domingo, 21 de dezembro de 2008

A nova Casa








A casa ficara pronta e desabitada.

Uma janela entreaberta da varanda permitia, ainda, que Misha e Luana regressassem todas as noites àquele espaço que sempre fora o seu, onde eram protegidas e amadas por D. Luísa.

Segundo rezam as estórias das vizinhas dos quintais, outrora, Misha e Luana dormiam em duas poltronas de verga na pequena marquise do terraço de Dª. Luísa. E, por vezes, em noites mais frias, eram mesmo convidadas a entrar em casa.

Mas, passadas algumas semanas, a janela apareceu fechada.

Misha e Luana passaram a dormir nos quintais.
Certa madrugada, por volta da 1h, Misha apareceu por debaixo da minha janela do quarto a pedir comida, quando tal não era habitual.

Desde essa data, Luana começou a emitir uns miados muito prolongados e tristes, como se andasse à procura de algo ou de alguém.







No início deste mês, já havia tomado a decisão que me parecia mais lógica e acertada.

Depois de consultados todos os restantes condóminos do prédio e com a sua devida autorização (e, em alguns casos, mesmo com aplausos pelo gesto), iria colocar uma casota de cão para as duas gatinhas se poderem proteger do frio e da chuva deste Inverno.








Forrei o interior da casota com cortiça autocolante (de modo a que o plástico ficasse mais protegido das descidas de temperatura e que isolasse também um pouco o som da chuva a tombar sobre a casota) e o piso inferior da mesma foi coberto com uma película de plástico anti-derrapante (para proteger da humidade exterior).

Para que a casota não fosse levada pelo vento (como já sucedeu em inúmeros outros casos, conforme me foi contado pelo H.), coloquei no seu interior uns sacos de pesos (daqueles que se utilizam para colocar à volta dos tornozelos e fazer ginástica) comprados na loja dos Chineses.

Em seguida, cobri tudo com um cobertor velho, à volta do qual coloquei também uma manta polar.







Esta manhã, o H. e eu descemos até à plataforma nas traseiras do meu prédio, para aí colocarmos a nova casa para Misha e Luana.







Agora aguardo ansiosamente que as gatinhas se habituem a ir para a sua nova casa, de modo a que aí possam encontrar um novo abrigo, deixando de ir para o outro espaço que sempre fora o seu... uma vez que, brevemente, voltará a ser habitada e as pessoas que para ali vão poderão não gostar de as ter por perto no terraço.








quinta-feira, 18 de dezembro de 2008

Através do Espelho - 14








Bairro do Armador, Chelas, 11h da manhã.

Ao sentar-se no banco improvisado de cimento, como fazia todas as manhãs quando dava o seu passeio, reparou num objecto preto no chão a seu lado.
Apanhou-o e deparou-se com uma mala de senhora. Abriu-o para ver o que tinha dentro, mexeu e re-mexeu.
Levantou-se. Colocou a mala ao ombro e voltou para casa.

No dia seguinte, à mesma hora, a mesma cena.
Desta vez a mala era mais pequena do que na véspera e de cor bege. Abriu-a, mexeu e remexeu. Olhou para todos os lados. Meteu-a debaixo do braço e levou-a para casa.

O que para alguns constitui apenas os despojos finais de um roubo, é para outros uma incomensurável riqueza para oferecer este Natal à mulher ou à filha.







domingo, 14 de dezembro de 2008

"Histoire de Pieds" - 9







Gatinhos psicadélicos da loja do Chinês... super-fofinhos com sola anti-derrapante, para andar à vontade em casa (aceitam-se apostas sobre quanto tempo por aqui durarão, com os verdadeiros felinos à solta).

Note-se que as peúgas de cores diferentes não fazem parte dos sapatinhos, mas sim de uma mente cansada, que não consegue encontrar os pares correctos.






sexta-feira, 12 de dezembro de 2008

Inovação Social








Chegou hoje ao fim o evento que marca o encerramento de um projecto financiado pela Comissão Europeia onde trabalhei durante 4 anos... com as apresentações finais.

Em tempos de crise, os discursos de abertura e encerramento deste evento, aludem à importância da inovação social (apreendida através destes mesmos projectos financiados, em que tantos de entre nós trabalhámos) como factor de mudança e de melhoria de vida.
A ver vamos!...







quinta-feira, 11 de dezembro de 2008

Conversa




Final de um dia de trabalho. No autocarro, de regresso a casa.
Sentados num banco do extremo oposto em que viajo, um casal dos seus 70 e muitos anos, trajando humildemente.

Ele deixa de olhar o trajecto pela janela, vira-se para ela e diz: - "Antigamente tínhamos tanta conversa, e agora nem dizemos nada!"

