quarta-feira, 26 de julho de 2006

Apanhada pelo Passado


Hoje, depois de almoço, vinha eu tranquilamente do clube de vídeo (onde fui buscar alguns DVD's, para me ir mantendo actualizada, devido à escassez normal de tempo para ir ao cinema), quando encontro uma ex-colega de trabalho... do meu primeiro emprego na área em que viria, mais tarde, a especializar-me. Um emprego que ficava pertíssimo de minha casa e onde aprendi muito daquilo que sei hoje.

Há imenso tempo que lhes andava a prometer uma visita, mas acabavam sempre por se meter pelo meio 1oo1 afazeres e outras urgências, e nunca lá ia.
Acabei por ir hoje, assim de improviso, um pouco apanhada de surpresa!...

O edifício bonito e de traça antiga onde trabalhei ainda lá está, mas cada vez mais consumido pelo tempo e pelos graffitis que surgem em todas as paredes exteriores.
Apenas duas das pessoas com quem trabalhei desde a origem daquele projecto ainda por lá permanecem.

E toda a vida que ali se vivia há 5 anos atrás parece ter desaparecido completamente, ou sido consumida pelo próprio tempo.

Já não se ouvem os risos e as brincadeiras das crianças do Bairro das Fontaínhas, que ficava mesmo nas traseiras - e onde aprendi o que é a vida num bairro de lata -, porque já foi todo demolido e os seus habitantes realojados noutro lado qualquer.

As filas infindáveis de gente que se aglomeravam à porta do edifício bonito e de traça antiga, fizesse chuva ou sol, desvaneceram-se e agora, muito de vez em quando, lá entra um casal, uma outra pessoas e pouco mais.

E um silêncio incomensurável sempre a pairar no ar, como se tudo tivesse ficado estagnado naquele microcosmos.

É uma sensação estranha de melancolia esta de sermos assim, subitamente, apanhados pelo nosso passado... e sentirmos que o mesmo se parece desvanecer diante dos nossos próprios olhos, ainda em vida.

2 comentários:

Anónimo disse...

É engraçado quando o passado passa por nós ao virar da esquina...

Anónimo disse...

Conheço essa sensação. É tão estranha...