segunda-feira, 23 de abril de 2007

Sugestão do Sítio do Costume


Para comemorar esta data, na noite de 24 de Abril, no Largo do Carmo, terá lugar o Arraial do 25 de Abril, parte da iniciativa da Associação ABRIL com a colaboração e participação de várias associações e grupos de carácter político, cívico e cultural.

Um programa rico e diversificado, com ênfase na homenagem a José Afonso e com participações ao nível da música, poesia, artesanato, gastronomia, dança e teatro (a não perder, os "RefugiActo"!).




sábado, 21 de abril de 2007

Uma tarde no Canil/Gatil Municipal de Lisboa



"A grandeza de uma nação e o seu progresso moral podem ser avaliados pela forma como esta trata os seus animais."

(Mahatma Ghandi)



- A velha dos Gatos -

Vivia sozinha com a parca reforma que o Estado lhe concedia. E, a partir de uma determinada altura, a solidão maior foi começando a toldar-lhe o espírito. Sempre gostara muito de animais, mas, a partir desse momento, começou a albergar em sua casa gatos abandonados que encontrava nas ruas, durante os seus passeios, onde partia em busca de objectos que outros haviam deitado fora.
Tentava combater a solidão através de longas conversas com os seus fiéis amigos, aqueles que, apesar de tudo, nunca a abandonaram e nada lhe pediam em troca. Mas a loucura ia recrudescendo a cada dia que passava. E, quando a queixa dos vizinhos (que, apenas, se queriam ver livres de um “estorvo” e nunca sequer lhe dirigiram a palavra) surgiu, a velha senhora foi internada num lar de idosos apoiado pela Santa Casa da Misericórdia de Lisboa.
Nesta parte da história, o destino é incerto quanto à sorte que coube à maioria dos seus fiéis amigos, mas 6 de entre eles terminaram os seus dias no Canil/Gatil Municipal… numa terra de ninguém, num limbo esvaziado de qualquer espécie de comiseração ou sentimento.
Durante anos a fio ali ficaram esquecidos porque, supostamente, continuavam a ter uma dona (apesar de internada e mentalmente incapaz) e, dessa forma, ninguém os poderia adoptar, nem tão pouco os funcionários do Canil/Gatil poderiam pôr um termo às suas vidas, como sucede diariamente a tantos outros animais recolhidos das ruas ou que os próprios donos vão "depositar" no Canil.
E a lamentável situação assim se foi perpetuando, porque o próprio sistema municipal que coordena o Canil/Gatil, repleto de burocracia e falta de vontade humana, também, nunca se interessou pela sorte destes (e de todos os outros) animais, ou quis saber o paradeiro da sua dona, para tentar resolver esta situação. E assim, durante quase 3 longos anos (desde o dia 09/11/04), aqueles animais (ao início 6, depois apenas 4… 2 gatos e 2 gatas) ali viveram, no espaço exíguo daquela cela de metal, caminhando sobre grades, sem a luz natural do sol, reproduzindo-se por inúmeras vezes (porque o sistema que coordena o Canil/Gatil, apesar de todas as convenções de protecção dos direitos dos animais que existem e são aplicadas à legislação portuguesa, continua a não esterilizar os animais que mantém em cativeiro), gatinhos recém-nascidos comidos imediatamente pelas suas mães que não são alimentadas nem tão pouco têm as suas feridas tratadas.
Animais que não são os únicos a viver naquele inferno (que os faz enlouquecer e passar os seus dias a olhar para uma parede), mas que ali foram votados durante anos a fio à completa ausência de sentimentos por parte do ser humano.

Que país de 3º mundo é este em que vivemos, que o Homem continua a tratar de forma tão brutal os animais!?
Duas semanas e meia foram suficientes para resolver um caso para o qual a Câmara Municipal de Lisboa deveria ter encontrado uma solução há 2 anos atrás!...

