segunda-feira, 9 de junho de 2008



"Nenhum caminho é mais errado para a felicidade do que a vida no grande mundo, às fartas e em festanças, pois, quando tentamos transformar a nossa miserável existência numa sucessão de alegrias, gozos e prazeres, não conseguimos evitar a desilusão; muito menos o seu acompanhamento obrigatório, que são as mentiras recíprocas."

Arthur Schopenhauer, in Aforismos sobre a Sabedoria da Vida"



"Chora aos berros como as crianças até te estafares. Verás que depois adormeces."

Vergílio Ferreira, in "Pensar"






domingo, 8 de junho de 2008

Notas Soltas - 128




- "Curtas" - X -





"La Vie des Chats"
Curta-metragem de
Mathieu Fauny. Com Charlotte Dehimi e Julie Delorme. Música de 9ch e Julie Delorme.



"Moi j'aime bien la musique, mais j'aime pas qu'ça crie!"
Monologue de Charlotte Dehimi, femme de 87 ans ex-voisine de cloison à Caen, qui malheureusement et décédé peut de temps après le tournage.
Témoignage d'un quotidiens "sacré!"
À part ses chats et sa télé, Charlotte vie seul, face aux traquât de la vie. Elle a connue la guerre au plus prêts et s'étonne encore aujourd'hui de l'absurdité du monde, à croire réellement que le pire est toujours avenir ! La cour des miracle : " Il a électrocuté sont père épi c'est tout!"







- O país parou... -


... ontem ao final da tarde.
E eu devo ter sido a única pessoa a não assistir ao primeiro jogo de futebol da selecção portuguesa no Euro 2008!

Com os sonos completamente em atraso devido à participação (mais que) prolongada neste evento, só me apercebi que algo de fora do comum se estava a passar quando comecei a ouvir o meu vizinho do R/c entoar orgulhosamente o hino de Portugal com a sua voz cavernosa (normalmente, só costumo ouvir a sua voz quando começa a discutir com a mulher e/ou com a filha).

É uma sensação meio estranha (e, simultaneamente, muito reconfortante) esta de nos sentirmos como que à margem de algo em que o resto do mundo participa de uma forma (quase) alienada!...

Por isso mesmo, decidi que, desta vez, me vou continuar a manter à margem, não entrando na onda geral de alienação colectiva (que o nosso país vive actualmente).
Vamos ver até quando me aguentarei, já que estas coisas das mobilizações de massas acabam sempre por dar a volta à cabeça de todos!...





sábado, 7 de junho de 2008

Notas Soltas - 127




- Um outro mundo é possível! -





4 dias passados no evento "Os Dias do Desenvolvimento" (organizado pelo IPAD) no Centro de Congressos de Lisboa, a terminarem esta tarde com uma maratona até às 13h.

Um evento que deveria ter sido muito melhor divulgado na comunicação social, de modo a que o público em geral se pudesse familiarizar com o que são os Objectivos do Milénio, o Comércio Justo e a Cooperação (conceitos de extrema importância num mundo actual, cada vez mais individualista)!






Assim, acabou por ser, apenas, mais um evento dirigido directamente às ONG's.
Com uma adesão tão fraca por parte do público que, a dada altura, apenas os técnicos das diversas ONG's presentes visitavam mutuamente os stands uns dos outros, vendo o trabalho que cada um deles tem desenvolvido.




Juntos podemos!...

A repensar futuramente o alcance deste tipo de eventos.



Mais fotos aqui.







- Sugestão do Sítio do Costume -






Na passada 4ª feira, em dia de montagem do nosso stand n' "Os Dias do Desenvolvimento", descobrimos este simpático, acolhedor e muito fashion restaurante.





Na Rua da Junqueira, mesmo em frente à Administração do Porto de Lisboa, por entre o metalizado dos novos edifícios, sobressai o verde-lima do restaurante "Kai Junqueira".

De dia funciona como restaurante, com uma muito caseira e boa comidinha (a 6,90€ o menú); e ao final da tarde/noite, segundo percebi, como ponto de encontro/lounge.

Um espaço muito simpático e bonito, que vale a pena conhecer!...







quinta-feira, 5 de junho de 2008

"Histoire de Pieds" - 3







Para que estes meninos não caiam no esquecimento de todos...
É só para avisar que eles, ainda, se encontram para adopção!








terça-feira, 3 de junho de 2008

Com os nervos em franja




Esta altura do ano, quando o Verão se aproxima, é usualmente crítica em termos de trabalho!...
Parece que nos aparecem sempre 1001 coisas para fazer ao mesmo tempo!

E lá começou mais uma semana de loucos, desta vez, a abrir caminho para a organização de uma série de eventos em simultâneo e mais de 8 assuntos por resolver (todos com prioridade para ontem).

Resultado de todo o stress em catadupa de ontem: - a decisão imponderada de cortar radicalmente a franja a mim própria... por causa de regressar do emprego com os nervos em franja (passo o pleonasmo!), por já começar a andar com urticária no olho (devido ao cabelo que por ali tombava e me impedia de ver em condições) e... por não ter dinheiro para ir ao WIP!




