Em vésperas de aniversário, descarregamos salgados, bolos e bebidas da mala do carro, quando, subitamente, começamos a ouvir miar.
Um miado bem sonoro e firme, como se nos tivesse a chamar. Olhamos para todo o lado, à nossa volta, e nem vivalma de gato.
E o miado lá continua, mais insistente, como que a querer dizer-nos:
- “Aqui, aqui, humanos. Mas não me conseguem ver? Olhem bem para mim!”
De repente, lembro-me de olhar para cima.
E, no primeiro andar, no alto de uma varanda antiga repleta de floreiras, eis um belo exemplar branco e tigrado, de cabeça grande e larga (como há muito tempo já não via!).
E o dito cujo gatarrão a debruçar-se, cada vez mais, para nos ver melhor…
Começo a falar com ele (aquelas palermices simples e espontâneas, que apenas conseguimos dizer a bebés e a animais) e, entre miados, o gatarrão começa a dar marradinhas no ferro que demarca a sua varanda.
Mais uma fotografia que me vai escapar por entre as mãos... ou melhor dizendo, por entre os inúmeros taparueres e caixas (que seguro com ambas as mãos, tentando ajeitar para não caírem).
2ª voltinha para vir buscar ao carro os 1001 taparueres... e preparo-me, antecipadamente, com a minha máquina fotográfica.
Infelizmente, quando chegamos ao largo, o gatarrão falador já não se encontra na janela do 1º andar.
Em sua substituição, uma bela e corpulenta espécie de gato cinza azulado mira-nos com algum desdém.
Depois aparece uma gata branca, que, ao ver-nos cá em baixo, salta para cima de uma das floreiras e começa furiosamente a mordiscar as flores de plástico expostas.
Uma varanda com gatos à qual regressar... para mais fotos em condições!