Domingo de chuva, com uma incomodativa gripe que me sobreveio durante a noite de ontem (devido à chuva apanhada 6ª feira à noite)... E pouca vontade para ficar em casa, apesar dos ténues laivos de febre.
Depois de almoço, sigo para uma das salas de cinema aqui perto de casa, para ver o tão "falado": "Borat: Cultural Learnings of America for Make Benefit Glorious Nation of Kazakhstan".
Como já vem sendo meu hábito, não ia com grandes expectativas, pura e simplesmente, porque há longos anos que deixei de ler as críticas cinematográficas antes de ir ver os ditos cujos filmes.
Por isso, este Borat foi mesmo uma enorme surpresa a todos os níveis (se bem que diga, antecipadamente, que não se trata de um filme brilhante, mas sim de um filme de razoável humor para um domingo de neura)!
Primeiro estranha-se, e depois entranha-se... é o melhor lema para caracterizar este filme e o seu personagem!
A própria ideia de criar um personagem ficcional, jornalista de profissão, oriundo do longínquo Kazaquistão (país do qual, praticamente, nenhum mortal comum sabe grande coisa e, logo, todos os estereótipos podem advir da própria imagem do personagem), é brilhante!
Coloca-nos não só perante a eterna questão do "Outro" ser sempre diferente de nós (e, consequentemente, mais estranho do que nós e poder ser portador de todos os males do universo - para os quais nós estaríamos, supostamente, salvaguardados), bem como, face às hipotéticas entrevistas que esse "Outro" vai realizando, coloca-nos perante os pensamentos mais profundos e verdadeiros dos incautos "apanhados" nesta trama (como os típicos adolescentes de uma fraternidade universitária americana, que se acabam por revelar misóginos; ou o velho adepto dos rodeos, um anti-semita de primeira linha).
Cada filme vale o que vale...
E este terá o seu eventual mérito, numa abordagem mais antropológico-psicológica (que poderá escapar ao público mais geral).
O único senão foi mesmo ter visto/ouvido as músicas de Goran Bregovic escarrapachadas na película (uma idiossincrasia, já que o Kazaquistão fica bem longe da antiga Jugoslávia), sem que houvesse menção ao seu autor no final.
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