quinta-feira, 29 de janeiro de 2009

A Cidade dos Gatos




"The city of cats and the city of men exist one inside the other,
but they are not the same city".


(Italo Calvino, in "As Cidades Invisíveis")








Naquele bairro, a cidade dos Gatos misturava-se todas as manhãs, através do vidro, com a cidade dos Homens.

"Salva", qual estátua de divindade egípcia, serena e imperturbável, por detrás da montra, fazia as delícias de todos os que por ali passavam naquelas manhãs agitadas...

Roubando-lhes algum tempo aos seus afazeres diários e fazendo-os parar, ficando ali especados, durante largos minutos, embevecidos a admirarem-na. Relembrando-lhes, assim, que a vida tem muito mais do que se lhe diga do que uma simples e constante correria em busca permanente de algo...





A cidade dos Homens, naquele bairro, ficara diferente desde a chegada de "Salva".

Ao alterar as formas, cruzando a imagem daquela pequena gata com a de todos os que paravam a observá-la, o vidro da montra daquela loja criara como que uma espécie de metamorfose entre a gata e o Homem... transformando a grande maioria dos indivíduos em seres mais afáveis, solidários e humanos.






quarta-feira, 28 de janeiro de 2009

Carta Aberta ao Supermercado "Feira Nova"




Para:
Linha de Apoio ao Cliente do "Feira Nova" (linhacliente@feiranova.pt)
Provedora do Cliente do "Feira Nova" (provedoradocliente@jeronimo-martins.pt)

Cc:
Associação Portuguesa para a Defesa dos Consumidores (decolx@deco.pt)




Assunto: - Apresentação de Reclamação sobre o funcionamento das "Caixas Prioritárias" de utilização exclusiva no Supermercado "Feira Nova".




Exmos. Senhores,



Tomo a liberdade de dirigir esta missiva a V. Exas., enquanto consumidora e cliente regular do Vosso supermercado (nomeadamente através das Vossas lojas de Telheiras e da Belavista), para vos expressar o meu profundo desagrado pela criação daquilo a que V. Exas. entenderam apelidar de "Caixas Prioritárias".

Regra geral, não tenho nada contra esse tipo de caixas de atendimento especial e considero até bastante importante a sua existência enquanto factor de discriminação positiva; na medida em que, qualquer cidadão, deverá ver salvaguardadas as suas necessidades especiais enquanto cliente.

O que critico, isso sim, é o facto de essas "Caixas Prioritárias", no Vosso supermercado, apenas atenderem, única e exclusivamente, esse tipo de público.

Esta tarde, tive oportunidade de testemunhar na pele este facto quando, ao dirigir-me a uma caixa no supermercado "Feira Nova" da Belavista, apesar de não existir um único cliente sequer "com necessidades especiais" nessa mesma caixa, a empregada se ter recusado a atender-me, segundo as suas próprias palavras, por ser aquela "(...) uma caixa prioritária, que só atende grávidas ou pessoas com deficiências".

Conforme fui esclarecida, mais tarde, por uma outra funcionária (essa sim que, finalmente, se dignou a atender-me), quando lhe perguntei se, de facto, essas caixas prioritárias serviam unicamente esse tipo de clientes mesmo que, durante um dia de trabalho, não aparecesse nenhum cliente que se inserisse neste grupo restrito: "(...) a colega pode ali estar 8 horas por dia sem que venha nenhum desses clientes, mas tem que ali estar, mesmo que não esteja a fazer nada e eles [presumo que se referisse à administração da loja] sabem" -[citação na íntegra da resposta que me foi dada por essa segunda funcionária].

Ora, V. Exas. permitam-me a ousadia das minhas palavras mas, sinceramente, num país onde a taxa de desemprego roça os 10% e os índices de produção do país são dos mais baixos no contexto europeu, manter alguns funcionários em cada loja à frente destas "caixas prioritárias" atendendo em média, certamente, 3 ou 4 clientes por dia (e não fazendo mais nada no restante período de tempo) - ou melhor, pagar-lhes para não fazerem praticamente nada - é mesmo de bradar aos céus!

Por outro lado, e caso não tenham a devida consciência desse acto, ao praticarem este tipo de discriminação positiva para salvaguardarem os direitos e necessidades de alguns clientes "especiais", encontram-se também a discriminar pela negativa todos os clientes "não-especiais" que não poderão ser atendidos nesse mesmo tipo de caixas.

Sinto-me profundamente ofendida nos meus direitos, garantias e interesses legítimos enquanto consumidora e cidadã de um país democrata.

E gostaria que V. Exas. tomassem as devidas providências para que esta situação seja reposta de uma forma não discriminatória, ou seja, que essas "caixas prioritárias" passem também a atender clientes "não-especiais".

Caso esta minha solicitação não possa ser devidamente atendida, agradecia, então, que me informassem se "hipertiroidismo" (= doença crónica) e "prolapso da válvula mitral" (= má formação congénita) poderão ser consideradas como "deficiências", uma vez que passarei então a utilizá-las (por serem doenças de que padeço) para ver salvaguardado o meu direito a ser atendida em qualquer caixa que seja do Vosso Supermercado.

