






Norwegian UN officer Tore Rosseid holds his son Jonas while awaiting evacuation by UN boat at Tyre port, Lebanon, July 20, 2006. REUTERS/Nikola Solic
Lebanese children play in a school in Beirut, July 20, 2006 after their families fled from Israeli attacks. REUTERS/Issam Kobeisi


2002
A Maruska apareceu abandonada na escada de serviço do prédio da minha mãe, há cerca de 14 anos. Na altura, recolhêmo-la para lhe dar de comida, pois estava muito magrinha. Acabou por ficar lá em casa, pois não tivémos coragem de a voltar a colocar na rua.
Tinha um feitio muito especial, um pouco senhora do seu nariz e, por vezes, muito mázinha para algumas das outras gatas lá de casa. Mas tinha uma adoração louca pelo meu irmão, a quem lambia a cabeça todas as noites, antes de adormecer na sua cama.
Há alguns meses atrás, começou a emagrecer bastante e a ficar mais isolada dos restantes gatos.
Desde o início desta semana, andámos com ela todos os dias no veterinário, pois a minha mãe começou a achar a respiração dela bastante estranha, apesar de, aparentemente, ela estar bem.
Hoje, depois de terem chegado os resultados das análises que lhe tinham feito na 2ª feira, foi-lhe diagnosticada PIF na sua forma mais grave: começava já a formar um edema pulmonar e, apenas um dos seus pulmóes funcionava.
Estava a sofrer e, segundo o veterinário, poderia vir a morrer de falta de ar, uma das piores formas. O único tratamento seria efectuar punções pulmonares, para lhe extrair o líquido que tinha nos pulmões - mas esse tratamento não era eficaz e causaria bastante dor.
Esta tarde, a minha mãe, irmão e eu, tivémos que tomar a triste decisão da eutanásia.
Não foi uma decisão fácil, mas pensámos sobretudo nela, coitadinha, que estava a sofrer.
O meu irmão e eu assistimos a tudo (no meu caso, pela segunda vez), para que se sentisse acompanhada nos seus últimos instantes de vida... a minha mãe não conseguiu.
Quem tem animais e já passou por uma situação destas, compreenderá bem a dor que sinto neste momento.
É muito triste entrarmos no veterinário com um animal, sabermos que, aparentemente, ele está bem e depois vermo-lo, assim, deixar a vida... parece tudo meio irreal.
Mas foi melhor assim, do que prolongar um sofrimento crescente.



Fotografia de Ana Maria Duarte (Zanzibar - Junho/06) 


E, se não chegarmos à Final (ou mesmo que lá consigamos chegar), pelo menos este "Mundial" serviu para desanuviar os espíritos de todos os portugueses que continuam, no seu quotidiano, a enfrentar uma grave crise sócio-económica.
Não levem por isso mal, todos os senhor@s intelectuais que vislumbram nestes jogos um "tapar o sol com a peneira" dos reais problemas que o país vive, nem se inquitem com um eventual redobrar no nacionalismo tendente ao fachismo... porque o povo é sereno e apenas se quer distrair e divertir (tmbém o merecemos, depois de tudo aquilo que continuamos a ter que suportar)!!!
A selecção até pode nem trazer a taça, no final, para casa; e o "Mundial", também, não trará grandes alterações à vidinha em Portugal, que persistirá ainda por largos anos na mesma cepa torta burocrática... mas, pelo menos, durante um mês o povo teve alegria, motivação e esperança (algo que jamais fez parte do "ser-se português").