- A Pantufinha -
Ainda não refeita da
saga com a Luana, a meio da semana passada, duas das minhas vizinhas pediram-me ajuda para tentar encontrar dono para uma gata que ficara votada ao abandono num quintal, há já mais de um mês, após a filha da sua proprietária ter levado a mãe para sua casa.
Estas duas vizinhas tinham-me ajudado aquando do
desaparecimento da Luana e, também, não conseguia virar costas após ter sabido a estória da pobre gata...
Segundo me contaram a dona da gata já tinha 80 anos e nada pode fazer contra o acto da sua filha (que nunca gostara de animais), pelo que se tornava urgente encontrar um dono para o animal, dado que a casa onde sempre vivera iria, brevemente, entrar em obras.
Combinei com as duas vizinhas ir tirar fotografias à gata, para fazer um apelo e a colocar para adopção. E, na 6ª feira ao fim da tarde, fui com elas verificar o tal quintal, pelo muro das traseiras do mesmo, que dá para a rua.
Era, também, através deste muro que uma das minhas vizinhas continuava a alimentar a tal gata, com
uma engenhoca semelhante à que eu própria costumo utilizar para dar comida à Misha e à Luana.
A Pantufinha (assim se chama a gata, devido às suas tonalidades) apenas se deixou vislumbrar passado muito tempo, depois da vizinha que a alimenta a chamar repetidas vezes.

A Pantufinha é uma gata muito meiga, com cerca de 5 anos, nasceu naqueles mesmos quintais e acabou por se transformar na companhia da Dª. Q., idosa também esquecida pela família.
Durante o dia, a Pantufinha deliciava-se na companhia da sua dona, ora estando aninhada aos seus pés enquanto esta via televisão, ora brincando ao seu colo embrulhada pelo seu robe. À noite, era obrigada pela filha da Dª. Q. a ir dormir para o quintal, já que esta não se compadecia com a existência de animais dentro de casa.
Votada ao abandono durante mais de um mês, a Pantufinha começava agora a perder a confiança nos humanos, escondendo-se sempre que ouvia alguma voz... apenas continuando a chamar ao apelo daquela que a continuava a alimentar.
Perante tal cenário, já para não falar nas obras que ali iriam começar, bem como no facto da comida da Pantufinha estar empestada de moscas varejeira e o quintal num estado de grande sujidade; vi-me na contingência de anunciar às minhas vizinhas que não podíamos deixar a gata naquele local, como elas pretendiam (e que lá se fosse posteriormente buscá-la quando se encontrasse um dono).
A Pantufinha teria que re-ganhar bem depressa a confiança nos humanos, para que não se tornasse arisca e pudesse cativar o coração de alguém interessado em a adoptar.
Nesse sentido, durante o fim-de-semana, empreendemos diversas tentativas para apanhar a Pantufinha através da colocação de um isco com comida na transportadora, mas nada conseguimos.
Até que, vencida pela persistência e desconfiança da Pantufinha, no domingo ao fim da tarde, resolvi pedir ajuda a uma amiga, para que me emprestasse a sua armadilha, de modo a capturá-la mais facilmente.

No domingo à noite, a Pantufinha foi, finalmente, apanhada; encontrando-se agora em FAT (Família de Acolhimento Temporário), de modo a que possa recuperar a confiança nos humanos e vir, um dia mais tarde, a ser adoptada.