quarta-feira, 11 de fevereiro de 2009

"National Geographic" nos Quintais









Esta manhã, para minha grande surpresa, enquanto Misha e Luana comiam, Mikado entrou sorrateiramente dentro da casota e aí se instalou, fazendo com que as gatitas tivessem que se instalar mesmo quase à entrada (como a fotografia comprova).

Nesta última semana, ao final do dia, reapareceu Papalagui, o gato que, inicialmente, pensei pertencer ao casal de idosos que faleceu no ano passado, e, afinal, parece ter dona.

Papalagui aparece ao fim do dia, aguarda a sua vez e, depois de Misha e Luana terem comido, serve-se da ração que ali fica. Papalagui tem-se aninhado todas as noites do lado de fora da casota de Misha e Luana, como se as estivesse a guardar.

Mikado também tem aparecido, mas mais matinal.

Da última vez que os machos Papalagui e Mikado se cruzaram eram 6 horas da manhã e envolveram-se numa luta atroz no terraço que fora de Dª. Luísa.
Misha e Luana, ao longe, por debaixo da minha janela, assistiam a tudo serenamente.










terça-feira, 10 de fevereiro de 2009

segunda-feira, 9 de fevereiro de 2009

Notas Soltas - 140




- Fim de Tarde com Livros -





Quem ama verdadeiramente os livros, oferece-os aos amigos, em singelas e bonitas alusões... e um simples "obrigada" não é suficiente para agradecer toda a amizade e companhia que nos são concedidas!

"Salva" anda fora e dentro, numa liberdade que espelha a sua alma felina... mas regressa sempre à Casa-Mãe.

Naquele mundo que é seu, aproxima-se devagarinho de quem lhe quer bem e por ali fica a brincar displicentemente... Lá em baixo, na cave, faz a festa com um pequeno novelo de linha verde, emaranhado numa das cadeiras. De quando em vez, num terno miado de mimo, chama a sua protectora, deixando-a fazer-lhe algumas ténues festinhas na cauda.
Depois, cansada de tanta brincadeira, aninha-se na sua caminha e ali fica, a dormir o sono dos justos... com um olho sempre aberto, permitindo que a objectiva da máquina fotográfica e as minhas mãos se aproximem cada vez mais.

"La vraie liberté c'est de pouvoir toute chose sur soi"... tal como os gatos.






- Regar as Plantas -


22h... e a chuva continua a cair incessantemente...

Desço para ir deitar o lixo fora e deparo-me com a porta do prédio completamente escancarada, com um dos vasos da entrada da escada a servir-lhe de travão.
Lá fora, no patamar coberto, a minha vizinha de baixo, em roupão, a guardar um outro vaso de uma das plantas da escada... que se encontra perto do caixote do lixo, a ser regada pela chuva.

No inusitado da cena, a Dª. L. parece nem sequer me vislumbrar, tal é o acentuado do odor a etílico.
Aparece o vizinho do 3º andar Esq., meteorologista de profissão. E a Dª. L. pergunta-lhe se no dia seguinte irá continuar a chover.






- 1 semana -


Depois de uma semana, hoje, finalmente, consegui chorar.

Tenho andado, desde essa data, a meter tudo para dentro e a acumular... parecendo quase uma bola de neve, prestes a rebentar.








quinta-feira, 5 de fevereiro de 2009

Mensagem da gatinha "Salva"...







... a todos os fãs e amigos (que ficam largos minutos embevecidos, à frente da montra da "Livrarte", à espera de a vislumbrarem).








quarta-feira, 4 de fevereiro de 2009

Mudar de Vida






Humanos - "Muda de Vida" (letra e música de António Variações)





Apetecia-me mudar de vida!...

Dar um estalo com os dedos e que tudo na minha vida sofresse uma alteração de 180º, para não ter que viver sempre as mesmas coisas, da mesma forma... numa rotina que se torna muito atrofiante.









segunda-feira, 2 de fevereiro de 2009

Bócas: 17/07/95 - 02/02/09








Nascera em casa da minha mãe, há 13 anos atrás, numa ninhada de 5 gatinhos (dos quais acabaríamos por ficar com 3), filhos da Maruska e do Fofinho.

Foi o último a nascer, já ao final dessa longa tarde, mas acabaria por ser o mais matulão e comilão, tendo também sido o primeiro a conseguir sair sozinho do ninho.

Dei-lhe o nome de Bócas, diminutivo das famosas “bombócas”.
Em bebé, só fazia asneiras, tendo mesmo conseguido a proeza de, com 5 meses, conseguir atirar ao chão um dos vasos mais altos da varanda de casa da minha mãe.

