quinta-feira, 5 de julho de 2007

Ninguém escolhe o lugar para morrer



Estação de metropolitano Jardim Zoológico. Sentido “Baixa-Chiado”. 9h da manhã.

Um saco preto largo, no chão, encobre algo que dois polícias e um técnico do INEM guardam por detrás de uma barreira que divide a plataforma da estação de metro em duas.

Do lado da saída da gare de comboios, as pessoas vão-se amontoando, imperturbáveis como autómatos, não se apercebendo de nada naquela imensa confusão de corpos engalfinhados no pouco espaço da plataforma.
Do lado da saída para o Jardim Zoológico, duas ou três pessoas olham aquela cena, tentando perceber em vão o que se passa.

Uma carruagem de metro chega à estação.
Quando entramos na carruagem, uma rapariga brasileira olha para mim com um ar preocupado e pergunta-me se era uma pessoa que ali estava debaixo do saco preto.
Respondo-lhe que sim e ela apenas me diz: “Que estranho!”.

No meio da multidão, transformamo-nos em rostos anónimos, sem significado ou importância (gente que não se sabe de onde vem ou para onde vai)… mesmo quando morremos.

3 comentários:

s. disse...

estamos tão alienados que nem a morte ou a miséria nos comovem

Alexa disse...

S.: Infelizmente, é bem verdade! :(

Anónimo disse...

Terrivel. :(