quarta-feira, 15 de outubro de 2008

BLOG ACTION DAY: Poverty





"Poverty = deprivation of common necessities that determine the quality of life, including food, clothing, shelter and safe drinking water, and may also include the deprivation of opportunities to learn, to obtain better employment, to escape poverty, and/or to enjoy the respect of fellow citizens."





UNHCR video




Daily I work with people that, in their great majority, arrive to Portugal with nothing but the clothes they wear in their bodies...

They were persecuted for some reason in their countries and obliged to leave their entire lives (and hopes) behind, searching for peace in a strange country.


Poverty is not only a matter of “deprivation of common necessities”…

It is mainly a matter of not turning your face the other side when you see someone less fortunate than you on the streets.


Each one of us can make the difference to "fight" poverty... if we don't cross our arms or close our eyes!








This post is part of Blog Action Day 08 - Poverty






domingo, 12 de outubro de 2008

Risquinhas - ADOPTADO






Fotografia de MCC



Da ninhada da Luana, o Risquinhas foi o primeiro bebé a ficar mais manso, dengoso e cheio de mimo (com a imprescindível ajuda da FAT em que se encontrava)...

Curiosamente, foi, também, o primeiro a ser hoje adoptado pelo simpático casal que conheci na 6ª feira à tarde na Clínica Veterinária Ani Aid.

Ansiosos por adoptarem um gatinho, renderam-se de imediato aos encantos desta foto, o que fez com que este pequerrucho se tenha passado a chamar "Spock" (o que é uma coincidência bem engraçada, dado que ele tem umas orelhitas bem grandes, tal como o personagem com o mesmo nome) e tenha ganho um lar e uma família 5 estrelas.



Votos de que sejam muito felizes e um imenso obrigada à L. e ao J.!
Estaremos sempre à disposição para o que necessitarem.







sexta-feira, 10 de outubro de 2008

1 semana




Faz hoje 1 semana... E a dor parece que ficou mais viva.
Às vezes, nem me parece possível que ela já não esteja aqui connosco... é demasiado estranho ela já não fazer parte da minha vida, como se o seu lugar sempre tivesse sido aqui.

E o dia hoje, também, foi muito estranho!...
Não parei um único minuto, com a quantidade de tarefas em simultâneo que tive esta manhã... O que, por um lado, não me deixou a cabeça liberta para pensar na tristeza que sinto pela sua falta.

À tarde, quando fui tratar desta montra, aconteceram uma série de coincidências estranhas: na sala de espera, uma cadela aguardava com a sua dona para ser, também, ela "adormecida"; um casal interessado em adoptar um gatinho bebé tigrado (ficaram de conhecer, durante o fim-de-semana, um destes bebés); enquanto, num dos consultórios, um pequeno gato preto de 3 meses aguardava quem se rendesse aos seus encantos (sem pensarem nos preconceitos associados à cor do seu pêlo)...

A vida, na maioria das vezes, é feita de pequenos sinais, que nos indicam como agir... nós é que, quase sempre, passamos por eles sem nos apercebermos.








quinta-feira, 9 de outubro de 2008

PARA ADOPÇÃO





Fotografia de MCC




O Risquinhas, o Negrito e o Boneco não são apenas as carinhas larocas que deram origem à concepção deste postal e deste saco...

Tal como os seus restantes 4 irmãos, nasceram num quintal (onde sempre viveu, também, a minha Ninushka), do qual foram retirados para não correrem risco de vida.

Já têm cerca de 5 meses e continuam a aguardar que alguém se encante com eles e lhes queira dar um lar repleto de amor e carinho.

Caso esteja interessado em adoptar um destes 6 gatinhos-maravilha (ou conheça alguém que queira adoptar), por favor, veja este anúncio.







quarta-feira, 8 de outubro de 2008

Tarefas relaxantes






Descobri que cortar folhas A4 de autocolantes pode ser uma tarefa muito relaxante... e que nos "desanuvia" consideravelmente a cabeça.









terça-feira, 7 de outubro de 2008

Sugestão do Sítio do Costume










O novo filme dos irmãos Cohen - "Destruir depois de Ler", para além de estar recheado de um leque muito diversificado de actores famosos, é um verdadeiro regalo para os olhos (e para a mente) de quem aprecia o "humor negro".

