sábado, 19 de abril de 2008

Um dia de emoções à flor da pele



Na ninhada da gatinha tigrada/tartaruga (retirada do Canil/Gatil Municipal de Lisboa a 17/04/08), a qual nascera a 15/04/08 já dentro do Gatil, composta por 8 bebés (o 9º ficara já sem vida no consultório do veterinário municipal), 3 dos bebés estavam mais enfraquecidos e o Vet. que nos tem acompanhado aconselhou a dar-lhes biberão.

Depois da correria de ontem ao final da tarde, para conseguir comprar o último dos biberões para animais recém-nascidos que existia na loja (já fechada, mas cujo dono foi impecável ao abrir-me a porta), alimentei 2 dos bebés conforme aconselhado.
É uma sensação verdadeiramente impressionante ter nas nossas mãos aqueles seres minúsculos, ainda em formação, procurando com as suas pequenas boquinhas a tetina do biberão!

Infelizmente, esta manhã, os 3 bebés mais fracos (2 pretos/brancos e 1 preto) acabaram por falecer junto à gata-mãe.
Mais tarde viríamos a perceber que, muito provavelmente, esses bebés (juntamente com o que já havia falecido no Canil) não pertenciam à ninhada desta gata, mas sim à da gata preta que saíra no mesmo dia que ela.
Infelizmente, no meio da agitação da saída dos animais, de os deixar na clínica veterinária para observação e de todos os nervos à mistura perante uma situação deste tipo, nem nós nem o Vet. nos apercebemos desse facto (algo pelo qual hoje me tenho sentido bastante culpada!)… e a pobre gata-mãe (adoptiva), quase esquelética, desidratada e de estatura muito reduzida, também não conseguiu amamentar tantos animais (só seus tem 5).

O suplício maior para mim foi ter que retirar os corpos dos 3 bebés da maternidade improvisada… embrulhá-los em 2 toalhas pequenas brancas e fechá-los dentro de um saco… quando, na véspera, estivera a alimentar dois desses pequeninos seres a biberão nas minhas mãos.





A tarde foi passada novamente no Canil/Gatil Municipal de Lisboa, acompanhando a Mariana, que decidiu que iria adoptar o gato amarelo/laranja que permanecia prostrado apaticamente na cela 13, onde 4 dos animais que retirámos e a ninhada também (sobre)viveram durante 8 dias.

Uma tarde muito triste, em que me encontrava completamente desnorteada com tudo o que já se passara e com uma dor bem profunda cá dentro… sobretudo, quando tive que depositar os pequeninos corpos dos 3 bebés no carrinho de mão que se encontra à entrada do Canil/Gatil Municipal (nunca lidei lá muito bem com o conceito de morte, seja a de animais ou pessoas)…
Animais que nasceram ali dentro, e ali tiveram que regressar para ser cremados… triste ironia do destino, que apenas tenham conhecido a liberdade durante 1 dia!

Aquando da consulta com o veterinário municipal, curiosamente, acabamos por saber que, também, aquele animal havia sido capturado fruto da queixa que alguém fizera contra os gatos dos quintais das traseiras do meu prédio (algo que não nos havia sido dito quando ali estivéramos no domingo passado).
Mais curiosa ainda se torna toda esta história, quando nos apercebemos que, contrariamente aos 6 outros gatos já retirados do Canil/Gatil, este amarelo/laranja é de uma meiguice e doçura que quase evidenciariam ter-se dado com pessoas. E é então que relembro a história do casal de idosos (falecido este ano) que construíra uma barraca no seu quintal, para proteger os gatos… E fico a pensar que, talvez, aquele animal tivesse uma convivência diferente com estas pessoas.
E, afinal de contas, tudo parece ter uma ligação e encadear-se: uma história sobre gente bondosa, que me tocara particularmente; e acabar por ter que salvar os animais que eles próprios protegeram… todos eles, mesmo o que ficara sozinho na cela.

Uma tarde, no entanto, recompensadora, quando vi os olhos radiantes da Mariana e os miados de mimo do gatinho amarelo/laranja, ao partirem.

Muito obrigada do fundo do coração, Mariana, pela nova vida (mais feliz) que vais dar a este gatinho!
Um grande obrigada, também, à
Sónia… pois, se não fosse através do blog dela, nada disto teria sido possível!





