e aprovação do orçamento de 2006... seguro obrigatório de cada fracção, etc. e tal, os assuntos habituais... entrecortados, a cada instante, pelo vizinho mais recente (familiar do proprietário do andar em questão), com os seus comentários de grande sábio e entendido na matéria.

Eleição da nova administração.
Ponto que, naturalmente, iria gerar polémica, dado que metade dos condóminos, por um qualquer motivo, não querem ou não podem exercer a dita cuja função (incluindo-me a mim própria, que, apenas, queria que a função seguisse uma ordem rotativa... logo, não seria a minha vez de a exercer -eu sei que pode parecer que me estava a querer "descartar", mas é a mais pura das verdades!).

E o vizinho mais recente, desde o início da reunião, a mandar “dichotes”, a vangloriar-se do seu trabalho noutras administrações de condomínio, que conhece fulano e cicrano e que, por um remoto acaso, até é de perto da terra do actual administrador.
Até que, a dado momento, atira para o ar que não se importa de ficar na administração, desde que não pague o condomínio (o que, num prédio de apenas 3 andares, se torna caricato!) e que, para colmatar esse facto, pode ir fazendo uns pequenos biscates no prédio (como mudar lâmpadas nos andares, etc.).

Gera-se a discussão: ninguém concorda. Ainda que noutros condomínios já exista esta opção, o nosso é muito recente (foi formado há apenas 3 anos), para além de ser um prédio demasiado pequeno para estas aventuras... seria abrir um precedente perigoso futuramente. E todos consideram a solução pouco ética (somos um prédio de "bonzinhos" e ingénuos, bem sei!).

Pequeno à parte antropológico: - é engraçado ver como, em todos os condomínios, há sempre um determinado personagem, que aqui poderíamos apelidar de “chico-esperto”, que tenta sempre ludibriar os restantes personagens, neste caso, os “papalvos”.

O administrador em exercício pergunta se não há mais propostas na mesa. Ninguém se acusa, como sempre... todos de cabeça baixa, a olharem para os seus papéis e/ou a sondarem o horizonte.
E, em desespero de causa, o administrador lança para o ar que, também, poderia ser uma administração conjunta, em parceria entre as 2 vizinhas mais novas.
E eis senão quando, num turbilhão de frases, comentários e votos, eu me vejo eleita, juntamente com a minha vizinha do 3º andar para, em parceria, exercermos a administração nos próximos 2 anos.
Grande golpe, sim senhora!...

E agora, provavelmente, se não der em doida logo no primeiro mês após nos passarem a pasta da anterior administração, penso que irei ter um rol infindável de pequenas histórias para aqui vos contar no blog (há que ter pensamento positivo, face ao cargo... já que a minha própria mãe acha que eu vou ser uma ditadora aqui no prédio :)