Em resposta à Lady.Bug...
Do melhor que já vi até hoje... sobretudo o non sense final em catadupa!









sábado, 4 de outubro de 2008

Muito obrigada...






... a todos os que com os seus comentários, sms's, e-mail's e palavras-proferidas me tentaram reconfortar neste momento tão doloroso!...








sexta-feira, 3 de outubro de 2008

Ninushka: 1995 (?) - 03/10/08






Outubro 2005



A Ninushka foi a primeira gata dos quintais que comecei a proteger, há 3 anos atrás, quando me mudei para a minha casa.

Certamente que já há muito tempo por ali deambulava no sossego bucólico das traseiras do meu prédio, mas apenas reparei melhor nela quando, em Setembro de 2005, se começou a colocar especada por debaixo da janela do meu quarto, observando-me com um olhar muito atento.
A partir daí, comecei a alimentá-la.

Perde-se já no tempo a memória da forma e motivo de a ter nomeado com tal nome...
Para quem acredita nestas coisas, acho, agora, que foi ela própria quem intuitivamente me transmitiu como se chamava, ao fixar-me com aqueles seus grandes olhos amendoados.




Outubro 2006



Com o passar dos meses, fomos estabelecendo hábitos diário (e horários) com a comida que lhe dava e os mimos e conversas que íamos trocando ao longe.





05 / Maio / 2007




10 / Março / 2007





E, por mais estranho que possa parecer a alguns, uma "relação" foi nascendo entre ambas (penso, mesmo, que nos teremos "enamorado" uma da outra), o que conduziu a que, desde muito cedo, tivesse sentido vontade de a apanhar e trazer para casa.

Tal só viria a acontecer, muitos meses mais tarde, numa madrugada de Novembro de 2007, fruto de muita perseverança e paciência.




Dezembro 2007



A Ninushka viveu comigo (apenas) 11 meses.

Tinha ar de bonequinha de peluche e ficava sempre muito curiosa com uma atenção serena a olhar para nós.
Nunca se deixou tocar ou afagar, nem tão pouco gostava de conviver com outros gatos (apesar de os tolerar). E escolheu para seu próprio leito um cantinho por debaixo da minha cama, coincidente com o local onde por cima eu colocava a minha almofada.

Apesar de ter vivido cerca de 13 anos nos quintais, sem a companhia humana, desde muito cedo se habituou às regalias de uma casa, adorando passar a tarde em cima da máquina de lavar roupa na cozinha, brincando e pesquisando tudo.




Julho 2008








3 / Outubro / 2008




A "minha" Ninushka faleceu esta manhã na clínica veterinária (com uma injecção de "Eutasil" no coração), agarrada com as patinhas da frente à minha mão direita.

Após duas semanas e dois dias desde a confirmação do diagnóstico de insuficiência renal, morreu acompanhada e reconfortada, algo que não sucederia se a tivesse deixado nos quintais.

As suas últimas semanas de vida foram de muito sofrimento para mim, ao ver o seu estado de degradação (minada pela doença) a cada dia que passava...
Mas, também, de muito mimo e carinho aceites (e quase pedidos) por uma gatinha que nunca os tivera.

Durante todo este período, desdobrei-me em duas, fiz tudo o que estava ao meu alcance e muito mais ainda, para lhe tentar minimizar os efeitos da doença - sendo ajudada por alguém que me está muito próximo (e sem quem tudo isto teria sido possível)...

Mas a doença foi mais forte e a minha gatinha fraquejava a cada dia que passava: a sua respiração ficava mais ténue e atacada pela constipação; encontrava-se extremamente magra e letárgica.
Estava muito desidratada (apesar do soro que, diariamente, levava) e, ontem, bebia sofregamente água, colocando as próprias patinhas dianteiras dentro do bebedouro.
Parecia já um pouco desorientada quando caminhava pela casa, ou se ia instalar na mesa da televisão na sala.

Seria profundamente egoísta da minha parte prolongar o inevitável, colocando-a novamente a soro intravenoso (para além de um massacre para o próprio animal).

Penso agora que, apesar do estado grave em que se encontrava, a Ninushka ainda lutava por permanecer viva, talvez, graças ao mimo que ia recebendo.
Recordo-me daquele horrível domingo em que, de tão prostrada que estava, quase parecia estar a desfalecer... Adormeci ao seu lado no chão, amparando-a com festinhas, e, quando acordei, a Ninushka estava mais arrebitada e com o olhar lúcido.