Dª. I. (a dona destes animais) faleceu na passada semana, sem saber o destino dos seus animais, mas quando alguém (que nem sequer conhecia) de muita coragem já iniciara um longo percurso repleto de diversos obstáculos, para tentar salvar os seus quatro gatos.

Descanse, finalmente, em paz, Dª. I., porque os seus amigos foram hoje salvos!...


A 1º vez que estes animais voltaram a ver os raios de sol, depois de 3 longos anos...


Cecília, a gatinha tigrada tartaruga já velhota que, apesar do lugar onde viveu durante todo este tempo, continua a ronronar como uma gata de casa e a demonstrar um imenso à vontade com os humanos e muita pieguice.


Lura, gata preta, muito adoentada, cujos olhos já apresentam a 3ª pálpebra. Tinha tido recentemente filhotes, que morreram.


Romeu, o gato mais assustado e que mais "luta" deu para conseguir ser retirado de dentro da cela onde se encontrava.


Luca, gato tigrado e branco, que apresenta, também, problemas nos olhos, depois deste longuíssimo cativeiro.


Última fotografia de Susana Gomes

Luca e Romeu são, de facto, os gatos mais assustados e traumatizados deste grupo. Já na U.Z., para onde foram levados depois de resgatados do Canil, continuaram a aninhar-se um no outro em pânico permanente, ao canto da box, perpetuando os traumas provocados por aquele outro espaço em que estiveram enclausurados durante anos.





- O Canil/Gatil Municipal de Lisboa -

Os dois enormes painéis de lona à entrada, carcomidos pelo sol, onde por debaixo do rosto alegre de algumas pessoas abraçadas a animais de companhia se pode ler: “Aqui Lisboa vai ter um canil melhor e mais bonito”, têm um sentido enganador e bastante desfasado da perturbante realidade que viríamos a descobrir esconder-se atrás daquelas portas onde cada visitante apenas pode entrar e circular acompanhado por um funcionário do município.

Enquanto aguardamos pela hora marcada para as adopções, assistimos à chegada de outras pessoas…
Uma rapariga, acompanhada pela mãe, transporta ao colo uma caminha de pano, onde jaz o seu gato amarelo. Depois de pagos os custos, cama e gato são entregues a um funcionário municipal, de cabelo cortado à cherokee, ostentando uma t-shirt com a frase a letras já muito sumidas “Dia do Animal 2005”, que prontamente os coloca dentro de um saco de plástico negro, atirado, logo em seguida, para um carrinho de transporte onde outros sacos de plástico jazem ao sol quente da tarde.
Um pai acompanhado por duas filhas dos seus 5 e 8 anos respectivamente; uma delas empunhando uma trela. Um grupo com duas crianças e um pequeno cão. Um senhor de meia idade que transporta mais um enorme saco de plástico negro, onde jaz o corpo do seu animal de estimação. E um casal em fato de treino, acompanhados pelo seu cão.
Pelas mentes dos mais experientes do nosso grupo nestas andanças persiste a dúvida sobre quem virá para adoptar e quem virá, apenas, para deixar o seu animal ali no Canil.

Ao longe, sob o enorme edifício branco que se assemelha a uma prisão, começa a surgir um fumo denso, subindo em imensas nuvens negras pelos céus… de um negro tão profundo quanto o cheiro intenso e insuportável a carne queimada que paira no ar. Por três vezes seguidas, aquele fumo negro enche os céus. Enquanto, ao longe, abafados por aquelas espessas paredes, ouvimos os latidos de inúmeros cães, quiçá pressentindo a origem daquele fumo.

Quando, finalmente, nos convidam a dirigirmo-nos ao tal edifício, somos como que bombardeados por um outro cheiro verdadeiramente nauseabundo: um cheiro de putrefacção misturado com o cheiro a morte, que empesta o ar e persiste em qualquer parte do edifício onde entremos.
Seguimos o funcionário municipal com penteado cherokee para irmos falar com o veterinário de serviço. Um outro funcionário, de argola na orelha e cigarro ao canto da boca, passa por nós, com uma cadelita pela trela. Pára à nossa frente. A cadelita treme as patas traseiras com receio. E o funcionário balbucia umas quaisquer palavras numa tentativa de esboçar uma qualquer espécie de sentimento para com a cadela... mas, infelizmente, tudo soa a falso ali dentro.

