Comecei a ouvi-lo a meio da semana passada, na estação de metro da Alameda.
De início, como não me apercebi nem via de onde provinha aquele som, pensei tratar-se de algum jovem com pretensões a engraçadote, que importunasse daquela forma ritmada e sistemática os restantes viajantes.
Ontem à noite, quando voltava para casa depois de mais um extenuante dia de trabalho na Bobadela, continuei a ouvi-lo... e, persistindo sem conseguir visualizar qual a origem daquele som, ainda me passou pela cabeça que um papagaio ou uma caturra se tivessem perdido no metropolitano e andassem para ali empoleirados a assobiar (o que não seria nada de espantar, dado que no hipermercado Continente do Centro Comercial Colombo também existem pássaros que esvoaçam por entre os grandes tubos metálicos do tecto. Ou nunca repararam?).
Só esta manhã, quando as portas da carruagem do metro onde vinha se abriram e os passageiros saíram apressados, ouvi novamente o tal "fiu fiu"... deparando-me, mesmo à minha frente, com um moopie em tons de bordeaux, de onde saltavam à vista os rostos de dois jovens com copos de cerveja nas mãos.
Percebi, finalmente, que aquele irritante e insistente assobio, que ouvia há quase uma semana, de 15 em 15 segundos na estação de metro da Alameda, se tratava de uma forma de publicitar a cerveja Sagres, através de umas colunas de som ligadas ao tal moopie.
Depois, em conversa com uma colega de trabalho, fui informada que "eles" se apoderaram de uma série de outras estações de metropolitano.
E aí assustei-me a valer, pensando naquela invasão-publicitária!...
Num segundo momento, compadeci-me de todos aqueles cidadãos anónimos que, à semelhança do que sucede comigo, ao tentarem regressar a suas casas depois de 8 horas de trabalho, são bombardeados (contra sua vontade) com aquele assobio irritante e persistente... O qual poderá provocar em algumas pessoas uma valente crise de esquizofrenia, ou, até mesmo, conduzir a atitudes agressivas contra outrém (o que, quando exercidas dentro de uma estação ou carruagem de metro, poderia ser extremamente perigoso... ou não se tratasse o metropolitano de um "transporte de risco", com todos aqueles encontrões e ultrapassagens a que, diariamente, assistimos).
Finalmente, pus-me a pensar se não poderíamos processar o Metropolitano de Lisboa por danos públicos ao cérebro e nervos dos seus passageiros?






