Ontem não consegui mesmo evitar permanecer num estranho misto de estranheza/irritação pelo facto de me sentir quase como que uma refugiada num país estrangeiro (agora, finalmente, consegui compreender na pele, o público-alvo com quem trabalho diariamente!), onde, para além de ninguém falar a minha língua, tão pouco falam o Inglês.
A visita à cidade também não foi a ideal, pelo tempo acinzentado e triste, assim como devido à presença claustrofóbica de centenas e centenas de turistas no centro de Praga.
Consequentemente, nem a vontade de fotografar (que, para quem me conhece, sabe que me está entranhada nos dedos e na alma!) era muita e temo, sinceramente, que o resultado final tenha sido catastrófico.
Por isso mesmo, ontem à noite, enquanto bebia um balde de uma espécie de café (não há como o nosso em Portugal!) no MacDonald's
por debaixo da janela do meu quarto de hotel (servido por um
teenager checo, que, curiosamente, também, não falava inglês), prometera a mim própria partir numa nova investida pela descoberta dos encantos daquela que me parecera uma belissíma cidade.
Depois de um bom pequeno-almoço, tomado na companhia dos turistas idosos italianos que, entretanto, inundaram o hotel; às 8h30 já estava na rua, à espera do eléctrico para o centro da cidade (nem o facto da diferença horária ser de uma hora a mais, comparativamente com Lisboa, me deixou minimamente afectada).
Enquanto aguardo pelo eléctrico, apercebo-me que, de facto, Praga é mesmo
a cidade dos cães, tal é a
profusão destes animais que abundam pelas ruas, acompanhados pelos seus zelosos donos (por breves momentos, começo a lembrar-me da situação divergente que existe em Portugal... e acabo por preferir não pensar em coisas tristes!).
Chegada ao centro de Praga, inicio a minha caminhada pelo lado esquerdo do rio, no bairro de
Malá Strana, no sopé da colina do
Castelo de Praga.
Malostranské Náměstí, a pequena praça em obras; a
rua Nerudova e as magníficas fachadas dos seus restaurantes, cafés e galerias de arte; os
edifícios antigos perto da entrada para a
Charles Bridge.
Depois de
passar bem perto pelo
Museu de Franz Kafka (onde acabo por já não ter tempo de ir!), dirijo-me para a
Ilha de Kampa, o meu destino primordial nesta manhã.
Esta
pequena Veneza de Leste, à
entrada de Charles Bridge, deixa-me completamente estonteada com a sua beleza.
Nova investida pela
Charles Bridge (onde,
na véspera, me sentira bem apertada!)...
Por ser tão cedo, ainda apanho
os "seguranças" da ponte, que colocam
os stands de cada vendedor de
souvenirs no seu local pré-estabelecido e, paralelamente, "desimpedem"-na de todos os mendigos que por ali dormiram.
Atravessada a ponte, dirigo-me a
Josefov, o bairro judaico de Praga, repleto de
antigas sinagogas, mercados temáticos
dirigidos a turistas e as suas
pequenas lojas e comércios tradicionais.
Em
Staromestske Namesti (uma das mais bonitas praças que já vi!), aproveito para me sentar e descansar durante um bom bocado desta longa caminhada matinal.
Vou, também, observando
os turistas que passam, os
infindáveis guias que "oferecem" os seus serviços, o famoso
relógio astronómico (onde, ao bater de cada hora, ali assomam milhares de pessoas,
para verem as suas figuras rodarem)...
Curiosamente, o que acaba por mais me surpreender, nesta manhã solarenga, numa cidade onde tudo parece girar em torno do negócio turístico, é, sem dúvida alguma,
aquele rapaz que trabalha bem de perto com os animais que servem os turistas.
À primeira vista, pela forma como se movimenta e age, dir-se-ia possuir algum atraso cognitivo; mas o carinho que sente pelos cavalos que alimenta é notório, quando o vejo debruçar-se sobre uma das parelhas e colocar a sua cabeça junto às dos animais, como se com eles estivesse a conversar, afagando-as de uma forma tão inocente e despudorada.
Concluído o passeio matinal, regresso ao hotel, onde a reunião de trabalho se iniciou no período da tarde.
À noite, juntamente com os colegas de mais de 20 nacionalidades, jantamos
neste restaurante, deliciosos
pratos de carne.