Entramos, então, no Gatil, onde, segundo me informaram, na semana passada se encontravam inúmeros gatos. Agora, apenas, algumas escassas celas se encontram ocupadas (sobretudo por gatinhos bebés); enquanto 6 celas se destinam a cães, não se compreendendo lá muito bem porque se encontram ali no Gatil e não no Canil.

Enquanto as outras pessoas do meu grupo, com a ajuda do funcionário municipal (o tal do brinco na orelha e cigarro ao canto da boca), retiram de uma das celas os 4 gatos que vínhamos buscar, começo a vaguear sozinha pela claustrofóbica sala do Gatil, tentando contornar os diversos montes de excrementos que se amontoam no chão.
As janelas escasseavam ou eram praticamente invisíveis naquela sala forrada a toda à volta daquilo que se poderia apelidar de jaulas (mas que, de acordo com todas as inscrições visíveis e, até mesmo, decorrendo das próprias palavras dos funcionários e do veterinário municipal se conveio chamar de “celas”) e apetrechada com inúmeros objectos metálicos…
Quem tivesse para ali sido levado de olhos vendados crer-se-ia, ao ser desvendado, num matadouro ou numa qualquer espécie de local imundo destinado a práticas de tortura.



Perante a confusão gerada por um dos gatos do grupo dos 4 que teima em não querer entrar na transportadora, aproveito para ir fotografando o local. Apesar da aparente calma, as mãos tremem-me e tenho a certeza que as fotografias não ficarão em condições, mas é uma oportunidade única. E não fora um dos membros do grupo que acompanhava pedir-me para parar de tirar fotografias, o testemunho que aqui deixaria seria bem maior.

Numa cela, 3 gatinhos bebés… 2 miam desesperados, enquanto uma bebé tricolor aninhada a um dos cantos permanece prostrada, mal conseguindo abrir os olhos, junto a uma poça de diarreia. O maiorzito dos bebés atira-se violentamente contra as grades, tentando chamar a nossa atenção, querendo, apenas, um pouco de atenção e calor humano.
Há uma semana tinham sido ali deixados, juntamente, com a sua mãe pelos donos (alguém que os tivera aos quatro numa casa). Na noite passada, o corpo gélido e moribundo da gata mãe fora encontrado com os filhotes aninhados na sua barriga.



Ninhada após saída do Canil/Gatil Municipal de Lisboa. A gatinha tricolor continua muito prostrada e, possivelmente, não sobreviverá.



Na cela ao lado, uma ninhada de cachorrinhos entre os 6 e os 7 meses, latem em uníssono.
Numa das celas maiores, ao fundo da sala, uma cadela arraçada de Labrador, lindíssima, com o seu pequeno filhote.
Na outra ala, dentro da mesma cela apertada, um grupo de 4 gatos pretos, acompanhados por um belo gato cinza e branco, bufam com um olhar angustiado de medo, quando passo.

Na parede da entrada, do lado direito, dentro de umas 6 celas, o latido dos cães é desesperante.
Mas o que mais me impressiona é, sem dúvida alguma, naquela cela logo à frente da porta de entrada, o gato aninhado imóvel a um canto da cela, com um olhar profundamente apático, como que resignado à sua triste sorte.

