Sábado depois de almoço. Sentada em frente ao portátil, no escritório, começo a ouvir um barulho vindo da cozinha. Não ligo, pensando tratarem-se, apenas, das minhas ‘nininhas em animadas brincadeiras.
Passado uns minutos, o barulho persiste e consigo identificar ao longe o som de uma das gatas a saltar contra os estores da janela da cozinha.
Levanto-me e entro na cozinha, pronta a verificar o estado de algazarra criado, quando me deparo com a Miyuki em voo rasante a atirar-se contra os estores da janela do balcão, no cimo da qual se encontrava um pequeno pardalito. Cena observada sob o olhar atento da Tucha.
Naquele preciso instante, o meu único pensamento foi de surpresa: - “Como é que o pássaro aqui entrou, se apenas tinha uma greta da janela aberta?”
Pensamento entrecortado com Miyuki a aterrar na bancada da cozinha com o pobre pardalito preso pela cauda na sua boca, seguindo, toda satisfeita, para o escritório.
Vou atrás dela, com o coração aos pulos, pensando ir encontrar o pobre animal morto.
Miyuki deposita o pardal junto a uma das almofadas onde costumam dormir, preparando-se para dar início à “brincadeira” com a sua presa, quando a consigo afastar e pegar no pássaro.
Sob o olhar atento da Tucha, abro a janela da cozinha e o pardalito esvoaça das minhas mãos em direcção às árvores nos quintais.
