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domingo, 29 de novembro de 2009

Uma simples sombra que passa...







Vídeo de MusicaEternal
Música: "Redemption" de Lisa Gerrard




"A vida é uma simples sombra que passa (...); é uma história contada por um idiota, cheia de ruído e de furor e que nada significa."

William Shakespeare
in"Macbeth".






terça-feira, 1 de setembro de 2009





"Quando eu nasci, as frases que hão-de salvar a humanidade já estavam todas escritas, só faltava uma coisa: salvar a humanidade."

(Almada Negreiros)





Obra de Takashi Murakami




domingo, 5 de julho de 2009

"Le Vrai Sens de la Vie"





Dead Can Dance - "The Host of Seraphim"





"Nous sommes des visiteurs sur cette planéte.

Nous sommes ici pour quatre-vingt dix ou cent ans, tout au plus.

Pendant cette période, nous devons essayer de faire quelque chose de bon, d'utile.

Si vous contribuez au bonheur d'autrui, vous trouverez le vrai but,
Le vrai sens de la vie."


S.S. Dalai Lama






sábado, 21 de fevereiro de 2009

"Os Poemas"





Fotografias do interior da "Ulmeiro/Livrarte" (em Benfica).



"Os poemas são pássaros que chegam não se sabe de onde e pousam no livro que lês.
Quando fechas o livro, eles alçam voo
como de um alçapão.
Eles não têm pouso
nem porto; alimentam-se um instante em cada par de mãos e partem.
E olhas, então, essas tuas mãos vazias,
no maravilhado espanto de saberes que o alimento deles já estava em ti..."


Mário Quintana, in "Esconderijos do Tempo"









segunda-feira, 9 de fevereiro de 2009

Notas Soltas - 140




- Fim de Tarde com Livros -





Quem ama verdadeiramente os livros, oferece-os aos amigos, em singelas e bonitas alusões... e um simples "obrigada" não é suficiente para agradecer toda a amizade e companhia que nos são concedidas!

"Salva" anda fora e dentro, numa liberdade que espelha a sua alma felina... mas regressa sempre à Casa-Mãe.

Naquele mundo que é seu, aproxima-se devagarinho de quem lhe quer bem e por ali fica a brincar displicentemente... Lá em baixo, na cave, faz a festa com um pequeno novelo de linha verde, emaranhado numa das cadeiras. De quando em vez, num terno miado de mimo, chama a sua protectora, deixando-a fazer-lhe algumas ténues festinhas na cauda.
Depois, cansada de tanta brincadeira, aninha-se na sua caminha e ali fica, a dormir o sono dos justos... com um olho sempre aberto, permitindo que a objectiva da máquina fotográfica e as minhas mãos se aproximem cada vez mais.

"La vraie liberté c'est de pouvoir toute chose sur soi"... tal como os gatos.






- Regar as Plantas -


22h... e a chuva continua a cair incessantemente...

Desço para ir deitar o lixo fora e deparo-me com a porta do prédio completamente escancarada, com um dos vasos da entrada da escada a servir-lhe de travão.
Lá fora, no patamar coberto, a minha vizinha de baixo, em roupão, a guardar um outro vaso de uma das plantas da escada... que se encontra perto do caixote do lixo, a ser regada pela chuva.

No inusitado da cena, a Dª. L. parece nem sequer me vislumbrar, tal é o acentuado do odor a etílico.
Aparece o vizinho do 3º andar Esq., meteorologista de profissão. E a Dª. L. pergunta-lhe se no dia seguinte irá continuar a chover.






- 1 semana -


Depois de uma semana, hoje, finalmente, consegui chorar.

Tenho andado, desde essa data, a meter tudo para dentro e a acumular... parecendo quase uma bola de neve, prestes a rebentar.








quinta-feira, 14 de agosto de 2008

"I did all my best to smile"





This Mortal Coil - "Song to the Siren"





"Sejam quais forem os resultados com êxito ou não, o importante é que no final cada um possa dizer: 'fiz o que pude'"

Louis Pasteur





segunda-feira, 9 de junho de 2008



"Nenhum caminho é mais errado para a felicidade do que a vida no grande mundo, às fartas e em festanças, pois, quando tentamos transformar a nossa miserável existência numa sucessão de alegrias, gozos e prazeres, não conseguimos evitar a desilusão; muito menos o seu acompanhamento obrigatório, que são as mentiras recíprocas."