Sem outro assunto de momento. E, antecipadamente, grata pela atenção dispensada. Fico a aguardar uma resposta da Vossa parte.



Com os melhores cumprimentos,


(A. C.)






segunda-feira, 26 de janeiro de 2009

Bombom - ADOPTADO








O Bombom foi recentemente adoptado.

Quando chegara à APCA, apesar de aí ter sido muito bem tratado, continuava muito amedrontado e receoso dos outros cães (uma vez que, enquanto vivia na rua, havia sido mordido gravemente por um cão).

O Bombom é agora "filho único" de um casal que adora cães, tendo todas as atenções só para ele.
A sua nova dona estava desejosa de ter um cão, pois a sua cadela que teve durante 15 anos morrera e precisava de companhia.
Com o dono sempre em casa, mimos não faltarão, certamente, a este cãozinho tão meigo!

Muito obrigada a todos os que ajudaram na divulgação deste apelo!

Tomara que a estória do "meu" Snoopy, também, tivesse assim um final (muito) feliz!






sábado, 24 de janeiro de 2009

Das Utopias




"Das utopias

Se as coisas são intangíveis... ora!

Não é motivo para não quere-las...

Que tristes os caminhos, se não fora

A presença distante das estrelas!"


Mário Quintana, in "Espelho Mágico"








A "Salva" foi esterilizada na passada 5ª feira.

Entretanto, para além de se ter transformado no "Ai Jesus da Avenida", parece ter encontrado um apaixonado (que fica todas as manhãs embevecido, em frente à montra da "Livrarte", a observá-la atentamente; tendo hoje chegado mesmo a tentar entrar na loja para procurar a sua amada).

Enquanto isso, "Salva" brincava deliciada, na cave, com um dos ratinhos que a "madrinha" lhe oferecera. Depois de ter presenteado Lúcia com um longo e terno miado, à sua chegada à loja.

Naquele mundo forrado de utopias passadas - que é já o seu -, "Salva" movimenta-se como se sempre ali pertencera e dele fizesse parte há uma infinidade.
Por ali apareceu como uma pequena estrela, dando alento e novo ânimo a todos.
Comprovando que, quando o Homem quer, tudo é possível... E um pequeno gesto ainda pode ser sinónimo da solidariedade a nascer entre todos.





sábado, 17 de janeiro de 2009

Estórias com Gatos - 26




Os gatos são a companhia certa para quem gosta de ler.
Silenciosos e independentes,
respeitam a concentração de quem lê...
Aninhando-se no seu colo
e transmitindo-lhes uma imensa serenidade.






Quando uma amiga me falou sobre ela a semana passada, fiquei logo com vontade de a ir visitar e conhecer (para aqui poder narrar a sua estória, juntando-a às estórias originais de tantos outros gatos que se têm cruzado no meu caminho)...

A habitual e rotineira escassez de tempo para conseguir fazer tudo aquilo a que me proponho, apenas me permitiu visitá-la esta manhã.






Aparecera naquela rua há cerca de um mês e meio, encharcado pela água da chuva e com um ar muito adoentado. Por ali deambulara algumas horas e, provavelmente (devido ao frio que se fazia sentir), havia saído do tubo de escape de um dos carros dos vizinhos onde procurara abrigo.
Viram-no passar perto da paragem do autocarro, junto à Cafetaria. E não mais souberam o paradeiro de tal gato.

No dia seguinte, quando Lúcia abriu a porta da sua loja, eis senão quando, vislumbrou um vulto dourado a passear-se por cima da bancada central repleta de livros.
Sem que ninguém se apercebesse, e aproveitando-se da infinidade de livros aninhados pelo chão como camuflagem, o gatito escapulira-se por entre a porta aberta e ali pernoitara ao quentinho.





Lúcia apelidou-o de "Salvador". E ele, por ali, foi ficando...

Serenamente, calcorreando os estreitos corredores criados pelas bancadas; onde, também, se costuma esconder airosamente, para realizar investidas a inimigos imaginários, ou apenas para se escapulir às festas carinhosas e aos humanos que ainda teme.
Espraiando-se delicadamente ao sol quente das manhãs em cima das molduras antigas e dos livros que compõem a montra daquela livraria-alfarrabista.
Ali vivendo tranquilamente e, por vezes, dando os seus passeiozinhos até à árvore mais próxima.

Certo dia, Lúcia descobriu que, afinal de contas, "Salvador" era uma gatinha (estranho e raríssimo facto para um felino de pelagem completamente laranja)... e diminuindo-lhe o nome , pelo qual já respondia, passou a tratá-la por "Salva".





"Salva"
tem sido a mascote da livraria neste último mês.

Não se trata de nenhum golpe de publicidade, nem tão pouco de uma imitação de Dewey, o famoso gato da Biblioteca americana... Mas a verdade é que os transeuntes têm sido atraídos pela pacatez das sestas de "Salva" na montra e os clientes acham-lhe tanta piada que alguns até já consideram que se deveria começar a pagar para poder ir ali ver a gatinha.





