quinta-feira, 5 de novembro de 2009
terça-feira, 22 de setembro de 2009
A Casa - II
Muito engraçada
Não tinha tecto
Não tinha nada (...)"
"A Casa", de Vinicius de Moraes

Estranha metáfora para este início de projecto... agora a iniciar-se de uma forma cada vez mais palpável!
quinta-feira, 13 de novembro de 2008
A Casa

As salas amplas e encontram-se repletas de detritos. E temos de ter cuidado por onde avançamos, já que o soalho de madeira se encontra completamente danificado.
O sol ilumina as divisões com a sua luz diáfana, entrando pelos escombros partidos dos tijolos.
Não consigo deixar de pensar nos que por aquela casa passaram, como teriam sido as suas vidas, o conforto que deveriam sentir, o que ali fariam...
A sua presença parece ainda inundar aquele imenso espaço agora ocupado por toxicodependentes (como que numa estranha metáfora com tudo o que é decrépito, são sempre estes os últimos habitantes das outrora casas senhoriais - nunca recuperadas pelos seus proprietários ou outros).
E saio dali com inúmeras ideias já a fervilharem-me na cabeça, imaginando como aquele magnífico espaço antigo será brevemente ocupado por uma nova utilização.
O projecto de que se falava há alguns meses atrás, vai, brevemente, iniciar-se aqui (mais um)!...
sexta-feira, 30 de maio de 2008
Notas Soltas - 126
- Fotografia jamais tirada... -
... mais uma que me arrependo profundamente de não ter tirado!
18h. Bairro do Armador, Belavista (Chelas).
Alguns jovens de origem africana jogam à bola no meio do passeio. Duas idosas conversam enquanto passeiam os seus fiéis amigos. Na soleira da porta de um dos enormes prédios, um velho olha o jogo dos adolescentes.
E ao longe, como pano de fundo de toda esta cena de vivência de bairro, as normalmente isoladas e sujas colinas da Belavista (finalmente desmatadas há apenas um mês), onde se vislumbra uma infindade de jovens, subindo velozes e em fila indiana em direcção ao Parque.
Cá em baixo, junto ao Feira Nova e ao metro é o caos completo de carros (tentando estacionar onde quer que seja - até mesmo no mal amado Bairro do Armador), polícias nas suas carrinhas de choque e funcionários municipais transportando caixotes de lixo (que dentro em breve estarão repletos das garrafas de cerveja e comida que os jovens que chegam empunham).
É pena que a Câmara Municipal de Lisboa só se lembre de limpar a cara da Belavista, transformando-a num local limpo e seguro, de dois em dois anos (acção feita expressamente sem ser para os seus moradores)!!!!
É pena que um grande festival de música, que pretende ser "Por Um Mundo Melhor", não faça mais pelo próprio espaço carenciado que utiliza em Lisboa!!!!
Eu não vou ao Rock in Rio... mas trabalho 4 dias por semana na Belavista!
- Encalacrada no Tempo -
Muito perto destas janelas, escondida por arbustos e árvores...
Ermida de Nossa Senhora da Conceição, junto à Quinta do Pombeiro (Parque da Belavista - Chelas) - construção do século XVIII.
Património da Câmara Municipal de Lisboa.
- Estórias com Gatos - XIV -
Os Herdeiros da Ninushka
Desde que esta história começou, os quintais parecem ter ficado amaldiçoados!...
Na verdade, fazendo agora uma retrospectiva de todos os acontecimentos, tudo começara bem antes disso, quando falecera o casal de idosos que protegia os gatos dos quintais e, mais tarde, quando a dona do Bosques da Noruega morrera também.
A queixa hipócrita e velada para o Canil/Gatil Municipal de Lisboa constituira, apenas, a estocada final do Homem sobre a Natureza!...
Hoje em dia, quando me ponho na janela da cozinha a fumar e olho para aqueles quintais desertos e sem vida, invade-me sempre uma sensação muito estranha e agoniante.
Porém, lá longe, na ponta mais à esquerda das traseiras, resistem ainda 2 colónias com cerca de 4 ou 5 gatos.
Em frente às minhas janelas, nos prédios do outro lado, vivem ainda Misha, Mikado e a gata tigrada (que nunca vem para os quintais do lado do meu prédio).

Misha continua a ir aparecendo por debaixo da janela do meu quarto. E, nos últimos tempos, à semelhança do que sucedera com a Ninushka, mal levanto os estores de manhã, ali está já ele à espera de comida, ou corre apressado na minha direcção (miando, enquanto envio para baixo o comedour preso a uns fios). Depois regressa sempre ao pequeno terraço do outro lado, onde vivera a sua dona.
Ainda não tive ocasião de aqui contar, mas, certo final de dia, andava eu completamente embrenhada no início desta outra história, estou a dar comida ao Misha, quando me deparo com a cabeça de uma senhora a espreitar no terraço em frente à minha janela.
Sorrio porque não havia muito mais a fazer perante tal situação.
E é, precisamente, neste ponto que a dita cuja senhora me pergunta como é que eu estava a dar-lhe comida.
Impossibilitada de visualizar toda a cena, vejo a senhora esgueirar-se para o terraço do lado e começar a observar-me.
E é então que me conta que a dona daquela gata havia falecido, mas que ela a continuava a alimentar.
Surpresa geral… afinal Misha era (e sempre foi) uma gata!
Uma gata já muito idosa, segundo me continua a contar a senhora, que, imagine-se, até chorara quando a sua dona falecera.
Pobre Misha… com mais sentimentos do que muitos humanos!
O Mikado perdera, também, este ano os seus protectores, passando a deambular erraticamente pelos diversos quintais, em busca de fémeas.
Aparece poucas vezes por debaixo da minha janela. Se bem que, nas últimas semanas, fruto de acompanhar a Misha para todo o lado (a quem tem muito respeitinho e deixa sempre comer em primeiro lugar), ou, talvez, por andar mais enfraquecido por "andar às gatas", tem aparecido mais frequentemente.
Esta manhã, por exemplo, mal abri a janela, deparei-me com ele assim...
Até já pensei em falar com a vizinha da dona da Misha, a ver se a senhora consegue apanhar o Mikado (que dorme, também, no seu terraço) e o mandamos castrar. Mas o tempo tem sido pouco para tudo aquilo que tenho tido que fazer (em termos pessoais e profissionais)!...
quinta-feira, 15 de maio de 2008
Janelas
Desde que descobri o meu gosto pela fotografia de Arquitectura, há dois anos atrás, que me considero uma apaixonada por janelas!...
Gosto de janelas amplas, que rasgam os edifícios com a sua claridade e permitem fazer composições de paisagens.
Gosto da imagem das janelas ao entardecer e à noite, quando as luzes do seu íntimo transparecem para o espaço público, deixando os transeuntes vislumbrar pequenos momentos de uma vida alheia, como se de uma tela se tratasse...
Gosto, sobretudo, daquele doce lirismo de pegar em pequenos objectos, peças de mobiliário ou momentos que capto através dos amplos vidros de uma janela nocturna...
... e de ficar a divagar sobre as vidas dos Outros, construindo todo o enredo de um filme na minha cabeça (defeito profissional, claro está!).
Gosto de novos projectos que se avizinham, iniciando-se numa casa antiga e devoluta... que, outrora, também teve vida.
Os meus sinceros parabéns ao autor desconhecido destes graffitis, que captei esta manhã na Quinta do Pombeiro (Parque da Belavista - Chelas).
Adorei!!!!