Arthur Schopenhauer, in Aforismos sobre a Sabedoria da Vida"



"Chora aos berros como as crianças até te estafares. Verás que depois adormeces."

Vergílio Ferreira, in "Pensar"






segunda-feira, 17 de março de 2008

Memória-Recordação



"(...) A memória não é mais do que uma condição transitória da recordação: ela permite ao vivido que se apresente para consagrar a recordação. Esta distinção torna-se manifesta ao exame das diversas idades da vida. O velho perde a memória, que geralmente é de todas as faculdades a primeira a desaparecer. No entanto, o velho tem algo de poeta; a imaginação popular vê no velho um profeta, animado pelo espírito divino. Mas a recordação é a sua melhor força, a consolação que os sustenta, porque lhe dá a visão distante, a visão de poeta.

(...)

Apesar de se distinguirem por grande diferença, a recordação e a memória são por vezes tomadas uma pela outra. A recordação é efectivamente idealidade, mas como tal, implica uma responsabilidade muito maior do que a memória, que é indiferente ao ideal. A recordação tem por fim evitar as soluções de continuidade na vida humana e dar ao homem a certeza de que a sua passagem pela terra efectua uno tenore, num só traço, num soporo, e pode exprimir-se na unidade. Assim se liberta ela da necessidade em que a língua se encontra de repassar incessantemente pelas mesmas tagarelices, para reproduzir aquelas de que a vida se encontra repleta. A condição da imortalidade do homem é que a vida dele decorra uno tenore."



Soren Kierkegaard, in "O Banquete"




terça-feira, 11 de março de 2008

Estórias com Gatos - X



Num quintal não muito longe vivia um casal de idosos, que alimentava esta colónia de felinos, tendo mesmo construído um pequeno abrigo em madeira para se protegerem.
O senhor faleceu há cerca de 3 meses. Tendo, passado um mês, a sua esposa, a senhora que se pintava muito e gostava de andar sempre bem arranjada, sido encontrada morta de desgosto em casa pelo filho.
Dois dos gatos que alimentavam e protegiam no seu quintal, têm sido vistos, à noite, a deambularem lá longe, no outro extremo dos quintais daquela rua.





Mais tarde, através das deambulações felinas pelos quintais das traseiras, apercebeu-se que, afinal, o falecido casal não protegia esta colónia, mas sim dois gatos malhados: um macho branco e tigrado e uma fêmea preta e branca.

Na rua principal, no passeio à frente da entrada do prédio, começaram a aparecer velharias depositadas perto do caixote do lixo. Peças do passado de alguém que vivera naquela casa, do qual os herdeiros se iam aos poucos desfazendo.
Durante quase uma semana, no passeio daquele prédio ali mesmo ao lado, apareciam papéis amarelecidos pelo tempo, onde dantes alguém fizera contas, escrevera com uma letra muito certinha e arredondada, imagens de santos… pisadas pelas gentes que passavam.

E, nos quintais das traseiras, um gato tigrado e branco começou a aparecer todas as noites, miando como que num choro contínuo de quem chama por alguém.


21h30…
Enquanto estendo na janela do quarto a roupa que acabara de centrifugar, acende-se uma luz no quintal do prédio vizinho.
Dª. L. aparece no quintal com a sua cadela Tucha e o marido.
- “Menina” – sussurra, chamando-me. - “Oh m’nina!...”
A cadela Tucha, gorda e anafada com a sua permanente encaracolada, desata num berreiro tremendo a ladrar.
- “Rai’s parta a cadela, que não nos deixa sequer conversar! Leva-a lá para dentro, vá!” – diz a Dª. L. ao seu marido, que, prontamente, leva a cadela para dentro de casa.
No seu quintal (2 quintais ao lado do meu prédio), Dª. L. retoma a conversa:
- “Oh menina, de que cor era o gato a que dava comida?”
Por momentos, sinto uma sensação de déjà vu e começo a ponderar seriamente a hipótese de deixar de estender roupa à janela.
Respondo-lhe que era preta e amarelada, como já lhe dissera da primeira vez que mo perguntara, aproveitando para frisar bem o género feminino.
- “Preto e amarelo? Ah! É porque eu acho que ele voltou a aparecer!”
Respondo que nunca mais a vira, pensando na minha Ninushka, ferrada a dormir debaixo da cama.
- "Ah, pois... então não era. Porque o gato que vi aí era branco e cinzento."
Explico-lhe que, há já algumas semanas, que esse gato me aparecia debaixo da janela e lhe costumava dar alguma comida; pois, segundo me haviam dito, aquele era um dos gatos protegidos pela senhora que havia falecido recentemente.
Nesse ponto, a conversa diverge e Dª. L. informa-me que a senhora que tinha falecido morava não na nossa rua, mas sim na rua paralela à nossa (informação que, até à data, não confirmo, já que tenho 2 vizinhas a dizerem-me precisamente o contrário); e que, para além do gato cinzento e branco, tinha também um gato do "tipo persa, muito gordo", segundo as suas próprias palavras.
A conversa termina com a Dª. L. a informar-me que ia lavar o saco de plástico onde costuma dar comida a uma das outras colónias, que vive do lado do seu quintal.





