segunda-feira, 27 de novembro de 2006

domingo, 26 de novembro de 2006

Cheirinho a Antropologia!...


Como muitos outros, desiludidos com o rebuliço da vida nas grandes cidades, também, o meu irmão começou a desejar retornar ao campo e ao contacto mais directo com a natureza (apesar de ser alfacinha de gema e, por assim dizer, não ter um local ao qual poder chamar terra)… sendo, desde 6ª feira passada, o feliz proprietário de uma casa no lugar de Vila Pouca (freguesia de Enxara do Bispo, concelho de Mafra).

Hoje fui conhecer o local e a casa em questão.

Pela descrição da minha mãe (sempre eloquente e com uma incapacidade crónica de conseguir contar uma história em tempo considerado útil, mas parca em pormenores que nos relevem alguma visualização imaginativa), que já tinha visitado o sítio, imaginava ir deparar-me com um local ermo, distante de todo e qualquer traço civilizacional, onde o meu irmão acabaria os seus dias votado ao abandono, cercado unicamente pelos seus 3 computadores e sem vivalma com quem falar ou que, eventualmente, o pudesse socorrer caso tivesse algum problema (os traços de preocupação no carácter denotam os longos anos de experiência enquanto irmã mais velha).




E eis senão quando, chegados ao lugar de Vila Pouca, me deparo com um pitoresco aglomerado de casinhas fincadas umas às outras, criando ruelas estreitas, no que se poderia apelidar de uma pequena colina, onde não falta mesmo o característico largo de aldeia – junto à igreja – com os seus banquinhos e a paragem da carreira.
Por momentos, até consegui sentir saudades da Azóia de Cima, aldeia ribatejana onde, há 9 anos atrás, realizei o meu primeiro trabalho de terreno no curso de Antropologia.

Ainda mal tínhamos entrado em casa, enquanto a inspeccionávamos do exterior, deparámo-nos logo com uma vizinha, de negro vestida, que nos olhava no terreno mesmo junto à casa, apoiando-se num estendal.
Aproveitou para se apresentar e perguntar se éramos os novos donos daquela casa.

Já no interior, aproveitei para me ir entretendo, captando algumas imagens em filme, para que o meu irmão pudesse posteriormente visualizar melhor a casa com vista à sua decoração.
Curiosamente, na casa-de-banho, deparo-me com uma janela que dá paredes-meias com uma das estreitas vielas que compõem aquela aldeia (ainda pensava eu que a minha casa-de-banho em Lisboa, que dá para alguns quintais, ficava demasiado perto dos prédios da rua das traseiras. Mas aqui o perto é mesmo sinónimo de quase em cima da casa-de-banho do vizinho!). Por momentos, enquanto avanço com a objectiva, penso que, dali a nada, ainda me aparece alguém na rua, do outro lado da janela… e, bem dito, bem feito, deparo-me com uma velhota que, ao passar, e ver as janelas abertas, olha sorrateiramente lá para dentro. Fugimos as duas. E penso para mim própria: - “Já fiz porcaria, como é meu hábito… mas, pelo menos, fico aqui com um documentário antropológico digno de renome!”.
[Nota: - podem ver o filme, aqui.]

Coincidência ou não, algumas horas mais tarde, deparamo-nos com a dita cuja senhora, vizinha de uma das casas ao lado, sentada na soleira da sua porta, acompanhada de duas mulheres mais novas e de 3 gatos, amarrados a umas trelas.
E as 3 mulheres não cabiam em si de curiosidade perante aquelas 3 outras alminhas que ali andavam de um lado para o outro, dentro de uma casa de janelas abertas de par em par (mais tarde, nesse dia, viríamos a saber que os antigos proprietários nunca abriam as janelas – o que a aldeia em peso considerava deveras estranho -, para além do mofo e musgo que se fora criando nas soleiras das janelas)… E, muito logicamente, desde que a mais velha fora filmada enquanto inspeccionava a casa-de-banho do vizinho, estavam desejosas de meter conversa com aquelas novas pessoas que pareciam caídas de pára-quedas em Vila Pouca.

A minha mãe fez-lhes o gostinho ao dedo, ao assomar à janela e começar a falar sobre os gatos que a senhora mais velha (a mesma que fora filmada) tinha presos pelas coleiras.

