sexta-feira, 9 de janeiro de 2009

Globalização Climatérica







Lisboa acordou com os telhados cobertos de um manto esbranquiçado e 1º C. em todos os termómetros.




À chegada a Telheiras, para apanhar o metropolitano, não resisti a fotografar as plantas cobertas destes minúsculos flocos...
E fico ansiosa, tal como uma criança, para que volte a nevar em Lisboa.



Fotografia de Dora Estoura (CPR)

Fotografia de Dora Estoura (CPR)



Chegada ao trabalho, sou surpreendida com a notícia, transmitida por e-mail a todos os colegas (e com fotos à mistura), de que um dos lagos no nosso Centro na Bobadela enregelou.

O clima é motivo para uma longa troca de e-mails entre todos os colegas... com notícias e fotos do colega que se encontra no Brasil sob um tórrido calor... e fotos da colega que está na Alemanha, onde a neve é bem mais densa do que os nossos pequenos flocos de gelo lisboetas.

E a internet, no espaço de um simples clique, a pôr-nos a todos em contacto... mesmo quando estamos longe (e em climas bem distintos).




Lá fora, o número de homens e animais a viverem nas ruas aumenta indiscriminadamente, também, devido à crise que se vive.
É bom não esquecê-los!...








terça-feira, 6 de janeiro de 2009

TelaBags








São feitas a partir de telas de PVC usadas em exposições e outros eventos culturais, reaproveitando-se assim um material que de outra forma iria contribuir para destruir o meio-ambiente.

As TelaBags são muito originais e lindíssimas.
O preço é bastante proibitivo, sobretudo em tempos de crise... mas, aproveitando-se os saldos, ficam na grande maioria a metade do preço...





... e ainda nos oferecem uma bolsinha (muito útil para tantas coisas como, por exemplo, transportar diariamente as pens).

Pinta tu também um mundo diferente!







segunda-feira, 5 de janeiro de 2009

A TEORIA DO CANALHA




A TEORIA DO CANALHA

(Estamos sob o ataque de um enxame de malfeitores)


'Eu não sou um canalha, eu sou o canalha. Tenho orgulho de minha cara-de-pau, de minha capacidade de sobrevivência, contra todas as intempéries. Enquanto houver 20 mil cargos de confiança no país, eu estarei vivo, enquanto houver autarquias dando empréstimos a fundo perdido, eu estarei firme e forte. Não adianta as CPIs querendo me punir. Eu saio sempre bem. Enquanto houver este bendito código de processo penal, eu sempre renascerei como um rabo de lagartixa, como um retrovírus, fugindo dos antibióticos. Eu sei chorar diante de uma investigação, ostentando arrependimento, usando meus filhos, pais, pátria, tudo para me livrar. Eu declaro com voz serena: Tudo isso é uma infâmia de meus inimigos políticos. Eu não me lembro se esta loura de coxas douradas foi minha secretária ou não. Eu explico o Brasil de hoje. Eu tenho 400 anos: avô ladrão, bisavô negreiro e tataravô degredado. Eu tenho raízes, tradição. E eu sou também 'pós-moderno', sou arte contemporânea: eu encarno a real-politik do crime, a frieza do Eu, a impávida lógica do egoísmo.

No imaginário brasileiro, eu tenho algo de heróico. São heranças da colônia, quando era belo roubar a Coroa. Só eu sei do delicioso arrepio de me saber olhado nos restaurantes e bordéis. Homens e mulheres vêem-me com gula: 'Olha, lá vai o canalha....!' - sussurram fascinados por meu cinismo sorridente, os maîtres se arremessando nas churrascarias de Brasília, e eu flutuando entre picanhas e chuletas, orgulhoso de minha superioridade sobre o ridículo bom-mocismo dos corretos. Eu defendo a tradição endêmica da escrotidão verde-e-amarela. Sem mim, ninguém governa. Sem uma ponta de sordidez, não há progresso.

Eu criei o Sistema, que, em troca, recria-me persistentemente: meus meneios, seus ademanes, meus galeios foram construindo um emaranhado de instituições que regem o processo do país. Eu sou necessário para mantê-las funcionando. O Brasil precisa de mim.

Eu tenho um cinismo tão sólido, um rosto tão límpido que me emociono no espelho; chego a convencer a mim mesmo de minha honestidade, ah! Ah!... Como é bom negar as obviedades mais sólidas e ver a cara de impotência de inquisidores. E amo a adrenalina que me acende o sangue quando a mala preta voa em minha direção, cheia de dólares. Eu vibro quando vejo os olhos covardes dos juízes me dando ganho de causa, ostentando honestidade, fingindo não perceber minha piscadela maligna e cúmplice na hora da emissão da liminar... Adoro a sensação de me sentir superior aos otários que me compram, aos empreiteiros que me corrompem, eles humilhados em vez de mim.

