terça-feira, 29 de janeiro de 2008

O "fiu fiu" que me irrita (à brava)




Comecei a ouvi-lo a meio da semana passada, na estação de metro da Alameda.

De início, como não me apercebi nem via de onde provinha aquele som, pensei tratar-se de algum jovem com pretensões a engraçadote, que importunasse daquela forma ritmada e sistemática os restantes viajantes.

Ontem à noite, quando voltava para casa depois de mais um extenuante dia de trabalho na Bobadela, continuei a ouvi-lo... e, persistindo sem conseguir visualizar qual a origem daquele som, ainda me passou pela cabeça que um papagaio ou uma caturra se tivessem perdido no metropolitano e andassem para ali empoleirados a assobiar (o que não seria nada de espantar, dado que no hipermercado Continente do Centro Comercial Colombo também existem pássaros que esvoaçam por entre os grandes tubos metálicos do tecto. Ou nunca repararam?).





Só esta manhã, quando as portas da carruagem do metro onde vinha se abriram e os passageiros saíram apressados, ouvi novamente o tal "fiu fiu"... deparando-me, mesmo à minha frente, com um moopie em tons de bordeaux, de onde saltavam à vista os rostos de dois jovens com copos de cerveja nas mãos.

Percebi, finalmente, que aquele irritante e insistente assobio, que ouvia há quase uma semana, de 15 em 15 segundos na estação de metro da Alameda, se tratava de uma forma de publicitar a cerveja Sagres, através de umas colunas de som ligadas ao tal moopie.

Depois, em conversa com uma colega de trabalho, fui informada que "eles" se apoderaram de uma série de outras estações de metropolitano.
E aí assustei-me a valer, pensando naquela invasão-publicitária!...

Num segundo momento, compadeci-me de todos aqueles cidadãos anónimos que, à semelhança do que sucede comigo, ao tentarem regressar a suas casas depois de 8 horas de trabalho, são bombardeados (contra sua vontade) com aquele assobio irritante e persistente... O qual poderá provocar em algumas pessoas uma valente crise de esquizofrenia, ou, até mesmo, conduzir a atitudes agressivas contra outrém (o que, quando exercidas dentro de uma estação ou carruagem de metro, poderia ser extremamente perigoso... ou não se tratasse o metropolitano de um "transporte de risco", com todos aqueles encontrões e ultrapassagens a que, diariamente, assistimos).

Finalmente, pus-me a pensar se não poderíamos processar o Metropolitano de Lisboa por danos públicos ao cérebro e nervos dos seus passageiros?





domingo, 27 de janeiro de 2008

Manhã de Domingo





Encontro com uma bela borboleta no parapeito da janela da cozinha...






... e uma gata preta e branca que, altaneira no cimo de um muro, enquanto se banhava ao sol quente matinal, parecia servir de guarda àquela casa ancestral.

Quando me aproximei para lhe tentar tirar uma fotografia, aproximou-se logo de mim, começando a miar e a roçar o dorso pelo muro, pedindo festas.
Não fui capaz de resistir e lá lhe dei um round de miminhos, enquanto ela ronronava e se contorcia toda tentando brincar com as minhas mãos.
Tal como todas as gatas petas e brancas, também esta parecia muito brincalhona e sociável.

O seu nome "Preta", tal como vinha inscrito a caneta na sua coleira, juntamente com dois números de telefone, provavelmente dos donos, que habitarão ali nas proximidades e a deixam vir à rua.





sábado, 26 de janeiro de 2008

Língua-de-Gata


Há uma semana que a Ninushka deixou de se pôr a miar para a janela, e começou a andar mais tempo com a língua assim de fora.
Será mimo?





sexta-feira, 25 de janeiro de 2008

Notas Soltas - CIII




- Olívia: PARA ADOPÇÃO -


A Olívia é esta ternurenta cadelinha...





... mais uma vítima de abandono.
Infelizmente, enquanto as mentalidades e o respeito pelos animais neste país não forem mudados, continuaremos a assistir a estas situações deploráveis e impunes).

Quis o destino da Olívia que ela se cruzasse com a Nice, que não lhe conseguiu resistir aos encantos e deixá-la ali sozinha.
Infelizmente, a Nice já tem 2 cães e (mesmo que quisesse) não pode ficar com esta cachorrinha.

