
Esta tarde, enquanto arrumava a minha antiga escrivaninha, em casa da minha mãe (uma das 2 ou 3 coisas que ainda ficou pendente, após a minha mudança para a casa nova), descobri uma série de coisas das quais já nem me recordava: fotografias antigas em que já nem sequer nos reconhecemos, cartas e postais de amigos (alguns dos quais nunca mais voltámos sequer a rever), poemas da adolescência, cadernos do liceu, transcrições de letras de músicas antigas, posters, cartões da escola onde andámos...
Enfim, aquelas coisas que vamos acumulando ao longo dos anos porque, pura e simplesmente, achamos sempre que, um dia mais tarde, hão de servir para algo (nesse ponto, "saio" um bocado ao meu avô, que, até hoje, continuo a guardar o mais ínfimo papelinho que seja), ou porque na altura em que as guardámos não nos apetecia desfazermo-nos delas pois tinham um qualquer significado importante para nós... significado esse que, agora, já não recordamos exactamente.
E assim, ao fim de um certo tempo, porque já não temos mesmo onde ir guardando tantas recordações paupáveis das nossas vidas (no fundo, é isso que elas são!), acabamos por ter que proceder a uma árdua selecção e deitar algumas delas para o lixo... porque vamos sempre tendo que arranjar espaço para outras recordações "mais novas" que vão aparecendo.
A vida é assim mesmo, e não há nada a fazer (quando não, as nossas casas acabariam por se assemelhar a grandes depósitos de tralha, como numa loja de ferro-velho)!...
De qualquer modo, apesar de ser quase sempre angustiante ter que fazer esta selecção (pelo menos para mim, é!), hoje sinto-me alegre como uma criança de 2 anos, pois o facto é que, no meio de tanta tralha, acabei por descobrir alguns tesouros (esses sim!) inestimáveis para mim, como estes desenhos que fiz em 1994/95, a primeira edição em BD do "Star Wars - O Regresso de Jedi" e estas bonecas feitas em palha (que sempre adorei).
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