Eu sou muito mais complexo que o bom sujeito. O bom é reto, com princípio e fim; eu sou um caleidoscópio, uma constelação. Sou mais educativo. O homem de bem é um mistério solene, oculto sob sua gravidade, com cenho franzido, testa pura. O honesto é triste, anda de cabeça baixa, tem úlcera.
Eu sou uma aula pública. Eu faço mais sucesso com as mulheres. Elas se perdem diante de meu mistério, elas não conseguem prender-me em teias de aranha, eu viro um desafio perpétuo, coisa que elas amam em vez do bondoso chato previsível. A mulher só ama o inconquistável. Eu conheço o deleite de vê-las me olhando como um James Bond do mal, excitadas, pensando nos colares de pérolas ou nos envelopes de euros. Eu desorganizo seu universo mental, muitas vezes elas se vingam de mim depois, me denunciando - claro - mas só eu sei dos gritos de prazer que lhes proporcionei com as delícias do mal que elas adivinhavam. Eu fascino também os executivos de bem, porque, por mais que eles se esforcem, competentes, dedicados, sempre sentir-se-ão injustiçados por algum patrão ingrato ou por salários insuficientes. Eu, não, eu não espero recompensas, eu me premio. Eu tenho o infinito prazer do plano de ataque, o orgasmo na falcatrua, a adrenalina na apropriação indébita. Eu tenho o orgulho de suportar a culpa, anestesiá-la - suprema inveja dos neuróticos. Eu sempre arranjo uma razão que me explica para mim mesmo. Eu sempre estou certo ou sou vítima de algum mal antigo: uma vingança pela humilhação infantil, pela mãe lavadeira ou prostituta que trabalhou duro para comprar meu diploma falso de advogado.

Eu posso roubar verbas de cancerosos e chegar feliz em casa e ver meus filhos assistindo a desenho na TV. Eu sou bom pai e penso muito no futuro de minha família, que graças a Deus está bem. Eu sou fiel a uma mulher só, que vai se consumindo em plásticas e murchando sob pilhas de Botox, mas nunca as abandono, apesar das amantes nas lanchas, dos filhos bastardos.

Eu não sou um malandro - não confundir. O malandro é romântico, boa-praça; eu sou minimalista, seco, mais para poesia concreta do que para o samba-canção. Eu tenho turbo-carros, gargalho em Miami e entendo muito de vinho. Sei tudo.

Ultimamente, apareceram os canalhas revolucionários, que roubam 'em nome do povo'. Mas eu, não. Sou sério, não preciso de uma ideologia que me absolva e justifique. Não sou de esquerda nem de direita, nem porra nenhuma. Eu sou a pasta essencial de que tudo é feito, eu tenho a grandeza da vista curta, o encanto dos interesses mesquinhos, eu tenho a sabedoria dos roedores.

Eu confio na Justiça cega do país, no manto negro dos desembargadores que sempre me acolherão. Eu sou mais que a verdade, eu sou a realidade. Eu acho a democracia uma delícia. Eu fico protegido por um emaranhado de leis malandras forjadas pelos meus avós. E esses babacas desses jornalistas pensam que adianta esta festa de arromba de grampos e escândalos. Esses shows periódicos dão ao povo apenas a impressão de transparência, têm a vantagem de desviar a atenção para longe das reformas essenciais e mantêm as oligarquias intactas. Este país foi criado na vala entre o público e o privado. Florescem ricos cogumelos na lama das maracutaias. A bosta não produz flores magníficas? Pois é. O que vocês chamam de corrupção, eu chamo de progresso. Eu sou antes de tudo um forte!."


(Artigo de Arnaldo Jabor transcrito de "O Globo", dia 26 de Junho de 2007)






sábado, 3 de janeiro de 2009

Re-Desenhar o Ano




Não sei se, porventura, será apenas impressão minha, mas estes últimos anos parecem ter passado a correr... ou então fui eu que passei por eles mais apressada (ainda) do que é meu costume!

2008 então, passou de uma forma tão veloz que, como já aqui disse, quase fiquei surpreendida quando vi chegar a semana do Natal e, logo em seguida, a do final do ano.
Parecia que estava tudo a correr em modo 2 vezes mais acelerado do que o normal!








Passou tão veloz que apenas há muito pouco tempo consegui finalmente comprar a minha agenda para o novo ano (coisa que, noutras épocas, fazia de uma forma consideravelmente atempada e metódica)...
E, logicamente, já só consegui apanhar as de capa mole, que não fazem parte das minhas preferências.