A Olívia precisa de um/a dono/a responsável, que saiba que um animal não é um brinquedo, alguém que lhe possa dar carinho e um lar.

Para acompanhar toda a história e ver os contactos para adopção, seguir este link.






- Voltou!... -





... ou melhor, fi-lo voltar, porque fiquei completamente viciada neste canal de televisão.






quinta-feira, 24 de janeiro de 2008

A paixão da Miyuki pela água






Depois de, durante alguns meses, ter vivido no WC de uma Clínica Veterinária, a minha Miyuki passou certamente a adorar água!...
Para isso, também, deve ter contribuído o facto de, muito provavelmente, nos 3 dias que passou enclausurada no Canil/Gatil Municipal de Lisboa, não dever ter havido o banho diário de mangueirada de água fria (senão, a gatinha de certeza que não poderia ver água à sua frente).

De início, quando chegou cá a casa, refugiava-se no lavatório, onde dormia longas sestas. Depois, quando me apanhava a lavar os dentes, vinha dar-me beijinhos, por adorar o cheiro mentolado do dentífrico. A seguir, passou a ser a cena do lavar a louça... não me podia ver a lavar louça, depois do jantar, que vinha logo a correr para o meu lado, ver a água que escorria para os pratos e talheres.
A última aconteceu esta semana... A Miyuki atira-se literalmente para dentro do lavatório, com as patas dianteiras, quando vê a água que se acumulou a ser escoada.



quarta-feira, 23 de janeiro de 2008

Sugestão do Sítio do Costume







"Les Petit's Papiers"

(adaptação de
um original de Serge Gainsbourg para o CD "Liberté de Circulation").



Uma das primeiras músicas que ouvi, quando cheguei a Paris, há 7 anos atrás, para estudar as migrações e relações interétnicas.

Porque as causas também podem ser (bem) associadas a músicas... quando penso neste assunto, associo-o sempre a esta canção.




terça-feira, 22 de janeiro de 2008

Notas Soltas - CII




- "Finito"! -



Sem qualquer pré-aviso, depois de 3 meses, chegou esta noite ao fim a boa vida (e a promoção) dos cento e tal canais de TV cabo à borla!...

Verdade seja dita, pouco mais via do que 5 ou 6 determinados canais.
Mas o golpe foi bem duro e contundente, já que calhou exactamente hoje, que dava o episódio nº 20 do "Heroes" na FOX...
Felizmente, entre trabalho que trouxe para fazer em casa e a acta da última reunião de condomínio (que ainda tenho que transcrever para o livro de actas), sempre vai dando para mitigar a ressaca destes dias de vício televisivo.






- As fotografias que nunca tirei -


Através do Elogio da Sombra, descobri hoje um (outro) excelente blog, onde se fala sobre algo que, desde que adquiri a minha Nikon, me tem atormentado bastante a mente...

As fotografias não tiradas...

Arrependo-me muito mais das fotografias que, por um motivo ou outro, nunca cheguei a poder tirar... do que daquelas que ficaram mal tiradas!

A falar aqui futuramente.






- Lembram-se... -




... da Meg?

Está cada vez mais linda (mimada e gorducha) e continua protegida.
Ontem à noite estive com ela e, apesar de nos vermos muito pouco, de cada vez que lá chego é sempre uma festa e um choro tremendos, de contentamento em me rever.
Ainda dizem que os animais não têm memória!...




segunda-feira, 21 de janeiro de 2008

Jardim Comunitário



"Sim, o homem é o seu próprio fim. E é o seu único fim.
Se quer ser qualquer coisa, tem de ser nesta vida. (...)
Os conquistadores são os que podem mais.
Mas não podem mais do que o próprio homem quando ele o quer."

Albert Camus, in "O Mito de Sísifo"






De início, era um simples terreno vazio, que sobrara entre dois quarteirões de prédios de ruas vizinhas.
Nenhuma entidade responsável se decidira a fazer o que quer que fosse pelo dito cujo terreno. Até que os moradores vizinhos se uniram e meteram mãos à obra, transformando aquele espaço-de-ninguém num aprazível jardim comunitário.

Sabia da sua existência, mas nunca por ali havia passado...
Esta manhã, para encurtar caminho até à paragem de autocarro, decidi ir por ali. E o espanto foi imenso, quando vi o tamanho e a beleza daquele lugar.




