quinta-feira, 28 de dezembro de 2006

Notas Soltas - XV


O “Notas Soltas” de hoje vai ser um pouco mais longo do que o habitual, pois tinha alguns posts em atraso, que aqui tenho que deixar.



- Faz tudo como se alguém te contemplasse -


Mafra, 28/12/06

As sombras da árvore e do edifício não fazem parte do anúncio. Surgiram um pouco por imprevisto, quando tentava apenas enquadrar na fotografia o anúncio (que continuo sem saber de que produto se trata – o que me deixou bem intrigada!).

Gostei da frase. A imagem não achei nada de especial… mas acabou por se tornar muito mais interessante com estas sombras.
Como se, quando "fazemos tudo como se alguém nos contemplasse", não nos transformássemos logo em meras sombras daquilo que na verdade somos: tentando esconder as nossas imperfeições, valorizando qualidades que não chegamos sequer a ter… em suma, tentando melhorar a imagem daquilo que realmente somos, para que os outros nos considerem mais interessantes.



- Regresso a Vila Pouca –



Ajudar nas limpezas e aproveitar este maravilhoso sol de Inverno, que nos enche a alma de tranquilidade e calor.

E a frase escolhida para hoje é: “Ai, que bem que se está (por vezes) no campo!”



- Coisas Antigas –
27/12/06

Chegar a casa dos avós em busca de um objecto muito específico que, já há algum tempo, desejo fotografar para ilustrar um post que aqui quero deixar.

Depois de mil e uma reviravoltas pela casa toda, não encontramos o objecto em questão… mas descobrimos alguns outros dignos de fazer parte dum daqueles museus de relíquias de família:


A caixinha de latão de pastilhas para a garganta, da minha tia-avó…


O “Álbum de Artistas” com fotografias autografadas de cantores e actores dos anos 60 e 70, compiladas pela minha mãe…


O rádio “Goteborg” que data de tempos ancestrais e ainda hoje funciona.

Há alguns longos anos atrás, ao terminar a licenciatura, redigi uma tese sobre alfarrabistas.
Hoje, apetecia-me abrir uma loja de antiguidades!... Porque gosto de vasculhar, assim, as coisas antigas e pensar no significado que terão tido para outras pessoas.



- Os Gatos Friorentos –

Como é bem sabido de todos os donos de felinos, os gatos são animais extremamente friorentos.

Apesar disso, a “minha” Ninushka (gata adoptiva, que vive nos quintais das traseiras do meu prédio) continua a vir todas as manhãs ter debaixo da minha janela, para comer. Não se trata, apenas, de um “hábito interesseiro”, como diria o veterinário das minhas gatas, uma vez que, mesmo depois de ter comido, a pobre da Ninushka, fica longos minutos, ao frio, mesmo por debaixo da minha janela, como se a estivesse a guardar.





Já cá em casa, o hábito mais estranho que surgiu com este Inverno foi mesmo o facto de a Mary Poppins (a minha gata mais territorial e mimada), ter aceite de bom grado a presença da Zazie (a gata mais nova e doidivanas) a seu lado, juntinha a dormir.





- O Frasco Infernal –

Já aqui tinha falado do ritual efectuado, cada vez que morre um ditador, por um casal de amigos meus.
Desta vez e com os devidos créditos ao seu autor, aqui deixo o texto (e fotos) que o Tiago enviou aos seus amigos, aquando do falecimento de Pinochet:

“Morreu essa ínclita figura que foi o nosso amigo Augusto Pinochet Ugarte, bastião indefectível frente às forças vermelhas do apocalipse.

Cá em casa, para lhe chorar o passamento, para além de uma bela garrafa de verde Muralhas (muito melhor do que qualquer espumante), aberta logo que a Euronews nos informou, também a nossa colecção de rolhas foi imediatamente acrescida com esta esfinge:




que depois de uns momentos a ser torturado (triturado, diria a minha avó Adília...) pelo Tarek (que demonstra cada vez maiores tendências anarco-sindicalistas):




se juntou aos seus companheiros no frasco infernal (este ano acabou por não ser nada mau, com o Augusto, o Stroessner e Milosevic, já foram três que faziam cá tanta falta como a fome, e ainda o ano não acabou!)





Eu ia rematar com o tradicional “que a terra lhe pese”, mas o Augusto era tão especial que nem a terra o quis... foi cremado!

(TiagoMMS - 13/12/06)
”



1 comentário:

Anónimo disse...

Quando nestas Notas referiste o desejo da loja de antiguidades e o o significado que as coisas têm para as pessoas, lembrei-me que é isso que me apaixona todos os dias na minha profissão: olhar para aquelas peças e imaginar quem as terá vestido, onde, em que situação...;)