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quarta-feira, 6 de agosto de 2008

Notas Soltas - 130





- A Dança -







O que estão estes seres humanos a fazer? A dançar.
Na Terra, muitos seres humanos exibem períodos de felicidade, sendo a dança um dos métodos de expressar livremente essa felicidade.
A felicidade e a dança ultrapassam barreiras políticas, ocorrendo em praticamente todas as sociedades humanas.

Matt Harding viajou por diversas nações na Terra, começando a dançar em cada um desses locais e filmando o resultado final (muitas pessoas a ele se juntavam, começando, também, a dançar).
Este vídeo é, talvez, o exemplo dramático de que os seres humanos em toda a Terra sentem uma ligação comum, enquanto membros de uma mesma espécie.
A felicidade é frequentemente contagiosa e poucas são as pessoas capazes de assistir a este vídeo sem sorrirem!







- Esta manhã... -




... Luana veio a correr, juntamente com Misha, comer por debaixo da minha janela.









domingo, 3 de agosto de 2008

"Náufragos das Estrelas"






Enquanto continuarmos a viver nos nossos pequenos mundozinhos, fechando os olhos ao que tantos outros sofrem diariamente, políticas como a "Directiva do Retorno" (nova legislação comunitária contra a imigração ilegal) continuarão a ser aprovadas... impedindo a (verdadeira) livre circulação da grande maioria das pessoas e constituindo um verdadeiro atentado aos direitos humanos!





quarta-feira, 2 de julho de 2008

Dualidade




O metropolitano chega à estação de Campo Grande.
Como habitualmente, as pessoas entram esbaforidas, com pressa de encontrarem um lugar onde se sentar, como se o cansaço da véspera não tivesse sido saciado com o sono da noite.

Uma senhora de meia idade e óculos escuros entra carregada com diversos sacos e uma mochila. Pede licença para passar para o assento junto à janela.
Ao sentar-se, olha em volta, para mim e para os dois homens ali sentados e diz:
- “Ora, então, muito bom dia a todos!”
Os 3 retorquimos-lhe igualmente com um bom dia.
- “Desculpai mais é a força do hábito… em Angola era assim… e é defeito profissional. Mas as pessoas já não estão habituadas a dar os bons dias umas às outras. Por isso desculpai!”

Sorriu e saio da carruagem com a minha fértil imaginação ainda a discorrer sobre as diversas hipóteses do métier daquela senhora.




Ao chegar ao emprego, leio os matutinos e deparo-me com esta notícia...



A indiferença cada vez maior do Homem perante qualquer outro ser humano não deixa de me surpreender!...




quarta-feira, 9 de janeiro de 2008

Estamos perdidos há muito tempo...



Depois do (lavar-a-alma do) post anterior, não poderia vir assim uma coisa qualquer comezinha, mundana e bastante trivial... Até me sentiria mal comigo própria!
Por isso, aqui fica uma pequena pérola de sabedoria, a demonstrar que este país nunca esteve bem.
Muito obrigada, Sara Cacao, pela inspiração em nota de rodapé de um dos teus e-mails! :)





"Estamos perdidos há muito tempo...
O país perdeu a inteligência e a consciência moral. Os costumes estão dissolvidos, as consciências em debandada. Os caracteres corrompidos. A prática da vida tem por única direcção a conveniência. Não há princípio que não seja desmentido. Não há instituição que não seja escarnecida. Ninguém se respeita. Não há nenhuma solidariedade entre os cidadãos. Ninguém crê na honestidade dos homens públicos. Alguns agiotas felizes exploram. A classe média abate-se progressivamente na imbecilidade e na inércia. O povo está na miséria. Os serviços públicos são abandonados a uma rotina dormente. O Estado é considerado na sua acção fiscal como um ladrão e tratado como um inimigo. A certeza deste rebaixamento invadiu todas as consciências. Diz-se por toda a parte, o país está perdido!"

EÇA DE QUEIROZ, in Revista "Farpas" (1871)




segunda-feira, 7 de janeiro de 2008

Eu, fumadora, me confesso…







Profundamente irritada e revoltada, a cada dia que passa, desde que a nova Lei do Tabaco entrou em vigor!

Sou uma fumadora (muito) moderada (5 a 6 cigarritos por dia, apenas para combater o stress… e um pouco mais, quando saio com os amigos), que sempre respeitou o seu semelhante não-fumador.
Quando falo em respeito pelo Outro refiro-me a um dos valores pelos quais tento pautar a minha vida. Neste caso concreto, e mais explicitamente, refiro-me ao facto de nunca ter fumado em balcões de cafés ou pastelarias, de me desviar sempre das filas de pessoas nas paragens de autocarros quando me apetece fumar (para tentar que ninguém leve com o fumo), de não fumar em restaurantes quando via que nas mesas circundantes alguém tomava a sua refeição…

E é, precisamente, esse respeito que sempre tive que, actualmente, me dá o pleno direito de me sentir profundamente revoltada com a segregação a que os fumadores deste país foram votados com a entrada em vigor desta nova Lei.
Porque, desde o dia 01/01/08, os governantes deste país perderam todo o respeito por pessoas como eu e tantos outros!!

