sexta-feira, 3 de março de 2006

A Meg e o Sr. M - VI

[Ver Partes I, II, III, IV e V]


Hoje, à hora de almoço, vim directamente da Bobadela (onde tinha tido a apresentação ao público de um projecto) para Benfica, para me encontrar com a F. e irmos à Praça falar com o tal cigano (que viram a roubar a Meg) que ontem tinha dito ao Sr. M que a cadela se encontrava na Alta do Lumiar.

Quando cheguei a Benfica já a F. tinha falado com o tal cigano e com mais um seu irmão, par tentar esclarecer a situação.
Disseram-lhe, então, que o local exacta onde a Meg se encontrava era no bairro PNR 10, por detrás da Igreja das Galinheiras, a deambular de um lado para o outro, abandonada há mais de uma semana.
E naquilo, lá partimos nós as 2, mais um vizinho da T., taxista de profissão, para a zona das Galinheiras à procura da Meg.

Lembro-me que, na altura em que entrei para o carro do Sr. C, ia com uma esperança enorme de encontrar a Meg no tal local. O meu único receio era saber, exactamente, em que estado físico é que a iríamos encontrar!...

Chegadas ao local, corremos tudo de cima a baixo, durante mais de uma hora, e nem sinal da Meg!
Algumas pessoas que se encontravam à porta de um café, na parte mais antiga do tal local, até nos ajudaram, levando-nos à proximidade de 2 bairros sociais aí existentes (onde, segundo nos disseram, moram, efectivamente, famílias ciganas).

Num descampado imenso, no meio de 3 prédios altos, uma criança de 4 ou 5 anos de etnia cigana, brincava à chuva entre um número infindável de cães adultos e de 6 cachorrinhos abandonados... uma cena surreal.
- "Estes são todos meus. Não, nunca vi uma cadela assim!", respondeu-nos quando lhe fizémos a descrição física da Meg.

Continuámos de carro a percorrer o local e a pé a gritarmos pelo nome da cadela. Mas nada!...
A dada altura, no meio do caminho, à chuva, vimos uma cadela arraçada de setter com um quisto enorme na barriga. No meio do bairro havia, também, muitos cães a deambularem... sujos, magros e com o pêlo ensebado.
Deu-me um aperto no coração, ao ver tanta miséria!...

Regressei ao meu emprego completamente encharcada de ter andado à chuva, e com os nervos à flor da pele!
Ainda chorei de tanta raiva e desespero por não termos encontrado a Meg.
A minha cabeça estava completamente perdida, sem saber o que pensar de toda a situação: - estaria o tal cigano está a falar a verdade ou não?!
Em desespero de causa, liguei, novamente, à minha amiga Ana B. (que está a fazer uma tese de doutoramento sobre ciganos), que me disse novamente que achava toda a história algo estranha... mas que, por outro lado, pensava que, talvez, os ciganos estivessem a falar a sério, uma vez que o tal avô cigano, ao ser intimidado pela T., havia dito que ia ver o que podia fazer (e, segundo a Ana, os ciganos não colocam assim em causa a sua venda num local, ou seja, a sua reputação ficaria posta em causa -logo, as vendas poderiam diminuir-, caso estivessem a mentir). Fiquei mais descansada!...

O que me preocupa bastante agora é o facto de, ao ter sido esterilizada, a Meg ter perdido o olfacto (como sucede sempre nos cães). Logo, se a Meg se encontra num destes sítios, deverá estar, completamente, perdida/desnorteada/assustada... e à chuva. Por isso, é muito provável que a Meg possa andar de um lado para o outro, entre estas 2 zonas.
Combinei com a F. que, amanhã de manhã, vamos falar novamente com o tal cigano e, em princípio, depois seguimos outra vez para as buscas na zona das Galinheiras.

No meio deste desespero todo, só às 5 da tarde é que me lembrei que nem sequer tinha almoçado!
E antes de ir para casa, ainda, t
enho que passar na "Loja do Cidadão", para levantar a renovação do meu B.I. Porque, como diz um colega meu, amanhã ainda me posso meter em alguma confusão e não ter como ser identificada!...

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