Entretanto, fiquei sem perceber quem falecera efectivamente... ou se, no fundo, não haviam já falecido duas protectoras distintas de gatos daqueles quintais...
Já que, nas últimas semanas, me têm aparecido a pedir comida 3 gatos diferentes: uma gata preta e branca, o Mikado (gato tigrado e branco) e o Misha.

Teoria do eterno retorno? Acontecimentos que se repetem? Ou lei do Karma?





"Esta vida, assim como tu vives agora e como a viveste, terás de vivê-la ainda uma vez e ainda inúmeras vezes: e não haverá nela nada de novo, cada dor e cada prazer e cada pensamento e suspiro e tudo o que há de indivisivelmente pequeno e de grande em tua vida há de te retornar, e tudo na mesma ordem e sequência (...)"

Fredrich Nietzsche, in "Gaia Ciência" (1882).





sexta-feira, 15 de fevereiro de 2008

A propósito da Tristeza




"A tristeza é um livro sábio que se tem no coração e que nos diz centenas de coisas - impede-nos de apodrecer como um cogumelo debaixo de uma árvore; pouco a pouco vai fabricando uma provisão de ensinamentos para a vida."


Juliusz Slowacki






quarta-feira, 9 de janeiro de 2008

Estamos perdidos há muito tempo...



Depois do (lavar-a-alma do) post anterior, não poderia vir assim uma coisa qualquer comezinha, mundana e bastante trivial... Até me sentiria mal comigo própria!
Por isso, aqui fica uma pequena pérola de sabedoria, a demonstrar que este país nunca esteve bem.
Muito obrigada, Sara Cacao, pela inspiração em nota de rodapé de um dos teus e-mails! :)





"Estamos perdidos há muito tempo...
O país perdeu a inteligência e a consciência moral. Os costumes estão dissolvidos, as consciências em debandada. Os caracteres corrompidos. A prática da vida tem por única direcção a conveniência. Não há princípio que não seja desmentido. Não há instituição que não seja escarnecida. Ninguém se respeita. Não há nenhuma solidariedade entre os cidadãos. Ninguém crê na honestidade dos homens públicos. Alguns agiotas felizes exploram. A classe média abate-se progressivamente na imbecilidade e na inércia. O povo está na miséria. Os serviços públicos são abandonados a uma rotina dormente. O Estado é considerado na sua acção fiscal como um ladrão e tratado como um inimigo. A certeza deste rebaixamento invadiu todas as consciências. Diz-se por toda a parte, o país está perdido!"

EÇA DE QUEIROZ, in Revista "Farpas" (1871)




quinta-feira, 3 de janeiro de 2008




"E de tudo os espelhos são a invenção mais impura".


(Herberto Helder)







quarta-feira, 14 de novembro de 2007

Nada de Especial



"(...) numa tacinha, achamos a nossa vida de hoje e qual o sentido da nossa vida de hoje, o que fazemos com ela, dias atrás de dias, o supermercado, o jantar no restaurante aos domingos, a maçada das crianças

às vezes e não era bem isto que nos apetecia, não era bem isto o que tínhamos desejado, falta qualquer coisa, onde é que errámos, o que falhámos, não somos infelizes mas também não temos o que secretamente ansiávamos, os anos vão passando e não temos o que secretamente ansiávamos,

de vez em quando momentos tão vazios, de vez em quando, mesmo no meio dos outros, uma solidão tão grande, um desamparo, uma sensação de queda, esta dificuldade em respirar, porque a mobília sufoca, que vem e desaparece e volta,

de vez em quando, sem motivo, vontade de chorar, não lágrimas grandes, não soluços, uma coisa vaga, uma pergunta sem resposta, caras familiares que se tornam estranhas, se te abraçar continuo sozinho, o que se passa comigo, o que se passa connosco, o relógio prossegue monótono, acusador, implacável, os objectos quietinhos sem nos ajudarem.