Com tamanha aceleração das nossas vivências, durante o ano que passou, acabei por não chegar sequer a tomar (ou escrever) qualquer tipo de novas resoluções para 2009... daquelas que nos acalentam culturalmente, e que gostamos de acreditar piamente que vamos conseguir perpetuar durante os 12 meses que se avizinham.

Fica apenas uma, cuja motivação já vinha de longe (quando durante 1 ano e meio a mantive até!), e agora me parece fazer cada vez mais sentido de ser levada adiante: entrei em 2009 deixando de comer carne de animais (com todas as implicações éticas e de crença numa Causa, que o acto em si implica).








Quanto a 2009, o novo ano, foi re-desenhado a duas cores, na capa mole (de que continuo a não gostar) do meu Moleskine, com o animal que me tem "perseguido" nestes últimos anos (como se de um totem se tratasse)... para que assim possa encontrar forças para re-desenhar também eu mais um outro ano.










sexta-feira, 2 de janeiro de 2009

Dias com Chuva




O ano terminou e o novo começou com chuva...
A chuva não tem parado de cair... e o nevoeiro instalou-se... inundado estes dias com melancolia.





A roupa continua indefinidamente à janela, esperando que a chuva pare e lhe dê alguma hipótese de secar.

Face à instabilidade do clima, a cortina de banho da Loja do Gato Preto que me ofereceram há alguns meses, tem dado imenso jeito como protector da roupa que por ali continua estendida.







Lá em baixo, outros gatos aproveitam as maravilhas de terem um novo espaço mais quentinho.

Misha, a velhinha rabinho de raposa, tem passado praticamente os dias inteiros a dormitar na nova casota, refastelada e serena, como que relembrando os dias em que viveu protegida por outrem. Apenas se predispondo a sair dali quando vê a sua filha Luana dirigir-se a algum lado.

Os dias correm mais tranquilos pelos quintais, mau grado a chuva!...






Um feliz ano novo a todos os que continuam a acompanhar este blog!






quarta-feira, 31 de dezembro de 2008

Para você ganhar belíssimo Ano Novo




Mais um ano que se passa, com o tempo sempre a correr (cada vez mais veloz!), fazendo com que quase nos esqueçamos destes marcos importantes da nossa cultura!...

A semana passada, em vésperas de Natal, quase me pareceu estranho o mesmo já ter chegado, tal não fora a velocidade e ritmo atroz com que vivera o resto dos meses.

Hoje, ao chegar ao último dia de mais um ano, sinto-me sobretudo muito cansada, extenuada de tudo e sem vontade para fazer o que quer que seja (para isso muito contribuirá certamente o facto de me encontrar de férias), quanto mais tomar resoluções como em anos passados.

Este deveria ser um dia de festa, de deitarmos para trás das costas todos os problemas e agruras e pensarmos que o próximo ano será bem melhor. Mas, a verdade é que o clima geral de instabilidade não me parece ter contaminado para tal.
Mais um ano que se finda, com receio do que por aí ainda possa vir no próximo ano!...
Melhores dias virão...





"Para você ganhar belíssimo Ano Novo
cor de arco-íris, ou da cor da sua paz,

Ano Novo sem comparação como todo o tempo já vivido

(mal vivido ou talvez sem sentido)

para você ganhar um ano

não apenas pintado de novo, remendado às carreiras,

mas novo nas sementinhas do vir-a-ser,

novo até no coração das coisas menos percebidas

(a começar pelo seu interior)

novo espontâneo, que de tão perfeito nem se nota,

mas com ele se come, se passeia,

se ama, se compreende, se trabalha,

você não precisa beber champanha ou qualquer outra birita,

não precisa expedir nem receber mensagens

(planta recebe mensagens?

passa telegramas?).

Não precisa fazer lista de boas intenções

para arquivá-las na gaveta.

Não precisa chorar de arrependido

pelas besteiras consumadas

nem parvamente acreditar

que por decreto da esperança

a partir de Janeiro as coisas mudem

e seja tudo claridade, recompensa,

justiça entre os homens e as nações,

liberdade com cheiro e gosto de pão matinal,

direitos respeitados, começando

pelo direito augusto de viver.

Para ganhar um ano-novo

que mereça este nome,

você, meu caro, tem de merecê-lo,

tem de fazê-lo de novo, eu sei que não é fácil,

mas tente, experimente, consciente.

É dentro de você que o Ano Novo

cochila e espera desde sempre."



Carlos Drummond de Andrade








segunda-feira, 29 de dezembro de 2008

"BZ Moi!"








