Para:
Linha de Apoio ao Cliente do
"Feira Nova" (
linhacliente@feiranova.pt)
Provedora do Cliente do
"Feira Nova" (
provedoradocliente@jeronimo-martins.pt)
Cc:
Associação Portuguesa para a Defesa dos Consumidores (
decolx@deco.pt)
Assunto: - Apresentação de Reclamação sobre o funcionamento das "Caixas Prioritárias" de utilização exclusiva no Supermercado "Feira Nova".
Exmos. Senhores,
Tomo a liberdade de dirigir esta missiva a V. Exas., enquanto consumidora e cliente regular do Vosso supermercado (nomeadamente através das Vossas lojas de Telheiras e da Belavista), para vos expressar o meu profundo desagrado pela criação daquilo a que V. Exas. entenderam apelidar de
"Caixas Prioritárias".
Regra geral, não tenho nada contra esse tipo de caixas de atendimento especial e considero até bastante importante a sua existência enquanto factor de discriminação positiva; na medida em que, qualquer cidadão, deverá ver salvaguardadas as suas necessidades especiais enquanto cliente.
O que critico, isso sim, é o facto de essas "Caixas Prioritárias", no Vosso supermercado, apenas atenderem, única e exclusivamente, esse tipo de público.
Esta tarde, tive oportunidade de testemunhar na pele este facto quando, ao dirigir-me a uma caixa no supermercado "Feira Nova" da Belavista, apesar de não existir um único cliente sequer "com necessidades especiais" nessa mesma caixa, a empregada se ter recusado a atender-me, segundo as suas próprias palavras, por ser aquela
"(...) uma caixa prioritária, que só atende grávidas ou pessoas com deficiências".
Conforme fui esclarecida, mais tarde, por uma outra funcionária (essa sim que, finalmente, se dignou a atender-me), quando lhe perguntei se, de facto, essas caixas prioritárias serviam unicamente esse tipo de clientes mesmo que, durante um dia de trabalho, não aparecesse nenhum cliente que se inserisse neste grupo restrito:
"(...) a colega pode ali estar 8 horas por dia sem que venha nenhum desses clientes, mas tem que ali estar, mesmo que não esteja a fazer nada e eles [presumo que se referisse à administração da loja]
sabem" -[citação na íntegra da resposta que me foi dada por essa segunda funcionária].
Ora, V. Exas. permitam-me a ousadia das minhas palavras mas, sinceramente, num país onde a taxa de desemprego roça os 10% e os índices de produção do país são dos mais baixos no contexto europeu, manter alguns funcionários em cada loja à frente destas "caixas prioritárias" atendendo em média, certamente, 3 ou 4 clientes por dia (e não fazendo mais nada no restante período de tempo) - ou melhor, pagar-lhes para não fazerem praticamente nada - é mesmo de bradar aos céus!
Por outro lado, e caso não tenham a devida consciência desse acto, ao praticarem este tipo de discriminação positiva para salvaguardarem os direitos e necessidades de alguns clientes "especiais", encontram-se também a discriminar pela negativa todos os clientes "não-especiais" que não poderão ser atendidos nesse mesmo tipo de caixas.
Sinto-me profundamente ofendida nos meus direitos, garantias e interesses legítimos enquanto consumidora e cidadã de um país democrata.
E gostaria que V. Exas. tomassem as devidas providências para que esta situação seja reposta de uma forma não discriminatória, ou seja, que essas "caixas prioritárias" passem também a atender clientes "não-especiais".
Caso esta minha solicitação não possa ser devidamente atendida, agradecia, então, que me informassem se "hipertiroidismo" (= doença crónica) e "prolapso da válvula mitral" (= má formação congénita) poderão ser consideradas como "deficiências", uma vez que passarei então a utilizá-las (por serem doenças de que padeço) para ver salvaguardado o meu direito a ser atendida em qualquer caixa que seja do Vosso Supermercado.
Sem outro assunto de momento. E, antecipadamente, grata pela atenção dispensada. Fico a aguardar uma resposta da Vossa parte.
Com os melhores cumprimentos,
(A. C.)