Há exactamente duas semanas, ao final da tarde, a minha
Ninushka ficava internada na clínica veterinária a soro intravenoso.
Deixara de comer há 4 dias e, após análises efectuadas, foi confirmado o (pior) diagnóstico:
insuficiência renal - uma das principais causas de morte dos gatos idosos.
Depois de 3 dias a soro no Vet. e de novas análises realizadas (para verificar o estado de desenvolvimento da doença - as quais viriam a confirmar que os índices de
creatinina haviam aumentado, ou seja, a doença agravou-se), a nossa vida mudou!...
Não havendo grande esperança de tratamento para esta doença (para além do facto de a idade avançada da Ninushka não ser um bom prognóstico para o evoluir da mesma), o Vet. aconselhou a aplicação diária do soro subcutâneo em casa (para a ir ajudando a manter-se hidratada).
Os primeiros dias foram terríveis e estava quase a desesperar...
Parecia que andava meio anestesiada e, simultaneamente, só me apetecia chorar, ao ver a minha gatinha naquele estado, sem comer, deixando-se morrer mais um pouco a cada dia que passava.
O frigorífico cá de casa passou a estar cheio de latinhas dos mais diversos condimentos, aquecidas às horas das refeições, para tentar que a Ninushka voltasse a comer algo.
Fruto da curiosidade (ou defeito profissional), pus-me a pesquisar na internet sobre a doença... aprendi muita coisa, mas, também, consegui agravar o meu estado de preocupação (pois, quando um leigo se põe a ler sobre matéria alheia, tem sempre tendência a esboçar o pior cenário possível face ao que desconhece).
Aprendi muito sobre esta doença nestes dois sites:
"Feline CRF Information Centre" e
"Feline Chronic Renal Failure - Information Centre".Nos dois primeiros dias, sozinha, fui incapaz de conseguir apanhar a Ninushka para lhe dar o soro (resta dizer que, depois de 10 meses a viver comigo, nunca foi gata de colo ou sequer de festas, talvez por
durante mais de 13 anos sempre ter vivido solitária nos quintais)... O que agravou o meu estado de desespero, pois comecei a sentir-me impotente e culpada perante tal situação (quando a última vez que a vira comer efectivamente alguma coisa fora no sábado que regressara a casa, após 3 dias a soro intravenoso).
Nessa altura, cheguei mesmo ao fundo, deixando-me ir muito abaixo...
Lembro-me que, num dos dias, adormeci no chão do quarto, a fazer festas à Ninushka, muito prostrada, deitada por debaixo da cama (onde ela sempre tivera a sua caminha, por se sentir mais resguardada das restantes ‘nininhas cá de casa).
Passava o dia inteiro cheia de dores de estômago e agoniada, temendo sempre como a iria encontrar (ou se ainda a encontraria) ao chegar a casa ao fim do dia.
Finalmente, ao terceiro dia, com a ajuda do H. conseguimos dar-lhe o soro subcutâneo, instalando-a para o efeito na casa-de-banho, dentro da parte de baixo da transportadora, coberta por uma mantinha.
De nada me serviu as informações que andei a ler na Internet sobre como aplicar o soro subcutâneo a um gato, pois, no momento preciso, com a agulha nas mãos, fui incapaz de lha espetar no cachaço, com medo de a aleijar (já me havia sucedido o mesmo com a
Amélie, há alguns anos atrás).
Graças ao H. (que, também, tem pavor de agulhas, tal como eu), a partir daí, as nossas noites, transformaram-se num ritual de aplicação do soro à Ninushka: enquanto eu a acalmava com festinhas, ele espetava a grossa agulha, ligando eu depois o soro aquecido (para ela não sentir tanto o efeito do frio no corpo).
Depois do soro, a Ninushka tinha tendência a ficar sempre muito prostrada, mas, no dia seguinte, parecia estar um pouco mais arrebitada.
No início da semana, comecei a encontrá-la de manhã, ao acordar, sentada na sala (local onde ela nunca costumava ir aqui em casa) – provavelmente porque, como as suas patas já se encontravam muito fraquinhas, não conseguia subir para cima da máquina de lavar roupa na varanda da cozinha, onde adorava ficar a apanhar sol.
Dia sim dia não a Ninushka parecia estar pior…
Havia mesmo dias em que ficava com o olhar muito parado, como se tivesse perdido a lucidez… voltando, depois, ao normal.
A sua respiração, no final da semana passada, começou também a ficar mais estranha, como se estivesse constipada; tendo o Vet. dito que seria uma coriza crónica (nunca tratada por sempre ter vivido nos quintais), agravada por o seu organismo se encontrar agora mais debilitado.
Na 6ª feira passada, ao sair para o emprego, deixei-a fechada na casa-de-banho muito murchinha. E passei o dia muito enervada, pensando que a Ninushka não estaria viva quando regressasse a casa. Curiosamente, quando cheguei, ela já estava mais arrebitada.
Nesse dia, levei-a à mesma ao Vet. e pedi conselho sobre a eutanásia, depois de na última semana, dia sim dia não, a ver praticamente a desfalecer à minha frente... mas o Vet. diz que ela ainda não está a sofrer e que alguns gatos conseguem superar estas crises e ainda viver alguns dias, meses ou anos.
A gata dos quintais que nunca me deixara chegar perto para fazer festinhas desde que passara a viver em minha casa, fruto da doença, passou a adorar o contacto físico e até dava jeitinho com a cabeça para as festas e mimos.
Durante 5 dias continuou sem comer, limitando-se a beber muita água. E, no domingo passado, depois de passar o dia inteiro ao seu lado pensando que ela estaria a desfalecer, a conselho do Vet. começámos a forçá-la a alimentar-se através do auxílio de uma seringa especial.
A mistura de frango e o seu caldo, massinhas e ração renal da Hill’s (tudo misturado e feito numa papa com a varinha mágica) passou a ser administrada por mim todas as noites, enquanto o H. a agarrava. A Ninushka fincava ferozmente a boca para não permitir a entrada do que quer que fosse, mas, durante estes 4 últimos dias, temos conseguido alimentá-la antes de lhe dar o soro subcutâneo.
Desde o dia 22 de Setembro (quando as segundas análises confirmaram o agravamento da sua doença), tenho tentado viver um dia de cada vez, como se fosse o último na companhia da minha gatinha... impotente para a curar, tento minimizar os malefícios desta doença e dar-lhe ainda um pouco de qualidade de vida e muito carinho.