A casa ficara pronta e desabitada.
Uma janela entreaberta da varanda permitia, ainda, que Misha e Luana regressassem todas as noites àquele espaço que sempre fora o seu, onde eram protegidas e amadas por D. Luísa.
Segundo rezam as estórias das vizinhas dos quintais, outrora, Misha e Luana dormiam em duas poltronas de verga na pequena marquise do terraço de Dª. Luísa. E, por vezes, em noites mais frias, eram mesmo convidadas a entrar em casa.
Mas, passadas algumas semanas, a janela apareceu fechada.
Misha e Luana passaram a dormir nos quintais.
Certa madrugada, por volta da 1h, Misha apareceu por debaixo da minha janela do quarto a pedir comida, quando tal não era habitual.
Desde essa data, Luana começou a emitir uns miados muito prolongados e tristes, como se andasse à procura de algo ou de alguém.
No início deste mês, já havia tomado a decisão que me parecia mais lógica e acertada.
Depois de consultados todos os restantes condóminos do prédio e com a sua devida autorização (e, em alguns casos, mesmo com aplausos pelo gesto), iria colocar uma casota de cão para as duas gatinhas se poderem proteger do frio e da chuva deste Inverno.
Forrei o interior da casota com cortiça autocolante (de modo a que o plástico ficasse mais protegido das descidas de temperatura e que isolasse também um pouco o som da chuva a tombar sobre a casota) e o piso inferior da mesma foi coberto com uma película de plástico anti-derrapante (para proteger da humidade exterior).
Para que a casota não fosse levada pelo vento (como já sucedeu em inúmeros outros casos, conforme me foi contado pelo H.), coloquei no seu interior uns sacos de pesos (daqueles que se utilizam para colocar à volta dos tornozelos e fazer ginástica) comprados na loja dos Chineses.
Em seguida, cobri tudo com um cobertor velho, à volta do qual coloquei também uma manta polar.
Esta manhã, o H. e eu descemos até à plataforma nas traseiras do meu prédio, para aí colocarmos a nova casa para Misha e Luana.
Agora aguardo ansiosamente que as gatinhas se habituem a ir para a sua nova casa, de modo a que aí possam encontrar um novo abrigo, deixando de ir para o outro espaço que sempre fora o seu... uma vez que, brevemente, voltará a ser habitada e as pessoas que para ali vão poderão não gostar de as ter por perto no terraço.
2 comentários:
que boa casinha que voces lhes deram! não é o ideal.... nunca o é.
mas estão abrigadas e quentinhas.
Muito obrigada, Beta!
A Misha e a Luana até devem pensar que lhes saíu a sorte grande com esta casinha, num Inverno tão frio e chuvoso.
Bjs
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