Ela retorque-lhe intempestivamente: - "Oh senhor, deixe-me que eu não tenho vontade de falar!"

Ele volta a perscrutar o horizonte, através da janela do autocarro embaciada pela chuva e pela respiração dos inúmeros passageiros.

Passados alguns minutos, ela vira-se para uma outra passageira, no banco ao lado do seu, e começa a discorrer sobre as hipóteses pelas quais o trânsito se encontra ali parado.







terça-feira, 9 de dezembro de 2008

De volta





Eles estão de volta...
E para uma nova temporada que promete bastante!









domingo, 7 de dezembro de 2008

Sala-"Sale"







A minha amiga Marta vai estar 2 anos em Nova Iorque, a fazer o seu doutoramento.

Arrendou a casa, tenciona vender o carro e, este fim-de-semana, fez uma "garage sale" para, segundo as suas próprias palavras, "(...) dar aos amigos e conhecidos (e aos seus amigos e conhecidos!) a fantástica oportunidade de adquirir alguns dos meus maravilhosos haveres a troco de alguns trocos (assim tipo "a cigana está a dar", não sei se estão a ver, é o que diz a senhora aqui da praça)".





Como a Marta não tem garagem, o evento foi mesmo a modos que organizado na sua sala... uma verdadeira "sala-sale".

Um agradável final de tarde passado entre uma sessão de visionamento de fotografias da sua última viagem ao Japão e os miminhos ao Funcho.





E ainda tive oportunidade de adquirir este muito funcional estendal interior (o ideal para uma casa pequena e com alguns felinos à mistura) por apenas 1€.

Em tempos de "recessão" como a que se avizinha, daqui a nada ainda começamos a trocar entre os nossos amigos e conhecidos os bens essenciais para a nossa sobrevivência.







sábado, 6 de dezembro de 2008

Snoopy (?) - Bombom - PARA ADOPÇÃO







O Snoopy apareceu no bairro onde fica localizada a sede da ONG em que trabalho há cerca de 5 anos... 2 ou 3 meses depois de eu própria lá ter chegado.

O Snoopy fora adoptado por uma criança que morava nesse bairro social, que o considerara muito bonitinho por ser pequenino.
No entanto, quando este cão começou a crescer (e note-se que nem sequer era um animal de grande porte, mas isso foi o de somenos importância nesta estória!), perdeu toda a graça que tivera quando o adoptaram e foi posto na rua, com a desculpa que de manhã bem cedo acordava todas as pessoas que residiam naquele lar para ir à rua fazer as suas necessidades.

O Snoopy passou então a deambular sozinho por aquele bairro, correndo inúmeros perigos, entre os quais o de ser atacado por um dos outros cães que ali existem e são utilizados pelos seus donos para a prática de bárbaras lutas entre animais.

Apesar de, supostamente, continuar a ter donos, o Snoopy passou a ser completamente ignorado e votado, em certa medida, ao abandono.







A partir daí, e durante aproximadamente 2 anos, comecei a alimentar e acarinhar este animal, juntamente com um colega de trabalho.
Durante cerca de 2 anos, todas as manhãs, quando chegava ao bairro, encontrava o Snoopy já à porta do escritório, aguardando por mim. E, ao final do dia, era também ele quem me acompanhava até à estação de metropolitano, como se me estivesse a guardar.

Nessa altura, cheguei inclusive a falar com a avó da criança que adoptara aquele animal, pedindo-lhe que se não o quisesse para mo entregar, que me encarregaria de lhe arranjar novos donos.

No dia 27/04/05, o Snoopy não apareceu à porta do meu emprego como costumava fazer...
Estranhei esse facto e, quando consegui falar com a avó da criança que o adoptara, vim a descobrir que, aproveitando o facto de eu me encontrar de férias, essa senhora dera o Snoopy a uma outra pessoa, segundo me disse mais tarde, para o cão servir de guarda numa obra em Carcavelos.
Um animal extremamente dócil, que tinha o ar mais brincalhão e patusco que alguma vez vira, ia agora servir de guarda numa obra!...

Fiquei muito revoltada nesse momento... E ainda pensei em ir até Carcavelos, procurar em todos os locais em construção a quem é que aquele animal havia sido entregue (se é que, de facto, ele tinha sido entregue a quem essa senhora dizia).
Infelizmente, nessa altura, não estava tão embrenhada na questão da defesa dos direitos dos animais e não sabia o que fazer, como o fazer ou a quem me dirigir...
E, por isso mesmo, acabei por nunca mais procurar o Snoopy, perdendo o rasto a um animal a quem me afeiçoara bastante... permanecendo sempre até hoje uma mágoa muito forte dentro de mim, por não ter conseguido fazer nada para salvar aquele animal.




Fotografia de Sara L.