"Salva"
, é uma lindíssima gatinha de cerca de 7 meses, muito franzina e ainda um pouco arisca.

Lúcia tem dois felinos em sua casa e, apesar de acreditar que o mais certo é "Salva" lhes ir fazer companhia (pois já se afeiçoou à gatinha), diz-nos que se aparecesse alguém interessado em a adoptar e lhe dar um bom lar ponderaria a hipótese.

Quanto a nós, acreditamos que são os gatos quem escolhem os seus donos (e não o inverso)... E que nada acontece por acaso nesta vida.
"Salva", a gatinha que apareceu na "Livrarte", quando esta loja está prestes a celebrar o seu 40º aniversário, veio dar-lhe uma nova vida!...





Quer contribuir para a esterilização da "Salva"?
Saiba como, aqui.








quarta-feira, 14 de janeiro de 2009

Através do Espelho - 15




Em 5 anos, já tínhamos visto muito objecto inusitado a tombar das janelas de alguns dos prédios do Bairro do Armador, perto do Parque da Belavista em Chelas (e tantos outros acontecimentos surreais)...

Mas nada que se possa comparar ao que esta tarde veio em queda livre da janela de um dos primeiros andares, mesmo por cima do local onde trabalho...




Fotografia através da janela-espelho...






Fotografia ao ar livre, para verificarem que se trata mesmo daquilo que estão a pensar!








segunda-feira, 12 de janeiro de 2009

CAT-Cam




Alguma vez pensaram como é que o/s vosso/s gato/s verá o mundo?
Como serão as cores e as texturas na sua visão?
Quais os temas que mais o atrairão?
O que fará durante o dia, durante a vossa ausência?



Actualmente já é possível ficarmos a saber tudo isso (e muito mais)... graças a, pelo menos, dois tipo de "Cat-Cam's".



Fotografias de Michael Benjamin



Cooper
é um dos mais recentes fotógrafos felinos (com direito a máquina fotográfica personalizada com a côr do seu pêlo e a expôr o seu trabalho num blog - que podem visitar aqui)... e corre o risco de ficar mundialmente reconhecido através dos mass media.







A julgar pelos exemplos de algumas das fotografias que aqui deixamos hoje, podemos atrever-nos a dizer que Cooper é muito melhor fotógrafo do que alguns de entre nós...

Já para não dizer que se encanta com paisagens (tão bonitas) e estímulos (tão reais) como as que o próprio Homem se encantaria (ou encanta).

É caso para citar a célebre frase de Leonardo Da Vinci:

"Chegará o dia em que os homens conhecerão o íntimo dos animais, e, neste dia, um crime contra um animal será considerado um crime contra a humanidade..."




Para todos os "donos" que queiram adquirir uma destas máquinas fotográficas felinas, poderão fazê-lo aqui ou aqui.








domingo, 11 de janeiro de 2009

Estrado novo








A Misha e a Luana ganharam ontem um estrado novo para a base da sua casota, de modo a que a humidade e o fenómeno da condensação não façam com que entre água no seu novo "hotel".

Esta manhã, a Luana olhava, ainda meio sonolenta, por entre as mantinhas...






sábado, 10 de janeiro de 2009

Polaroid online








As famosas Polaroid's da nossa infância estão prestes a terminar.
Com o aparecimento das máquinas digitais e de tanta tecnologia inovadora, as fotografias instantâneas apanágio destes antigos aparelhos acabaram por ficar obsoletas.

Felizmente que alguém se lembrou de colocar a Polaroid online (visto aqui)... para gáudio de tantos de nós, que passámos a infância com estas máquinas fotográficas (a primeira vez que vi uma foi numa excursão à Serra da Estrela, deveria eu ter cerca de 6 anos).

Agora já podemos converter as nossas fotografias digitais com a tecnologia Polaroid do passado.
A ver (e testar) aqui.

Para os acérrimos defensores da Polaroid... "Save Polaroid"!








sexta-feira, 9 de janeiro de 2009

Globalização Climatérica







Lisboa acordou com os telhados cobertos de um manto esbranquiçado e 1º C. em todos os termómetros.




À chegada a Telheiras, para apanhar o metropolitano, não resisti a fotografar as plantas cobertas destes minúsculos flocos...
E fico ansiosa, tal como uma criança, para que volte a nevar em Lisboa.



Fotografia de Dora Estoura (CPR)

Fotografia de Dora Estoura (CPR)



Chegada ao trabalho, sou surpreendida com a notícia, transmitida por e-mail a todos os colegas (e com fotos à mistura), de que um dos lagos no nosso Centro na Bobadela enregelou.

O clima é motivo para uma longa troca de e-mails entre todos os colegas... com notícias e fotos do colega que se encontra no Brasil sob um tórrido calor... e fotos da colega que está na Alemanha, onde a neve é bem mais densa do que os nossos pequenos flocos de gelo lisboetas.

E a internet, no espaço de um simples clique, a pôr-nos a todos em contacto... mesmo quando estamos longe (e em climas bem distintos).




Lá fora, o número de homens e animais a viverem nas ruas aumenta indiscriminadamente, também, devido à crise que se vive.
É bom não esquecê-los!...