Esta manhã, antes de sairmos para a clínica veterinária, deixou-me pegar-lhe e ficou ao meu colo, embrulhada na sua mantinha, respirando tropegamente e encostando-se toda sobre o meu peito.

Com a sua morte, fechou-se mais um ciclo...











quarta-feira, 1 de outubro de 2008

A doença da minha Ninushka





Há exactamente duas semanas, ao final da tarde, a minha Ninushka ficava internada na clínica veterinária a soro intravenoso.
Deixara de comer há 4 dias e, após análises efectuadas, foi confirmado o (pior) diagnóstico: insuficiência renal - uma das principais causas de morte dos gatos idosos.
Depois de 3 dias a soro no Vet. e de novas análises realizadas (para verificar o estado de desenvolvimento da doença - as quais viriam a confirmar que os índices de creatinina haviam aumentado, ou seja, a doença agravou-se), a nossa vida mudou!...

Não havendo grande esperança de tratamento para esta doença (para além do facto de a idade avançada da Ninushka não ser um bom prognóstico para o evoluir da mesma), o Vet. aconselhou a aplicação diária do soro subcutâneo em casa (para a ir ajudando a manter-se hidratada).

Os primeiros dias foram terríveis e estava quase a desesperar...
Parecia que andava meio anestesiada e, simultaneamente, só me apetecia chorar, ao ver a minha gatinha naquele estado, sem comer, deixando-se morrer mais um pouco a cada dia que passava.
O frigorífico cá de casa passou a estar cheio de latinhas dos mais diversos condimentos, aquecidas às horas das refeições, para tentar que a Ninushka voltasse a comer algo.

Fruto da curiosidade (ou defeito profissional), pus-me a pesquisar na internet sobre a doença... aprendi muita coisa, mas, também, consegui agravar o meu estado de preocupação (pois, quando um leigo se põe a ler sobre matéria alheia, tem sempre tendência a esboçar o pior cenário possível face ao que desconhece).
Aprendi muito sobre esta doença nestes dois sites:
"Feline CRF Information Centre" e "Feline Chronic Renal Failure - Information Centre".

Nos dois primeiros dias, sozinha, fui incapaz de conseguir apanhar a Ninushka para lhe dar o soro (resta dizer que, depois de 10 meses a viver comigo, nunca foi gata de colo ou sequer de festas, talvez por durante mais de 13 anos sempre ter vivido solitária nos quintais)... O que agravou o meu estado de desespero, pois comecei a sentir-me impotente e culpada perante tal situação (quando a última vez que a vira comer efectivamente alguma coisa fora no sábado que regressara a casa, após 3 dias a soro intravenoso).

Nessa altura, cheguei mesmo ao fundo, deixando-me ir muito abaixo...
Lembro-me que, num dos dias, adormeci no chão do quarto, a fazer festas à Ninushka, muito prostrada, deitada por debaixo da cama (onde ela sempre tivera a sua caminha, por se sentir mais resguardada das restantes ‘nininhas cá de casa).
Passava o dia inteiro cheia de dores de estômago e agoniada, temendo sempre como a iria encontrar (ou se ainda a encontraria) ao chegar a casa ao fim do dia.

Finalmente, ao terceiro dia, com a ajuda do H. conseguimos dar-lhe o soro subcutâneo, instalando-a para o efeito na casa-de-banho, dentro da parte de baixo da transportadora, coberta por uma mantinha.
De nada me serviu as informações que andei a ler na Internet sobre como aplicar o soro subcutâneo a um gato, pois, no momento preciso, com a agulha nas mãos, fui incapaz de lha espetar no cachaço, com medo de a aleijar (já me havia sucedido o mesmo com a Amélie, há alguns anos atrás).
Graças ao H. (que, também, tem pavor de agulhas, tal como eu), a partir daí, as nossas noites, transformaram-se num ritual de aplicação do soro à Ninushka: enquanto eu a acalmava com festinhas, ele espetava a grossa agulha, ligando eu depois o soro aquecido (para ela não sentir tanto o efeito do frio no corpo).

Depois do soro, a Ninushka tinha tendência a ficar sempre muito prostrada, mas, no dia seguinte, parecia estar um pouco mais arrebitada.
No início da semana, comecei a encontrá-la de manhã, ao acordar, sentada na sala (local onde ela nunca costumava ir aqui em casa) – provavelmente porque, como as suas patas já se encontravam muito fraquinhas, não conseguia subir para cima da máquina de lavar roupa na varanda da cozinha, onde adorava ficar a apanhar sol.