4 gatos adultos e 3 bebés são as saídas previstas juntamente com o nosso grupo de 6 pessoas.
Antes de saírem definitivamente do Canil/Gatil Municipal, os animais têm, no entanto, de ser vistos pelo veterinário de serviço (estranha e ocasional prática essa, para animais que durante todo o tempo que se encontram no Canil não são sequer examinados, tratados das doenças que tiverem - ou daquelas que vierem a adquirir devido ao local em que se encontram - ou, sequer, bem alimentados!)… e durante cerca de uma hora e meia o nosso grupo permaneceu no consultório para exame dos animais, por parte de um veterinário que se queixava constantemente da quantidade de trabalho que, ainda, tinha para fazer.
O funcionário da argola na orelha entrava e saía do consultório, gesticulando algumas frases sobre um gato “meia cauda”, que, afinal, descobrimos tratar-se de um dos bebés cuja cauda tinha sido cortada. Olhava para a transportadora e, com o seu ar meio retardado, agachava-se e começava a colocar as luvas de lona, para fazer festas aos gatinhos bebés.
Tudo ali soava a desfasado da realidade e falso!... Como se tivéssemos sido colocados dentro de um pesadelo em que, persistentemente, os outros personagens nos tentassem demonstrar por palavras e/ou gestos, que os horrores a que assistíamos não existiam na realidade.

Sem nunca ter entrado sequer, anteriormente, no Canil, até ali tinha me mantido firme e suportado tudo o que já vira (graças, sobretudo, à ajuda de um ansiolítico que tomara antes de sair de casa, pois estava, de antemão, preparada para o pior!).
Foi, então, que entrou no consultório do veterinário um cão (que havia sido reservado por um dos membros do grupo que eu acompanhava), arraçado de pequinois, literalmente arrastado pela trela feita de corrente e terminando numa grossa coleira de cabedal envelhecido, por um outro funcionário municipal que acabara de entrar no turno… O cão mal se conseguia mover e era um misto de pêlo longo embebido em água suja e lamacenta. Quando entrou a sala ficou empestada daquele cheiro nauseabundo que persistia por todo o edifício. E, ao ver o estado daquele animal, pensei que eu própria iria desfalecer ali a qualquer momento.
Os seus donos tinham-no deixado no canil há uma semana atrás e esta tarde saiu, também, do canil connosco.


Este era o estado em que o Rasta se encontrava ao fim de uma semana de permanência no Canil de Lisboa.


Duas últimas fotografias de Susana Gomes.
O Rasta depois de ser tosquiado.



Quando, finalmente, nos despachámos de todas as consultas e verificações aos animais, caminhámos pelos longos corredores, com o pobre cão a arrastar-se roçando-se pelas paredes, talvez, com medo do local para onde iria ser levado.
Por detrás de uma porta de vidro, vislumbro o Canil (onde não cheguei a entrar e me disseram, mais tarde, ser o pior local do edifício), onde em compartimentos quadrados do tamanho de pequenos polibans, se encontram cães acorrentados. Quando passamos, alguns começam a latir e a olhar para nós desesperados, enquanto outros apenas jazem ali de olhar vítreo.
Com uma transportadora com o gato amarelo da Dª. I. nas mãos, só penso em sair daquele lugar medonho o mais rapidamente possível.
E, quando saímos a porta do edifício e voltamos a respirar o ar puro, até os raios de sol me parecem mais brilhantes.

Ao final da tarde, quando regresso ao meu mundo, olho para as minhas gatas tranquilas a dormirem ao sol da tarde no escritório, vislumbro lá fora nos quintais os gatos vadios que se espraiam languidamente por entre as telhas… e não consigo conter as lágrimas por muito mais tempo.

Há algum tempo atrás, jurara a mim própria jamais entrar algum dia no Canil de Lisboa (precisamente por ter ouvido contar tantas histórias sobre os horrores que aí sucediam e por me conhecer bastante bem e saber que as minhas fracas emoções e o meu amor pelos animais não aguentariam ver tal espectáculo), por força das circunstâncias, esta tarde, entrei pela primeira vez no Canil… e fiquei doente com o que vi!