Conversa puxa conversa, e ficámos a saber que a casa que o meu irmão adquirira já tinha tido 3 proprietários (incluindo o meu irmão) e que, curiosamente ou não, quando me viram pensaram que se tratasse da Mena, a primeira proprietária, que era cabeleireira e muito parecida comigo (“até no corte de cabelo e tudo”, segundo mencionaram).
Depois falaram sobre os segundos proprietários, e o seu grave problema em abrir janelas de par em par, fazer limpeza da casa e tratar das plantas que envolviam a casa.
E, na nossa família, ficámos com a ténue sensação que o meu irmão vai ser o próximo a ser falado no lugar de Vila Pouca (sobretudo, porque ele já tinha a intenção de retirar dali as plantas, que viemos a saber terem sido plantadas pelas 2 mulheres mais novas)… felizmente, que, durante os próximos tempos, ele só lá irá aos fins-de-semana, para ir fazendo trabalhos de recuperação na casa.

Aproveitando o facto de se ir divagando sobre plantas, a mais nova das 3 mulheres quis então mostrar-nos a sua casa e o terraço onde guarda as flores e plantas que cultiva.
Chegados ao local, dois passos a seguir, na rua das traseiras da casa do meu irmão, deparamo-nos com uma casa enorme, composta por vários aglomerados e escadas, num projecto arquitectónico neo-minimalista, com alguns traços de fortaleza… denotando que esta senhora seria uma das principais “notáveis” do lugar de Vila Pouca.
O tal recanto das suas plantas não passava, praticamente, de uma selva (e pensava eu que a minha mãe tinha muitas plantas na varanda da sua casa!), onde mal nos conseguíamos mover, temendo sempre pisar algum vaso ou dar cabo da folha de alguma planta. Mas a minha mãe ficou encantada e, ainda, conseguiu voltar carregadinha de flores para Lisboa!
Já a “notável” vizinha dizia-nos constantemente que lhe tinha acontecido uma desgraça e que agora já não era a mesma, já não conseguia tratar das suas plantas como antigamente. Calávamo-nos os 3, temendo intrometer-nos na vida da dita cuja senhora. Mas nem 5 minutos tinham passado, e a senhora voltava ao mesmo, numa estranha ânsia de partilhar a sua desgraça com 3 estranhos. Com a curiosidade que me caracteriza, também, já não conseguia suportar mais aquela situação… até que a senhora lá acabou por nos contar que era casada há 20 anos e na passada 6ª feira, quando celebrava o aniversário de casamento, o seu marido saíra de casa, largando-a com um filho de 15 anos, para se juntar à amante de 20 anos, que conhecera por vias da Internet.
Neste ponto, o meu irmão terá, eventualmente, pensado que teria que se lembrar sempre, das próximas vezes que retornasse a Vila Pouca, de nunca contar à senhora que trabalhava em Informática, ou correria o risco de ser ainda mais mal-falado na aldeia do que por causa das simples plantas.

A conversa foi-se alongando e a tarde caía rapidamente, com um vento frio a começar a enregelar-me os pés e as mãos. Apesar de entusiasmada (quase em ebulição!) com todo este cheirinho a bom terreno de Antropologia que imperava naquele lugar, comecei a desligar completamente das restantes conversas; não sem que antes tivesse, finalmente, compreendido o motivo pelo qual aquelas mulheres protegiam tanto os seus gatos, amarrando-os a trelas, quando a aldeia parecia tão pacata… os caçadores da zona haviam, recentemente, morto uma série de gatos abandonados que por ali abandonavam (sendo alimentados por algumas pessoas da aldeia), com medo que estes lhes comessem os coelhos que iriam caçar.




Regressámos a casa, em Lisboa, por entre risos e gargalhadas, ao lembrarmo-nos deste nosso regresso ao campo e das nossas primeiras impressões sobre tudo o que nos acontecera.
E eu, apesar de enregelada e prestes a chocar uma gripezita, fiquei em pulgas para voltar a Vila Pouca, Enxara do Bispo… dando graças ao meu maninho por ter comprado uma casa na aldeia!

Notas Soltas – VI

- Banda Sonora para uma Semana –

No meu grupo de amigos, quando temos “serão para cafézinho” em casa uns dos outros (sim, sim, esta é mais uma prova de que estamos a ficar velhotes e já não aguentamos, como outrora, a pedalada das noitadas no Bairro Alto e afins!), instituiu-se, há já algum tempo (se a memória não me falha, fruto de mais uma invenção do Tiago), o agradável hábito de, ao longo da noite, cada convidado ir escolhendo um CD, que vai acompanhando as nossas conversas e divagações.

