quinta-feira, 18 de dezembro de 2008

Através do Espelho - 14








Bairro do Armador, Chelas, 11h da manhã.

Ao sentar-se no banco improvisado de cimento, como fazia todas as manhãs quando dava o seu passeio, reparou num objecto preto no chão a seu lado.
Apanhou-o e deparou-se com uma mala de senhora. Abriu-o para ver o que tinha dentro, mexeu e re-mexeu.
Levantou-se. Colocou a mala ao ombro e voltou para casa.

No dia seguinte, à mesma hora, a mesma cena.
Desta vez a mala era mais pequena do que na véspera e de cor bege. Abriu-a, mexeu e remexeu. Olhou para todos os lados. Meteu-a debaixo do braço e levou-a para casa.

O que para alguns constitui apenas os despojos finais de um roubo, é para outros uma incomensurável riqueza para oferecer este Natal à mulher ou à filha.







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