domingo, 6 de julho de 2008

Estórias com Gatos - XVI



Em vésperas de aniversário, descarregamos salgados, bolos e bebidas da mala do carro, quando, subitamente, começamos a ouvir miar.
Um miado bem sonoro e firme, como se nos tivesse a chamar. Olhamos para todo o lado, à nossa volta, e nem vivalma de gato.
E o miado lá continua, mais insistente, como que a querer dizer-nos:
- “Aqui, aqui, humanos. Mas não me conseguem ver? Olhem bem para mim!”

De repente, lembro-me de olhar para cima.
E, no primeiro andar, no alto de uma varanda antiga repleta de floreiras, eis um belo exemplar branco e tigrado, de cabeça grande e larga (como há muito tempo já não via!).

E o dito cujo gatarrão a debruçar-se, cada vez mais, para nos ver melhor…
Começo a falar com ele (aquelas palermices simples e espontâneas, que apenas conseguimos dizer a bebés e a animais) e, entre miados, o gatarrão começa a dar marradinhas no ferro que demarca a sua varanda.
Mais uma fotografia que me vai escapar por entre as mãos... ou melhor dizendo, por entre os inúmeros taparueres e caixas (que seguro com ambas as mãos, tentando ajeitar para não caírem).





2ª voltinha para vir buscar ao carro os 1001 taparueres... e preparo-me, antecipadamente, com a minha máquina fotográfica.
Infelizmente, quando chegamos ao largo, o gatarrão falador já não se encontra na janela do 1º andar.
Em sua substituição, uma bela e corpulenta espécie de gato cinza azulado mira-nos com algum desdém.
Depois aparece uma gata branca, que, ao ver-nos cá em baixo, salta para cima de uma das floreiras e começa furiosamente a mordiscar as flores de plástico expostas.

Uma varanda com gatos à qual regressar... para mais fotos em condições!



quarta-feira, 2 de julho de 2008

Dualidade




O metropolitano chega à estação de Campo Grande.
Como habitualmente, as pessoas entram esbaforidas, com pressa de encontrarem um lugar onde se sentar, como se o cansaço da véspera não tivesse sido saciado com o sono da noite.

Uma senhora de meia idade e óculos escuros entra carregada com diversos sacos e uma mochila. Pede licença para passar para o assento junto à janela.
Ao sentar-se, olha em volta, para mim e para os dois homens ali sentados e diz:
- “Ora, então, muito bom dia a todos!”
Os 3 retorquimos-lhe igualmente com um bom dia.
- “Desculpai mais é a força do hábito… em Angola era assim… e é defeito profissional. Mas as pessoas já não estão habituadas a dar os bons dias umas às outras. Por isso desculpai!”

Sorriu e saio da carruagem com a minha fértil imaginação ainda a discorrer sobre as diversas hipóteses do métier daquela senhora.




Ao chegar ao emprego, leio os matutinos e deparo-me com esta notícia...



A indiferença cada vez maior do Homem perante qualquer outro ser humano não deixa de me surpreender!...




sábado, 28 de junho de 2008

Sugestão do Sítio do Costume






O novo Compal Essencial com "uma porção de frutos vermelhos".
Delicioso, quando bebido bem fresquinho nestes dias de intenso calor!...






sexta-feira, 27 de junho de 2008

Toldos no Jardim








Em dia extraordinário de compensação, aproveito a "nervosite" com que esta manhã acordei para ir passear, arejar a cabeça (apesar dos 32º C. em Lisboa não contribuírem lá muito para isso!) e ver os "Toldos no Jardim".








A crise que se instalou neste país parece também ter atacado a Fundação Calouste Gulbenkian, já que, comparativamente com o "Jardim do Mundo", o programa deste ano parece muito fraquinho... e nem os toldos são tão bonitos como os anteriores.




