sexta-feira, 29 de fevereiro de 2008

Notas Soltas - CIX



- Para Venda - II -




Comparativamente com o final de 2006, a situação aumentou exponencialmente.
Desta vez, só nos dois blocos adjacentes ao meu prédio existem já 4 apartamentos colocados à venda desde o início deste ano.

Que eu tenha conhecimento, nenhum deles é pertença de algum idoso que possa ter falecido recentemente... Pelo que esta situação só vem provar que a questão do aumento das taxas de juros do crédito à habitação tem contribuído para o descalabro financeiro de muitos portugueses (e eu que o diga!).




- Alfazema -


Depois de um Inverno muito triste e acabrunhado, a minha Lavandula stoechas 'Anouk' começou agora a florir, formando esta flor magnífica.

A sua congénere (vinda directamente do Horto da priminha, oferta da tia) esteve sempre em flor, o que permitiu esta produção caseira "grandiosa".




quarta-feira, 27 de fevereiro de 2008

"Curtas" - VI






"Madame Tutli-Putli", de Chris Lavis e Maciek Szczerbowski (2007)


Quando nos confrontamos com os nossos próprios demónios...



Para ver a 2ª parte do filme, clicar aqui.


segunda-feira, 25 de fevereiro de 2008

Notas Soltas - CVIII



- Post em honra da Priminha -




Veio agarrada a uma mola, enquanto retirava a roupa do estendal.
Por pouco, não me ia parar dentro da boca, devido à minha cabeça sempre no ar... porque tenho esta estranha mania de pegar sempre em três molas (duas com uma única mão, para ir prendendo a roupa no arame, e a terceira agarrada entre os lábios) e, ainda, ia estender mais roupa.

Tentei apanhá-la com uma ponta de papel e coloquei-a no parapeito da janela da cozinha, onde me aparecem sempre diferentes animais (quase se poderia dizer que vivo em pleno campo, nas traseiras do meu prédio), o que sempre é melhor do que as migalhas do almoço e jantar da vizinha do 3º Esq.

Mas não contente com o local onde a pobre criatura ficara, ali meio perdida, tentei apanhá-la de novo, enquanto ia ficando encurralada por uma teia de aranha perto do final do arame da roupa.

E agora, passou a viver, feliz e contente, dentro da minha estufa (que tem abertura lateral, não se preocupem!).

Para uma 2ª feira em que já quase explodia ao pensar em tudo o que me sucedera (e chegava à triste conclusão que, de facto, deveriam proibir a minha saída de casa neste dia da semana), foi mesmo uma boa nova, esta Joaninha!




- A Cusquice -


Depois das atribulações de sábado à noite, não há nada melhor do que, no dia seguinte ao fim da tarde, a Vice-Cusca Mor aqui da rua vir tocar directamente à nossa campaínha e perguntar o que sucedera na véspera!...

Com a Cusca-Mor da rua (que, logo por azar, reside no mesmo prédio que eu!) fora do activo por período incerto, devido aos vapores etílicos a terem feito dar uma queda em que partiu o braço direito e magoou a cabeça, o apoio nas suas lides domésticas e no métier da cusquice tem sido efectuado pela Dª. L. (que, curiosamente, até tem o mesmo nome que ela).

Como me dizia a minha mãe no sábado à noite: - "Amanhã o bairro inteiro já sabe que foste tu que chamaste a Polícia!"







domingo, 24 de fevereiro de 2008

"Mercado de Bem-Fica"





A ideia surgiu aqui, fruto dos comentários que a J. me ia deixando nas fotografias da minha rubrica "Benfica" neste blog.
Da ideia à acção o espaço é sempre ténue, quando fazemos as coisas com entusiasmo... E daí nasceu este novo espaço em comum.

No Mercado de Bem-Fica, escrito a duas mãos, "vendemos" imagens, lembranças, textos, artigos... falamos (sobre) e damos a conhecer este bairro de Lisboa de que tanto gostamos.

E quem se quiser juntar a nós, será sempre muito bem vindo!
Basta enviar um e-mail para mercadodebemfica[arroba]gmail[ponto]com



sábado, 23 de fevereiro de 2008

Peripécias de um Sábado à noite



Já passava das 21h, enquanto fumava um cigarro à janela da cozinha (o único local cá em casa onde a Lei do Tabaco ainda não teve interferência).
Nos quintais vizinhos, ao longe, um cão não parava de ladrar insistentemente há já uns bons minutos. Não percebo a linguagem dos canídeos, mas aquele ladrar forte e ameaçador não se parecia nada com o normal ladrar de entusiasmo quando os cães sentem um gato passar.
Terminara o cigarro e preparava-me para fechar a janela da varanda da cozinha, mas, por um qualquer motivo incógnito, decidi ainda ficar mais um pouco a ouvir o ladrar do cão, tentando perceber se vinha mesmo do lado direito, de umas vivendas térreas que ali existem.

