Primeira noite muito mal dormida num quarto IBIS semelhante a tantos outros pela Europa inteira... mas com direito a pequenos presentes e um sol resplandecente a darem-me as boas vindas, quando ontem abri pela primeira vez a porta do nº 412.
Já em casa, à noite, não gosto de fechar os estores todos, para que a luz do sol matinal vá entrando devagarinho pelo quarto e me ajude a acordar. E, também, aqui, ontem à noite, deixei a cortina um pouco aberta.
A meio do sono, entrecortado pelas preocupações com a comunicação que terei de fazer na 5ª feira, sou acordada com uma luminosidade intensa, como se já fossem 8 horas, a encher todo o quarto.
Levanto-me repentinamente, pensando que o despertador do telemóvel mais uma vez não tinha tocado. Olho para o mostrador e são…
… Espreito pela janela do quarto e lá fora no jardim vejo esta luz intensa.
Meio perplexa, ainda ligo a televisão do quarto, para confirmar que horas serão na realidade. E confirma-se… 4h53 em Malmö equivalem às nossas 8 horas de Lisboa.
Volto a deitar-me, tentando dormitar pelo menos mais duas horitas. Mas o sono é interrompido de hora a hora pelas simpáticas gaivotas que fizeram ninho no terraço das traseiras do hotel.
Depois de uma sessão solene de abertura do fórum (um pouco au ralenti para mim, que ainda me encontrava meio adormecida, apesar da diferença horária apenas ser de uma hora) e de um workshop (no Europaporten, mesmo ao lado do hotel), depois de almoço, saímos mais cedo e aproveitamos para dar mais uma voltinha para conhecer a cidade e comprar os habituais souvenirs para levar para a família e amigos.

Esta tarde, ao caminharmos um pouco mais calmamente por Malmö é que nos apercebemos como, de facto, esta pequena cidade é tão pitoresca e cheia de verde por todo o lado!...
Com as suas duas grandes praças: - a antiga Stortorget, com o rei que conquistou a Suécia aos dinamarqueses a velar pelos seus soberanos (e, casualmente, apanhamos a filmagem de um qualquer filme ou série sobre a história nacional), e caminhos que se bifurcam em galerias, onde se escondem lojas de outros tempos, numa mistura inusitada com estranhas fotos e magníficas fachadas de prédios.
- À qual se liga, através de uma rua pedonal, a moderna Gustav Adolf's Torg, repleta de bancas de venda de flores e jovens que se aglomeram no jardim central à espera dos amigos.
Mas a imensidão e beleza de ambas não se pode, de modo algum, comparar com a beleza mignonne da boémia Lilla torg!...
Lilla torg, ou "pequena praça", circundada por lojas de artesanato (onde quase perco a cabeça com as placas de metal que colecciono... não fora o seu preço demasiado elevado) e cafés, com as suas muito peculiares cores, movimentos e sons...
Lilla torg das socas tradicionais (que, apenas os turistas compram e usam, já que todos os habitantes de Malmö sabem que ninguém consegue na realidade andar com tais sapatos!), das lojinhas de brinquedos em madeira, das vendas ambulantes de souvenirs, das casas ancestrais...
Lilla torg, onde descobri esse curioso hábito nórdico de em todas as esplanadas da cidade estarem colocadas mantas para os clientes: como em Maio ainda faz algum frio durante o dia e à noite, tornou-se usual os cafés e esplanadas disponibilizarem aos seus clientes mantas para se aquecerem... As quais jazem nas cadeiras, aguardando por mais clientes.
Nos cafés mais in, essas mesmas mantas até têm bordado o nome e logotipo da casa!...

Final do dia com um jantar oferecido pelo presidente da Câmara Municipal de Malmö aos 300 participantes do fórum, neste fabuloso edifício.
Com direito a duas rodadas de prato principal e água "Ramlösa" (o nome provocou bastantes gracejos entre a comitiva portuguesa, como é de imaginar!) a acompanhar a digestão.

E com o anoitecer às 22h00, compreendi, finalmente, a importância de Lilla torg e dos cafés na vida dos habitantes de Malmö...
Face à escassez de dias com luz solar durante a maioria dos meses do ano (já que anoitece muito cedo e amanhece muito tarde), de certa forma, torna-se normal que estes indivíduos dêem tanta importância ao aproveitar de cada instante do sol primaveril, reunindo-se com os amigos em cafés, ou aproveitando para fazer jogging e passear nos parques, como já referira ontem.
A mim, por sinal, é que esta coisa da luz solar em demasia já me anda a atrofiar um bocado a cabeça com as diferenças horárias!...
5 comentários:
Alexa: Bem, essa de acompanhar o jantar com água "ramelosa":) brada aos céus!! E que tal 2 pastéis de bacalhau e um copito de vinho branco ??!! :))
Hum... e acordar de madrugada com toda essa luz também eu ficava um pouco biruta, mas antes isso q/de inverno pelas 3pm já ser quase noite. Eu necessito, gosto de sol.
Bjs.
Cá estou eu novamente.
Essa cidade é realmente bonita e bastante apelativa. Pergunto-me se esses povos vivessem no n/país, com o n/sol, luminosidade e clima como seriam as cidades, as aldeias, o país em si ? Seria como lá no norte tudo limpo, organizado, sem stresses ou seriam iguaisinhos a nós ? :p
Mas...eu gosto deste cantinho)Bjs.
Adorei a ideia da mantinha nas cadeiras dos cafés...é mesmo diferente: imagina isso em Lisboa... eram logo roubadas (como eu já vi pessoas no Ikea a colocar molhos de lápis dentro da carteira!!)...
De resto estou a adorar ler cada dia (como alguém dizia num outro comentário, é como se estivessemos lá...)!
Lena: Também eu gosto muito de sol... mas em demasia, como foi o caso, ficamos mesmo meio esquisitas! ;)
Essa tua ideia dos nórdicos a viverem em Portugal e como seria o país é bem interessante :)
Bjs
Reticências: Tem piada, porque tivemos, exactamente, a mesma ideia a passar-nos pela cabeça, quando vimos as mantas (sobre roubarem-nas cá em Portugal :)
Foi isso e dizermos logo que não metíamos nas costas uma manta que, sabe-se lá, em que outras costas já esteve :)
Ainda bem que gostaste da leitura das minhas crónicas de viagem!
Infelizmente, foram apenas 3 dias... por isso, já terminou aqui no blog :(
Bjs
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