Aqui ainda estava muito certinha. Mas como diz o meu amigo ZA, o look despenteado do dia-a-dia fica melhor ao resultado (bem pouco aparado) final.





domingo, 1 de junho de 2008

As bandeiras de Portugal são como...



... o Pai Natal!





Há quem as tenha deixado do lado de fora, carcomidas pelo sol e rasgadas pelo vento, desde o (passado) Euro 2004... tal como alguns Pais Natal que ainda por aí existem (na Av. de Ceuta, por exemplo, numa curiosa janela, coexistem alegremente ambas as figuras simbólicas, apesar do Pai Natal já ter bastante pó e se encontrar meio acinzentado).
E, agora, surgem outras novas, com cores bem mais luzidias, à venda em qualquer supermercado ou nas lojas dos chineses.

E o que dizer, então, dos concidadãos patriotas, que hoje saíram à rua com os seus cachecóis da selecção, empunhando as cores verde e vermelho... apenas porque a Selecção embarcou rumo à Suíça?!
Eu bem sei que Primavera ainda não a tivémos e Verão nem vê-lo, mas esta tarde esteve um calor considerável, senhores, mais valia terem substituído os cachecóis por lencinhos, que sempre fazia o mesmo efeito e vos daria menos calor!!

O que interessa agora o famoso aumento da gasolina e dos bens de consumo essenciais à sobrevivência de qualquer um de nós... ou o facto de se continuarem a construir gigantescos hospitais privados, quando o Sistema Nacional de Saúde funciona mal e porcamente???
O que interessa, de facto, é assistir ao embarque da selecção e ver como as diversas cadeias de televisão são ainda mais exaustivas na descrição de tal momento do que se se tratasse de uma catástrofe natural.

É, deveras, aliciante verificar como os nossos conterrâneos se conseguem sempre alienar com estas coisas do futebol e do (suposto) orgulho patriota, que deriva sempre dos jogos (do Nós contra os Outros)!!
Podemos estar a morrer à míngua e sem ordenados que cheguem até ao fim do mês, mas é sempre bom termos um cartão visa da selecção portuguesa, ora pois então!!

Todos se queixam nos transportes públicos e nos cafés a propósito do estado da nação... mas a verdade é que ninguém mexe uma palha para fazer o que quer que seja!
Em contrapartida, começam já todos (ou a grande maioria) aos pulos pela selecção!...

Bem dizia o outro, que a política dos três F's era o que esta nação precisava!





sábado, 31 de maio de 2008

"Cortes" - XXIV




Cena: "O Casamento", in "Gadjo Dilo", de Tony Gatlif (1997).





O olhar do Outro sobre uma cultura diferente da sua.







sexta-feira, 30 de maio de 2008

Notas Soltas - 126



- Fotografia jamais tirada... -


... mais uma que me arrependo profundamente de não ter tirado!




18h. Bairro do Armador, Belavista (Chelas).
Alguns jovens de origem africana jogam à bola no meio do passeio. Duas idosas conversam enquanto passeiam os seus fiéis amigos. Na soleira da porta de um dos enormes prédios, um velho olha o jogo dos adolescentes.

E ao longe, como pano de fundo de toda esta cena de vivência de bairro, as normalmente isoladas e sujas colinas da Belavista (finalmente desmatadas há apenas um mês), onde se vislumbra uma infindade de jovens, subindo velozes e em fila indiana em direcção ao Parque.

Cá em baixo, junto ao Feira Nova e ao metro é o caos completo de carros (tentando estacionar onde quer que seja - até mesmo no mal amado Bairro do Armador), polícias nas suas carrinhas de choque e funcionários municipais transportando caixotes de lixo (que dentro em breve estarão repletos das garrafas de cerveja e comida que os jovens que chegam empunham).




É pena que a Câmara Municipal de Lisboa só se lembre de limpar a cara da Belavista, transformando-a num local limpo e seguro, de dois em dois anos (acção feita expressamente sem ser para os seus moradores)!!!!
É pena que um grande festival de música, que pretende ser "Por Um Mundo Melhor", não faça mais pelo próprio espaço carenciado que utiliza em Lisboa!!!!

Eu não vou ao Rock in Rio... mas trabalho 4 dias por semana na Belavista!







- Encalacrada no Tempo -


Muito perto destas janelas, escondida por arbustos e árvores...








Ermida de Nossa Senhora da Conceição, junto à Quinta do Pombeiro (Parque da Belavista - Chelas) - construção do século XVIII.
Património da Câmara Municipal de Lisboa.







- Estórias com Gatos - XIV -



Os Herdeiros da Ninushka



Desde que esta história começou, os quintais parecem ter ficado amaldiçoados!...

Na verdade, fazendo agora uma retrospectiva de todos os acontecimentos, tudo começara bem antes disso, quando falecera o casal de idosos que protegia os gatos dos quintais e, mais tarde, quando a dona do Bosques da Noruega morrera também.
A queixa hipócrita e velada para o Canil/Gatil Municipal de Lisboa constituira, apenas, a estocada final do Homem sobre a Natureza!...

