Woman in Black Tie de Modigliani (1917)
Há quadros que (con)vivem uma parte das nossas vidas e permanecem sempre como um mistério.
Seria aquele um quadro de uma serenidade profunda, em cuja personagem permanecia de olhos fechados, pensando suavemente (quase com um sorriso a desenhar-se nos lábios) no seu próprio futuro ali tão longe?
Ou seria, talvez, um quadro denso e triste, em que a mulher cega acabaria por colocar um termo à sua vida (dir-se-ia que a imagem da própria gravata se assemelhava a um nó de enforcamento), devido a não saber lidar com a incomensurável incerteza do que o destino lhe havia reservado?
Nunca chegaria a saber ao certo qual a história daquela mulher.
Mas este quadro continuaria a persegui-la para todo o sempre, inundado por uma doce melancolia de saudade daquele lugar onde outrora vivera.
2 comentários:
o teu texto é melhor que a pintura (não liguem, eu é que não gosto do Modigliani)
Pyotr: é um texto muito pessoal... mas obrigada pelo meio elogio (já que não gostas do Modigliani ;)
Quando regressas às lides no teu blog?
Bjs
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