Alguém me dizia que tentasse esquecer o que tinha visto… talvez para meu próprio bem e para não sofrer mais.
Mas a verdade é que, depois de se ter entrado uma única vez que seja no Canil Municipal de Lisboa jamais conseguiremos esquecer o triste espectáculo da degradação a que um animal chega devido à falta de comiseração de que o Homem (aquele que o abandonou e aquele que, agora, o encarcera) é capaz…

Podemos, porventura, dizer que num mundo perfeito nada disto sucederia. E que o nosso mundo se encontra longe de ser perfeito!...
Sendo que, talvez, por isso mesmo possa existir uma qualquer falta de ineficácia do próprio sistema, na medida em que não consegue fazer face ao elevado número de casos de abandono de animais com os poucos meios que o Canil/Gatil Municipal de Lisboa, eventualmente, disporá para realizar o seu trabalho.
No entanto, nada justifica ou pode sequer desculpar aquilo que presenciei hoje (uma total ausência de sentimento para com outro ser vivo), na medida em que, por experiência própria, posso afirmar que há sempre formas de contornarmos a escassez de meios humanos e monetários… se gostamos daquilo que estamos a fazer, se amamos verdadeiramente o nosso trabalho.
O que não é o caso no Canil/Gatil Municipal de Lisboa!...

O trabalho num Canil é, certamente, dos mais ingratos, como qualquer trabalho que envolva a morte ou aniquilação de um ser vivo. No entanto, esse mesmo trabalho deverá ser exercido, de acordo com a Convenção Europeia de Protecção dos Animais (que Portugal, também, ratificou), com o mínimo de inflicção de dor ou sofrimento desnecessário ao animal, com a tolerância e respeito para com o mesmo, bem como com a salvaguarda da higiene e do bem estar necessários.

O que dizer, então, de todos aqueles animais que ali permanecem deitados, imóveis, com os olhos prostrados e sem qualquer tipo de expressão, para além de um misto de medo e apatia profunda. Ou dos outros que já, há muito tempo, enlouqueceram e não fazem mais do que passar os seus dias a olhar para a pequena parede da sua cela. Ou dos que nos ladram ou miam quando nos aproximamos, pedindo um pouco daquela atenção que nunca tiveram ou têm.
O que dizer, também, das celas diminutas em que se amontoam aos 4 e 5, com um único prato para a comida e outro para a água, junto de fezes e vómitos ressequidos (apenas limpos à mangueirada geral de água fria contra as suas celas, sejam adultos ou recém-nascidos), vivendo em cima de grades onde não existe sequer uma cama ou areão.

O que a Câmara Municipal de Lisboa diz de tudo isto é que os animais abandonados ou todos os outros que dão entrada no Canil/Gatil Municipal não passam de meros resíduos sólidos da cidade de Lisboa… já que o Departamento sob o qual a tutela deste espaço municipal é mantido é, exactamente, o mesmo que tem por objectivo tratar os supra mencionados resíduos.

O que eu, mera cidadã anónima que entrou hoje, pela primeira vez, neste local digo é que me envergonho de viver num país assim, um país onde o progresso moral roça o nível das sarjetas mais imundas da capital.

E que, enquanto as mentalidades de quem está no poder não mudarem, persistiremos num sistema que escolhe a dedo os seus cárceres, de modo a que sejam indivíduos que não tenham um pingo de sensibilidade ou gostem sequer de animais, talvez, para que o seu trabalho seja efectuado com mais “perfeição” e, até mesmo, requintes de sadismo.
Mentalidades que precisam, também, de mudar ao nível de todos aqueles que continuam a, brutalmente, abandonar os seus animais, como se se tratassem de objectos e que nunca chegam sequer a ver o estado em que estes terminam (para que lhes pese nas suas consciências – se é que as têm!), quando atropelados numa estrada, mortos num Canil ou neste estado.

