sábado, 17 de janeiro de 2009

Estórias com Gatos - 26




Os gatos são a companhia certa para quem gosta de ler.
Silenciosos e independentes,
respeitam a concentração de quem lê...
Aninhando-se no seu colo
e transmitindo-lhes uma imensa serenidade.






Quando uma amiga me falou sobre ela a semana passada, fiquei logo com vontade de a ir visitar e conhecer (para aqui poder narrar a sua estória, juntando-a às estórias originais de tantos outros gatos que se têm cruzado no meu caminho)...

A habitual e rotineira escassez de tempo para conseguir fazer tudo aquilo a que me proponho, apenas me permitiu visitá-la esta manhã.






Aparecera naquela rua há cerca de um mês e meio, encharcado pela água da chuva e com um ar muito adoentado. Por ali deambulara algumas horas e, provavelmente (devido ao frio que se fazia sentir), havia saído do tubo de escape de um dos carros dos vizinhos onde procurara abrigo.
Viram-no passar perto da paragem do autocarro, junto à Cafetaria. E não mais souberam o paradeiro de tal gato.

No dia seguinte, quando Lúcia abriu a porta da sua loja, eis senão quando, vislumbrou um vulto dourado a passear-se por cima da bancada central repleta de livros.
Sem que ninguém se apercebesse, e aproveitando-se da infinidade de livros aninhados pelo chão como camuflagem, o gatito escapulira-se por entre a porta aberta e ali pernoitara ao quentinho.





Lúcia apelidou-o de "Salvador". E ele, por ali, foi ficando...

Serenamente, calcorreando os estreitos corredores criados pelas bancadas; onde, também, se costuma esconder airosamente, para realizar investidas a inimigos imaginários, ou apenas para se escapulir às festas carinhosas e aos humanos que ainda teme.
Espraiando-se delicadamente ao sol quente das manhãs em cima das molduras antigas e dos livros que compõem a montra daquela livraria-alfarrabista.
Ali vivendo tranquilamente e, por vezes, dando os seus passeiozinhos até à árvore mais próxima.

Certo dia, Lúcia descobriu que, afinal de contas, "Salvador" era uma gatinha (estranho e raríssimo facto para um felino de pelagem completamente laranja)... e diminuindo-lhe o nome , pelo qual já respondia, passou a tratá-la por "Salva".





"Salva"
tem sido a mascote da livraria neste último mês.

Não se trata de nenhum golpe de publicidade, nem tão pouco de uma imitação de Dewey, o famoso gato da Biblioteca americana... Mas a verdade é que os transeuntes têm sido atraídos pela pacatez das sestas de "Salva" na montra e os clientes acham-lhe tanta piada que alguns até já consideram que se deveria começar a pagar para poder ir ali ver a gatinha.





"Salva"
, é uma lindíssima gatinha de cerca de 7 meses, muito franzina e ainda um pouco arisca.

Lúcia tem dois felinos em sua casa e, apesar de acreditar que o mais certo é "Salva" lhes ir fazer companhia (pois já se afeiçoou à gatinha), diz-nos que se aparecesse alguém interessado em a adoptar e lhe dar um bom lar ponderaria a hipótese.

Quanto a nós, acreditamos que são os gatos quem escolhem os seus donos (e não o inverso)... E que nada acontece por acaso nesta vida.
"Salva", a gatinha que apareceu na "Livrarte", quando esta loja está prestes a celebrar o seu 40º aniversário, veio dar-lhe uma nova vida!...





Quer contribuir para a esterilização da "Salva"?
Saiba como, aqui.








quarta-feira, 14 de janeiro de 2009

Através do Espelho - 15




Em 5 anos, já tínhamos visto muito objecto inusitado a tombar das janelas de alguns dos prédios do Bairro do Armador, perto do Parque da Belavista em Chelas (e tantos outros acontecimentos surreais)...

Mas nada que se possa comparar ao que esta tarde veio em queda livre da janela de um dos primeiros andares, mesmo por cima do local onde trabalho...




Fotografia através da janela-espelho...






Fotografia ao ar livre, para verificarem que se trata mesmo daquilo que estão a pensar!








segunda-feira, 12 de janeiro de 2009

CAT-Cam




Alguma vez pensaram como é que o/s vosso/s gato/s verá o mundo?
Como serão as cores e as texturas na sua visão?
Quais os temas que mais o atrairão?
O que fará durante o dia, durante a vossa ausência?



Actualmente já é possível ficarmos a saber tudo isso (e muito mais)... graças a, pelo menos, dois tipo de "Cat-Cam's".



