
Nascera em casa da minha mãe, há 13 anos atrás, numa ninhada de 5 gatinhos (dos quais acabaríamos por ficar com 3), filhos da
Maruska e do
Fofinho.
Foi o último a nascer, já ao final dessa longa tarde, mas acabaria por ser o mais matulão e comilão, tendo também sido o primeiro a conseguir sair sozinho do ninho.
Dei-lhe o nome de
Bócas, diminutivo das famosas “bombócas”.
Em bebé, só fazia asneiras, tendo mesmo conseguido a proeza de, com 5 meses, conseguir atirar ao chão um dos vasos mais altos da varanda de casa da minha mãe.
Conforme foi crescendo, transformou-se num pequeno panda, muito pachorrento, que adorava passar os seus dias a dormir, ou enfiado dentro da máquina de lavar roupa. Amigo de todos, mas com uma embirraçãozita de dominância para com o seu pai, e muito temido pelo seu irmão
Tristão (apesar de nunca lhe ter feito mal).
01/02/09
Há cerca de uma semana atrás, o Bócas andava meio constipado e deixou de comer. A minha mãe levou-o ao Vet. e, após a realização de análises, foi-lhe diagnosticada insuficiência renal (com valores extremamente elevados).
Seguiu-se o tratamento (infelizmente, já bem conhecido para mim)...
3 (longos) dias a soro intravenoso na clínica veterinária, passados os quais se realizariam novas análises para verificar o avanço ou não da doença.
Mas o Bócas continuava a não querer comer nada...
Começou a ser alimentado à seringa, mas ferrava os dentes com muita força, como se nos estivesse a querer dizer que os nossos esforços eram em vão e já nada valeria a pena.
A última vez que o vi foi ontem, domingo, quando fui almoçar a casa da minha mãe... muito prostrado deitado no sofá, parecia não se sentir nada bem e estava sempre a vir para o chão, deitar-se por debaixo da mesa da sala (como se nos estivesse a querer avisar de algo).
Tirei-lhe aquela que sabia conscientemente que seria a sua última fotografia... como se quisesse, assim, e com ela perpetuar na minha memória todos os bons momentos vividos em 13 anos com o Bócas.
Nessa noite, o Bócas começou a miar de uma forma muito estranha, como se estivesse com dores e, simultaneamente, a chamar por nós (lembrámos-nos logo do caso da morte do nosso primeiro gato, o Garoto, que também miara por nós, antes de falecer).

Esta tarde, a minha mãe levou o
Bócas, como combinado, ao Vet. para fazer novas análises... as quais acabaria por já não fazer.
Às 16h15 o
Bócas teve que ser adormecido para sempre. Estava com 32º de temperatura e, segundo o médico, nenhum animal nessas condições se conseguia salvar.
O
Bócas partiu ao colo da minha mãe... passados 7 dias de lhe ter sido diagnosticada a doença que lhe seria fatal.
Felizmente, não sofreu tanto como
a minha Ninushka, sujeita a prolongado soro subcutâneo.
Eu estava numa reunião quando recebi a triste notícia... e tive que me conter tanto para não sair dali, que ainda não consegui sequer chorar em condições.