
O Snoopy apareceu no bairro onde fica localizada a sede da ONG em que trabalho há cerca de 5 anos... 2 ou 3 meses depois de eu própria lá ter chegado.
O Snoopy fora adoptado por uma criança que morava nesse bairro social, que o considerara muito bonitinho por ser pequenino.
No entanto, quando este cão começou a crescer (e note-se que nem sequer era um animal de grande porte, mas isso foi o de somenos importância nesta estória!), perdeu toda a graça que tivera quando o adoptaram e foi posto na rua, com a desculpa que de manhã bem cedo acordava todas as pessoas que residiam naquele lar para ir à rua fazer as suas necessidades.
O Snoopy passou então a deambular sozinho por aquele bairro, correndo inúmeros perigos, entre os quais o de ser atacado por um dos outros cães que ali existem e são utilizados pelos seus donos para a prática de bárbaras lutas entre animais.
Apesar de, supostamente, continuar a ter donos, o Snoopy passou a ser completamente ignorado e votado, em certa medida, ao abandono.

A partir daí, e durante aproximadamente 2 anos, comecei a alimentar e acarinhar este animal, juntamente com um colega de trabalho.
Durante cerca de 2 anos, todas as manhãs, quando chegava ao bairro, encontrava o Snoopy já à porta do escritório, aguardando por mim. E, ao final do dia, era também ele quem me acompanhava até à estação de metropolitano, como se me estivesse a guardar.
Nessa altura, cheguei inclusive a falar com a avó da criança que adoptara aquele animal, pedindo-lhe que se não o quisesse para mo entregar, que me encarregaria de lhe arranjar novos donos.
No dia 27/04/05, o Snoopy não apareceu à porta do meu emprego como costumava fazer...Durante cerca de 2 anos, todas as manhãs, quando chegava ao bairro, encontrava o Snoopy já à porta do escritório, aguardando por mim. E, ao final do dia, era também ele quem me acompanhava até à estação de metropolitano, como se me estivesse a guardar.
Nessa altura, cheguei inclusive a falar com a avó da criança que adoptara aquele animal, pedindo-lhe que se não o quisesse para mo entregar, que me encarregaria de lhe arranjar novos donos.
Estranhei esse facto e, quando consegui falar com a avó da criança que o adoptara, vim a descobrir que, aproveitando o facto de eu me encontrar de férias, essa senhora dera o Snoopy a uma outra pessoa, segundo me disse mais tarde, para o cão servir de guarda numa obra em Carcavelos.
Um animal extremamente dócil, que tinha o ar mais brincalhão e patusco que alguma vez vira, ia agora servir de guarda numa obra!...
Fiquei muito revoltada nesse momento... E ainda pensei em ir até Carcavelos, procurar em todos os locais em construção a quem é que aquele animal havia sido entregue (se é que, de facto, ele tinha sido entregue a quem essa senhora dizia).
Infelizmente, nessa altura, não estava tão embrenhada na questão da defesa dos direitos dos animais e não sabia o que fazer, como o fazer ou a quem me dirigir...
E, por isso mesmo, acabei por nunca mais procurar o Snoopy, perdendo o rasto a um animal a quem me afeiçoara bastante... permanecendo sempre até hoje uma mágoa muito forte dentro de mim, por não ter conseguido fazer nada para salvar aquele animal.
No dia 27/11/08, passados 3 anos sobre a estória que aqui contei, recebo por e-mail, através de uma amiga, um apelo sobre o caso de um cão que se encontrava nas piores condições possíveis e imagináveis à beira de uma estrada no Montijo (tendo, inclusivamente, já sido mordido por um outro cão).
Curiosamente, conforme as fotografias o comprovam, esse cão era extremamente parecido com o "meu" Snoopy.

Fotografias da APCAO Bombom fora resgatado por alguém com um coração enorme, que não o conseguia ver na situação em que se encontrava e não ficou de braços cruzados perante a mesma.
Graças ao apoio de uma outra pessoa, o Bombom deu entrada na APCA, onde se encontra juntamente com outros 200 cães a quem a vida também (ainda) não sorriu.
Esta tarde fui visitar o Bombom à APCA, em São Pedro de Sintra, de modo a tirar todas as minhas dúvidas e confirmar se se tratava ou não do Snoopy (e quem sabe, como diria o meu colega que também havia tratado do Snoopy, se fosse o mesmo animal ele me viesse a reconhecer).
Infelizmente, apesar das semelhanças físicas serem consideráveis, o Bombom trata-se de um cão distinto do Snoopy.
O Bombom é um cão jovem (cerca de 4 ou 5 anos), extremamente meigo (fez as primeiras vacinas e foi-lhe colocado o microchip sem que se queixasse uma única vez) e um pouco assustado (fruto de todos os males pelos quais já deve ter passado na rua)... mas que, passados alguns minutos na nossa presença, se sente mais confiante e nos brinda com este arzinho tão ternurento.
O Bombom precisa de um lar, onde lhe seja dado todo o amor e carinho que merece, com a certeza da devida responsabilidade pela adopção de um ser vivo...
Para que não se perpetuem os casos semelhantes ao da adopção do Snoopy.
Caso esteja interessado em adoptar o Bombom, entre em contacto com a APCA (Natália Correia - 91. 513 30 63 ou 96. 453 04 19 - info@apca.org.pt) ou visite-o nas instalações desta associação zoófila (Rua do Canil, 8 - São Pedro de Sintra).
O Bombom precisa de um lar, onde lhe seja dado todo o amor e carinho que merece, com a certeza da devida responsabilidade pela adopção de um ser vivo...
Para que não se perpetuem os casos semelhantes ao da adopção do Snoopy.
Caso esteja interessado em adoptar o Bombom, entre em contacto com a APCA (Natália Correia - 91. 513 30 63 ou 96. 453 04 19 - info@apca.org.pt) ou visite-o nas instalações desta associação zoófila (Rua do Canil, 8 - São Pedro de Sintra).
Actualização de 30/01/09:
Soube esta manhã que o Bombom foi recentemente adoptado. Esperemos que encontre muita felicidade no seu novo lar.
E muito obrigada a todos os que ajudaram na divulgação deste caso!

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