Na ninhada da gatinha tigrada/tartaruga (retirada do Canil/Gatil Municipal de Lisboa a 17/04/08), a qual nascera a 15/04/08 já dentro do Gatil, composta por 8 bebés (o 9º ficara já sem vida no consultório do veterinário municipal), 3 dos bebés estavam mais enfraquecidos e o Vet. que nos tem acompanhado aconselhou a dar-lhes biberão.
Depois da correria de ontem ao final da tarde, para conseguir comprar o último dos biberões para animais recém-nascidos que existia na loja (já fechada, mas cujo dono foi impecável ao abrir-me a porta), alimentei 2 dos bebés conforme aconselhado.
É uma sensação verdadeiramente impressionante ter nas nossas mãos aqueles seres minúsculos, ainda em formação, procurando com as suas pequenas boquinhas a tetina do biberão!
Infelizmente, esta manhã, os 3 bebés mais fracos (2 pretos/brancos e 1 preto) acabaram por falecer junto à gata-mãe.
Mais tarde viríamos a perceber que, muito provavelmente, esses bebés (juntamente com o que já havia falecido no Canil) não pertenciam à ninhada desta gata, mas sim à da gata preta que saíra no mesmo dia que ela.
Infelizmente, no meio da agitação da saída dos animais, de os deixar na clínica veterinária para observação e de todos os nervos à mistura perante uma situação deste tipo, nem nós nem o Vet. nos apercebemos desse facto (algo pelo qual hoje me tenho sentido bastante culpada!)… e a pobre gata-mãe (adoptiva), quase esquelética, desidratada e de estatura muito reduzida, também não conseguiu amamentar tantos animais (só seus tem 5).
O suplício maior para mim foi ter que retirar os corpos dos 3 bebés da maternidade improvisada… embrulhá-los em 2 toalhas pequenas brancas e fechá-los dentro de um saco… quando, na véspera, estivera a alimentar dois desses pequeninos seres a biberão nas minhas mãos.
A tarde foi passada novamente no Canil/Gatil Municipal de Lisboa, acompanhando a Mariana, que decidiu que iria adoptar o gato amarelo/laranja que permanecia prostrado apaticamente na cela 13, onde 4 dos animais que retirámos e a ninhada também (sobre)viveram durante 8 dias.
Uma tarde muito triste, em que me encontrava completamente desnorteada com tudo o que já se passara e com uma dor bem profunda cá dentro… sobretudo, quando tive que depositar os pequeninos corpos dos 3 bebés no carrinho de mão que se encontra à entrada do Canil/Gatil Municipal (nunca lidei lá muito bem com o conceito de morte, seja a de animais ou pessoas)…
Animais que nasceram ali dentro, e ali tiveram que regressar para ser cremados… triste ironia do destino, que apenas tenham conhecido a liberdade durante 1 dia!
Aquando da consulta com o veterinário municipal, curiosamente, acabamos por saber que, também, aquele animal havia sido capturado fruto da queixa que alguém fizera contra os gatos dos quintais das traseiras do meu prédio (algo que não nos havia sido dito quando ali estivéramos no domingo passado).
Mais curiosa ainda se torna toda esta história, quando nos apercebemos que, contrariamente aos 6 outros gatos já retirados do Canil/Gatil, este amarelo/laranja é de uma meiguice e doçura que quase evidenciariam ter-se dado com pessoas. E é então que relembro a história do casal de idosos (falecido este ano) que construíra uma barraca no seu quintal, para proteger os gatos… E fico a pensar que, talvez, aquele animal tivesse uma convivência diferente com estas pessoas.
E, afinal de contas, tudo parece ter uma ligação e encadear-se: uma história sobre gente bondosa, que me tocara particularmente; e acabar por ter que salvar os animais que eles próprios protegeram… todos eles, mesmo o que ficara sozinho na cela.
Uma tarde, no entanto, recompensadora, quando vi os olhos radiantes da Mariana e os miados de mimo do gatinho amarelo/laranja, ao partirem.
Muito obrigada do fundo do coração, Mariana, pela nova vida (mais feliz) que vais dar a este gatinho!
Um grande obrigada, também, à Sónia… pois, se não fosse através do blog dela, nada disto teria sido possível!
Ao fim da tarde, a 1ª gatinha que saíra do Canil/Gatil a 16/04/08 e se encontrava grávida, acabara de parir... ao lado da sua irmã tigrada/tartaruga e da ninhada desta.
No entanto, como a gatinha é muito nova, não sabia lá muito bem o que fazer, tendo deixado 2 dos recém-nascidos no canto oposto da maternidade-improvisada ainda com o cordão umbilical preso à placenta.
Peguei cuidadosamente nos recém-nascidos e coloquei-os estrategicamente próximo das 2 mães, para que a mais nova se apercebesse do que deveria fazer. Meia hora passada e nada, e os bebés afinal eram 4, mas a gata-mãe só se interessava por amamentar e mimar um deles.
Com a grande complicação, apercebi-me mais tarde, que a nenhum dos 4 ela cortara o cordão umbilical.
E eu, que nunca me vira metida nestas andanças, e apenas assisti uma vez a um parto felino (duma gata saudável que viveu em casa da minha mãe), acabei por ter que, de acordo com indicação do Vet., cortar o cordão umbilical aos 4 recém-nascidos e tratar de retirar da maternidade as placentas.
Não sei bem onde fui buscar forças para tudo isto (talvez ao facto de, na véspera, ter estado a alimentar 2 seres que, mais tarde, viriam a falecer)... mas posso dizer-vos que não é uma tarefa nada agradável!
Como, entretanto, esta 2ª gata-mãe já abandonara a meternidade, continuando a não perceber como deveria agir, tive que a fechar dentro de uma transportadora com os 4 filhotes.
Umas horas mais tarde, já estava a amamentá-los... e coloquei-os novamente na maternidade.
Cheguei ao final do dia de rastos de cansaço... e a pensar que, pelo bem da minha saúde, não me deveria meter neste tipo de coisas... mas é sempre mais forte do que eu!...