Dia sim dia não a Ninushka parecia estar pior…
Havia mesmo dias em que ficava com o olhar muito parado, como se tivesse perdido a lucidez… voltando, depois, ao normal.
A sua respiração, no final da semana passada, começou também a ficar mais estranha, como se estivesse constipada; tendo o Vet. dito que seria uma coriza crónica (nunca tratada por sempre ter vivido nos quintais), agravada por o seu organismo se encontrar agora mais debilitado.

Na 6ª feira passada, ao sair para o emprego, deixei-a fechada na casa-de-banho muito murchinha. E passei o dia muito enervada, pensando que a Ninushka não estaria viva quando regressasse a casa. Curiosamente, quando cheguei, ela já estava mais arrebitada.
Nesse dia, levei-a à mesma ao Vet. e pedi conselho sobre a eutanásia, depois de na última semana, dia sim dia não, a ver praticamente a desfalecer à minha frente... mas o Vet. diz que ela ainda não está a sofrer e que alguns gatos conseguem superar estas crises e ainda viver alguns dias, meses ou anos.

A gata dos quintais que nunca me deixara chegar perto para fazer festinhas desde que passara a viver em minha casa, fruto da doença, passou a adorar o contacto físico e até dava jeitinho com a cabeça para as festas e mimos.

Durante 5 dias continuou sem comer, limitando-se a beber muita água. E, no domingo passado, depois de passar o dia inteiro ao seu lado pensando que ela estaria a desfalecer, a conselho do Vet. começámos a forçá-la a alimentar-se através do auxílio de uma seringa especial.
A mistura de frango e o seu caldo, massinhas e ração renal da Hill’s (tudo misturado e feito numa papa com a varinha mágica) passou a ser administrada por mim todas as noites, enquanto o H. a agarrava. A Ninushka fincava ferozmente a boca para não permitir a entrada do que quer que fosse, mas, durante estes 4 últimos dias, temos conseguido alimentá-la antes de lhe dar o soro subcutâneo.

Desde o dia 22 de Setembro (quando as segundas análises confirmaram o agravamento da sua doença), tenho tentado viver um dia de cada vez, como se fosse o último na companhia da minha gatinha... impotente para a curar, tento minimizar os malefícios desta doença e dar-lhe ainda um pouco de qualidade de vida e muito carinho.






sexta-feira, 19 de setembro de 2008

"Pickpocket"




Sexta-feira, 17h.

Entro na carruagem de metro na Alameda, completamente esbaforida com o tempo seco e abafado que se faz sentir. Sento-me ao lado de um homem de ascendência africana que parecia dormitar encostado ao vidro da janela e tiro o casaco.
A meio caminho entre a estação seguinte, ouve-se: - “O senhor vai sair connosco na próxima estação, sim?!”

Absorvida pelos meus pensamentos, detecto que a frase provinha de um dos dois homens consideravelmente entroncados, que pareciam falar entre si perto da porta da carruagem.

Sem perceber lá muito bem o que se passa, por momentos, penso que entrei num filme de espionagem onde se desenvolve algum ajuste de contas entre gangs.
Os restantes passageiros entreolham-se, sem compreenderem nada.

O metro chega à estação de Arroios. O passageiro ao meu lado permanece sentado, até que o mesmo homem que lhe dirigira a palavra o chama.
Ao levantar-se para sair, o homem atira de viés para o banco em frente uma carteira verde de senhora.

Fico a olhar incrédula para a cena. E, no tempo que espaceja o eu tomar alguma atitude (para alertar que deixara cair a carteira), ouve-se:
- "Calminha aí, amigo, não te armes em pianista, que músicos somos nós!" – clama o homem entroncado, colocando-lhe a mão por cima do ombro e apanhando a carteira.

Ao saírem da carruagem, enquanto o metro se afasta, observamos o homem de ascendência africana sentado num dos bancos da estação com os dois homens entroncados à sua frente.

Dentro da carruagem, um casal de turistas espanhóis de olhar surpreendido abre as malas de mão, para verificar se ainda lá estão as suas carteiras.
Incrédula, acabo por fazer o mesmo gesto.