Um pouco à semelhança desse hábito, cá em casa, quando chego extenuada, depois de um dia de trabalho, gosto de colocar logo alguma música a tocar, para me ir “embalando” o espírito durante as habituais/rotineiras tarefas domésticas, bem como no jantar (sim, porque não tenho por hábito ver o telejornal enquanto como, que é para o meu débil estômago não sofrer nenhuma indigestão!).

Aqui deixo a sugestão da minha banda sonora da semana que passou:

(2ª feira) – Tom canta Vinicius (ao vivo)
(3ª feira) – Seu Jorge – “The Life Aquatic”
(4ª feira) – Bach – “Violin Concertos – Orquestral Suite nº 3”
(5ª feira) – Yann Tiersen – “Le Fabuleux Destin d’Amélie Poulain (original soundtrack)”
(6ª feira) – La Rue Kétanou – “En attendant les Caravanes”
(Sábado) – Goran Bregovic – “Arizona Dream (original soundtrack)”



- Pequenas Coisas Simples da Vida –

(25/11/06)

Uma tarde (muito) bem passada a pôr a conversa em dia com a minha amiga A.
A. é, talvez, das únicas amigas com quem consigo ter conversas sérias sobre a vida e os nossos problemas, tentando sempre enfatizar o aspecto positivo de tudo e brincando mesmo com as situações mais graves… quando, normalmente, eu própria não sou lá muito optimista!
Comparativamente, A. consegue ser ainda mais pessimista do que eu e para piorar a situação, há algum tempo atrás, foi-lhe diagnosticada a doença bipolar.
Se, normalmente, nunca é fácil aguentarmos as nossas próprias neuras, aguentarmos as neuras dos outros quando não nos sentimos bem torna-se ainda pior (daí que aqui faça o mea culpa por, nem sempre, dar a atenção que a minha amiga A. necessita)...
A verdade é que, quando somos Amigos de alguém, temos sempre que tentar fazer um “esforço” redobrado neste tipo de casos, porque, pura e simplesmente, a Amizade assim o impõe.

“Tentar saborear as pequenas coisas simples da vida, para podermos conseguir esquecer as mais desagradáveis”… é sempre um bom conselho a dar!
Alegrarmo-nos com os raios de sol que nos entram pela janela de manhã, depois de um dia de temporal…
Prolongarmos o nosso caminho diário para o emprego, fazendo uma breve incursão por um qualquer jardim, para dar mais ânimo ao dia que se inicia…

Passear de carro, sem rumo certo, junto à Marginal, simplesmente para ver o anoitecer, o mar e apanhar ar fresco!...



Rirmo-nos infantilmente e sem qualquer sentido, enquanto (os outros esperam que a GRANDE árvore se ilumine e) fotografamos as iluminações de Natal da cidade (mesmo que as consideremos o ponto alto do consumismo, não há dúvida que as suas formas são cada vez mais belas!) e não paramos de repetir incessantemente: - “Tão lindooooo!”
Como fizémos hoje!


É tão bom saborear as pequenas coisas simples desta vida… que tudo o resto parece perder qualquer sentido!...




- Ele já voltou… -





… pelo menos aqui ao meu prédio, outra vez.
Elas já por aí andam, a alastrar como uma praga maldita!



sexta-feira, 24 de novembro de 2006

O Temporal


Começou por volta das 16h. O dia transformou-se, subitamente, em noite e a chuva não parou de cair em catadupa, associada a um vento frio e forte.
E a cidade - já de si, em dias normais, pouco organizada - ficou, completamente caótica: tudo inundado (porque, seguindo uma lógica muito própria, os serviços municipalizados só às 4 horas da manhã, após ter passado o temporal, é que iniciaram os serviços de limpeza das sarjetas), o trânsito parado, os autocarros que passavam pelas paragens e não paravam… e as pessoas, depois de mais um cansativo dia de trabalho numa semana a chegar ao fim, desejosas de chegar a suas casas, começavam a deixar os seus nervos falar cada vez mais alto.

O meu percurso trabalho-casa que, num dia normal me demoraria cerca de 45 minutos (entre utilização de 2 linhas de metro e 1 autocarro), hoje foi alargado para a módica quantidade de cerca de 3 horas (uma das quais passada numa paragem de autocarro, em Telheiras, ao frio e à chuva, com os pés todos encharcados e as mãos já roxas, esperando por um autocarro que nunca mais aparecia).
E, quando, finalmente, consegui chegar a casa eram 21 horas!...

Felizmente que, para combater o stress de dias como o de hoje, existe sempre a companhia dos nossos amigos!




