quinta-feira, 3 de janeiro de 2008




"E de tudo os espelhos são a invenção mais impura".


(Herberto Helder)







quarta-feira, 2 de janeiro de 2008

Regresso






Regresso de mansinho...
Com o ano a iniciar-se em tons de vermelho e muita chuva.



terça-feira, 1 de janeiro de 2008

Notas Soltas - XCIX




- "Cortes" - XVIII -



Cena do Espelho in "Angel-A" de Luc Besson (2005).



O que acontece quando um anjo muito sui generis desce à Terra, supostamente, para nos "salvar"?

Uma pequena pérola (entre a comédia e o drama), com o fabuloso Jamel Debbouze... e uma lindíssima fotografia PB.






- Começar bem o ano... -


... é chegarmos a casa às 4h e sermos despertados (daquele ténue sono de quem está prestes a adormecer) pelo barulho da nova vizinha de cima a aspirar a casa às 5h da manhã!...



segunda-feira, 31 de dezembro de 2007

Boas "entradas"!




Em Casa de S&T - Desenho da autoria de TiagoMMS





Mais um ano que se finda...
Com tantas expectativas e resoluções iniciais, umas superadas outras nem por isso.
Um ano que, apesar da minha mal-a-pata com números ímpares, até correu muitíssimo bem... mas a uma velocidade descomunal.

Agora é tempo de dizer adeus ao que se viveu e aguardar sempre por novas situações e emoções no novo ano que se avizinha.

A todos os que continuam a ler este blog, aqui deixo os meus votos de que entrem em 2008 com ambos os pés e que tenham um excelente ano!




domingo, 30 de dezembro de 2007

"Cortes" - XVII



Cena da Máquina do Tempo em "La Science des Rêves", de Michel Gondry (2006).




Stéphane: [Shows 3-D glasses ] You can see real life in 3-D
Stéphanie: Isn't life already in 3-D?
Stéphane: Yeah but, come on.

Stéphane: P. S. R. Parallel Synchronized Randomness. An interesting brain rarity and our subject for today. Two people walk in opposite directions at the same time and then they make the same decision at the same time. Then they correct it, and then they correct it, and then they correct it, and then they correct it, and then they correct it. Basically, in a mathematical world these two little guys will stay looped for the end of time. The brain is the most complex thing in the universe and it's right behind the nose.




Stéphane... Stéphanie... E os sonhos!
A poesia em forma de filme.




sexta-feira, 28 de dezembro de 2007

Notas Soltas - XCVIII



- Sempre comigo! -


Outro objecto que passou também a andar comigo para todo o lado, permitindo-me escutar em qualquer lugar as minhas bandas sonoras, consoante os meus diversos estados de espírito.



Muito obrigada, H.!







- As Maravilhas de um Mundo Novo - III -




"Heroes", na FOX, 3ª às 22h15.




quinta-feira, 27 de dezembro de 2007

"Rosas" de Outono



Manhã passada no Horto da priminha, em busca daquela que vai passar a fazer companhia à grande estrela da minha varanda.







Gosto muito destes tons de rosa outonais!...

Um deles, re-adaptado, passou, a partir de hoje, a fazer parte do genérico ali do cabeçalho deste blog.






quarta-feira, 26 de dezembro de 2007

Estórias com Gatos - VIII



- Os Desventurados -


1 gato, 2 gatos… 3, 4, 5… 6 gatos… em fila indiana, caminham tranquilamente pelo quintal do R/c Esqº. do prédio vizinho.

O quintal onde outrora, o patriarca daquela família envenenava os gatos que por ali deambulavam, apenas para que os felinos não lhe estragassem as flores.
O quintal onde, desde a sua morte, a esposa amantíssima preservara com muito zelo e carinho as 1001 flores e outras espécies que compunham a beleza daquele espaço invejado por todos os vizinhos.
O quintal onde, com o passar do tempo, a viúva quase translúcida, que carregava a sua corcunda nas vestes negras, deixara há muito tempo de aparecer.
Após a breve passagem de uma empregada brasileira que, mais do que auxiliar nas lides domésticas, passava os dias a fumar e a falar sobre a vida alheia com a Dª. L (vizinha do R/c da retaguarda do mesmo prédio), os estores da janela do quarto não mais foram abertos e os familiares que vinham ao domingo regar as plantas deixaram de aparecer…
Nesse quintal, desde há alguns meses, apenas jazem folhas abandonadas de flores decrépitas… e, curiosamente, os gatos.

Os gatos, ignorando as atrocidades cometidas noutros tempos em nome da preservação da beleza daquele espaço construído pela mão humana, retomaram o seu poder sobre o mesmo a partir do momento em que o R/c Dtº. fora vendido (e sofrera obras que alterariam a vida daqueles gatos para todo o sempre) e a Dª. L deixara de lhes poder aí deitar a sua comida.

Desta forma, os gatos regressam todos os dias àquele quintal.
Depois de saciados, em fila indiana, muito ordeiramente, ultrapassam a rede que delimita o quintal da Dª. L, regressando ao seu poiso favorito, nos quintais dos prédios do início da rua.