Conforme foi crescendo, transformou-se num pequeno panda, muito pachorrento, que adorava passar os seus dias a dormir, ou enfiado dentro da máquina de lavar roupa. Amigo de todos, mas com uma embirraçãozita de dominância para com o seu pai, e muito temido pelo seu irmão Tristão (apesar de nunca lhe ter feito mal).




01/02/09



Há cerca de uma semana atrás, o Bócas andava meio constipado e deixou de comer. A minha mãe levou-o ao Vet. e, após a realização de análises, foi-lhe diagnosticada insuficiência renal (com valores extremamente elevados).

Seguiu-se o tratamento (infelizmente, já bem conhecido para mim)...
3 (longos) dias a soro intravenoso na clínica veterinária, passados os quais se realizariam novas análises para verificar o avanço ou não da doença.

Mas o Bócas continuava a não querer comer nada...
Começou a ser alimentado à seringa, mas ferrava os dentes com muita força, como se nos estivesse a querer dizer que os nossos esforços eram em vão e já nada valeria a pena.

A última vez que o vi foi ontem, domingo, quando fui almoçar a casa da minha mãe... muito prostrado deitado no sofá, parecia não se sentir nada bem e estava sempre a vir para o chão, deitar-se por debaixo da mesa da sala (como se nos estivesse a querer avisar de algo).

Tirei-lhe aquela que sabia conscientemente que seria a sua última fotografia... como se quisesse, assim, e com ela perpetuar na minha memória todos os bons momentos vividos em 13 anos com o Bócas.

Nessa noite, o Bócas começou a miar de uma forma muito estranha, como se estivesse com dores e, simultaneamente, a chamar por nós (lembrámos-nos logo do caso da morte do nosso primeiro gato, o Garoto, que também miara por nós, antes de falecer).





Esta tarde, a minha mãe levou o Bócas, como combinado, ao Vet. para fazer novas análises... as quais acabaria por já não fazer.

Às 16h15 o Bócas teve que ser adormecido para sempre. Estava com 32º de temperatura e, segundo o médico, nenhum animal nessas condições se conseguia salvar.
O Bócas partiu ao colo da minha mãe... passados 7 dias de lhe ter sido diagnosticada a doença que lhe seria fatal.
Felizmente, não sofreu tanto como a minha Ninushka, sujeita a prolongado soro subcutâneo.

Eu estava numa reunião quando recebi a triste notícia... e tive que me conter tanto para não sair dali, que ainda não consegui sequer chorar em condições.






sábado, 31 de janeiro de 2009

Conta-me como foi...




Quando descemos à cave e nos pomos a remexer nos dois baús, sentimo-nos como crianças a descobrirem mistérios e segredos nos objectos em que tocamos, como se todos se tratassem de preciosidades ali esquecidas.

Todos os objectos têm uma estória... E todas as suas estórias estão impregnadas da vida de quem os possuiu antes de a nós eles terem chegado (o que os torna, de facto, imbuídos de uma mística muito especial).





Esta manhã, na "Livrarte", observada atentamente e bem de perto pela "Salva" (qual guardiã do mundo de mistérios daquela cave), descobri uma magnífica manta em estilo patchwork bastante original e fora do comum e uma pequena colcha de cetim a duas cores (que fará as delícias de uma das caminhas das minhas gatas).

Mais tarde, a Lúcia dir-me-ia: "Todos os objectos têm uma estória...".

E a estória da maravilhosa manta de patchwork teve resquícios de vedeta, uma vez que a mesma participou como adereço num dos episódios da série portuguesa "Conta-me como foi" (curiosa metáfora esta da associação de tal objecto com o próprio nome do programa).






Em relação à menina "Salva", já se tornou a vedeta da casa, fazendo as delícias dos clientes e amigos, ao passear-se delicadamente por entre as estantes repletas de livros. Tendo mesmo constituído um séquito de fãs que, diariamente, entram na loja apenas para a verem ou demandarem novas do seu estado.





É de salientar, por outro lado, o curioso facto de "Salva" ser a gata mais fotogénica que já conheci até hoje... não tendo sequer receio da aproximação da objectiva, apesar de ainda não se deixar tocar.





quinta-feira, 29 de janeiro de 2009

A Cidade dos Gatos




"The city of cats and the city of men exist one inside the other,
but they are not the same city".


(Italo Calvino, in "As Cidades Invisíveis")








Naquele bairro, a cidade dos Gatos misturava-se todas as manhãs, através do vidro, com a cidade dos Homens.

"Salva", qual estátua de divindade egípcia, serena e imperturbável, por detrás da montra, fazia as delícias de todos os que por ali passavam naquelas manhãs agitadas...