Muito obrigada S&T pelo serão (agradecimentos, também, ao Tarek pela partilha da sua ração com as minhas ‘nininhas) e pelos cházinhos para a troca.
Hugo, a boleia veio mesmo a calhar! Thanks!
Marta, adorei o postalinho (tinha mesmo que dar destaque aqui no post de hoje)!

quinta-feira, 23 de novembro de 2006

"Spleen et Idéal"


"Quand le ciel bas et lourd pèse comme un couvercle
Sur l'esprit gémissant en proie aux longs ennuis,
Et que de l'horizon embrassant tout le cercle
Il nous verse un jour noir plus triste que les nuits;
(...)
– Et de longs corbillards, sans tambours ni musique,
Défilent lentement dans mon âme ;
l'Espoir, Vaincu, pleure, et l'Angoisse atroce, despotique,
Sur mon crâne incliné plante son drapeau noir."


Charles Baudelaire, in "Les Fleurs du Mal" - Spleen et Idéal, LXXVIII


Há dias assim, em que um imenso enjoo (de fazer, diariamente, sempre a mesma coisa... de passar sempre pelos mesmos lugares... de ver sempre as mesmas pessoas), quase nos leva à loucura!...

Mas, provavelmente, deve ser só do tempo ou do cansaço!...

quarta-feira, 22 de novembro de 2006

Notas Soltas - V


- Moda Floribella -

Não tenho nada contra esta série em particular, pura e simplesmente, porque não a costumo ver!...
Mas acho, de facto, impressionante como um determinado personagem se consegue transformar (ou ser transformado) numa moda... cada vez mais exacerbada pela sociedade consumista em que vivemos!

Domingo passado, antes de almoço, compras no Continente do C. C. Colombo com a família. Fiquei estupefacta ao ver a quantidade de criancinhas que se apinhavam junto a um mostruário, em pleno supermercado, onde se fazia a demonstração (para as compras de Natal) do karaoké da Floribella.
E as crianças cantavam a letra toda de cor, umas mais expansivas do que outras simulando as danças dos personagens e tudo... porque são crianças, e não percebem nada dessas coisas dos adultos, e quer habitem em bairros sociais ou sejam filhas de imigrantes eslavos (como a pequenina de cabelo quase alvo que cantava num perfeito Português a música da série, acompanhada da mãe a quem se dirigu em Russo), o que lhes interessa mesmo é ter o brinquedo que todos os outros amiguinhos têm, o brinquedo que está na moda.

Primeiro foram as saias aos folhos e flores para as meninas, depois a roupa de ganga, a seguir as imagens da personagem em bolos de aniversário...
E a última que vi, foi mesmo esta (ver foto abaixo)...



O que me escandaliza, no meio disto tudo, é mesmo a utilização que o mercado consumista em que vivemos faz das crianças, transformando-as em pequeninos monstros, que tudo querem e tudo podem!
Algum dos meus amigos me contava, há dias, saber da existência de determinada criança que tinha sido ostracizada na escola, apenas porque os seus pais não a deixavam ver determinada série.

Eu sei que me vai custar muito a dizê-lo (sobretudo, por ser a prova provada de que estou a ficar velha)... mas, no meu tempo não era nada assim... tínhamos (divertíamo-nos com) tão pouco e éramos felizes!!



- Frase muito Sábia -

... aqui.


terça-feira, 21 de novembro de 2006

Ambiguidade


“Tristeza não tem fim
Felicidade sim

A felicidade é como a gota
De orvalho numa pétala de flor
Brilha tranquila
Depois de leve oscila
E cai como uma lágrima de amor
(…)”

(António Carlos Jobim/Vinicius de Moraes, in “A Felicidade”)


Como é possível que uma inesperada notícia que, supostamente, nos deveria deixar felizes, nos deixe à beira de uma daquelas grandessíssimas neuras?

domingo, 19 de novembro de 2006

A chegada do Pai Natal

Letreiro inscrito num Centro Comercial da capital: "O Pai Natal chega no próximo dia 24/11/06, às 12h00".


Porque ele já aí está quase à porta...


No meu tempo de criança, há 20 e tal anos atrás, o Pai Natal só costumava chegar à meia noite de 24 para 25 de Dezembro!
Jantávamos em família e, depois, eu e o meu irmão tínhamos que nos ir deitar, numa ansiedade enorme, à espera que esse ser misterioso chegasse para nos deixar prendinhas junto à árvore de Natal.
Nos dias que antecediam a chegada do Pai Natal, fazíamos sempre imensas conjecturas sobre como conseguiria ele (ainda por cima, sendo um velhote de barba branca e gorducho) percorrer os céus de todo o mundo e, de uma forma tão rápida, deixar prendas a todas as crianças.
Nessa altura, havia sempre uma espécie de magia contagiante no ar!...

