segunda-feira, 10 de outubro de 2005

Afinal, começou ontem a chover!...

Foto disponível em: http://www.tsf.pt

Ontem, foi um dia muito estranho, em todos os sentidos!...

De manhã, foi a agitação sempre generalizada de ir votar: montes de gente na rua - quase como se se tratasse de um "levantamento" popular -, mas impregnado de uma grande falta de civismo, com encontrões e pisadelas, só para serem os primeiros a chegar às suas mesas de voto… como se tudo aquilo não passasse de uma simples corrida pelos 100 metros barreiras e, afinal, andassem todos meio perdidos e sem saberem para onde se dirigir ou sequer como entrar num autocarro...
Tudo muito estranho! Como se o simples facto de ir votar pudesse transtornar assim tanto a cabeça às pessoas e elas ficassem mais “vazias” depois de lá ter ido colocar uma cruz no boletim de voto, para escolherem o seu candidato favorito.

Depois de almoço, e de me ter posto a aspirar e a limpar a casa, e ter ficado completamente extenuada, acabei por me sentar a ler (desta vez, comecei a ler o “Acide Sulfurique” – sobre o qual já “postei” mais abaixo) … Tal foi a bulimia livresca que, no espaço de 1 dia, dei conta do livro (realmente, andava mesmo a precisar de retomar as minhas leituras – que tinham ficado um pouco esquecidas, por muito cansaço e desgaste mental).

Diga-se, de passagem, que as minhas expectativas em relação a este livro foram superadas. A sátira em relação aos reality-shows e à forma como ao assistirem aos mesmos os telespectadores quase que se desumanizam a si próprios é brilhante (mas não, não vou aqui contar mais pormenores sobre o livro, que é para vos deixar uma pontinha de curiosidade! :)

Paralelamente, fui assistindo à “saída” dos resultados oficiais das “Autárquicas” e ao desenrolar desse espectáculo quase circense que são os discursos dos candidatos vitoriosos e dos “Outros”… bem como ao espectáculo dado por todos aqueles que fugiram à justiça para o Brasil e agora ganham eleições, os que andaram a roubar a Câmara enquanto lá estiveram e etc. e tal.

Curiosamente, a certa altura, tudo isto me começou a “cheirar” a encenação, como se fizéssemos mesmo parte dum desses reality-shows em que temos 24 horas por dia as câmaras (de filmar, desta vez) a seguirem-nos… mas deve ter sido apenas influência do livro que acabara de ler.

Depois, começou, FINALMENTE, a chover (sim, que o país já estava quase a transformar-se num deserto tal era a penúria de água)… mas, afinal, tudo não passava de um furacão que abrandou a meio do Oceano Atlântico e se transformou numa tempestade tropical, de seu nome “Vince”… não sabemos, ainda, se depois disto, continuará a seca ou não!

Enfim, nessa altura, decidi ir-me deitar, porque todo este surrealismo da vida real já estava a dar cabo de mim!...

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