Roubando-lhes algum tempo aos seus afazeres diários e fazendo-os parar, ficando ali especados, durante largos minutos, embevecidos a admirarem-na. Relembrando-lhes, assim, que a vida tem muito mais do que se lhe diga do que uma simples e constante correria em busca permanente de algo...





A cidade dos Homens, naquele bairro, ficara diferente desde a chegada de "Salva".

Ao alterar as formas, cruzando a imagem daquela pequena gata com a de todos os que paravam a observá-la, o vidro da montra daquela loja criara como que uma espécie de metamorfose entre a gata e o Homem... transformando a grande maioria dos indivíduos em seres mais afáveis, solidários e humanos.






quarta-feira, 28 de janeiro de 2009

Carta Aberta ao Supermercado "Feira Nova"




Para:
Linha de Apoio ao Cliente do "Feira Nova" (linhacliente@feiranova.pt)
Provedora do Cliente do "Feira Nova" (provedoradocliente@jeronimo-martins.pt)

Cc:
Associação Portuguesa para a Defesa dos Consumidores (decolx@deco.pt)




Assunto: - Apresentação de Reclamação sobre o funcionamento das "Caixas Prioritárias" de utilização exclusiva no Supermercado "Feira Nova".




Exmos. Senhores,



Tomo a liberdade de dirigir esta missiva a V. Exas., enquanto consumidora e cliente regular do Vosso supermercado (nomeadamente através das Vossas lojas de Telheiras e da Belavista), para vos expressar o meu profundo desagrado pela criação daquilo a que V. Exas. entenderam apelidar de "Caixas Prioritárias".

Regra geral, não tenho nada contra esse tipo de caixas de atendimento especial e considero até bastante importante a sua existência enquanto factor de discriminação positiva; na medida em que, qualquer cidadão, deverá ver salvaguardadas as suas necessidades especiais enquanto cliente.

O que critico, isso sim, é o facto de essas "Caixas Prioritárias", no Vosso supermercado, apenas atenderem, única e exclusivamente, esse tipo de público.

Esta tarde, tive oportunidade de testemunhar na pele este facto quando, ao dirigir-me a uma caixa no supermercado "Feira Nova" da Belavista, apesar de não existir um único cliente sequer "com necessidades especiais" nessa mesma caixa, a empregada se ter recusado a atender-me, segundo as suas próprias palavras, por ser aquela "(...) uma caixa prioritária, que só atende grávidas ou pessoas com deficiências".

Conforme fui esclarecida, mais tarde, por uma outra funcionária (essa sim que, finalmente, se dignou a atender-me), quando lhe perguntei se, de facto, essas caixas prioritárias serviam unicamente esse tipo de clientes mesmo que, durante um dia de trabalho, não aparecesse nenhum cliente que se inserisse neste grupo restrito: "(...) a colega pode ali estar 8 horas por dia sem que venha nenhum desses clientes, mas tem que ali estar, mesmo que não esteja a fazer nada e eles [presumo que se referisse à administração da loja] sabem" -[citação na íntegra da resposta que me foi dada por essa segunda funcionária].

Ora, V. Exas. permitam-me a ousadia das minhas palavras mas, sinceramente, num país onde a taxa de desemprego roça os 10% e os índices de produção do país são dos mais baixos no contexto europeu, manter alguns funcionários em cada loja à frente destas "caixas prioritárias" atendendo em média, certamente, 3 ou 4 clientes por dia (e não fazendo mais nada no restante período de tempo) - ou melhor, pagar-lhes para não fazerem praticamente nada - é mesmo de bradar aos céus!

Por outro lado, e caso não tenham a devida consciência desse acto, ao praticarem este tipo de discriminação positiva para salvaguardarem os direitos e necessidades de alguns clientes "especiais", encontram-se também a discriminar pela negativa todos os clientes "não-especiais" que não poderão ser atendidos nesse mesmo tipo de caixas.

Sinto-me profundamente ofendida nos meus direitos, garantias e interesses legítimos enquanto consumidora e cidadã de um país democrata.

E gostaria que V. Exas. tomassem as devidas providências para que esta situação seja reposta de uma forma não discriminatória, ou seja, que essas "caixas prioritárias" passem também a atender clientes "não-especiais".

Caso esta minha solicitação não possa ser devidamente atendida, agradecia, então, que me informassem se "hipertiroidismo" (= doença crónica) e "prolapso da válvula mitral" (= má formação congénita) poderão ser consideradas como "deficiências", uma vez que passarei então a utilizá-las (por serem doenças de que padeço) para ver salvaguardado o meu direito a ser atendida em qualquer caixa que seja do Vosso Supermercado.

Sem outro assunto de momento. E, antecipadamente, grata pela atenção dispensada. Fico a aguardar uma resposta da Vossa parte.



Com os melhores cumprimentos,


(A. C.)