E, porque todos nós somos cúmplices do que se passa, ao fecharmos os olhos àquilo que sabemos que nos irá fazer sofrer, à visão das atrocidades que nos poderão pesar cá dentro…
É preciso, sobretudo, que cada um de nós se mentalize e tenha conhecimento da forma como os animais são tratados neste país e tente fazer algo (no pouco que está ao seu alcance) para ajudar a mudar esta situação.

quinta-feira, 19 de abril de 2007

Às "Quintas"...



O azul do céu reflectido numa mesa e o vermelho que dá a vida numa flor…



Saborear os momentos do quotidiano deste novo espaço, através dos olhos brilhantes de uma criança, que se transformou na coqueluche de todos.
E cada um dos seus pequenos carrapitos a ser nomeado como um país diferente, onde as fronteiras deixaram de fazer sentido... tal como ali.

Meia manhã, apenas, na Bobadela, com uma Amiga a iniciar-se num projecto bem estimulante, que me trouxe à memória as sábias palavras que alguém proferiu há dois anos atrás…


"Me parezco al que llevaba el ladrillo consigo
Para mostrar al mundo cómo era su casa."
(Bertolt Brecht)


"Ladrillo del Sueño"

"Mírame:
yo soy tu casa.
Todos mis ladrillos fueron hechos por hombres
como tú;
hombres que han venido
de todas partes
y que traían en los ojos
esos pedazos
de miedo.
Para ti fui pensada
y soy tu pausa
Ámame,
como yo te amo,
Hermano
mío...
Sin ti,
no serían necesarios mis espacios
ni los cantos
ni los sueños.
En el sentido de tu fuga
está el secreto
de mi existencia
Yo te cobijo
porque tú me haces poderosa:
Refréscate bajo mis techos.
Danza en mis salones.
Alcanza la deseada paz en mis espacios.
Aprende a mirar el sol nuevamente
desde todas mis ventanas, hijo mío,
refugiado perdido y destrozado en la noche
de los olvidados.
Acércate al calor de mis ladrillos,
toma una manta.
No tengas miedo,
que yo también fui hecha para protegerte
mientras recuperas el amor
y la sonrisa."

Diego Rivera Morales
(refugiado Cubano em Portugal, desde 2001)



quarta-feira, 18 de abril de 2007

Notas Soltas - XLVIX




- O Filme de todas as Manhãs -

Os pombos...


... sempre os pombos...


... a chamarem a atenção das minhas 'nininhas.
Todas as manhãs, é vê-las a correrem para a janela da cozinha, para ver quem alcança primeiro o melhor posto de controle sobre os quintais da vizinhança.





- Déjà Vu -

Porque é que será que, quando estou prestes a ir de férias, é que me aparecem sempre trabalhos relacionados com orçamentos para reestruturar e entregar em prazos mega-urgentes (que me deixam completamente estourada de cansaço)?

Até parece que estou a ter um déjà vu, naquilo que se transformou num infindável trabalho que se vai repetindo por períodos cíclicos.





- "Cortes" - III -



Cena da Dança, in "Underground" de Emir Kusturica (1995).


Muito mais do que a "cena da dança" esta é, sem dúvida alguma, a cena da Festa, na verdadeira acepção da palavra!...
A festa vista bem ao espírito dos Balcãs (que tanto me atrai em termos de miscelânea cultural), enquanto forma de catarse para todos os males do mundo, para todas as preocupações que nos apoquentam... para a desforra (sem limites) dos próprios males da vida.

Uma cena que me faz lembrar imenso o Trio Maravilha...
E deve ser mesmo duma Festa deste género que eu ando a precisar, logo que consiga entrar de férias!...




terça-feira, 17 de abril de 2007

Notas Soltas – XLVIII



- "Teoria do Caos" (adaptada ao meu contexto de vida presente) -

De acordo com uma teoria muito pessoal que fui desenvolvendo ao longo destes 31 anos de existência, normalmente, quando vivemos sob intensos momentos de trabalho a nível profissional é, também, quando em termos pessoais se nos apresentam as mais variadas situações, inusitados imprevistos e ocorrências caricatas... aos quais temos, também, que ir dando resposta.
No fundo, é como se, de um momento para o outro, o caos se instalasse de uma forma muito sui generis nas nossas vidas, criando uma miríade de obstáculos para nos colocar à prova e verificar se estamos ou não preparados... ainda não sei bem para quê (esta parte da teoria ainda não consegui desenvolver lá muito bem!).