No dia 27/11/08, passados 3 anos sobre a estória que aqui contei, recebo por e-mail, através de uma amiga, um apelo sobre o caso de um cão que se encontrava nas piores condições possíveis e imagináveis à beira de uma estrada no Montijo (tendo, inclusivamente, já sido mordido por um outro cão).

Curiosamente, conforme as fotografias o comprovam, esse cão era extremamente parecido com o "meu" Snoopy.





Fotografias da APCA




O Bombom fora resgatado por alguém com um coração enorme, que não o conseguia ver na situação em que se encontrava e não ficou de braços cruzados perante a mesma.

Graças ao apoio de uma outra pessoa, o Bombom deu entrada na APCA, onde se encontra juntamente com outros 200 cães a quem a vida também (ainda) não sorriu.

Esta tarde fui visitar o Bombom à APCA, em São Pedro de Sintra, de modo a tirar todas as minhas dúvidas e confirmar se se tratava ou não do Snoopy (e quem sabe, como diria o meu colega que também havia tratado do Snoopy, se fosse o mesmo animal ele me viesse a reconhecer).

Infelizmente, apesar das semelhanças físicas serem consideráveis, o Bombom trata-se de um cão distinto do Snoopy.
O que avivou consideravelmente a dor e mágoa que eu senti ao longo destes 3 anos por nada ter feito para ir procurar o Snoopy!...






O Bombom é um cão jovem (cerca de 4 ou 5 anos), extremamente meigo (fez as primeiras vacinas e foi-lhe colocado o microchip sem que se queixasse uma única vez) e um pouco assustado (fruto de todos os males pelos quais já deve ter passado na rua)... mas que, passados alguns minutos na nossa presença, se sente mais confiante e nos brinda com este arzinho tão ternurento.

O Bombom precisa de um lar, onde lhe seja dado todo o amor e carinho que merece, com a certeza da devida responsabilidade pela adopção de um ser vivo...
Para que não se perpetuem os casos semelhantes ao da adopção do Snoopy.

Caso esteja interessado em adoptar o Bombom, entre em contacto com a APCA (Natália Correia - 91. 513 30 63 ou 96. 453 04 19 - info@apca.org.pt) ou visite-o nas instalações desta associação zoófila (Rua do Canil, 8 - São Pedro de Sintra).





Actualização de 30/01/09:

Soube esta manhã que o Bombom foi recentemente adoptado. Esperemos que encontre muita felicidade no seu novo lar.

E muito obrigada a todos os que ajudaram na divulgação deste caso!





quinta-feira, 4 de dezembro de 2008

Precisa-se de uma nova alma






Yaël Naïm - "New Soul"




Provavelmente, é só mesmo cansaço físico, aliado ao que esta época transporta sempre de tristeza, nostalgia e compaixão...

Mas ando mesmo a precisar de músicas que ponham o meu estado de espírito mais para cima (senão não aguento até à passagem de ano)!...









segunda-feira, 1 de dezembro de 2008

As Iluminações já não são o que eram!...






Final deste fim-de-semana prolongado com uma incursão pela Baixa lisboeta para ver in loco (e, bem entendido, fotografar) as famosas iluminações de Natal.

Se no ano passado já me haviam sabido a pouco, este ano então, fiquei mesmo sem palavras!...

Resta dizer que, apesar dos meus 32 anos, eu sou um pouco como as crianças com esta coisa das iluminações de Natal: vibro imenso com a magia que das mesmas ainda sinto emanar, chego ao ponto de acelerar o passo e quase correr para ser a primeira a fotografar determinada iluminação que mais me encantou, ajoelho-me e tudo para conseguir o melhor ângulo para a foto... enfim, uma verdadeira vergonha para quem me costuma acompanhar nestas andanças.

Por isso mesmo me senti tão desencantada hoje quando vi as iluminações de 2008!...
O Chiado parece uma imitação muito baratinha de há 2 anos atrás. Na Praça do Comércio, tal como no Marquês de Pombal, a TMN conseguiu comprar o Natal (e os monumentos também!), e nem a luz azulada que enaltece os edifícios consegue esconder o facto de ser essa a cor da referida marca. E nem sequer o Conto de Luz e o de Natal (oferecidos pelos Jogos da Santa Casa da Misericórdia de Lisboa) no Rossio me conseguiram serenar a desilusão... já para não falar da Av. da Liberdade, onde até as iluminações parecem jorrar lágrimas de tristeza, perante a figura ridícula que ali fazem.

Uma única e merecida nota de relevo para as iluminações em estilo filigrana que encimam o cruzamento com as perpendiculares da Rua Augusta e as da Rua de Santa Justa.

Pelo andar da carruagem, meus senhores, se esta crise continua, no próximo ano, nem iluminações teremos!...