Hoje em dia, quando me ponho na janela da cozinha a fumar e olho para aqueles quintais desertos e sem vida, invade-me sempre uma sensação muito estranha e agoniante.

Porém, lá longe, na ponta mais à esquerda das traseiras, resistem ainda 2 colónias com cerca de 4 ou 5 gatos.

Em frente às minhas janelas, nos prédios do outro lado, vivem ainda Misha, Mikado e a gata tigrada (que nunca vem para os quintais do lado do meu prédio).



Misha continua a ir aparecendo por debaixo da janela do meu quarto. E, nos últimos tempos, à semelhança do que sucedera com a Ninushka, mal levanto os estores de manhã, ali está já ele à espera de comida, ou corre apressado na minha direcção (miando, enquanto envio para baixo o comedour preso a uns fios). Depois regressa sempre ao pequeno terraço do outro lado, onde vivera a sua dona.

Ainda não tive ocasião de aqui contar, mas, certo final de dia, andava eu completamente embrenhada no início desta outra história, estou a dar comida ao Misha, quando me deparo com a cabeça de uma senhora a espreitar no terraço em frente à minha janela.
Sorrio porque não havia muito mais a fazer perante tal situação.
E é, precisamente, neste ponto que a dita cuja senhora me pergunta como é que eu estava a dar-lhe comida.
Impossibilitada de visualizar toda a cena, vejo a senhora esgueirar-se para o terraço do lado e começar a observar-me.
E é então que me conta que a dona daquela gata havia falecido, mas que ela a continuava a alimentar.
Surpresa geral… afinal Misha era (e sempre foi) uma gata!
Uma gata já muito idosa, segundo me continua a contar a senhora, que, imagine-se, até chorara quando a sua dona falecera.
Pobre Misha… com mais sentimentos do que muitos humanos!



O Mikado perdera, também, este ano os seus protectores, passando a deambular erraticamente pelos diversos quintais, em busca de fémeas.

Aparece poucas vezes por debaixo da minha janela. Se bem que, nas últimas semanas, fruto de acompanhar a Misha para todo o lado (a quem tem muito respeitinho e deixa sempre comer em primeiro lugar), ou, talvez, por andar mais enfraquecido por "andar às gatas", tem aparecido mais frequentemente.
Esta manhã, por exemplo, mal abri a janela, deparei-me com ele assim...




Até já pensei em falar com a vizinha da dona da Misha, a ver se a senhora consegue apanhar o Mikado (que dorme, também, no seu terraço) e o mandamos castrar. Mas o tempo tem sido pouco para tudo aquilo que tenho tido que fazer (em termos pessoais e profissionais)!...





quinta-feira, 29 de maio de 2008

De volta a casa



Após 1 mês e 1 dia, a minha "menina" voltou a casa, como nova!...





Quando me ligaram a meio da tarde, nem queria acreditar no que me diziam (sobretudo, quando já me preparava para passar um fim-de-semana sem a "substituta", que o mano iria levar em viagem).
E vim num corta-mato medonho desde a Bobadela, para conseguir estar em Lisboa antes das 18h30 e ainda conseguir apanhar a loja aberta... Esboçando o maior sorriso do mundo, quando vi a empregada trazer a minha "menina" entre as suas mãos.

Eu sei que é mesmo vício!...





segunda-feira, 26 de maio de 2008

"Team-Building" no Monsanto



Com uma série de amigos e conhecidos a trabalharem na área comercial, há já algum tempo que ouvira falar do famoso conceito de "Team-Building" e das sessões de fim-de-semana que diversas empresas promovem em locais (quase) paradisíacos, com o intuito de desenvolver este espírito nos seus empregados.





Para todos nós, os "Outsiders", que trabalhamos na vertente social e não-lucrativa de apoio a públicos desfavorecidos, regra geral, estas sessões não existem sequer… Seja porque, à partida, se parte do pressuposto (em alguns casos, erradamente) de que quem trabalha nesta área já vem pré-formatado com espírito de equipa, sendo tamém empenhado ("committed to the cause") naquilo que faz; seja porque o muito "fashionable" conceito de empowerment, que tanto temos vindo a aplicar junto dos nossos públicos-alvo nos projectos financiados pela Comissão Europeia, acaba, impreterivelmente, por nos “afectar” a nós também.





Porém, quando as ONG's começam a crescer, expandindo-se por outras áreas de actividade, alguns problemas despontam.Foi por isso mesmo que hoje tivemos a nossa primeira sessão de "Team-Building" no idílico Espaço Monsanto, a custo zero (já que, como ONG que somos, não temos financiamentos disponíveis para ir para a Madeira, Açores ou ilhas estrangeiras).
Por entre "ice-breaking games" e passeios pelo Centro de Recuperação de Animais Silvestres (onde a maior atracção, para além da mina de água - onde apenas alguns conseguiram ir -, foi mesmo a gralha que diz olá ), lá fomos debatendo longe das quatro paredes do escritório os novos desafios e actividades a implementar.








Um dia memorável, passado num espaço recreativo a descobrir (sobretudo por todos aqueles que preferem enfiar-se aos fins-de-semana em centros comerciais)!...