E é quando, subitamente, ao olhar para o quintal sobranceiro ao da Dª. L., vejo um fulano a olhar para as janelas das traseiras desse mesmo prédio.
Sem fazer barulho fechei a minha janela e os estores e, com o coração aos pulos, fiquei a espreitar por detrás das lâminas.
Vejo-o saltar o muro, passar para o quintal da Dª. L. e tentar novamente galgar o muro e a rede de arame para o quintal do lado.

Primeira reacção: pegar no telefone e ligar para a esquadra aqui da zona. Linha telefónica interrompida. Relembro, então, as palavras de um agente da PSP que costuma fazer ronda no meu local de trabalho, que me havia dito ser mais rápido chamar o 112 em caso de emergência, uma vez que eles redireccionam logo os pedidos para os carros-patrulha que andam nas zonas em questão.
Ligo para o 112 e, por entre os nervos que me consomem, lá consigo explicar ao operador o que se passa, indicando-lhe, também, a única saída possível daqueles quintais para o lado da rua principal, explicando-lhe que, eventualmente, talvez, fosse melhor a polícia dirigir-se para esse mesmo local.

Ainda meio atordoada com o telefonema para o 112, resolvo ligar à Dª. M., a única vizinha do prédio de quem possuo número de telemóvel, para a avisar do que se passava, dado que a senhora mora no R/c e todas as suas janelas se encontravam facilmente acessíveis para o tal fulano que se passeava àquela hora nos quintais.

Quando regresso à janela da cozinha, por entre os estores, vejo-o já no quintal dos prédios em frente, onde a luz continua acesa e se vislumbram os vultos dos seus moradores a jantar desconhecendo o que se passa cá fora.

Tocam-me à campainha de casa. Vou abrir pensando tratar-se da Dª. M., quando me deparo com 2 jovens e muito altos agentes da Polícia, que me perguntam se fora dali que alguém ligara para o 112 (note-se que nem 15 minutos haviam passado sob o meu telefonema!).
Por momentos, quase perco a voz e o raciocínio, ao lembrar-me que, de tal modo estava nervosa quando ligara para o 112 que apenas dissera o nome da rua onde moro e o número da porta, mas não o andar. Enquanto digo que sim e convido os senhores agentes para entrarem, o meu raciocínio regressa ao seu devido local, e apercebo-me que, muito logicamente, aquando da triagem da chamada que efectuara para o 112, na base de contactos ficara marcado o número de onde ligara, pelo que, facilmente, localizavam o meu andar.

Acompanho, então, os dois agentes até à varanda da cozinha, onde abro a janela, ao pé do areão das minhas gatas (que, ensonadas, permaneciam alheias a tudo no sofá da sala) e lhes explico o que se passara, enquanto um deles lutava por contornar o tabuleiro do areão.

Perguntam-se se consigo descrever o indivíduo que vira e se o mesmo era preto. Respondo que, de noite e com tudo tão pouco iluminado, é difícil dizer, mas que me parecera um indivíduo alto, magro e com um chapéu com pala como os que os miúdos costumam usar.
Nisto, acende-se um foco de luz no quintal da retaguarda e uma sombra começa a surgir subindo para o telhado da Dª. M.
Aparece o Sr. S., seu marido, olhando para todos os lados, procurando se havia alguém nos quintais vizinhos. Olha para a minha janela da cozinha e diz: - “Estão ali do outro lado alguns colegas dos senhores!”
Os dois agentes da polícia, que se encontravam na minha cozinha acedem afirmativamente, informado que alguns colegas se haviam dirigido para o local que eu referira na chamada telefónica para o 112.
Mas do suposto ladrão que andara a percorrer todos os quintais, nem sombra!...

Aproveito para explicar aos dois agentes que já não era a primeira vez que isto sucedia, e que, apesar daquele ser um local bastante tranquilo, já numa manhã de Agosto sucedera algo semelhante, mas que ninguém quisera apresentar queixa. E que seria bom se nas rondas que efectuam passassem a ter mais incidência naquela zona em particular nos dois pontos sensíveis, que dão acesso directo às traseiras daqueles prédios.

Estamos nesta conversa quando o agente mais alto e mais magro aponta uma espécie de mini-lanterna para o quintal em frente ao meu prédio (quintal esse que fica um pouco mais elevado) e diz: - “Mas o que é aquilo que ali vai a correr? É um vulto!”
E não foram os nervos que, ainda, me consumiam por dentro, eu teria dado uma imensa gargalhada, quando tive que lhe responder: - “Não, aquilo é só um gato!” (neste caso, era o Misha, que, possivelmente, andava bem assustado, com tantos humanos a percorrerem os quintais e a subirem aos telhados).