Nada nos ajuda, é tarde, tentamos conversar e é tarde, fazemos amor e é tarde apesar de termos feito amor na esperança que não seja tarde e depois, em lugar do prazer, ou misturado com o prazer, ou mais forte que o prazer, uma espécie de amargura que persiste, se não dilui, persiste, o sem resposta aumenta,

um imenso, que horror, um que nos preenche inteiros, se nos pegassem ao colo, fugissem connosco, nos garantissem e pudéssemos acreditar que não é tarde ainda, tranquilizar-nos afirmando embora cientes que mentimos e tornar a mentira verdade,

que outra coisa fizemos para além de tentarmos transformar as mentiras em verdades, não há ninguém mais crédulo que um desesperado."


"Nada de especial", de António Lobo Antunes
in Revista "Visão", 13 de Novembro de 2007


sábado, 6 de outubro de 2007

O Verdadeiro Gesto de Amor




"Aquilo que de verdadeiramente significativo podemos dar a alguém é o que nunca demos a outra pessoa, porque nasceu e se inventou por obra do afecto.
O gesto mais amoroso deixa de o ser se, mesmo bem sentido, representa a repetição de incontáveis gestos anteriores numa situação semelhante.
O amor é a invenção de tudo, uma originalidade inesgotável. Fundamentalmente, uma inocência."


Fernando Namora, in "Jornal sem Data"




sábado, 21 de julho de 2007

Intimidade




"Há momentos e situações em que o olhar comunica mais que as palavras, isso também é intimidade. Creio que sou capaz de dizer muitas coisas sem falar, é o outro que também tem de compreender e de saber interpretar. Quando se estabelece essa relação de intimidade e de amizade, não é necessário falar. [...] frequentemente é melhor não o fazer porque as palavras estão muito gastas."

In "Conversas com António Lobo Antunes", de María Luisa Blanco (2002).






sexta-feira, 6 de julho de 2007

Notas Soltas - LXVI



Muitos parabéns ao Homem que transportava ao peito uma constelação de estrelas! :)





- A Família -


"La famille est un milieu où le minimum de plaisir avec le maximum de gêne font ménage ensemble."

Paul Valéry, in "Tel Quel"





- Na Clínica -


A Zazie foi hoje esterilizada. Era a única cá de casa que faltava.

Até há alguns meses atrás, os cios da Zazie passavam-me completamente despercebidos, pois a única coisa que fazia era rebolar-se nos tapetes.
No entanto, desde que aprendeu aqueles miados lacinantes com as gatas dos quintais, as minhas noites transformaram-se em pesadelos (numa das últimas semanas, não preguei olho sequer!).

Por isso, a minha gatinha mais nervosa e louca foi hoje esterilizada... e até me dá dó ver a moleza em que anda!...





Nem todos os gatos de rua são tão infelizes ou têm um final tão triste como se possa pensar!...

Este é o Leon, gato de 4 ou 5 meses que se enfiou no motor do carro da dona da clínica veterinária (onde costumam ir as minhas 'nininhas e afilhado)... E se transformou na pequena mascote da mesma!


segunda-feira, 25 de junho de 2007

Notas Soltas - LXIII



- Ando com uma frase na cabeça -


"O que mais me preocupa não é o grito dos maus, mas sim o silêncio dos bons."

Martin Luther King





- Mini-Maxi -



Created by Reisenthel.





- O gatinho bebé já sobe ao muro! -


aqui tinha falado neles.
São os gatos ostracizados (desde que lhes deitaram abaixo o telheiro que lhes dava abrigo e os ligava aos restantes quintais) e que vivem nas piores condições das colónias existentes nos quintais das traseiras do meu prédio.
São, por isso mesmo, os gatos mais magros e que, por diversas vezes, se ouvem miar em lutas ou com o cio (comparativamente com as restantes colónias, bem mais tranquilas).



Curioso como, mesmo sujeitos às piores condições possíveis, na natureza, os animais lutem com todas as suas forças pela sobrevivência e se desenvolvam... como este pequeno bebé.