Nestas duas últimas semanas, como diria um Amigo meu, tem sido mesmo "do best" a nível de situações tão caricatas quanto imprevistas que tenho tido que ir tentando resolver, enquanto me esforço, diariamente, para conseguir terminar o orçamento reestruturado do projecto que tenho que entregar até ao fim deste mês.





- Alegrias dos Condomínios - III -


Chegar a casa com a cabeça a estourar de dores e ser surpreendida pela notícia que na manhã seguinte começariam as obras no prédio para a instalação de intercomunicadores nas campaínhas.

O mais caricato é que quem deu esta notícia às duas pessoas que constituêm a administração do condomínio (entre as quais me incluo) foi um dos vizinhos. Ou seja, alguém que, segundo parece, não compreendeu lá muito bem o sentido do que vinha escrito em acta de reunião... ou, então, armou-se em parvo para conseguir levar a água ao seu moinho, com a desculpa de que, apenas, estava a tentar ajudar a administração do condomínio.

Logicamente que a coisa não foi (nem irá) avante!...
Há com cada "chico-esperto" que, às vezes, ainda me consigo surpreender!





- Cenas Triviais do Quotidiano - IV -

Perseguida por Post-It's



Desde o fim da semana passada, eles começaram a multiplicar-se, por entre as nuvens... e, até ao final do mês, já devem ter coberto o écran todo!
Demonstrativo da fase de trabalho que estou a atravessar.

Infelizmente, quanto aos post-it em formato papel, ainda não consegui dar conta deles e aniquilá-los de vez, na medida em que ainda me perseguem no bloco de notas que levo para todo o lado... e, esta manhã, até me deparei com um post-it papel agarrado à manga do meu casaco de malha.
Eles andam mesmo a perseguir-me!...





- SPT # 33 - "The Body" -



"Hidden places": Borbulhas em tons de verde.






- O Justiceiro do Graffiti - II -

Fotografia de CabT


Volta a atacar!...



domingo, 15 de abril de 2007

Manias: "Coleccionar" Cadernos






Fico completamente paranóica, quando vejo um caderno ou bloco de notas à minha frente... daqueles novinhos, que mal o abrimos emana o cheiro a papel, cujas folhas ainda vêm quase coladas umas às outras.
Na maioria das vezes, não consigo resistir e compro logo o caderno que me cativou, apesar de saber, antecipadamente, que, em casa tenho para aí mais uns 6 ou 7 cadernos novos que, ainda, nem sequer utilizei.
De certezinha absoluta que isto é uma qualquer doença!

Mas a verdade é que um dos meus maiores sonhos, para quando me reformar, é abrir uma papelaria... onde possa passar os meus dias a ver e a tocar em cadernos novos em folha!




sábado, 14 de abril de 2007

Eu fui...






... a um EXCELENTE concerto!

Tempo, também, para estar com uma grande Amiga e pôr a conversa toda em dia... como nos velhos tempos! :)


sexta-feira, 13 de abril de 2007

Notas Soltas - XLVII



- Metamorfose -

(08/04/07)

O Homem que transportava ao peito uma constelação de estrelas fazia, por vezes, aquele ar acabrunhado que todos os miúdos desenham nos seus rostos quando julgam ter feito alguma asneira. O qual era bem diferente do ar que transportava sempre, muito sorridente e brincalhão.
E ela, tentando esconder o seu receio ao vislumbrar tamanha metamorfose, começava a rir-se sem motivo aparente.