Fotografias de Michael Benjamin



Cooper
é um dos mais recentes fotógrafos felinos (com direito a máquina fotográfica personalizada com a côr do seu pêlo e a expôr o seu trabalho num blog - que podem visitar aqui)... e corre o risco de ficar mundialmente reconhecido através dos mass media.







A julgar pelos exemplos de algumas das fotografias que aqui deixamos hoje, podemos atrever-nos a dizer que Cooper é muito melhor fotógrafo do que alguns de entre nós...

Já para não dizer que se encanta com paisagens (tão bonitas) e estímulos (tão reais) como as que o próprio Homem se encantaria (ou encanta).

É caso para citar a célebre frase de Leonardo Da Vinci:

"Chegará o dia em que os homens conhecerão o íntimo dos animais, e, neste dia, um crime contra um animal será considerado um crime contra a humanidade..."




Para todos os "donos" que queiram adquirir uma destas máquinas fotográficas felinas, poderão fazê-lo aqui ou aqui.








domingo, 11 de janeiro de 2009

Estrado novo








A Misha e a Luana ganharam ontem um estrado novo para a base da sua casota, de modo a que a humidade e o fenómeno da condensação não façam com que entre água no seu novo "hotel".

Esta manhã, a Luana olhava, ainda meio sonolenta, por entre as mantinhas...






sábado, 10 de janeiro de 2009

Polaroid online








As famosas Polaroid's da nossa infância estão prestes a terminar.
Com o aparecimento das máquinas digitais e de tanta tecnologia inovadora, as fotografias instantâneas apanágio destes antigos aparelhos acabaram por ficar obsoletas.

Felizmente que alguém se lembrou de colocar a Polaroid online (visto aqui)... para gáudio de tantos de nós, que passámos a infância com estas máquinas fotográficas (a primeira vez que vi uma foi numa excursão à Serra da Estrela, deveria eu ter cerca de 6 anos).

Agora já podemos converter as nossas fotografias digitais com a tecnologia Polaroid do passado.
A ver (e testar) aqui.

Para os acérrimos defensores da Polaroid... "Save Polaroid"!








sexta-feira, 9 de janeiro de 2009

Globalização Climatérica







Lisboa acordou com os telhados cobertos de um manto esbranquiçado e 1º C. em todos os termómetros.




À chegada a Telheiras, para apanhar o metropolitano, não resisti a fotografar as plantas cobertas destes minúsculos flocos...
E fico ansiosa, tal como uma criança, para que volte a nevar em Lisboa.



Fotografia de Dora Estoura (CPR)

Fotografia de Dora Estoura (CPR)



Chegada ao trabalho, sou surpreendida com a notícia, transmitida por e-mail a todos os colegas (e com fotos à mistura), de que um dos lagos no nosso Centro na Bobadela enregelou.

O clima é motivo para uma longa troca de e-mails entre todos os colegas... com notícias e fotos do colega que se encontra no Brasil sob um tórrido calor... e fotos da colega que está na Alemanha, onde a neve é bem mais densa do que os nossos pequenos flocos de gelo lisboetas.

E a internet, no espaço de um simples clique, a pôr-nos a todos em contacto... mesmo quando estamos longe (e em climas bem distintos).




Lá fora, o número de homens e animais a viverem nas ruas aumenta indiscriminadamente, também, devido à crise que se vive.
É bom não esquecê-los!...








terça-feira, 6 de janeiro de 2009

TelaBags








São feitas a partir de telas de PVC usadas em exposições e outros eventos culturais, reaproveitando-se assim um material que de outra forma iria contribuir para destruir o meio-ambiente.

As TelaBags são muito originais e lindíssimas.
O preço é bastante proibitivo, sobretudo em tempos de crise... mas, aproveitando-se os saldos, ficam na grande maioria a metade do preço...





... e ainda nos oferecem uma bolsinha (muito útil para tantas coisas como, por exemplo, transportar diariamente as pens).

