... com a Primavera já quase a chegar...
... e um agradável dia passado ao sol.
Notícias do Reino Animal de Vila Pouca - III
No quarto de Toshiba...
O "Valentão"
Em Vila Pouca existe um rio que, até à data, não conhecia (devido à imensa lama que se acumulara no terreno de acesso ao mesmo), mas sobre o qual já ouvira muito falar. Um rio, ou melhor, um pequeno riacho.
Do outro lado do riacho existe uma tenda improvisada onde se encontram alguns cães, aparentemente, de “caça”.
Sempre que alguém se aproxima do riacho, os ditos cães desatam a ladrar… num tom que nem parece ser bem ameaçador, mas muito mais como se estivessem a querer chamar a atenção de quem por ali passa.
Noutras semanas, também, já ouvira por diversas vezes esse mesmo ladrar… sem saber ao certo de onde vinha.
Paramos na outra margem do riacho e começo a tirar fotografias à paisagem.
Do outro lado do riacho, fora da tal tenda, aparece um podengo a olhar para nós e a ladrar-nos furiosamente. Continuo a tirar fotos, enquanto M. se começa a afastar.
Quando volto costas ao riacho para me ir embora, sinto uma presença atrás de mim e um arfar ameaçador. M. segue à minha frente e, sem olhar para trás, digo:
- “Sabes, o cão vem atrás de nós...”
M.: - “Achas mesmo que o cão ia atravessar o rio para vir atrás de nós?”
E, quando nos voltamos as duas para olhar para trás, vemos o tal podengo já na nossa margem do riacho, a seguir-nos.
Por momentos, recordo-me das sábias palavras do meu avô, que um dia, durante umas férias de Verão, foi perseguido por uma matilha de cães: - “Nunca demonstrar medo aos cães, porque eles cheiram-no e atacam quando pressentem que estamos receosos.”
E com estas palavras a latejarem na minha mente continuo a andar, a tentar manter uma postura muito zen (eu que adoro todos e mais alguns animais e não costumo ter medo deles), enquanto penso: - “Estou tramada, porque o cão vai perceber que estou cheia de medo dele”.
Continuamos a andar, com o Valentão sempre atrás de nós. M. pára, olha para trás e diz qualquer coisa ao cão. Em resposta, o Valentão põe-se a ladrar roucamente, enquanto nos rosna também.
Finalmente, ouve-se ao longe um assobio e, muito relutante, o Valentão começa a caminhar vagarosamente para trás, para a outra margem do rio (onde o dono, certamente, o espera), olhando-nos de soslaio.
Grande lição que aprendi hoje: - Fotografar a natureza e os animais no seu habitat natural não é bem a mesma coisa do que fotografar as minhas gatas lá em casa!...
5 comentários:
Oops, mas que grande susto e se fosse comigo não sei bem se me aguentava sem começar a correr.
Uma história bonita que acabou bem.
Bjs.
Lena: :))
Também fiz um esforço tremendo para não desatar a correr... mas foi porque me lembrei que o cão se podia atirar à máquina fotográfica ;))
Bjs
LOL
Beijocas
Infelizmente já estive em situação idêntic, na trilha da ursa na serra do Gerês. O início do trilho faz-se junto a uma casa florestal abandonada onde, como é costume neste de país de "seres inteligentes", os caçadores abandonam os seus cães. Os que sobrevivem aos lobos acabam por andar ali e atiram-se a quem se aproxima. Acabei por comprar um apito ultra-sónico, que já perdi :), e que só é audível pelos animais. Fogem a sete pés...
Mário: Curiosa experiência a sua!
Realmente, neste nosso país, é uma vergonha desgraçada o que os caçadores fazem aos pobres cães! :(
Enviar um comentário