A expectativa em relação ao
programa de ontem à noite era muito grande...
Infelizmente, tirando a excelente participação de Miguel Moutinho (
a quem dou os meus sinceros parabéns!), que, apesar de trabalhar apenas numa
associação de lobbying político, tentou dar uma visão muito abrangente daquilo que se passa no terreno, em Portugal, no que diz respeito à constante violação dos direitos dos animais (sejam eles cães e/ou gatos - apesar do programa de ontem quase só ter versado sobre os cães!), pouco mais houve a destacar.
Quanto à Subdirectora da Direcção-Geral de Veterinária e à Presidente da Associação de Médicos Veterinários Municipais (duas entidades que, supostamente, deveriam exercer uma actuação bem mais eficaz no que concerne à fiscalização, promoção e sensibilização para os direitos dos animais), foi lamentável ver a sua postura e a forma como, no caso da segunda em particular, tentava apenas branquear a imagem do (mal) que se vai passando em tantos Canis/Gatis Municipais (logicamente que há bom e mau em todo o lado, e
os bons exemplos também já vão aparecendo; infelizmente, tentar contrapôr o pouco de bom que se vai fazendo à falência dominante, justificando-se com
"discriminações" e
"estereótipos" para desculpabilizar atitudes menos correctas de veterinários e Canis/Gatis Municipais, não podia deixar de ser muito pouco inteligente!).
Fiquei, sobretudo, e em suma, muito desagradada por não ter sido chamado à ribalta o caso flagrante e persistente do Canil/Gatil Municipal de Lisboa (sobretudo, quando
as situações vergonhosas se mantêm e ninguém faz nada para as alterar!).
A título de exemplo, aproveito para recordar que, há 2 anos atrás, após uma visita a esse mesmo Canil/Gatil e ter presenciado
o que aqui testemunho, o que vi lá dentro impediu-me de conseguir ficar de braços cruzados perante tal horror.
E, conjuntamente com 2 outras pessoas (nenhuma de nós ligada a qualquer associação zoófila), entregámos uma queixa formal por escrito à Câmara Municipal de Lisboa sobre as condições em que são mantidos os animais nesse serviço camarário.
De salientar que, inicialmente, éramos muitos mais os que se uniram para que esta queixa fosse entregue (muita gente voluntária em associações zoófilas)... mas, no final, como em tudo na vida, tantos "fugiram" a dar a cara!
Passado um ano (sobre a data de envio da nossa queixa), graças a
uma reportagem passada na SIC sobre este mesmo assunto, conseguimos obter uma resposta por parte do Chefe de Divisão responsável pelo Canil/Gatil Municipal de Lisboa, argumentando serem injustas as nossas críticas, uma vez que tudo se encontrava em ordem nessas instalações (só quem nunca lá entrou poderá argumentar algo tão descabido como esta resposta que obtivémos!).
Passado um ano sobre esta primeira visita, vi-me confrontada com o facto de
ter que voltar a entrar de novo no Canil/Gatil Municipal de Lisboa, e, aquilo com que me deparei, foi a tentativa de alguns técnicos (admitidos, à data, muito recentemente) dentro desse serviço tentarem mudar situações que não estavam correctas, tentando mesmo dar alguma dignidade aos próprios animais (felizmente, os animais que resgatámos nessa altura
estão bem...).
Lamentavelmente, e como dizia Miguel Moutinho no programa de ontem, não podemos apoiar-nos simplesmente na boa-vontade e sensibilidade de alguns técnicos/funcionários/etc. (que, no geral, também eles se encontram a remar contra a maré vigente, a mesma que rotula os animais errantes na cidade de Lisboa, por exemplo, como
resíduos sólidos)...
A tomada de consciência para o facto de o Homem dever tratar os animais como seres vivos seus semelhantes deverá ser generalizada a toda a população, fruto não só de uma aprendizagem/sensibilização coordenada nas escolas e em casa, como também da alteração da legislação de protecção aos animais e da consequente aplicação de medidas punitivas exemplares para todo aquele que cometa um crime/dano para com um animal.
"A grandeza de uma nação e o seu progresso moral podem ser avaliados pela forma como esta trata os seus animais.", já dizia Ghandi.
No caso português, encontramo-nos a anos-luz do que seria sequer desejável!...
É, por isso mesmo, necessário que as mentalidades no nosso país mudem muito, para que os direitos dos animais possam vir a ser respeitados e reconhecidos por todos.
E é, sobretudo, imprescindível que cada um de nós se mentalize e tenha conhecimento da forma como os animais são tratados neste país e tente fazer algo (no pouco que está ao seu alcance) para ajudar a mudar esta situação. Porque todos nós somos cúmplices do que se passa, ao fecharmos os olhos àquilo que sabemos que nos irá fazer sofrer, à visão das atrocidades que nos poderão pesar cá dentro…
Uma única hora apenas de programa, em horário
prime-time na televisão nacional, é muito pouco para se mudar o que quer que seja a esse nível, mas já terá sido o começo de Algo... mesmo se ficou aquém das nossas expectativas, por termos considerado que deveriam ter exposto de uma forma mais concertada e contundente este tema.