Resta dizer que a Dª. L tem 2 cães. Logicamente que a dita senhora apenas dá comida aos gatos no quintal vizinho, quando os seus próprios animais não se encontram por perto. Porém, os felinos regressam, muitas vezes, ao local onde comem, para brincarem e porque sentem o cheiro da gata da outra Dª. L (minha vizinha de baixo, cujo quintal é contíguo àquele onde agora é alimentada esta colónia de gatos).
Pelo que a Dª. L (que alimenta os gatos e tem uma propensão atroz para divagar sobre a vida alheia) já fez, por diversas ocasiões, questão de me contar, primando pelo detalhe acentuado nos pormenores mais sórdidos, que vários gatos haviam já sido mortos pela sua cadela, ao tentarem passar do quintal do R/c Esqº. do prédio vizinho pelo seu quintal.
Extrema nobreza de alma a desta senhora, que tem tanta pena daqueles pobres animais que, mais não faz do que lhes dar alimento para, mais tarde, servirem de alimento à sua própria cadela!
Mentalidades!... Só assim se podendo justificar a infeliz resposta que me deu, quando lhe perguntei porque não tentávamos apanhar as gatas para as esterilizar, de modo a que se controlasse a procriação e aquela colónia pudesse viver mais tranquila.

Por outro lado, também, a minha vizinha de baixo (a outra Dª. L), ao final do dia, quando os vapores etílicos lhe começam a fazer efeito, gosta de atirar baldes de água e gritar desalmadamente, para enxotar os pobres gatos que se aventuram do quintal do prédio vizinho no seu.

Esta é a história da colónia felina mais ostracizada e desventurada dos quintais das traseiras!...

Reza, ainda, a história que num quintal não muito longe vivia um casal de idosos, que alimentava esta colónia de felinos, tendo mesmo construído um pequeno abrigo em madeira para se protegerem.
O senhor faleceu há cerca de 2 meses. Tendo, passado um mês, a sua esposa, a senhora que se pintava muito e gostava de andar sempre bem arranjada, sido encontrada morta de desgosto em casa pelo seu filho.
Dois dos gatos que alimentavam e protegiam no seu quintal, têm sido vistos, à noite, a deambularem lá longe, no outro extremo dos quintais daquela rua.

terça-feira, 25 de dezembro de 2007

Vestígios de Natal - II



Naquele ano, a árvore de Natal era minimalista e, apenas, fora colocada a escassos dias da Consoada.
Mais um ano passara a correr e o espírito natalício era escasso. Mas o jantar fora preparado com muito carinho e todos se divertiram por estarem juntos.

Na véspera de Natal, conseguira, finalmente, aproximar-se mais um pouco, em busca de uma boa fotografia e de alguma confiança...



domingo, 23 de dezembro de 2007

O Verdadeiro Espírito de Natal - II



Tenho continuado em busca do verdadeiro espírito de Natal (aquele que deveria imperar durante todos os outros dias do ano!)...




- "O Balneário" -


Nunca tinha ouvido falar sobre ele, nem tão pouco conhecia a sua existência.
Esta noite deparei-me com uma reportagem na SIC sobre este espaço, sobre as pessoas que o frequentam e sobre os 2 vigilantes que aí trabalham.

Bem sei que, nesta altura do ano, é habitual os canais de televisão "brindarem-nos" com reportagens de fazer chorar as pedras da calçada, que falam sobre todas as misérias do mundo e mais algumas (como se, no resto do ano, as mesmas não fossem sequer dignas de menção).

No entanto, esta reportagem de Miriam Alves e Filipe Ferreira (imagem), tocou-me bastante, sobretudo, pela forma simples e depurada como foi efectuada; quase em jeito de observação (sem a habitual "intromissão" jornalística), como se os jornalistas apenas ali tivessem permanecido naquele espaço, observando quem entra e quem sai.

E esses, que ali vão diariamente, são os deserdados da vida... os que, por um ou por outro motivo, foram esquecidos pela família e pela própria sociedade em que (também) vivem.
No Balneário encontram, não só uma forma de combater a solidão em que vivem, como, também, o apoio social de que, na grande maioria dos casos, necessitam.

E foi, precisamente, isso que considerei extraordinário no trabalho desenvolvido por este Balneário (pertença da Câmara Municipal de Lisboa, com gestão delegada na Junta de Freguesia de Alcântara): o facto de os dois funcionários-vigilantes que ali trabalham (a Dª. Rosa e o Sr. Vítor) se assemelharem quase a assitentes sociais, ou técnicos de apoio psico-social, em relação ao público que frequenta aquele espaço.

E, nesse momento, ao assistirmos ao trabalho daquelas duas pessoas, a reportagem em questão parece ganhar uma força e vida próprias, emanadas do próprio "objecto observado".

E, porque, nos dias que correm, já ninguém se levanta numa carruagem de metro para dar lugar a um jovem invisual e andrajoso...
Em hora de ponta, ao final do dia, todos têm medo de sair do autocarro apinhado de gente e perder o seu lugar claustrofóbico, apenas, para ceder a passagem a alguém que pretende sair na paragem seguinte...
Porque, nos dias que correm, nos deparamos constantemente com uma indiferença atroz em relação ao ser humano que está ao nosso lado...

Foi muito bom, ter sabido, através desta reportagem, que ainda há quem se preocupe!...

Que ainda há quem, para além de tentar efectuar correcta e diariamente o seu trabalho, se preocupa com o Outro que o rodeia, com o Outro que sofre...
Que ainda há pessoas como o Sr. Vítor (vigilante do Balneário de Alcântara), que preenche os impressos do IRS e lê as missivas que as senhoras idosas recebem, que dá guarida e aquecimento ao gato que por aquelas ruas andava abandonado, que vai marcar consultas a quem já não se pode deslocar para esse efeito, que desculpa a incorrecção de um utente com o facto deste se encontrar doente, que graceja com a velhota que todos os dias procura aquele espaço por não ter mais nada que fazer...
O Sr. Vítor, cujo único e singelo sonho que tem (caso ganhasse o Euromilhões), seria o de comprar uma quinta, onde pudesse construir um canil/gatil para todos os animais abandonados que pudesse acolher.

É bom não perder a esperança na espécie humana...
E saber que ainda existem pessoas com um coração enorme, que parecem mesmo saídas de um conto para crianças!