Mais fotos aqui.






quinta-feira, 26 de junho de 2008

[AVISO-Explicação]- Blog "7 Gatos dos Quintais"




Muita coisa aconteceu desde que esta história começou…
Muitas alegrias e tristezas, apoio de alguns amigos e conhecidos, indiferença e passividade de outros, sofrimento e dissabores…
E, sobretudo, muito envolvimento (físico e emocional) da minha parte e da Cecília.

Perante os últimos acontecimentos, ocorridos nestas semanas, decidi que, a partir de hoje, o blog 7 Gatos dos Quintais passa a poder ser acedido apenas através de convite (a seu tempo, os convidados serão devidamente avisados)...
Porque a exposição em demasia, quando mal canalizada, pode provocar situações que incomodam, desgastam e são perniciosas para os próprios animais.

As minhas sinceras desculpas a tod@s os leitores desconhecidos que seguiam esta história!...





terça-feira, 24 de junho de 2008

Tudo de novo...



Este final de tarde, enquanto retirava roupa da máquina de lavar para estender à janela, deparo-me com esta imagem, nos quintais das traseiras...





Até me arrepiei, só de pensar que poderá começar tudo de novo!...

A gata que costuma acompanhar a Misha (que, contrariamente a esta última, nunca se aventura por terrenos alheios ao terraço em frente às traseiras do meu prédio, talvez, por medo) deve ter engravidado e parido do gato Mikado (o macho que deambula pelos quintais em estridentes miados procurando as fémeas).

Os quintais ganharam nova vida...
Pena que as pessoas que alimentam estes animais não se consciencializem que os mesmos teriam uma vida muito mais sossegada se fossem esterilizados, evitando, assim, a sobre-população felina e todas as histórias da barbárie humana a elas associadas.




domingo, 22 de junho de 2008




Depois de 16 horas de trabalho intenso na 6ª feira (e mais 5 horas no sábado), eis-me de volta ao mundo dos vivos... ou nem por isso!...






segunda-feira, 16 de junho de 2008

Há coisas que nos deixam felizes...








... Quando, depois de termos passado o dia a preparar o deste ano, todos ficam alegremente a olhar o resultado do nosso trabalho, procurando por entre a miscelânea colorida a frase na sua própria língua materna!












sexta-feira, 13 de junho de 2008

Notas Soltas - 129



- Pessoa -




"O que há em mim é sobretudo cansaço
Não disto nem daquilo,
Nem sequer de tudo ou de nada:
Cansaço assim mesmo, ele mesmo,
Cansaço.
A subtileza das sensações inúteis,
As paixões violentas por coisa nenhuma,
Os amores intensos por o suposto alguém.
Essas coisas todas -
Essas e o que faz falta nelas eternamente -;
Tudo isso faz um cansaço,
Este cansaço,
Cansaço.
Há sem dúvida quem ame o infinito,
Há sem dúvida quem deseje o impossível,
Há sem dúvida quem não queira nada -
Três tipos de idealistas, e eu nenhum deles:
Porque eu amo infinitamente o finito,
Porque eu desejo impossivelmente o possível,
Porque eu quero tudo, ou um pouco mais, se puder ser,
Ou até se não puder ser...
E o resultado?
Para eles a vida vivida ou sonhada,
Para eles o sonho sonhado ou vivido,
Para eles a média entre tudo e nada, isto é, isto...
Para mim só um grande, um profundo,
E, ah com que felicidade infecundo, cansaço,
Um supremíssimo cansaço.
Íssimo, íssimo. íssimo,
Cansaço..."

"O que há em mim é sobretudo cansaço", de Álvaro de Campos.




Na data em que se se comemoram os 120 anos do nascimento de Fernando Pessoa (ou seja, no dia de hoje), os 200 livros que constituem a sua biblioteca pessoal vão ser disponibilizados gratuitamente na Internet, aqui.
O objectivo é chegar à publicação online de 1.200 títulos, como livros, revistas e jornais, para que o universo de Pessoa continue a sua admirável expansão.






- "Histoire de Pieds" - 4 -





Pés de Verão.