domingo, 26 de fevereiro de 2006

Sobre a Necessidade de ter Estantes em Casa


Convite para almoçar em casa da mãe, com pequena alusão en passant sobre a necessidade impreteriosa de começar a empacotar os meus livros que lá ficaram... apesar de, em minha casa, ainda não ter estantes.
Tarefa aceite!...

Decidi começar por empacotar, num daqueles grandes caixotes de papelão (disponíveis aqui), os meus livros e fotocópias de livros utilizados durante a faculdade. Porque ficavam acomodados por baixo no tal caixote e assim seria mais fácil de colocar os restantes livros por cima.
Pois!...
O que eu não imaginava (ou já não me lembrava) é que 4 anos de curso de Antropologia, mais um para terminar (à vontade) a monografia final, conseguem mesmo fazer-nos acumular uma série de livros!
Resmas e resmas de fotocópias de livros encadernadas com argolas (sim, que já nessa altura, os livros eram caros!), os famosos livros de Antropologia de capa preta da Editora Presença (se não estou em erro! Agora, como já estão todos acomodadinhos dentro do caixote, já não dá para confirmar... mas estou certa que algum dos meus caríssimos leitores que seja antropólogo mo dirá!), uma série de artigos de Antropologia da Religião, já para não falar em alguns clássicos como Mircea Eliade e Lévi-Strauss... foram o suficiente para encher a tal caixa de papelão, e ainda ficar a abarrotar!
Isto para já não falar que os restantes livros (hors Antropologia) ainda lá permanecem, em 4 prateleiras, em casa da mãe!

Ou seja, há uns quantos posts atrás, já aqui tinha dito, que preciso mesmo de comprar umas estantes cá para casa, para poder arrumar os livros que me vão oferecendo (e que não tenho onde guardar, sem ser em sacos de papel reciclável)... Mas agora, a urgência é cada vez maior!!!
Felizmente que, como o carro do maninho continua na oficina, a tal caixa de papelão ainda não veio cá para minha casa (sim, que aquilo deve pesar bem uma tonelada!).

Por entre as arrumações, escondidas entre os livros da faculdade, descobri 2 preciosidades (de duas épocas bem distintas da minha vida):
- o meu exemplar d'"As Cidades Invisíveis" de Italo Calvino. Uma obra a redescobrir, porque gosto de reler assim livros passados alguns anos (neste caso, 7), para comparar as sensações que vamos tendo, consoante a idade avança;
- o meu "pequeno pónei"... que já não via há uma catrefada de anos (e ainda estou para descobrir o que fazia arrumado junto destes livros).




Dentro d'"As Cidades Invisíveis", a servir de marcador, encontrei ainda uma folha de papel A4 dobrada em 4 quartos, com estes excertos tão actuais:

"Nunca percebi quando se deixa de ser pequeno para se passar a ser crescido. (...) Provavelmente, quando nos tornamos tristes. Mas não tenho a certeza: não sei se sou crescido."

"Quando me pergunto o que fiz da minha vida suponho que devia antes perguntar-me o que fiz da vida dos outros.
Como só encontro paz se estou em guerra comigo não lhes trouxe certamente nem segurança nem felicidade. (...)
Não trouxe aos outros senão o sentimento de um provisório instável, ancorado na recusa definitiva de deixar de ser pacientemente inquieto."

"(...) dado que os acontecimentos nos ultrapassam finjamos termos sido nós os organizadores a olhar para o rio tentando como sempre transformar a melancolia em fantasia como se a vida, senhores, não fosse alegremente dolorosa e não nos deitássemos tanto do lado mau da felicidade."


(António Lobo Antunes, in "Livro de Crónicas")


E o mais engraçado é que, de momento, ando a ler o 3º livro de crónicas do Lobo Antunes!

2 comentários:

Reticências... disse...

Sim, confirmo Editorial Presença!;)Já agora um conselho prático: comprei estantes no Ikea (da gama Billy) para colocar os livros, escolhi com portas de vidro, pois assim não tenho de andar sempre a limpar o pó!! E são bem giras...

Alexa disse...

Muito obrigada pela confirmação, cara colega! ;)

Sim, vejo que temos mais coisas em comum, pois são exactamente essas as estantes que eu queria comprar cá para casa... e, também, com as portas de vidro, por causa do pó, para não me destruir os livros.