Ao fim da tarde, a 1ª gatinha que saíra do Canil/Gatil a 16/04/08 e se encontrava grávida, acabara de parir... ao lado da sua irmã tigrada/tartaruga e da ninhada desta.
No entanto, como a gatinha é muito nova, não sabia lá muito bem o que fazer, tendo deixado 2 dos recém-nascidos no canto oposto da maternidade-improvisada ainda com o cordão umbilical preso à placenta.
Peguei cuidadosamente nos recém-nascidos e coloquei-os estrategicamente próximo das 2 mães, para que a mais nova se apercebesse do que deveria fazer. Meia hora passada e nada, e os bebés afinal eram 4, mas a gata-mãe só se interessava por amamentar e mimar um deles.
Com a grande complicação, apercebi-me mais tarde, que a nenhum dos 4 ela cortara o cordão umbilical.

E eu, que nunca me vira metida nestas andanças, e apenas assisti uma vez a um parto felino (duma gata saudável que viveu em casa da minha mãe), acabei por ter que, de acordo com indicação do Vet., cortar o cordão umbilical aos 4 recém-nascidos e tratar de retirar da maternidade as placentas.
Não sei bem onde fui buscar forças para tudo isto (talvez ao facto de, na véspera, ter estado a alimentar 2 seres que, mais tarde, viriam a falecer)... mas posso dizer-vos que não é uma tarefa nada agradável!

Como, entretanto, esta 2ª gata-mãe já abandonara a meternidade, continuando a não perceber como deveria agir, tive que a fechar dentro de uma transportadora com os 4 filhotes.
Umas horas mais tarde, já estava a amamentá-los... e coloquei-os novamente na maternidade.

Cheguei ao final do dia de rastos de cansaço... e a pensar que, pelo bem da minha saúde, não me deveria meter neste tipo de coisas... mas é sempre mais forte do que eu!...




sexta-feira, 18 de abril de 2008

Ponto de situação sobre os 6 gatinhos dos quintais...



... que foram parar ao Canil/Gatil Municipal de Lisboa, após uma queixa de alguém que se sentia importunado/a com a presença dos mesmos:


4ª feira (16/04/08)

Saiu a primeira gatinha, que tinha dado entrada no Canil/Gatil a 08/04/08.
É uma gata tigrada, pequenina, lindíssima, de olhos muito grandes e arredondados. Tem o pêlo aparentemente rapado em alguns locais (provavelmente, porque algum dia foi abocanhada pela cadela da Dª. L., que os alimentava).
Está grávida, mas o parto ainda não está para breve. Ontem, ao final da tarde, na Clínica Veterinária, estava muito agitada e foi muito complicado para lhe retirar sangue (a ela e aos restantes animais) para análises pois estavam muito desidratados.


5ª feira (17/04/08)

Estive no Gatil para retirar os 4 gatos que tinham ficado reservados em meu nome no domingo. Uma das gatas estava grávida e teve 8 filhotes (um deles estava já morto, quando fomos atendidas pelo veterinário de serviço) dentro da cela onde se encontrava, no passado dia 15/04/08.

Para além da gata-mãe com os filhotes, saíram ainda: 1 gato preto anão; 1 gata tigrada; 1 gato/a preto (ainda não deu para saber sexo, pois estava muito nervoso).
Ficaram todos na clínica veterinária.

Na 5ª feira de manhã tive que tomar 2 anti-histamínicos, para conseguir voltar a entrar no Canil/Gatil.
Os 4 gatos que trouxemos estavam todos na mesma cela, amontoados (juntamente com os bebés) em cima de um pano que lá colocaram depois da gatinha parir.
Estava com muito receio de não os conseguir retirar, de algum ainda se assustar, e os funcionários do Canil o quererem apanhar de outra forma... Mas, curiosamente, correu tudo com uma grande serenidade: os 2 gatos pretos entraram sozinhos na transportadora e a gata-mãe deixou-me fazer festas e retirar a ninhada toda. Apenas a última tigrada deu alguma luta para entrar dentro da transportadora.

Ainda lá ficou um gato amarelo, lindíssimo e super meigo, que estava com este grupo na mesma cela.
No domingo, esse gato estava afastado do grupo, mas ontem já se enroscava neles (como que procurando refúgio e calor entre os seus semelhantes), lambendo também os bebés.
Fiquei com uma grande mágoa de não o poder também trazer.

O que me continua, cada vez mais, a impressionar nas deslocações ao Canil/Gatil Municipal de Lisboa é o olhar daqueles animais enjaulados... o seu comportamento em cativeiro.
Apesar de algumas coisas, lá dentro, já parecerem estar a mudar... ainda não é o ideal! Mas sobre isso falarei num outro dia, quando tiver as ideias mais assentes.


6ª feira (18/04/08)

Esta manhã saiu a última/o gata/o. Encontra-se na Clínica Veterinária, para observação.



Como devem calcular, no meio disto tudo, ando com a cabeça completamente feita em água... pois, também, tenho andado com muito trabalho no emprego.
Mas ando a tentar recuperar a tranquilidade (que perdi no dia em que soube o que sucedera a estes animais), para resolver tudo isto com muita serenidade e para que todos estes animais a recuperem também.

