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quinta-feira, 31 de dezembro de 2009
sábado, 3 de janeiro de 2009
Re-Desenhar o Ano
Não sei se, porventura, será apenas impressão minha, mas estes últimos anos parecem ter passado a correr... ou então fui eu que passei por eles mais apressada (ainda) do que é meu costume!
2008 então, passou de uma forma tão veloz que, como já aqui disse, quase fiquei surpreendida quando vi chegar a semana do Natal e, logo em seguida, a do final do ano.
Parecia que estava tudo a correr em modo 2 vezes mais acelerado do que o normal!
Passou tão veloz que apenas há muito pouco tempo consegui finalmente comprar a minha agenda para o novo ano (coisa que, noutras épocas, fazia de uma forma consideravelmente atempada e metódica)...
E, logicamente, já só consegui apanhar as de capa mole, que não fazem parte das minhas preferências.
Com tamanha aceleração das nossas vivências, durante o ano que passou, acabei por não chegar sequer a tomar (ou escrever) qualquer tipo de novas resoluções para 2009... daquelas que nos acalentam culturalmente, e que gostamos de acreditar piamente que vamos conseguir perpetuar durante os 12 meses que se avizinham.
Fica apenas uma, cuja motivação já vinha de longe (quando durante 1 ano e meio a mantive até!), e agora me parece fazer cada vez mais sentido de ser levada adiante: entrei em 2009 deixando de comer carne de animais (com todas as implicações éticas e de crença numa Causa, que o acto em si implica).
Quanto a 2009, o novo ano, foi re-desenhado a duas cores, na capa mole (de que continuo a não gostar) do meu Moleskine, com o animal que me tem "perseguido" nestes últimos anos (como se de um totem se tratasse)... para que assim possa encontrar forças para re-desenhar também eu mais um outro ano.
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quarta-feira, 31 de dezembro de 2008
Para você ganhar belíssimo Ano Novo
Mais um ano que se passa, com o tempo sempre a correr (cada vez mais veloz!), fazendo com que quase nos esqueçamos destes marcos importantes da nossa cultura!...
A semana passada, em vésperas de Natal, quase me pareceu estranho o mesmo já ter chegado, tal não fora a velocidade e ritmo atroz com que vivera o resto dos meses.
Hoje, ao chegar ao último dia de mais um ano, sinto-me sobretudo muito cansada, extenuada de tudo e sem vontade para fazer o que quer que seja (para isso muito contribuirá certamente o facto de me encontrar de férias), quanto mais tomar resoluções como em anos passados.
Este deveria ser um dia de festa, de deitarmos para trás das costas todos os problemas e agruras e pensarmos que o próximo ano será bem melhor. Mas, a verdade é que o clima geral de instabilidade não me parece ter contaminado para tal.
Mais um ano que se finda, com receio do que por aí ainda possa vir no próximo ano!...
Melhores dias virão...
"Para você ganhar belíssimo Ano Novo
cor de arco-íris, ou da cor da sua paz,
Ano Novo sem comparação como todo o tempo já vivido
(mal vivido ou talvez sem sentido)
para você ganhar um ano
não apenas pintado de novo, remendado às carreiras,
mas novo nas sementinhas do vir-a-ser,
novo até no coração das coisas menos percebidas
(a começar pelo seu interior)
novo espontâneo, que de tão perfeito nem se nota,
mas com ele se come, se passeia,
se ama, se compreende, se trabalha,
você não precisa beber champanha ou qualquer outra birita,
não precisa expedir nem receber mensagens
(planta recebe mensagens?
passa telegramas?).
Não precisa fazer lista de boas intenções
para arquivá-las na gaveta.
Não precisa chorar de arrependido
pelas besteiras consumadas
nem parvamente acreditar
que por decreto da esperança
a partir de Janeiro as coisas mudem
e seja tudo claridade, recompensa,
justiça entre os homens e as nações,
liberdade com cheiro e gosto de pão matinal,
direitos respeitados, começando
pelo direito augusto de viver.
Para ganhar um ano-novo
que mereça este nome,
você, meu caro, tem de merecê-lo,
tem de fazê-lo de novo, eu sei que não é fácil,
mas tente, experimente, consciente.
É dentro de você que o Ano Novo
cochila e espera desde sempre."
cor de arco-íris, ou da cor da sua paz,
Ano Novo sem comparação como todo o tempo já vivido
(mal vivido ou talvez sem sentido)
para você ganhar um ano
não apenas pintado de novo, remendado às carreiras,
mas novo nas sementinhas do vir-a-ser,
novo até no coração das coisas menos percebidas
(a começar pelo seu interior)
novo espontâneo, que de tão perfeito nem se nota,
mas com ele se come, se passeia,
se ama, se compreende, se trabalha,
você não precisa beber champanha ou qualquer outra birita,
não precisa expedir nem receber mensagens
(planta recebe mensagens?
passa telegramas?).
Não precisa fazer lista de boas intenções
para arquivá-las na gaveta.
Não precisa chorar de arrependido
pelas besteiras consumadas
nem parvamente acreditar
que por decreto da esperança
a partir de Janeiro as coisas mudem
e seja tudo claridade, recompensa,
justiça entre os homens e as nações,
liberdade com cheiro e gosto de pão matinal,
direitos respeitados, começando
pelo direito augusto de viver.
Para ganhar um ano-novo
que mereça este nome,
você, meu caro, tem de merecê-lo,
tem de fazê-lo de novo, eu sei que não é fácil,
mas tente, experimente, consciente.
É dentro de você que o Ano Novo
cochila e espera desde sempre."
Carlos Drummond de Andrade
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