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sexta-feira, 29 de maio de 2009

Memórias em tons de Pintura




Por vezes, há estranhas e engraçadas coincidências nesta vida!

Como se já não soubesse que nada acontece por acaso, o destino ainda me vai brindando de quando em vez com esses momentos, como que para me relembrar que tudo tem uma ligação e um sentido intrínseco naquilo que vamos vivendo... e que nada, mas mesmo nada, acontec por acaso!

Este final de tarde, enquanto conversava com a Lúcia e o Zé Ribeiro (e a pequena "Salva" aos nossos pés, dormitando dentro de um caixote de livros), na "Ulmeiro", recuperando forças de um dia particularmente agitado e acalorado, de repente, olho para o lado e deparo-me com este quadro...







Santa Cruz
foi o local onde, durante mais de 20 anos, costumava passar as "férias grandes", de início com os meus avós e irmão, indo mais tarde, já quase a meio do mês, a nossa mãe juntar-se a nós.

Actualmente, sempre que ali regresso, entristece-me muito ver que as pessoas e os lugares deixaram de ser os mesmos (Santa Cruz cresceu de uma forma desregrada e feia)...
E apenas o Penedo do Guincho persiste imutável, mesmo quando o mar conseguiu já consumir grande fasquia da terra.

De facto, nada acontece por acaso, e este quadro, descoberto num local que é como uma verdadeira caixinha de surpresas, assemelha-se consideravelmente à pintura (em tons cinza) sob o mar a que assisti da última vez que estive em Santa Cruz.

Pego no quadro e decido levá-lo como oferta para o aniversário (em breve) da minha avó.







domingo, 30 de novembro de 2008

Pintura (em tons cinza) sob o Mar








A última vez que lá tínhamos ido, o tempo também não estava nada convidativo. Mas sabe bem ir desanuviar a cabeça para longe, quando nos sentimos cansados.

A nostalgia de um passado longínquo invade-me sempre quando ali regresso.

As pessoas e os lugares deixaram de ser os mesmos, permanecendo apenas as casas apalaçadas com que noutros tempos fantasiávamos (e os gatos, que me continuam a perseguir sempre, para onde quer que vá)... e o Penedo do Guincho, imutável, mesmo quando o mar conseguiu já consumir grande fasquia da terra.

O "Mar Lindo" (pensão residencial), caído em ruína e abandono, da última vez que ali estivéramos, parece estar agora a ganhar uma nova vida.
O que, lamentavelmente, já não se pode dizer da antiga estação dos correios ali bem perto, com vista para o mar.

O que me entristeceu consideravelmente foi ver que na Casa do Pinheiro, este foi violentamente cortado e retirado do seu jardim... Uma árvore centenária, que abrigava os mais diversos animais, e conferia toda uma beleza de final de século àquela casa... Faz pena, muita pena!

As ruas da pequena vila de Santa Cruz encontravam-se inundadas de uns tão estranhos quão horrendos candeeiros, aprisionados aos candeeiros comuns de rua, quiçá preparando-se já para a festa natalícia. Quase acreditaríamos ter sido invadidos por estranhos seres intergalácticos.

Ao final do dia, antes de regressarmos, sinto que a minha Santa Cruz já não é esta... Este local espartilhado no tempo, onde se cruzam ainda résteas de um passado que teimam em violentamente delapidar e toda uma modernidade sem sentido, feita de exagero.

Estranha sensação esta, a de se tentar conciliar o local presente desfigurado com as memórias do passado que lá se viveu!...







quarta-feira, 15 de agosto de 2007

Feriado passado à Chuva e ao Sol

... para ver o cortejo etnográfico (que não chegou a acontecer por causa do tempo "invernal" desta manhã) e rever alguns amigos...




Pisando (com alguma vergonha de cor) a areia da praia pela primeira vez este ano.



E os felinos a cruzarem-se sempre no meu caminho, quando me deparo com estes gatos que habitam a Casa do Pinheiro.






domingo, 24 de junho de 2007

Sobre a Nostalgia do Passado



Regressamos sempre aos lugares que fizeram parte da nossa infância como se estes ainda se encontrassem naquele estado primordial, do qual, por momentos, num determinado espaço/tempo, fizemos parte... como se nada se tivesse alterado ou descaracterizado.




Hoje regressei ao local onde durante cerca de 20 anos passava as minhas férias de Verão.
Há já 4 ou 5 anos que lá não ia.
E se, da última vez, regressara entristecida, ao ver a decadência e abandono a que aquele local fora votado...




Esta tarde, finalmente, compreendi o verdadeiro significado da nostalgia do passado infantil, tantas vezes, evocada de uma forma algo triste e soturna nos livros de António Lobo Antunes (sobretudo, ao falar das suas vivências na Benfica de outros tempos).

O tempo passa e tudo muda, tudo se regenera ou recompõe sobre formas bem distintas daquelas que permanecem alojadas na nossa memória…

E, também, aquele local, onde outrora passava religiosamente todo o mês de Julho (até chegar à fase da universidade - em que as férias se transformaram, para fazer face à época de exames), se modificou, mais embelezado e com uma rua pedonal, dá gosto de ver...
Apesar de sentirmos sempre uma ténue nostalgia, ao lembrarmo-nos de todas as memórias que se perderam sob a sua forma física, ou que permanecem apenas enquanto ruínas.




E esta estranha sensação de tentar conciliar o local presente desfigurado com as memórias do passado que lá se viveu, torna-se cada vez mais evidente quando regresso a casa e adormeço no carro a sonhar com a antiga Pensão "Miramar"...
Casa apalaçada (que agora deu origem a um condomínio fechado com piscina e direito a pequeno centro comercial) onde ficávamos alojados na época balnear, onde passei longas horas a brincar (dando comida a formigas ou curando pequenos mochos) nos imensos jardins que, para nós, não eram mais do que um grande bosque onde nós éramos os donos e senhores de tudo.