- Pessoa -
"O que há em mim é sobretudo cansaço
Não disto nem daquilo,
Nem sequer de tudo ou de nada:
Cansaço assim mesmo, ele mesmo,
Cansaço.
A subtileza das sensações inúteis,
As paixões violentas por coisa nenhuma,
Os amores intensos por o suposto alguém.
Essas coisas todas -
Essas e o que faz falta nelas eternamente -;
Tudo isso faz um cansaço,
Este cansaço,
Cansaço.
Há sem dúvida quem ame o infinito,
Há sem dúvida quem deseje o impossível,
Há sem dúvida quem não queira nada -
Três tipos de idealistas, e eu nenhum deles:
Porque eu amo infinitamente o finito,
Porque eu desejo impossivelmente o possível,
Porque eu quero tudo, ou um pouco mais, se puder ser,
Ou até se não puder ser...
E o resultado?
Para eles a vida vivida ou sonhada,
Para eles o sonho sonhado ou vivido,
Para eles a média entre tudo e nada, isto é, isto...
Para mim só um grande, um profundo,
E, ah com que felicidade infecundo, cansaço,
Um supremíssimo cansaço.
Íssimo, íssimo. íssimo,
Cansaço..."
"O que há em mim é sobretudo cansaço", de Álvaro de Campos.
Na data em que se se comemoram os 120 anos do nascimento de Fernando Pessoa (ou seja, no dia de hoje), os 200 livros que constituem a sua biblioteca pessoal vão ser disponibilizados gratuitamente na Internet, aqui.
O objectivo é chegar à publicação online de 1.200 títulos, como livros, revistas e jornais, para que o universo de Pessoa continue a sua admirável expansão.
- "Histoire de Pieds" - 4 -
O objectivo é chegar à publicação online de 1.200 títulos, como livros, revistas e jornais, para que o universo de Pessoa continue a sua admirável expansão.
- "Histoire de Pieds" - 4 -
2 comentários:
Sem desmérito para os pés, os chinelos são giríssimos!!
Mir: muito obrigada!
Aerosoles, quando tinha dinheiro para comprar roupa e sapatos!
E os pés não ficaram ofendidos ;)
Enviar um comentário