Peço muitas desculpas a todos os outros amigos, com quem deixei de manter contacto mais regular e, também, de visitar os vossos blogs... mas, como devem imaginar, não tem sido fácil estar em todo o lado ao mesmo tempo.



Não posso deixar de aproveitar para aqui agradecer publicamente às duas únicas pessoas que, no local em que moro, se preocuparam verdadeiramente com o destino destes animais e não ficaram de braços cruzados: - a C. e a F., que me acompanharam desde o início de toda esta história e foram diversas vezes ao Canil/Gatil retirar alguns dos animais (no caso da F., entrou naquelas instalações mesmo sabendo que isso ainda lhe poderia deteriorar mais a sua saúde).

Agradecer, também, a toda a equipa da Clínica Veterinária que nos tem acompanhado (de uma forma excepcionalmente humana) nesta história: ao P., à MA, à I. e à C. ... porque, sem eles, nada disto seria possível!
Muito obrigada!






terça-feira, 15 de abril de 2008

Corners of my Home (Once a Week)



Cama estilo japonês (Tatami), adquirida na maravilhosa (e já extinta em Portugal) Habitat.

Janela das traseiras sob a cabeceira.













domingo, 13 de abril de 2008

Um ano depois... tenho que regressar ao mesmo local



Nunca mais esperei aqui voltar a entrar!...

Infelizmente, por vezes, nas nossas vidas, parece que há situações que já se encontram pré-destinadas (mesmo quando não são desejadas).
E, esta tarde, praticamente, um ano depois da primeira vez que lá fui, regressei... por uma boa causa (e porque, simplesmente, não viveria de consciência tranquila comigo própria, se me tivesse resignado e ficado de braços cruzados!).

Por entre uma infinidade de muitos outros nas mesmas condições de detenção, ali se encontram os 6 gatinhos dos quintais das traseiras do meu prédio...
4 deles na mesma cela, aninhados uns contra os outros, um deles mia de dor (ou, talvez, pânico) quando ouve a nossa voz; 2 gatinhas tigradas em celas separadas, completamente isoladas e sozinhas, enroscadas nos cantos das gaiolas, com os olhos terrivelmente petrificados.

Ficaram "reservados" e, agora, conforme dita o regulamento, teremos que aguardar que se perfaçam os 8 dias de estadia de cada um deles, para os podermos ir indo buscar no decorrer da próxima semana.

Pena que nem todos os indivíduos conheçam este local, pois, certamente, que pensariam duas vezes, antes de abandonar animais ou de os denunciarem para consequente recolha!

Quanto a mim, estou de rastos!...




sábado, 12 de abril de 2008

Estórias com Gatos - XIII



"Chegará o dia em que os homens conhecerão o íntimo dos animais,
e, neste dia, um crime contra um animal
será considerado um crime contra a humanidade..."


Leonardo da Vinci (1452-1519)







Era a colónia mais ostracizada dos quintais das traseiras do meu prédio, desde que lhes destruíram o telhado do quintal, onde outrora haviam sido protegidos.

Ainda assim, a natureza continuava a seguir o seu ritmo…
E muitos filhotes iam nascendo, crescendo, brincando e tentando sobreviver conforme podiam.

Nas últimas semanas, quando me viam, de manhã, a dar comida ao Misha e ao Mikado, duas gatinhas tigradas empoleiravam-se no muro da minha vizinha de baixo, a miar desesperadas com fome.
Atirava-lhes alguns biscoitos de ração seca, e ali ficavam de focinho no chão a petiscar. Pareciam pequenos ratos magricelas, apesar da Dª. L. também os alimentar no seu quintal.

Desde 4ª feira passada, deixei de os ouvir a miarem de manhã, por debaixo das janelas da Dª. L. Os estores desta encontravam-se fechados desde então. E apenas na 6ª feira à noite vi um dos tigrados mais pequenos a deambular pelo quintal sobranceiro ao da Dª. L.

Esta manhã, informaram-me que a “senhora aleijada”, que mora no R/c ao lado do da Dª. L., tinha chamado os funcionários do Canil/Gatil Municipal de Lisboa para irem recolher os animais.
Vieram em duas fase, segundo me contou a minha vizinha de baixo, e ainda faltaria apanhar um dos gatos (o tal que eu vira na 6ª feira à noite). Colocaram armadilhas com comida no quintal, para os apanharem.
E a Dª. L., não aguentando assistir da sua janela ao triste espectáculo de ver os animais enjaulados a chorarem atirando-se contra as grades para tentarem fugir, partira para casa do seu irmão.