- Cenas Triviais do Quotidiano - III -


Quem tem fraca memória (como eu), e, ainda por cima, tem que facer face, profissional e diariamente, à responsabilidade de dar resposta a 1001 coisinhas em simultâneo com prazos para anteontem, deverá saber, perfeitamente, bem como se vão aglomerando pequenos papelinhos de notas por tudo quanto é sítio.
Em França chamam-lhes "pensées-bêtes" (apesar de serem de uma infindável utilidade) e, entre nós, são mesmo apelidados de "pedaços de papel" ou "post-it".



No meu caso, estes post-it vão-se acumulando uns sobre os outros (até se ir perdendo um pouco a conta dos mesmos), há mais de um ano, no lado esquerdo do écran do meu computador. Logicamente, vão acabando por perder aquele bocado de cola que têm na parte superior e todos os dias algum desses mesmos post-its se despegava e me caía para cima do teclado... o que, diga-se de passagem, acaba por ser ainda mais irritante do que saber que ainda não se conseguiu dar resposta a todos os "assuntos pendentes" dos post-it.



Esta manhã, quando cheguei ao emprego e liguei o computador deparei-me com o programa "Post-It Notes" instalado, oferta de um colega da Informática, que já mo prometera há alguns meses atrás.
Fiquei mesmo deliciada ao ver todos os meus post-its (de "pendentes" para 2ª feira que vem) a pairarem sobre as nuvens!
Quanto aos post-its em formato papel, serão devidamente triados na próxima semana, para começarem, também, a fazer parte das "molduras" junto às nuvens! :)





- Quem tem uma Mary Poppins, tem tudo! -


Acordar de manhã com ela a dar-me patadas na cara, de uma forma ainda mais insistente e desesperada do que é usual.
Maquinalmente, naquele estado ainda de sonolência, retiro o telefone móvel (o fixo cá de casa) debaixo da almofada para ver as horas... e, subitamente, apercebo-me pelo visor que este ficou sem bateria e se encontra desligado... daí o seu alarme não ter soado às 6h30, como é habitual quando tenho que ir trabalhar para a Bobadela!
Levanto-me a correr. Chego à cozinha e, ao olhar para o relógio na parede... 7 horas...
E penso: - "Quem tem uma Mary Poppins, tem tudo! Mas tenho mesmo que ver se, um destes dias, compro um despertador em condições."



No meio de toda esta confusão, acabo por conseguir sair de casa às 7h53. Eu que, normalmente, faço tudo meio au ralenti de manhã... salva por uma gata!...




quinta-feira, 12 de abril de 2007

Corners of my Home # 13



A confusão total reina, lá em casa, no principal ponto de apoio da minha cozinha...




Outros recantos, aqui.

quarta-feira, 11 de abril de 2007

Notas Soltas - XLVI



- Em busca de tranquilidade -


Começar o dia aqui...






... E terminá-lo por estas bandas.


Apesar das duas paisagens de sonho, o sentido é ambivalente: um par de reuniões com a duração de 3 horas cada e muita agitação à mistura.

Mesmo nos momentos mais complicados, andamos sempre em busca de tranquilidade!...

"Nada perdeu a poesia"... como vinha inscrito no poster que se encontrava na sala onde tive a primeira reunião esta manhã.





- Em pulgas! -


Já só faltam 2 diazinhos!...
E eu já estou mesmo em pulgas para ir desanuviar a minha cabeça de tanto trabalho!!!





- "Cortes" - II -




Cena da dança, em "Simple Men", filme de Hal Hartley (1992).


Para quem não tem jeitinho nenhum para dançar (como é o meu caso!), esta cena é de um brilhantismo atroz!...
Conjugando sempre o delicioso non-sense de todos os filmes deste realizador alternativo: já repararam bem no facto de que apenas uma das personagens sabe, de facto, dançar... e as restantes personagens seguem os seus gestos, como simples marionetas?!

Adorei esta cena na altura em que vi este filme (já há um bom par de anos)... e não consigo evitar um sorriso nos lábios, sempre que a revejo.