Pinta tu também um mundo diferente!







segunda-feira, 5 de janeiro de 2009

A TEORIA DO CANALHA




A TEORIA DO CANALHA

(Estamos sob o ataque de um enxame de malfeitores)


'Eu não sou um canalha, eu sou o canalha. Tenho orgulho de minha cara-de-pau, de minha capacidade de sobrevivência, contra todas as intempéries. Enquanto houver 20 mil cargos de confiança no país, eu estarei vivo, enquanto houver autarquias dando empréstimos a fundo perdido, eu estarei firme e forte. Não adianta as CPIs querendo me punir. Eu saio sempre bem. Enquanto houver este bendito código de processo penal, eu sempre renascerei como um rabo de lagartixa, como um retrovírus, fugindo dos antibióticos. Eu sei chorar diante de uma investigação, ostentando arrependimento, usando meus filhos, pais, pátria, tudo para me livrar. Eu declaro com voz serena: Tudo isso é uma infâmia de meus inimigos políticos. Eu não me lembro se esta loura de coxas douradas foi minha secretária ou não. Eu explico o Brasil de hoje. Eu tenho 400 anos: avô ladrão, bisavô negreiro e tataravô degredado. Eu tenho raízes, tradição. E eu sou também 'pós-moderno', sou arte contemporânea: eu encarno a real-politik do crime, a frieza do Eu, a impávida lógica do egoísmo.

No imaginário brasileiro, eu tenho algo de heróico. São heranças da colônia, quando era belo roubar a Coroa. Só eu sei do delicioso arrepio de me saber olhado nos restaurantes e bordéis. Homens e mulheres vêem-me com gula: 'Olha, lá vai o canalha....!' - sussurram fascinados por meu cinismo sorridente, os maîtres se arremessando nas churrascarias de Brasília, e eu flutuando entre picanhas e chuletas, orgulhoso de minha superioridade sobre o ridículo bom-mocismo dos corretos. Eu defendo a tradição endêmica da escrotidão verde-e-amarela. Sem mim, ninguém governa. Sem uma ponta de sordidez, não há progresso.

Eu criei o Sistema, que, em troca, recria-me persistentemente: meus meneios, seus ademanes, meus galeios foram construindo um emaranhado de instituições que regem o processo do país. Eu sou necessário para mantê-las funcionando. O Brasil precisa de mim.

Eu tenho um cinismo tão sólido, um rosto tão límpido que me emociono no espelho; chego a convencer a mim mesmo de minha honestidade, ah! Ah!... Como é bom negar as obviedades mais sólidas e ver a cara de impotência de inquisidores. E amo a adrenalina que me acende o sangue quando a mala preta voa em minha direção, cheia de dólares. Eu vibro quando vejo os olhos covardes dos juízes me dando ganho de causa, ostentando honestidade, fingindo não perceber minha piscadela maligna e cúmplice na hora da emissão da liminar... Adoro a sensação de me sentir superior aos otários que me compram, aos empreiteiros que me corrompem, eles humilhados em vez de mim.

Eu sou muito mais complexo que o bom sujeito. O bom é reto, com princípio e fim; eu sou um caleidoscópio, uma constelação. Sou mais educativo. O homem de bem é um mistério solene, oculto sob sua gravidade, com cenho franzido, testa pura. O honesto é triste, anda de cabeça baixa, tem úlcera.
Eu sou uma aula pública. Eu faço mais sucesso com as mulheres. Elas se perdem diante de meu mistério, elas não conseguem prender-me em teias de aranha, eu viro um desafio perpétuo, coisa que elas amam em vez do bondoso chato previsível. A mulher só ama o inconquistável. Eu conheço o deleite de vê-las me olhando como um James Bond do mal, excitadas, pensando nos colares de pérolas ou nos envelopes de euros. Eu desorganizo seu universo mental, muitas vezes elas se vingam de mim depois, me denunciando - claro - mas só eu sei dos gritos de prazer que lhes proporcionei com as delícias do mal que elas adivinhavam. Eu fascino também os executivos de bem, porque, por mais que eles se esforcem, competentes, dedicados, sempre sentir-se-ão injustiçados por algum patrão ingrato ou por salários insuficientes. Eu, não, eu não espero recompensas, eu me premio. Eu tenho o infinito prazer do plano de ataque, o orgasmo na falcatrua, a adrenalina na apropriação indébita. Eu tenho o orgulho de suportar a culpa, anestesiá-la - suprema inveja dos neuróticos. Eu sempre arranjo uma razão que me explica para mim mesmo. Eu sempre estou certo ou sou vítima de algum mal antigo: uma vingança pela humilhação infantil, pela mãe lavadeira ou prostituta que trabalhou duro para comprar meu diploma falso de advogado.

Eu posso roubar verbas de cancerosos e chegar feliz em casa e ver meus filhos assistindo a desenho na TV. Eu sou bom pai e penso muito no futuro de minha família, que graças a Deus está bem. Eu sou fiel a uma mulher só, que vai se consumindo em plásticas e murchando sob pilhas de Botox, mas nunca as abandono, apesar das amantes nas lanchas, dos filhos bastardos.