Comecei a tirar algumas fotos. Até que uma senhora, que por mim, passou indicou-me um outro local escondido naquele jardim, que "esse sim, merece a pena ser fotografado!", segundo as suas palavras.

Uma senhora de bata aos quadrados azuis e olhar terno de menina, sentada numa esplanada improvisada, dava de comida a uma gata, um dos dois felinos que habitam aquele jardim, segundo viria a descobrir mais tarde.





Pausa na minha atribulada e atrasada manhã, para uma conversa com mais uma dessas pessoas que aqui no blog vou "coleccionando".
À despedida transmito-lhe os meus sinceros parabéns (extensivos a todos os seus vizinhos) pelo excelente trabalho que ali realizaram...
E prometo (a mim própria) ali regressar, muitas e muitas vezes, quando me apetecer desanuviar e pensar que me encontro longe do rebuliço da cidade.




Surgiram nos E.U.A., durante os anos 70, quando um movimento de habitantes começou colectivamente a recuperar determinados espaços urbanos, dentro dos seus bairros, votados ao abandono, transformando-os em "jardins comunitários".
Cada um desses jardins cristalizava as aspirações do grupo de cidadãos que estivera na sua origem.

A primeira vez que vi algo semelhante a este jardim foi em Bayonne (França), num terreno junto ao rio, cedido pela Mairie, para que os habitantes mais desfavorecidos e excluídos de um determinado bairro da cidade pudessem ali ocupar os seus tempos livres.
O conceito era mais compartimentado e menos colectivo do que este jardim de Lisboa, uma vez que, em Bayonne, cada habitante tinha direito a uma pequena parcela de terreno, protegida com vedação... "rivalizando" cada um deles entre si, de modo a transformar a sua parcela em algo mais belo do que a do vizinho.

Espaços de solidariedade e troca, expressão de uma vitalidade social que ainda não está perdida nas grandes cidades...
Gostei deste conceito comunitário!






sexta-feira, 18 de janeiro de 2008

Notas Soltas - CI



- Vila Ventura -




Vila Anna (Esq.) e Vila Ventura (Dir.) - Estrada de Benfica, Nº 674
Criado com
Arc Soft Panorama Maker 3




Um enorme agradecimento ao PMBC, que, há 7 meses atrás, me deixou um post muito especial no seu blog (***) sobre uma das vilas mais bonitas de Benfica... sobre a qual já aqui tinha falado (e, também, aqui).



(***) o qual só agora vi, por ter instalado uma ferramenta mais adequada para me ir mantendo updated sobre outros blogs que criêm links com o meu.







- Dª. Tina -


De costas para a porta da loja, enquanto procurava a ração para as minhas nininhas, ouvia-a entrar, protestando contra alguma coisa. Ao longe, enquanto passa, alguém diz:
- “Boa tarde Dª. Tina!”

Chegou perto do escaparate onde me encontrava, olhou para mim e perguntou-me:
- “Oh menina, sabe onde estão as pedras para gato?”
Indiquei-lhe um corredor à direita.
Passados uns breves instantes, voltou a chamar-me:
- “E sabe quais são as melhores pedras, menina?”

Olhei para ela de alto a baixo, meio de soslaio.
Dª. Tina, nos seus 60 e muitos anos, tinha um ar humilde e um pouco desleixado, apesar do seu rosto revelar um porte extremamente fino. Nos pés trazia umas sandálias abertas, que deixavam vislumbrar umas unhas enegrecidas e malsãs.
Expliquei-lhe, então, que as pedras em granulado dos sacos de 10 lts. eram as mais baratas, apesar das pedras de areia fina aglomerante em pacote de 5 lts. serem mais higiénicas e, normalmente, durarem mais do que as primeiras.

- “É para o meu gato. Ele é assim como… [breve pausa, olhando por momentos no vazio] é assim como este [aponta para um gato branco, numa embalagem na prateleira ao lado]. Só tenho um gato agora. Dantes tinha muitos… mas as pessoas viam como eles estavam bonitos e gordos e comecei a dá-los. Se calhar vou levar antes este! [apontando para o pacote de pedras mais caro]

Digo-lhe que esse pacote custa 8€ e alguns cêntimos, ao passo que o outro é só 2€ e qualquer coisa.