Do suposto ladrão que andara a percorrer todos os quintais, nem sombra... conseguira evadir-se antes da chegada dos agentes da Polícia.

Posto isto, encaminho os dois agentes até à porta da rua, enquanto um deles me diz atenciosamente que, caso seja necessário, lhes ligue novamente.
Ao abrir a porta de casa, o agente mais alto e mais magro ainda me diz, olhando para a Miyuki especada no meio do corredor: - “Cuidado, não vá ela sair!”

E eu que até queria ter um fim-de-semana calminho, para descansar um bocado a cabeça...
Com o Homem que transportava ao peito uma constelação de estrelas ausente de Lisboa, tive logo que meter dois polícias (por sinal, bem jeitosos!) cá em casa!... ;)





quarta-feira, 20 de fevereiro de 2008

Notas Soltas - CVII

... depois, a Ninushka já anda menos receosa e não foge a correr quando nos vê aproximar-se ou entrar de repente na divisão em que ela se encontre.
Fez novas amigas e adora passar as manhãs deitada em cima da máquina de lavar roupa a observar os quintais.
Já se aproxima mais de mim quando lhe vou dar comida e, curiosamente, para uma gata que sempre viveu na rua - e sempre comeu qualquer tipo de ração que lhe dei -, passou a ter hábitos de madame (já que torce o focinho a qualquer outra ração que não seja "Eukanuba Senior").

Ainda não é o ideal... mas para lá caminhamos!






- "Cortes" - 2 em 1 (XX e XXI) -


O 2º "Corte" sem vídeo, por não o ter encontrado no You Tube.




Cenas finais de "La Vie Rêvée des Anges", de Erick Zonca (1998).



Porque o quotidiano, por vezes, cansa e nos começa a pesar demasiado...
"Les gens normaux n'ont rien d'exceptionnel"!...




segunda-feira, 18 de fevereiro de 2008

Depois do Dilúvio





A noite foi agitada com o ouvido desperto na bátega de água que caía lá fora, entrecortada pelo ribombar da trovoada.
A Mary Poppins passou toda a noite deitada na outra almofada, com o dorso encostado à minha cara, mal se mexendo com o barulho ensurdecedor.

Até gosto de ouvir a trovoada, mas, desta vez, para além de não ter conseguido dormir nada, fiquei mesmo impressionada com o barulho da água que caía em catadupa ininterrupta!

Porque é que este país se transforma num caos (ainda maior) quando chove?

Porque é que os governantes "empurram" a culpa uns para os outros e os cidadãos ficam, cada vez mais, desprotegidos?




sábado, 16 de fevereiro de 2008

Passeio Matinal





Pequenas casas térreas na Rua dos Arneiros
(morada da minha nova amiga).




Beco do Vintém das Escolas
(os graffitis também podem ser arte, mas não por estas paragens).




sexta-feira, 15 de fevereiro de 2008

A propósito da Tristeza




"A tristeza é um livro sábio que se tem no coração e que nos diz centenas de coisas - impede-nos de apodrecer como um cogumelo debaixo de uma árvore; pouco a pouco vai fabricando uma provisão de ensinamentos para a vida."


Juliusz Slowacki






quinta-feira, 14 de fevereiro de 2008

Notas Soltas - CVI



- Mudar de cara! -


Porque não posso mudar a cara com que tenho andado nestas últimas semanas...
Porque a barra de navegação lateral do blog desapareceu misteriosamente para o final da página e não consegui resolver a situação de outra forma...
Porque tudo isto já me andava a complicar com o sistema nervoso...
Porque me apeteceu...

Este blog mudou hoje de cara!

Espero não ter perdido nenhuma das configurações que tinha previamente instalado, nem tão pouco algum post ou fotografia...

Espero que gostem do novo look deste ano!






- "Dia dos Namorados"?? -


Gosto das coisas simples, depuradas de enganos e falsas ilusões...

Os verdadeiros sentimentos devem ser expressos durante o ano inteiro, sob pena de nos esquecermos de quem amamos ou apenas nos relembrarmos já demasiado tarde.

Sou contra a fixação pela sociedade consumista de um único dia para que todos os enamorados expressem de uma forma mais visível os seus sentimentos...
Porque fartos de enganos andamos nós todos!...

Por isso, não comprei nada para te oferecer hoje...
Mas tu sabes que, passado um ano, o meu sentimento continua como um poema inscrito na tua pele, rimando, a cada dia que passa, com a nossa alma numa agradável serenidade.

Algumas (outras) tradições bem mais interessantes sobre este dia... aqui e aqui.