Eu não sou um malandro - não confundir. O malandro é romântico, boa-praça; eu sou minimalista, seco, mais para poesia concreta do que para o samba-canção. Eu tenho turbo-carros, gargalho em Miami e entendo muito de vinho. Sei tudo.

Ultimamente, apareceram os canalhas revolucionários, que roubam 'em nome do povo'. Mas eu, não. Sou sério, não preciso de uma ideologia que me absolva e justifique. Não sou de esquerda nem de direita, nem porra nenhuma. Eu sou a pasta essencial de que tudo é feito, eu tenho a grandeza da vista curta, o encanto dos interesses mesquinhos, eu tenho a sabedoria dos roedores.

Eu confio na Justiça cega do país, no manto negro dos desembargadores que sempre me acolherão. Eu sou mais que a verdade, eu sou a realidade. Eu acho a democracia uma delícia. Eu fico protegido por um emaranhado de leis malandras forjadas pelos meus avós. E esses babacas desses jornalistas pensam que adianta esta festa de arromba de grampos e escândalos. Esses shows periódicos dão ao povo apenas a impressão de transparência, têm a vantagem de desviar a atenção para longe das reformas essenciais e mantêm as oligarquias intactas. Este país foi criado na vala entre o público e o privado. Florescem ricos cogumelos na lama das maracutaias. A bosta não produz flores magníficas? Pois é. O que vocês chamam de corrupção, eu chamo de progresso. Eu sou antes de tudo um forte!."


(Artigo de Arnaldo Jabor transcrito de "O Globo", dia 26 de Junho de 2007)






sábado, 3 de janeiro de 2009

Re-Desenhar o Ano




Não sei se, porventura, será apenas impressão minha, mas estes últimos anos parecem ter passado a correr... ou então fui eu que passei por eles mais apressada (ainda) do que é meu costume!

2008 então, passou de uma forma tão veloz que, como já aqui disse, quase fiquei surpreendida quando vi chegar a semana do Natal e, logo em seguida, a do final do ano.
Parecia que estava tudo a correr em modo 2 vezes mais acelerado do que o normal!








Passou tão veloz que apenas há muito pouco tempo consegui finalmente comprar a minha agenda para o novo ano (coisa que, noutras épocas, fazia de uma forma consideravelmente atempada e metódica)...
E, logicamente, já só consegui apanhar as de capa mole, que não fazem parte das minhas preferências.

Com tamanha aceleração das nossas vivências, durante o ano que passou, acabei por não chegar sequer a tomar (ou escrever) qualquer tipo de novas resoluções para 2009... daquelas que nos acalentam culturalmente, e que gostamos de acreditar piamente que vamos conseguir perpetuar durante os 12 meses que se avizinham.

Fica apenas uma, cuja motivação já vinha de longe (quando durante 1 ano e meio a mantive até!), e agora me parece fazer cada vez mais sentido de ser levada adiante: entrei em 2009 deixando de comer carne de animais (com todas as implicações éticas e de crença numa Causa, que o acto em si implica).








Quanto a 2009, o novo ano, foi re-desenhado a duas cores, na capa mole (de que continuo a não gostar) do meu Moleskine, com o animal que me tem "perseguido" nestes últimos anos (como se de um totem se tratasse)... para que assim possa encontrar forças para re-desenhar também eu mais um outro ano.










sexta-feira, 2 de janeiro de 2009

Dias com Chuva




O ano terminou e o novo começou com chuva...
A chuva não tem parado de cair... e o nevoeiro instalou-se... inundado estes dias com melancolia.





A roupa continua indefinidamente à janela, esperando que a chuva pare e lhe dê alguma hipótese de secar.

Face à instabilidade do clima, a cortina de banho da Loja do Gato Preto que me ofereceram há alguns meses, tem dado imenso jeito como protector da roupa que por ali continua estendida.







Lá em baixo, outros gatos aproveitam as maravilhas de terem um novo espaço mais quentinho.

Misha, a velhinha rabinho de raposa, tem passado praticamente os dias inteiros a dormitar na nova casota, refastelada e serena, como que relembrando os dias em que viveu protegida por outrem. Apenas se predispondo a sair dali quando vê a sua filha Luana dirigir-se a algum lado.

Os dias correm mais tranquilos pelos quintais, mau grado a chuva!...






Um feliz ano novo a todos os que continuam a acompanhar este blog!