- “E isto está tão mau! Está tão mau!... Saí hoje para ir cortar o cabelo [passa as duas mãos pelo seu cabelo grisalho encaracolado, alisando-o nervosamente], mas já não fui. Isto está tão mau e todos me pedem dinheiro. Outro dia emprestei 20€ a um que me pediu, porque tive pena, mas já sei que não me devolvem o dinheiro. O meu marido, que Deus o tenha em descanso [junta as duas mãos, olhando para cima, como se estivesse a rezar] não… mas o meu irmão se sabe que ando assim a tirar dinheiro do banco, vai zangar-se comigo.”

Por breves instantes, não consigo deixar de pensar que, no momento seguinte, a senhora me vai pedir para lhe pagar as pedras que quer levar. É muito triste este tipo de pensamentos passarem-nos assim pela cabeça, mas, infelizmente, é o próprio mundo em que vivemos que os propicia.

Mas Dª. Tina não me pede o que quer que seja e continua, somente, a balbuciar um infindável monólogo sobre o estado do mundo, com as lágrimas prestes a marejarem-lhe os olhos.
Sem saber muito bem o que fazer, digo-lhe para ter calma e desejo felicidades e um bom ano.

E é, então, que ela se vira para mim e diz:
- “Deixe-me dar-lhe um beijo, minha querida!”
E, num sorriso imenso mas com as lágrimas já a escorrerem-lhe timidamente pelos olhos, aproxima-se de mim, agarra-me o rosto com as suas duas mãos encarquilhadas, e dá-me um beijo na testa, como se costuma fazer às crianças.

Despeço-me e volto à minha vida… e às minhas compras.

Quando, finalmente, chego ao balcão da loja para pagar, Dª. Tina ainda está na fila à minha frente, com o seu pacote de areia para gato. Pergunta à empregada da loja qualquer coisa sobre um produto vitamínico para felinos, retira uma nota de 10€ enrolada a um cartão Multibanco de dentro do bolso das calças e, por instantes, olha para trás… e já não me reconhece.

- “O que é que eu vinha aqui comprar?” – pergunta a si própria, já depois de ter pago à empregada e de em cima do balcão, mesmo à sua frente, se encontrar o pacote de areão.

Ninguém lhe responde. Os dois jovens empregados por detrás do balcão evitam olhar para ela, como se, para além de ter perdido a razão, a senhora tivesse também ficado invisível e não estivesse ali.

Subitamente, a mente de Dª. Tina regressa ao seu corpo e ela diz…
- “Ah, era isto!” [enquanto pega no pacote em cima do balcão]
Olha outra vez para mim e parece voltar a reconhecer-me.
- “A menina também vai levar pedras?” [diz enquanto coloco os 2 sacos de ração e o pacote de pedras em cima do balcão]
Respondo-lhe que sim e sorrio para ela.




quinta-feira, 17 de janeiro de 2008

5 Filmes




Seguindo este desafio que me lançaram, aqui ficam as minhas preferências cinéfilas...
A escolha é algo complicada de fazer (pois ainda existiriam mais uns dois ou três filmes a incluir nesta lista), mas estes 5 são mesmo aqueles que, contas feitas, são para mim os melhores filmes...




"Le Fabuleux Destin d'Amélie Poulain", de Jean-Pierre Jeunet (2001).



aqui tinha falado sobre ele, há uns tempos atrás. E não há muito mais a dizer... é um dos filmes da minha vida (senão mesmo "O" filme da minha vida)!




"Brazil", de Terry Gilliam (1985).


Também já tinha falado sobre este. Comparo-o um pouco ao "1984" de Orwell na literatura, mas com um toque clássico de humor do seu inconfundível realizador.





"Amateur", de Hal Hartley (1994).


Porque consegue falar de sentimentos, estados de espírito, insatisfações humanas de uma forma quase teatral, que, adaptada ao cinema, nos dá este estilo único e quase cómico.





"Le Temps des Gitans", de Emir Kusturica (1989).


Antes de "Underground" e de "Gato Preto, Gato Branco", aquele que, para mim, é uma das maiores obras-primas de Kusturica... pelo sonho e magia que nos transmite (já para não dizer que as bandas sonoras de Goran Bregovic eram muito melhores nesta altura!).





"Les Amants du Pont Neuf", de Leos Carax (1991).


Simplesmente porque é uma das mais belas (e imprevisíveis) histórias de amor, sem que para isso se socorra do romantismo barato.
Poderá a relação de um sem-abrigo e de uma doente revoltada com a vida durar muito tempo?