segunda-feira, 11 de dezembro de 2006

Cenas Surreais numa 2ª feira


A minha mãezinha - que, não desfazendo, é uma pessoa maravilhosa - tem a mania (como todas as mães) de me estar constantemente a dizer que sou uma cabeça no ar, que nunca presto atenção ao que as pessoas me estão a dizer e que, por isso, acabam por me suceder, quotidianamente, uma série de estranhas situações.
Apesar da parte da distracção até ser verdade, o facto é que nunca tinha conseguido congregar um sucedâneo de tantas situações bizarras num único dia só (ainda por cima numa 2ª feira!).
Senão vejamos:


1. (Quase) acidente de autocarro

Tendo-me atrasado um pouco esta manhã, acabei por ter que apanhar o autocarro das 8h30 e não o das 8h16.
Ainda nem sequer íamos a meio do trajecto quando, subitamente, o motorista faz uma semi-travagem brusca e continua em alta velocidade, para, um pouco mais à frente, fazer nova travagem brusca. E eu, que ia distraída a pensar na minha vida, bato com toda a força com os joelhos no banco da frente.
Naqueles breves e velozes segundos, enquanto pensava que iria ficar com mais umas nódoas negras (porque tenho um bocado de sensibilidade cutânea), olho para o lado e dou de caras com uma senhora de idade (que ia sentada junto a mim, no último banco do autocarro), ser completamente projectada em voo rasante para a frente do veículo. Valeu-lhe o facto de uma gorda senhora lhe ter amparado a queda.
O autocarro encosta junto à berma. Não há mortos nem feridos e a senhora de idade apenas esfolou o braço. E, para grande azar do condutor que efectuou a manobra perigosa (um jovem de olhos muito avermelhados, acompanhado de uma rapariga), um carro da polícia encontrava-se mesmo ali, junto ao ocorrido (ainda dizem as más-línguas que nunca os vêem em lado nenhum, quando há situações perigosas!).
Preparávamo-nos para ficar uma boa meia hora ali especados, para que os agentes da lei tomassem conta do ocorrido.
Metade do autocarro decidiu sair a correr, olhando desesperadamente para os relógios, tendo permanecido uns míseros 5 ou 6 gatos pingados, entre os quais me incluía (porque ainda ia meia a dormir e, mal por mal, de qualquer das formas, já iria chegar atrasada ao emprego... por isso, para quê sair do autocarro e correr para apanhar outro?).
Curiosamente, foi das cenas mais ordeiras a que já assisti (até parecia meio em décalage da própria realidade social portuguesa): resolveu-se tudo para aí em 15/20 minutos, sem insultos ou injúrias físicas... Um dos polícias teve, apenas, que pedir calma a uma velhota mais aguerrida que queria bater no jovem infractor (quando este último e o próprio condutor do autocarro permaneceram sempre com uma atitude muito serena).


2. (Quase) Queda no metro

Como no "acidente" anterior só os joelhos é que sofreram e já ia mais que atrasada, ao descer as escadas do metro, quase me estatelava completamente ao comprido entre dois degraus. Valeu-me uma qualquer força sobrenatural ou um equilíbrio de origem mais terrena, que me impediram de ir direitinha para o hospital com uma perna partida. Por momentos, depois do quase-acidente com o autocarro, até me passou pela cabeça que as forças do universo estivessem a conspirar contra mim (repare-se que foi dito em tom irónico), para que não chegasse ao emprego num dos dias que mais odeio: as segundas-feiras!


3. E-mails enganados ou duplicidade de nomes

A meio da manhã, envio um forward de um e-mail a uma amiga, a "Ana R.". Apercebendo-me, mais tarde, que quem o recebeu foi uma outra "Ana R." (o sobrenome é igualzinho, sem tirar nem pôr!) da minha lista de endereços.
Nada de espantar até aqui... uma situação banal que pode ocorrer a qualquer um de nós, certo?!
Qual a probabilidade, no entanto, de em 10 milhões de portugueses essa outra Ana R. ter, também, uma amiga com o mesmo nome e apelido que eu… e, logicamente, responder ao meu e-mail-enganado, como se se tratasse da sua outra amiga?
Parecia uma conversa de loucas... e ninguém se percebia!
Há cenas mesmo levadas da breca!!!
Quando esta me aconteceu, comecei mesmo a achar que esta 2ª feira estava a ser bem diferente do habitual.


4. Coisas que não se devem meter no congelador

Depois do jantar, recebo uma chamada da minha avó, a perguntar-me se eu já tinha aberto o saco de carne que me tinha dado no sábado (os meus avós como acham que me alimento sempre muito mal, de vez em quando, mandam cá para casa alguns géneros alimentícios... quase sempre, carne) e se vira o que lá estava.
Respondo-lhe que não, que apenas o metera dentro do congelador, uma vez que, de antemão, sabia tratarem-se de costeletas.
- "Ah, pois é... mas tens que ir tirar uma caixa de cartão que lá estava dentro do saco, num saco à parte... porque é uma coisa que não convém nada estar no congelador!", diz a minha avó, num tom muito calmo.
Desligo o telefone e vou ver o que se encontraria, afinal de contas, também, dentro do saco da carne. E deparo-me com...




este mini ferro de engomar...
Mais uma indirecta da minha avó, só que colocada dentro do saco errado!


Se todas as minhas 2ª feiras fossem como esta, já dava para escrever o guião para um filme do Almodóvar! ;)

3 comentários:

mir disse...

a começar assim eu tinha cuidado o resto da semana... ;)

Anónimo disse...

Desculpa, mas ao ler estas peripécias não pude deixar de rir!! Tanta coisa num só dia!!

Alexa disse...

Mir: com o que já me aconteceu até hoje (5ª), bem podia já estar a filmar o "Mulheres à beira de um ataque de nervos" ;)

Elsa: não precisas pedir desculpas por teres rido... eu também me ri basytante ao escrever tudo isto e relembrar-me dos pormenores. E, afinal de contas, é, também, para isso que um blog serve, para ir exorcizando de uma forma humorística todas estas coisas sem graça e irreais que nos vão sucedendo!