O tempo passou e fomos crescendo. Deixámos de acreditar no Pai Natal (primeiro eu, a seguir o meu irmão, coitado, que impulsionado pela mana mais velha, teve que deixar de acreditar nestas coisas ainda com tenra idade!), porque sabíamos que, com maior ou menor dificuldade, quem nos comprava as prendas que permaneciam nessa noite junto ao pinheiro era a nossa família.

Cada Natal passou a ser diferente e único, há medida que a nossa (já de si) pequena família começou a diminuir as presenças na consoada... restando, no final, apenas os mesmos 5 que, nos últimos anos, nos reunimos (na noite de 24 em casa da minha mãe, e no dia 25 para um almoço em casa dos meus avós - apesar de, no último ano, os hábitos terem mudado um pouco, devido à minha casa nova).

A partir dessa altura, passei a dar uma maior importância ao Natal porque, apesar de ser uma época por natureza demasiado triste, passou, também, a ser a altura em que podia estar com a minha família, gozando de cada instante da sua presença... sem pensar no amanhã, nem na lei natural da vida.
Por acréscimo, foi, também, nessa altura que passámos a conferir uma menor importância às prendas (as quais passaram a ser mais singelas e trocadas logo no início da noite de 24/12, para não atrapalhar o ambiente do resto do jantar!), reservando um lugar muito especial para o jantar e as conversas em família.



sábado, 18 de novembro de 2006

Pudesse Eu


"Pudesse eu não ter laços nem limites
Ó vida de mil faces transbordantes
Para poder responder aos teus convites
Suspensos na surpresa dos instantes!"

Sophia de Mello Breyner Andresen, in "Pudesse Eu"



Um grande beijinho de parabéns para este casal de amigos, que foi hoje "presenteado" com a chegada da pequena Pilar!


sexta-feira, 17 de novembro de 2006

Desumanidade...

s. f. falta de humanidade, barbaridade; crueldade. (De des-+humanidade).


Porque ainda há casos que me continuam a deixar espantada face ao desinteresse e egoísmo de tanta gentinha que para aí anda...


Este é o Alex.
Esteve dois dias postrado dentro de uma poça de água, cheio de dores, depois de ter sido atropelado e baleado com chumbo, numa estrada que vem de Setúbal por dentro para o LAU - Palmela...
Sem que nenhum automóvel parasse para o socorrer, sem que ninguém retirasse alguns minutos à sua agitada vida para ajudar este ser vivo.

Ao olhar-se pela primeira vez, pensaríamos que estava morto, depois de dias a fio à chuva, sem comer, todo molhado e sem se mexer... mas a sua cabeça ainda se levantou, como numa súplica por auxílio, quando voluntárias de uma associação de defesa dos animais o foram resgatar.
Aquando do seu resgate, a pessoa que foi buscar o Alex ia sendo atropelada cerca de 8 vezes; 20 carros passaram no local, sem que nenhum deles parasse sequer... pelo contrário, ainda a insultaram e apitaram.

O Alex é um cão novo e tem coleira mas sem nome.
Depois de salvo, fez vários raios x e ficou no Hospital Veterinário de Setúbal em recuperação. Encontra-se a cargo da associação Sobreviver de Setúbal.
Os problemas que o Alex tem:
- a t9 e t10 danificadas;
- 5 fracturas na bacia (2 delas não operáveis, mas como tem 7 meses pode ser que lá vá..);
- o intestino grosso está repleto de areia (possivelmente, na luta pela sobrevivência, o pobre animal comeu areia);
- muitos chumbos (das 2 uma: ou foi baleado antes e depois atropelado ou foi atropelado e depois baleado... pois ainda se nota o sítio onde os chumbos entraram.. pois os buracos ainda têm sangue);
- estava em hipotermia (com 30 graus, onde o normal seria 38 graus);
- já estava assim há alguns dias (no mínimo 2).



Face a este estado, o Alex vai ser operado hoje, por volta das 19h. Neste momento está altamente dopado pois está com muitas dores.

Toda a ajuda será bem vinda, uma vez que será necessário pagar o ortopedista/cirurgia e, à posteriori, encontrar um dono em condições para o Alex.

NIB DA SOBREVIVER: 0 0 3 5 0 7 7 4 0 0 1 3 9 2 5 1 3 3 0 4 3
TLM: 934 538 457
MAIL: sobreviver_setubal@yahoo.com