Relembro agora, com muita tristeza, a última vez que falei com a Dª. L., no fim-de-semana passado, e lhe perguntei se não haveria possibilidade de tentarmos esterilizar aquela colónia; tendo me ela respondido que aqueles gatos não se deixavam apanhar...
E a Dª. L. a falar-me do gatinho preto anão, a quem até dera um nome, e queria tentar adoptar, apesar da sua cadela não gostar lá muito de felinos...
E as duas gatinhas tigradas que, empoleiradas no muro do quintal da vizinha de baixo, me começaram a miar todas as manhãs, pedindo comida com um olhar entristecido...

Era a colónia mais ostracizada dos quintais das traseiras do meu prédio...
7 gatos que se tornaram um "incómodo" para alguém que, precisamente, pelo estado em que se encontra deveria ser mais tolerante para com os seres vivos que não se podem defender. Alguém que lhes destruiu o telheiro onde sempre viveram... e que, agora, lhes quis dar a estocada final.

Lamentável que o Homem ainda não tenha aprendido nada com o íntimo dos animais...
Pois saberia, então, que ele próprio é o único ser vivo neste planeta que consegue atraiçoar e fazer mal a outrém com plena consciência racional dos seus actos (o que é terrível, só de pensar que alguém consegue viver de consciência tranquila após ter enviado seres vivos para uma morte certa)!





quarta-feira, 9 de abril de 2008

Notas Soltas - 118



- Músicas que (ainda) fazem todo o sentido... -



"Little Boxes", por Malvina Reynolds (1962). Genérico da série "Weeds".


... no mundo actual!






- "Like/Dislike on Wednesdays" - 1 -


Seguindo o desafio da priminha, aqui fica uma nova rubrica "Like/Dislike on Wednesdays"...
Para lhe dar início, vou aproveitar alguns posts mais antigos (mas que ainda hoje fazem sentido neste contexto).

Gosto de sentir os raios do sol ténue da manhã...

Detesto as "patilhas" metálicas de abertura das latas de bebidas.




terça-feira, 8 de abril de 2008

"Cortes" - XXIII







Diversas cenas de "Les Amants du Pont Neuf", de Leos Carax (1991).




Vários "cortes" (e não apenas uma cena específica, como ditava a rubrica) de um dos filmes mais bonitos e depurados de todos os tempos!...

A singela história de amor de dois "vagabundos". As ruas, o céu e o rio na mais bela cidade do mundo, vistos sob um outro prisma.

Video compilado por Rifflin, com música na voz de uma grande senhora.




segunda-feira, 7 de abril de 2008

Notas Soltas - 117



Nova cortina para a banheira, para substituir esta aqui.

Através do Flickr, convidaram-me para integrar este outro site sobre casas (dizendo que as fotos da minha casa eram muito bonitas - imaginam como fiquei babada!!).
Por isso, aqui deixo também o convite às meninas de outros blogs (que têm seguido esta desafio semanal), para se juntarem a esta outra "tribo".






- Acer Japonês -





Sempre quis ter um...
E o Homem que transportava ao peito uma constelação de estrelas, ontem, realizou o meu desejo.
A priminha ajudou com as dicas sobre o cultivo.
Muito obrigada a ambos!

Agora vamos lá ver como ele se comporta!...






- Na Feira... -






de Azeitão, ontem.

Muito obrigada pelo convite e pela simpatia da hospitalidade!







sábado, 5 de abril de 2008

Notas Soltas - 116



Mal vão os tempos, quando o Homem perdeu todo o respeito para com o meio ambiente e os restantes seres vivos...

E, mais cedo ou mais tarde, todos nós teremos que pagar por esses danos.





- Ninushka: 4 meses e 16 dias depois -


Desde 4ª feira passada, encontrou novo poiso... e passou a comer junto das outras 'nininhas.
Ainda tem algum receio, quando faço inadvertidamente um gesto mais repentino... mas caminhamos no bom sentido!



Breve nota higiénica (para os mais susceptíveis com estas coisas): - a almofada não assenta directamente em cima do microondas, encontrando-se este protegido com uma cobertura plástica, que todas as noites é devidamente limpa.





- À espera de vez... -



Misha (a comer) e Mikado (atrás)... este final de tarde.




sexta-feira, 4 de abril de 2008

"Curtas" - VIII






"Mona Lisa Descending a Staircase", de Joan C. Gratz (1992)




Tomando Mona Lisa como ponto de partida, Joan C. Gratz junta pinturas de outros 35 artistas, reproduz versões das suas obras de arte em argila colorida, anima-as e... transforma-as umas nas outras, através de um sucedâneo de imagens visualmente fascinantes.