Face à adesão que o projecto paralelo que iniciámos aqui tem tido, decidimos criar-lhe uma marca diferente da do Bazar dos Ronrons, com um nome que fosse simultaneamente original e ficasse no ouvido.

Dadas as características deste projecto, que deriva directamente do Bazar dos Ronrons (mas foi alargado a um público mais heterogéneo), optámos por lhe chamar "BZ Moi!", sendo isto a abreviatura de "Bazar Moi!"... ou seja, os artigos semelhantes aos do Bazar dos Ronrons que posso obter com fotografias minhas, da família, de amigos, das férias, dos momentos especiais, etc.







O BZ Moi! passa, a partir de hoje, a ter um website especial (servindo, também, como cartão de visita a todos os interessados); mantendo-se, simultaneamente, todas as actualizações sobre o seu desenvolvimento no website do Bazar dos Ronrons.



Todos os lucros obtidos com os trabalhos realizados no âmbito do BZ Moi!”, à semelhança do Bazar dos Ronrons, continuarão a reverter a favor das despesas de alimentação e manutenção de 9 gatos dos quintais de um bairro de Lisboa, assim como de 4 gatos que mantemos em FAT (Família de Acolhimento Temporário) após terem sido resgatados do Canil/Gatil Municipal de Lisboa (toda a história aqui) e de outros animais que continuamos a auxiliar.









domingo, 28 de dezembro de 2008

O Estojo de Pintura...









... que sempre quis ter, chegou inesperadamente com este Natal.








sexta-feira, 26 de dezembro de 2008

De Férias...




... FINALMENTE!

As tão ansiadas férias... para desanuviar a cabeça, descansar e fazer as 1001 coisas para as quais deixei de ter tempo durante o resto do ano.








quinta-feira, 25 de dezembro de 2008

Notas Soltas - 139




- Na Casa Nova -






No domingo passado, de manhã, instalámo-la.

Nesse final de tarde, elas vieram comer por debaixo da janela do quarto como vem sendo hábito... olharam e re-olharam para a casota de plástico e nada... depois de saciadas, resolveram afastar-se para o pequeno terraço que fora de Dª. Luísa (o que, afinal de contas, até é bem normal, dado que a Luana foi apanhada um pouco "à traição", para ser esterilizada, através de uma transportadora semelhante a esta casota).

Na 2ª feira seguinte, ao fim da tarde, depois de terem comido, qual não foi o meu espanto quando vejo a Luana entrar ligeira para dentro da casota, logo seguida pela Misha.
O entardecer trouxera já consigo a escuridão. E eu debruçava-me na janela, para tentar perceber se as gatinhas estavam mesmo lá dentro... quando me deparo com 2 pares de olhos a mirarem-me de dentro da casota.

No dia seguinte, de manhã, aí ficaram, com olhinhos piscos de sono, até quase à 9h30; rumando, em seguida para o terraço que fora de Dª. Luísa, para apanharem sol.
Às 17h desse mesmo dia, voltaram à sua nova casa e aí ficaram à espera que lhes descesse a comida.
Mais tarde apercebi-me, através da janela da cozinha, que andava uma outra gata a rondar a comida de Misha e Luana, tendo sido furiosamente perseguida por Luana, convencida que aquele novo espaço é o seu próprio território.

E não mais se ouviram nos quintais os miados tristes e dolorosos de Luana, como sucedia nas últimas semanas.

Misha e Luana passaram a ter um abrigo este Natal frio. E eu fico muito mais tranquila de as saber ali tão perto de mim.







- O Natal do Gato G. -


A noite de consoada fora passada em família, como todos os anos. E o gato G. estava contente, contentíssimo.
Desde que ouvira a sua voz, quando ela chegara, que não parava de a seguir pela casa toda com aquele seu ar pachorrento, brincando exaustivamente com os bonecos que ela lhe atirava, voltando depois até ela.
Mais tarde juntaram-se à pequena família os últimos convivas, os avós. E o gato G. delirou quando os viu chegar.
Acompanhou os seus passos ligeiros até à mesa da consoada, e ficou a admirá-los entre as cadeiras de ambos. Dava a cabeça para festinhas e ainda se tentou sentar ao colo do avô.
Depois, cansado de tantas emoções, aninhou-se por debaixo da cadeira da avó, onde permaneceu durante praticamente toda a noite.

A noite de consoada fora uma noite mágica para o gato G., que, através dos avós, se recordou, certamente, do outro casal de idade que lhe dera um lar durante cerca de 2 anos, antes de falecerem; recordou-se também da voz de quem o retirou do Canil/Gatil naquele fatídico dia, que o viria, também, 3 meses mais tarde a resgatar de novo.

E dava gosto ver como o gato G. estava contente nessa noite, contentíssimo!