Quando em 2003 visitei em trabalho Gotemburgo, na Suécia - um país bem mais civilizado do que o nosso -, já não se podia fumar em ambientes fechados (neste caso, centros comerciais); no entanto, no que toca a bares e discotecas, os seus proprietários deveriam dispor de espaços para fumadores e outros para não-fumadores, para que nenhum dos seus clientes se sentisse discriminado.
Também em Abril de 2004, fui “apanhada” em plena entrada em vigor da nova lei do tabaco, quando visitei a Irlanda em trabalho. Nesse país bastante conhecido pelos seus pubs, havia quem, na véspera da entrada em vigor da lei, dissesse que no dia seguinte haveria motins em Dublin e que nenhum irlandês que se prezasse aceitaria tal lei… Curiosamente (ou talvez não), o facto é que não houve motins nem quaisquer outros problemas na noite de Dublin, e numa alegre confraternização, não-fumadores juntavam-se aos fumadores, no exterior dos pubs, nas mesas altas com cinzeiros e candeeiros de aquecimento (alterações essas efectuadas pelos próprios estabelecimentos, de modo a não perderem clientes).

Como bons (e pacóvios) portugueses que são, os nossos governantes quiseram ir mais além, fazer mais e melhor do que um país tão civilizado como a Suécia ou do que um país caridoso como a Irlanda.
E então, toca de redigir uma lei (mais que) restritiva, que conduza rapidamente à perseguição, guetização e extinção de todo e qualquer fumador.
Como se já não tivéssemos neste belo país à beira-mar plantado suficientes guetos e discriminações, faltava-nos agora mais esta!

Os não-fumadores que me perdoem, mas não me venham com a desculpa do terem sido durante anos a fio discriminados, ao terem que levar com o meu fumo e o de muitos outros indivíduos…
Porque esta lei, para evitar a vossa discriminação, parece que, afinal, veio discriminar (e perseguir) outros!!!

Senão, porque é que a dita cuja lei não estabelece, à semelhança de nuestros hermanos, que cada estabelecimento comercial é livre de decidir se vai banir os fumadores ou mantê-los (sem falarmos na questão da criação das zonas “especiais” para os mesmos, já que muita tinta rolaria por essas discrepâncias estabelecidas pela lei)?

E acham que esta lei foi mesmo feita para vos proteger, caros leitores não-fumadores?

Então porque é que o dióxido de carbono dos automóveis de tantos de vocês (sim, que eu nem sequer carta de condução tenho, por isso aí não me podem acusar de conspurcar o ar!) continua diariamente a empestar o ar que deveria ser de todos?
Porque é que a Autoridade de Segurança Alimentar e Económica continua à caça da bola de Berlim, da ginginha e das castanhas embrulhadas em folhas das páginas amarelas, enquanto as cadeias de fast food continuam livre e desapiedadamente a engordar e criar problemas coronários a tantas crianças e adolescentes?
Os nossos próprios governantes e fiscalizadores parecem constantemente dizer-nos: “faz como eu digo, mas não faças como eu faço”
E, sobretudo, porque é que o mesmo governo que proíbe e vê no tabaco a encarnação do mal de todos os males ao cimo da Terra, continua a arrecadar lucros da Tabaqueira nacional?

Desde que a fruta e os legumes produzidos nos Estados-Membros passaram a ser concebidos à luz de centímetros específicos (sendo que se extravasam o ideal normalizado passam a tratar-se de lixo… com tanta gente por aí a morrer de fome, senhores!!!!) e os agricultores se revoltaram sem que lhes tivesse sido dado cavaco, desde essa altura que deveríamos ter parado um pouco para pensar no que nos estava prestes a acontecer!

Leis deste género passaram a emanar da Comissão, para promover o “bem” de todos os cidadãos europeus… cabendo aos Estados-Membros fazer o melhor possível por a elas se adaptarem, com todas as 27 especificidades culturais e linguísticas existentes.
E isto é só o princípio... de uma outra forma de governar!

Preparem-se, porque a seguir virão os gordos, depois os enfermos crónicos… e, assim, a Comissão criará, num futuro não muito longínquo, um mundo onde todos (os que cá ficarem) serão felizes, sem defeitos nem doenças, sem vícios nem manias, alimentando-se de pequenos comprimidos normalizados que lhes relembrarão o gosto de uma maçã ou de uma beterraba, consoante os dias da semana.






E se alguma ditadura tivesse ido mais longe? Modificar completamente a nossa forma de viver, pensar, falar...

Pessoalmente, tudo isto (e muito mais, que por aí se passa) me leva a crer que nunca estivemos tão próximos do "1984" de George Orwell!...
Vivemos, cada vez mais, numa sociedade em que os direitos individuais e a legalidade estão definitivamente ameaçados.
E o que me mete mesmo muito medo é o facto de ninguém se insurgir e fazer mesmo algo contra todas estas leis restritivas e normalizadoras encapuçadas de benesses. Porque o sinistro já não é tanto a coerção externa, mas muito mais a interiorização dessa coerção, que aparece afinal como imperativo do próprio Eu.

Voltando ao tabaco, só para concluir…
Sempre soube que mata e que nos provoca doenças hediondas. Mas lamento informar-vos que não vou deixar de fumar os meus 5 ou 6 cigarritos diários…
Também não vou fazer como o meu amigo ZA, que, como forma de luta, anda a tentar deixar de fumar (para não encher os bolsos ao Estado com os lucros que vêm da Tabaqueira).
Só que me continuo a sentir profundamente irritada e revoltada por estar a ser discriminada!
E, muito provavelmente, se a coisa continua assim, compro uma máquina baratucha e deixo de frequentar o café aqui do bairro.





Fontes das imagens utilizadas:
aqui e 2ª aqui.